Estranhamente não foi uma demissão em direto

Estamos a ouvir em direto, nesta manhã de sexta-feira, ao que seria, um país normal, a justificação da demissão do Ministro das finanças.

O discurso enrolado em pretensas tecnicidades tentando em desespero esconder a mentira da realidade inescapável é um insulto a todos os portugueses.

Pela segunda vez desde Janeiro – não falando, portanto, das flutuações erráticas do ano passado – Vítor Gaspar falha em tudo.

Não vale a pena repetir o comunicado do MF, que fez a figura mais triste de que há memória em frente a uma plateia de jornalistas.

O défice é este e este conforme o critério a, b ou c, numa loucura justificativa que fica então em 6% quando era para ser 4, 5% e depois de mais enganos era para ser de 5%.

Temos Ministro “confiável”, num dia em que não engana quem ouve o homem que tem de ser demitido imediatamente.

Porque chega.

Entre o último discurso de Vítor Gaspar e este de hoje, mudou tudo, tentando o Ministro que nos representa formalmente mostrar a “continuidade” com recurso ao palavreado do “estrutural”, da “curva previsível”, enfim, os palavrões disponíveis ao engano.

Défice com três valores possíveis (critérios), desvalorização do défice real de 2012 (prefere outras variáveis), o desemprego vai atingir os 19% (diz que é traumático), as exportações positivas que no debate de ontem pela boca do PM é coisa estrutural se deus quiser afinal vão cair “devido à paralisia dos mercados externos”.

A sério, Senhor Ministro?

É só esse o problema?

E não lhe perguntem pelas rescisões e não lhe perguntem pela substância do corte de 4 mil milhões de euros, e não lhe perguntem pela hipótese de uma decisão negativa do TC porque ele sabe que cumpriu os “critérios” desse tribunal, e não lhe perguntem por que é tão bom que os trabalhadores recebam 12 dias por ano em caso de despedimento “mas só para os contratos novos e sem termo”.

Sobretudo, depois de tudo falhado, não lhe perguntem sobre Política.

 

 

3 thoughts on “Estranhamente não foi uma demissão em direto”

  1. por impossibilidade,não vi nem ouvi a conferencia de imprensa do “moço de recados” dos credores.faço uma pergunta? perante o relato do desastre não houve uma unica voz que se tenha revoltado? é urgente o aparecimento de um jornal de esquerda democratica,em que no estatuto do jornalista não conste que pode ser despedido por discordar do governo.jornais na mão da direita,que hoje criticam o governo porque querem vender e não por convicçao não dá.quando chegarmos a eleiçoes voltam com a cassete atras,para lá os colocar.isto é um pais amordaçado

  2. Isabel

    Talvez aches que o Medina faria melhor que o Gaspar. Pois eu não!
    O que está acontecer é o facto de termos tido uma economia alicerçada no Estado. Isso acabou! Temos de criar uma tecido económico que não dependa do Estado para viver. Além disto, ou fazemos o ajustamento e criamos um Estado que seja suportado pelos portugueses, se não conseguirmos, capitularemos.
    Tenho vindo a dizer, desde quando comecei a escrever no blog, as razões que nos levaram a esta situação em que se encontra, não só Portugal, mas, também, a maioria dos países europeus. Não há como voltar atrás, se não é uma guerra. Temos de nos adaptar à globalização. Já tive oportunidade de te dizer isto: bem-vinda ao séc. XXI!

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