“Cooperação estratégica” com a interminável vergonha das “escutas”

Ouvi com embaraço Noronha do Nascimento explicar à Imprensa os tópicos da audiência que tivera com Cavaco Silva. Dois ou três assuntos de algibeira para chegarmos a uma agenda, uma agenda de Cavaco: as escutas a Sócrates. Para contínuo horror do cidadão que é representado por aquela figura, ouvimos Noronha do Nascimento defender-se do que lhe fora dito com preocupação, a sua alegada ameaça dirigida ao Juiz Carlos Alexandre, concretamente com um processo disciplinar, por este não ter destruído as escutas em que intervém José Sócrates.

O cidadão minimamente atento à realidade dá um salto e observa que o PR, que jura defender a Constituição, que deve ser imparcial e que zela pelo regular funcionamento das instituições democráticas, onde se inclui quem ele manda calar, por assim dizer, não está preocupado com o facto de não terem sido cumpridos despachos de quem tem materialmente competência para o caso, despachos que ordenam a destruição imediata das escutas; não, sobre essa ilegalidade gritante, aos costumes disse nada, sobre pulularem às pinguinhas de forma obscura no nosso sistema judicial escutas em que intervém o PM, de carácter pessoal, irrelevantes, mandadas destruir pelo PSTJ, como é de lei, sobre esse horror anti-democrático, Cavaco nada.

Cavaco assina a agenda mediática e diz: que história é essa de o Senhor Presidente do STJ ter ameaçado o Juiz que não lhe obedeceu com um processo disciplinar?

Não ameaçou. Se houvesse base legal para isso, pessoalmente, gostaria muito que o tivesse feito. Que tivesse explicado no seu despacho que o Juiz incorria em processo disciplinar. Estaria a cumprir a lei.

Mas Noronha de Nascimento não o fez. Explicou exactamente por que razão a competência é sua, por que razão os despachos posteriores à determinação da natureza das escutas e da sua sua destruição são nulos, por que razão as notificações de interessados de actos nulos são um zero jurídico e explica muito mais.

É tristíssimo que uma audição ao Presidente da oposição redunde na legitima defesa que é a publicação imediata deste despacho.

Que se leia.

6 thoughts on ““Cooperação estratégica” com a interminável vergonha das “escutas””

  1. Li o despacho e posso imaginar as “preocupações” deste desgraçado PR manisfestadas ao presidente do STJ.
    Se Cavaco pensa que consegue lavar a imagem manchada pela sua ligação aos homens do BPN (banco portugues das negociatas) boicotando o governo de Sócrates, pode contar que lhe vai sair o tiro pela culatra. Quando o PSD e os cavaquistas dominarem tudo neste País, será nessa altura que vai ter de prestar contas ao povo da sua conduta. Até pode ter sido “limpa”, mas vai ter que o demonstrar. Se puder. Até lá, o povo vai descrarregando a raiva pela crise no Sócrates e este está servir de dique contra a avalanche da ladroagem do cavaquismo.

  2. Onde anda o Pacheco Pereira? não diz nada sobre isto?????
    Não foi ele que disse que quando se tivesse acesso ás escutas ia ser o fim do mundo?

    Afinal pelo que se lê no despacho a montanha pariu um rato, aquilo devia ser conversas tipo “conversas da treta”, com caralhadas á mistura, e ele ficou impressionado

  3. Não foram destruídas porque ainda podem ir parar a um «jornalista» de um «jornal» que vive de escândalos. Razão tinha o PGR a dizer num encontro no qual participei – «Há 550 mil inquéritos neste país mas só se fala em três ou quatro…»

  4. Este “presidente” foi o mesmo que recebeu o então recem eleito presidente do sindicato dos juizes (!!!!), não sobre o caso BPN, mas sobre “Freeport”…

    É curioso este interesse selectivo pela preservação da “justiça” deste senhor presidente….

    mui curioso!!!!!!!!

    abraço

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