Conivência com a homofobia

Ministério indiano do Interior quer voltar a penalizar as relações homossexuais
Da direita à esquerda todos dirão: – “que coisa horrível”. Alguns, talvez, no silêncio das suas consciências dirão: – “que coisa exagerada”.
É monstruoso, sim.
Não deixa de ser monstruoso que custe tanto a interiorizar este facto: nós, que criminalizámos os actos homossexuais até aos anos 80, isto é, no auge da geração de tantos Deputados, não podemos ter “graus” de homofobia.
Ter “graus” de homofobia é como tolerar “em certas circunstâncias” ou “mais ou menos” o terrorismo.
Identificada a filosofia como infundada, criminosa, com um passado e presente de insulto e de sofrimento, não admitir o CPMS, porque o casamento é um privilégio de alguns, não admitir a PMA para lésbicas, porque não “pertencem a um homem”, não admitir a adoção por casais do mesmo sexo contra todos os estudos feitos sobre a matéria e contra a realidade já existente, não admitir a co-adoção, não admitir, enfim, que os homossexuais têm, como quaisquer pessoas, a sua sexualidade e os afetos daí decorrentes como elemento determinante da sua identidade e por isso toda, mas toda a igualdade de direitos tem de ser consagrada para que no livre desenvolvimento da sua personalidade tenham todas, mas todas as escolhas jurídicas disponíveis, não admitir isto é fazer parte da substância da filosofia que faz hoje notícia no “Público”.

7 thoughts on “Conivência com a homofobia”

  1. Isabel

    O raciocínio do seu texto pode-nos levar à conclusão de quem seja contra o CPMS, a adoção por casais do mesmo sexo, ou a consagração da PMA como tecnica complementar ou alternativa de procriação é homofóbico.
    E não assim.
    PPB

  2. Nos anos 50 ainda os ingleses castravam quimicamente os homosexuais.

    Se fosse naquele tempo nem Elton John chegava a engravidar.

    Ora a antiga colónia inglesa estar no actual estágio, não é assim tão retrógrado.

    Eles lá irão, os homosexuais teem o tempo todo do mundo para os convencer.

  3. meter assuntos tão distintos no mesmo saco e mexer dá um bolo-gay com direito a brinde: o da homofobia patrocinada por um texto como este cujo efeito não produz a reflexão, e indução à mudança, mas induz à raiva e azedume. cada vez mais te tenho como uma profissional do torto, Isabel.

  4. É sempre tudo um exagero quando não nos toca na pele. Há muitas prioridades, muitos assuntos que merecem discussão antes de banalidades como direitos fundamentais de alguém.

    Vai haver sempre merda enquanto se inferiorizar, ainda que possa ser inconscientemente, um homossexual, que tem que ver os seus direitos esperarem por essas prioridades.

    O Saramago escreveu que no dia seguinte ninguém morreu. Se cá amanhã ninguém pudesse adoptar, ninguém mesmo, era logo um choro pegado pelas mães que não podem ter filhos, os casais super deprimidos por não puderem amar uma criança, etc e tal. Porque não ter filhos só deprime um casal hetero.
    Talvez houvesse alguém a pensar nas crianças, talvez.

    Ter reservas em relação ao CPMS e a tudo que vem depois, é achar um casal homossexual inferior a um casal heterossexual. Se é homofobia ou não, fica ao critério de cada um. Eu cá acho que é.

    E se este texto conduz à raiva e azedume pois que conduza, porque deve haver. Já muita gente morreu para que, por exemplo, dois homens possam andar de mão dada na rua, com maior ou menor problema. E há que honrar a memória desses que não tiveram a mesma sorte.

  5. pois categorizar argumentos em função do género sexual não é válido, é discriminação, para mim. quanto à raiva, as vacinas – ou as aspirinas – servem para isso mesmo e não o contrário. já o azedume, com coisas doces se trava.

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