Diz o FMI. E então?

Este ano, a economia portuguesa deverá continuar em recessão ao apresentar uma contração do PIB de 3,3%, valor revisto em baixa face às últimas projeções do FMI [2ª revisão do PAEF-dezembro 2011] que apontavam para um crescimento negativo de 3,0%. Assim, a confirmarem-se estas projeções, a contração da economia em 2012, será a 2ª mais profunda desde a democracia portuguesa (1975=-5,1%; 1984=-1,0; 1993=-0,7%; 2003=-0,9%; 2009=-2,9%; 2011=-1,6%).
Em 2012, Portugal apresentará a 2ª recessão mais pronunciada das 34 economias avançadas, a seguir à Grécia e a 3ª se considerarmos as 184 economias do mundo (a seguir ao Sudão e Grécia). Também a zona euro deverá entrar em recessão (-0,3%), embora a sua intensidade seja mais ténue que a projetada para Portugal: a recessão da economia portuguesa será 11 X mais profunda que a da zona euro. O FMI adianta que o PIB deverá contrair na zona euro no 1º semestre do ano começado a crescer no 2º semestre, exceto em Espanha, Itália, Grécia e Portugal onde o crescimento deverá iniciar-se apenas em 2013. Segundo o World Economic Outlook, o PIB português deverá contrair 2,3% no 4º trimestre deste ano.
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A economia mundial deverá crescer 3,5%, a União Europeia apresentará uma estagnação da economia (0,0%) e o grupo de países emergentes e em desenvolvimento apresentarão o maior crescimento de 5,7%.
Em 2013, Portugal deverá apresentar um crescimento do PIB de 0,3%, sendo o 3º crescimento mais tímido das 34 economias avançadas (a seguir à Espanha 0,1% e Grécia 0,0%). Neste ano só a Itália deverá estar em recessão (-0,3%). A economia da zona euro crescerá 3X mais que a portuguesa (0,9%), a UE27 4X mais, as economias avançadas 6X mais e as economias do Centro e Leste da Europa 8 X mais.
Em 2014 a economia portuguesa deverá crescer 2,1% e nos anos seguintes, até 2017, crescerá mas em desaceleração face a 2014 [2015 e 2016=1,9%; 2017=1,5% (4º crescimento mais fraco)].
TAXA DE DESEMPREGO
A taxa de desemprego deverá atingir 14,4% (valor revisto em alta face a dezembro que apontava para 13,8%) sendo a 4ª taxa de desemprego mais elevada das 34 economias avançadas. Este valor deverá estar subavaliado, uma vez que a taxa de desemprego já atingiu os 15,0% no passado mês de março, ora para se confirmar o valor do FMI, o desemprego teria que descer ao longo de vários meses do ano, o que, infelizmente é pouco provável, bastando, para este exercício, olhar para o valor bastante pronunciado da recessão, de 3,3%.
A zona euro deverá registar uma taxa de desemprego de 10,9% e o conjunto das 34 economias avançadas de 7,9%.
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Em 2013, a taxa de desemprego em Portugal deverá baixar para 14,0%, colocando-se, contudo, na 3ª taxa de desemprego mais elevada dos países em análise. Também na zona euro e nas economias avançadas a taxa de desemprego baixará para 10,8% e 7,8%, respetivamente.
Nos anos seguintes, 2014 a 2017, observar-se-á quedas na taxa de desemprego portuguesa, atingindo 11,1%, em 2017. Contudo a taxa de desemprego em Portugal deverá manter-se, ao longo destes anos, na 3ª taxa de desemprego mais alta das economias avançadas (a seguir à da Espanha e da Grécia).
DÍVIDA PÚBLICA
A dívida pública portuguesa deverá atingir, em 2012, 112,4% do PIB ( valor revisto em baixa face a dezembro =116,3%), sendo a 5ª mais alta das 34 economias avançadas. Em relação ao PIB, em 2012 a dívida crescerá 5,9 pontos percentuais (p.p.) face a 2011 e 19,0 p.p. face a 2010. Em relação ao valor, o valor da dívida pública deverá atingir este ano os 188,5 mil milhões de euros: +3% face ao ano passado e +17% face a 2010 (2010=161,3 mM€; 2011=188,5 mM€).
O FMI projeta um aumento da dívida pública portuguesa até 2013 (115,3%), e em 2014 iniciar-se-á o seu decréscimo até 2017 (ano em que atinge os 212 mM€ o equivalente a 109,2% do PIB). Contudo, de notar, que o valor da dívida pública em 2017 será mais elevado que o de 2011 (106,8% do PIB) quer comparemos em valor (euros) como em percentagem do PIB. Ora, em 2017, a dívida pública portugesa deverá ter crescido 16%, em valor (+29mM€) ou 2,4 pontos percentuais, em % do PIB.
Em 2017, a dívida pública portuguesa deverá colocar-se na 6ª mais alta dos 34 países avançados. A zona euro registará uma dívida de 86,9% do PIB, a União Europeia de 80,6%, as economias avançadas de 108,7%, os países dos G7 de 126,5% e os países do Centro e Leste europeu de 39,0%.

4 thoughts on “Diz o FMI. E então?”

  1. Parece-me que está mais do que comprovado que perder tempo com este tipo de previsões tem tanta utilidade como descrever, com grande pormenor e em igual número de sonolentos parágrafos, as previsões meteorológicas para as próximas semanas em Portugal Continental e Ilhas Adjacentes: antes de se acabar de escrever, já se estará completamente desatualizado – como aliás se confirma pelo número de vezes em que aqui se repete “previsão entretanto já revista em baixa(alta)”!

    A melhor previsão de momento será dizer apenas que “a Procissão ainda vai no Adro”. E se por acaso algum destes números for credível, ou melhor, confirmado, talvez então, sim, seja motivo para discussão útil. Como meras previsões, são assim como as sondagens eleitorais, “valem o que valem”…

  2. É um trabalho exaustivo, mas necessário para compreender a teia em que nos encontramos. As previsões são necessárias, a quem procure fugir de tempestades, furacões e tsunamis. Hoje em dia ninguem pode dispensar o planeamento, a previsão, as formas matemáticas. Eu penso que o FMI está bem dotado de meios para nos ajudar a prever o sentido do ciclo económico, as contingências possiveis numa era de globalização. A Isabel fez bem em transcrever aqui os dados fornecidos pelo FMI, para memória futura. São importantes, não se trata de mera estatística sobre futebóis.

  3. Bravo, bravo!!!
    Estes números são um espetáculo, Drª Isabel Moreira. Não há dúvida que as politicas deste governo são um sucesso. Ah! ganda governo. Tenho orgulho em ser português. Mais uma vez, Drª., estes números são um sucesso!!!
    Foi uma felicidade para os portugueses terem “descoberto” tão geniais governantes. Bravo, bravo!

  4. O mais significativo é que se Portugal tivesse tido este “notável” desempenho no tempo do Sócrates, por esta altura já teria havido distúrbios graves no País. Como nada disto é escarrapachado na máscara dos basbaques da tvi e da sic, continuamos a falar de Futebol e seguimos para… Bingo?

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