Desabafo tratado

O tratado orçamental acaba com o consenso social europeu; institucionaliza o diretório; normativiza a política alemã e não uma política europeia; é assinado por Estados, não é um produto da União; é impraticável; ameaça a possibilidade de políticas de crescimento, de combate ao desemprego; em caso de incumprimento TUDO passa a ser definido e executado por burocratas não eleitos; viola princípios básicos como o princípio democrático e o p. da soberania popular; foi agendado sem discussão nacional; fomos os primeiros a abdicar de defender um caso de Regime.
Tudo pode acontecer. Pode o tratado entrar em vigor sem a ratificação da Alemanha, por exemplo, que continuará a mandar sem consequências convencionais, que chegam a recursos contra um incumpridor junto do Tribunal de Justiça por parte de qualquer outro Estado.
De chantagem em chantagem, de austeridade em austeridade, já posta dogmaticamente em tratado para casos futuros, terá de chegar a hora de a esquerda dizer basta. Sem medo. Aqui e na europa em decomposição.
À inércia vai agarrada a culpa.

18 thoughts on “Desabafo tratado”

  1. E, assim, de cedência em cedência ao diktat germanico/francófono, se vai desfazendo o “espirito” e a praxis dum certo ideal de União Europeia. Isto já não tem nada a ver com o projecto inicial dos pais fundadores. Não passa de uma forma, nem sequer discreta, de a Alemanha (quase em exclusivo) impôr a sua hegemonia a todos os restantes paises europeus. O que não foi conseguido através de meios militares está, agora, a ser feito através dum processo burocrático/financeiro. Onde é que anda a consciência nacional dos diversos povos europeus? Eu também sou partidário duma União de Estados e de Povos da Europa; mas criada num principio de igualdade entre todos os Estados, sem a subserviência de uns perante outros, como está a acontecer.
    Creio que o resultado, mais ano menos ano, será o do desmioronamento de tudo isto e, oxalá me engane, duma forma não muito pacifica.

  2. “o brasil pediu uma reunião de emergência no conselho de segurança das onu sobre a violência das últimas horas na guiné bissau”

    “em lisboa, o ministério dos negócios estrangeiros fez um “veemente” apelo ao fim de todos os atos de violência e ao respeito pela legalidade.”

    expresso online, hoje

    o portas anda a prender umas merdas com o seguro

  3. Quixotesco…

    Mas qual “basta!” e qual Esquerda?

    Dr.ª Isabel Moreira, antes de se indignar e de incitar à rebelião da Esquerda, aconselho-a a prosseguir no seu meritório trabalho de esclarecimento da Opinião Pública sobre estas matérias, sobretudo entre as pessoas que se reclamam da Esquerda, cujas cabeças, sobre este assunto em concreto, anda num completo novelo, muito por culpa dos dirigentes dos Partidos da Esquerda, em particular os europeístas – PS e BE, cada um à sua maneira.

    Eu, tal como o José, considero-me um verdadeiro europeísta, mas estou ciente de que o caminho para uma Europa livre, pacífica, unida, próspera e solidária – falta alguma coisa? – é árduo e não se pode trilhar antes do tempo.

    Porém, leio o seu comentário e descubro enormes diferenças de perspectiva, pois não me consigo de todo rever nesta vulgata pseudo-patriótica, proto-marxista e algo xenófoba com que ele – símbolo de muitos “josés” de Esquerda – embrulha a sua argumentação.

    Sem um assentar de ideias claro e preciso sobre todos estes temas, não vale a pena chamar às armas, que ainda pode é virar-se o feitiço contra o feiticeiro.

    Antes de dizer “basta!”, a Esquerda tem primeiro de definir melhor o que quer – e o que não quer – e, acima de tudo, saber comunicar as suas ideias e convicções. Sem isso, batatas. Lamento, mas tenho de ser honesto consigo.

  4. Infelizmente, a Isabel Moreira (como previsível) votou a favor do Tratado, ainda que tenha feito uma “declaração de voto”. Assim, poderá sempre argumentar que era contra, mas a disciplina partidária não o permitiu…Sinceramente, esperava um pouco mais em matéria tão importante.
    Se não temos coluna vertebral, devemos ir fazer outras coisas.

  5. Está a ver? E agora, a culpa também vai agarrada à sua declaração de voto?

    Sabia que uma guerra só se ganha se já estiver ganha antes da batalha? Se não tiver a vitória garantida, pense sempre duas vezes (ou mais…) antes de sacar da espada…

  6. “…terá de chegar a hora de a esquerda dizer basta. Sem medo.”

    Infelizmente para a senhora deputada parece não ter chegado ainda (ou já ter acabado, no seu caso) a hora de dizer basta.

    Eu sei, provavelmente os “democratas” que pastoreiam o PS, hoje, expulsá-la-iam. Era aborrecido, concordo. Mas saía de pé, e tinha a admiração e o aplauso de muitos dos que ainda não perderam a coluna vertebral.

    Desta forma, continuando a fazer parte do grupo “para lamentar” do PS, como fica a sua consciência de mulher de esquerda? E para onde foi a coragem e a verticalidade de que já deu provas no passado? É assim tão importante para si continuar a fazer parte do rebanho?

    Que desapontamento!

  7. oh isabel! não ligues, a cambada quer é sangue para depois dizer que fizeste tudo ao contrário. caga nos treinadores de bancada e espera pela hora certa para dar a martelada.

  8. Caros
    Obrigada pelos comentários. Segue uma expliccação: eu, o pedro nuno, o joão galamba e o pedro duarte, fortemente contrários ao tratado, votámos a favor do mesmo, apresentando uma declaração de voto que explicará a contigência da disciplina de voto e todas as nossas críticas ao tratado. ficará claro, pois, que se não houvesse disciplina, o voto seria contra.
    falando por mim:
    sempre disse que – obviamente – tenho uma relação de lealdade com o grupo parlamentar (GP). isso significa que acato tudo cegamente? não. quando entendo que apesar de minoritária no GP, apesar de haver orientação de voto, ou quando há disciplina de voto sem que eu veja base no regulamento do GP para tanto – caso dos subsídios e das reformas e do código de trabalho que não constam do memorando ou vai para além do memorando, em consciência, voto contra o decidido pela direção, comunicando a minha argumentação. se tiver consequências, paciência.
    neste caso, a direção decidiu pela disciplina de voto. eu e os meus colegas lutámos para convencer o GP da “maldade” do tratado. perdemos. há claramente base nos estatutos do GP para estabelecer a disciplina. nesse caso, deve ser respeitada democraticamente com a compensação da declaração de voto onde se exprime que só se votou a favor por disciplina e por que razão votariamos contra.
    é isto.

  9. porra isabel, quando votas não declaras sim e versa-vice. limita-te a votar e não te justifiques, pareces o cavacóide para ficar de bem com deus e diabo. mete na mona que foste eleita por um partido e que aquilo tem regras, não gostas despede-te, mas poupa-nos a merda das declarações de voto. se queres outro secretário geral, eu tamém, mas isso trata-se dentro do partido, não é cá fora nas televisões e jornalecos. se não souberes como se faz, há por aí muita gente que te explica, vão é dizer-te que ainda não chegou o momento.

  10. Não vale a pena explicar o que todos nós já percebemos. O mal está feito e é grande. Os tempos são anómalos e, como tal, não são para respeitar regras, quando por todo o lado todos as desprezam.

    A luta quando é justa tem um tempo próprio para se afirmar, caso contrário o “momento certo” é sempre tarde demais. Pôr as coisas sempre em termos de ganhos e perdas, sem risco nem autenticidade, é uma guerra perdida à partida. O calculismo tem custos só por si, mesmo quando parece dar “bons resultados”. O crédito do eleitorado na “parte sã” do PS vai-se esgotando e, um dia, não vai dar para “comprar” nada!

    Se os Capitães tivessem respeitado a Lei e a disciplina dos Quartéis e tivessem decidido aguardar pelo “momento certo”, nunca teria havido 25 de Abril…

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