As pessoas que dão números – uma crise invisível

Por onde começar? O desemprego. Lê-se que o número, o tal do número, que varia consoante a instituição analista, pode vir a chegar a um milhão. Dir-se-ia um milhão de vidas, mas o abandono não é só o do carimbado “desempregado”, é o dos seus filhos, é o dos seus pais a cuja casa se regressa, é o de irmãos, quando os há, que dividem o que podem, é o dos amigos, é o de todos estes cometas, também eles tão díspares, entre pensões de miséria ou por sorte bem na vida ou cometas tantos, também eles a um passo do carimbo.
Este não pode ser o retrato economicamente provisório de um país, verdadeiramente desejado por quem ainda hoje, investido na pele de primeiro-ministro, disse que o que soluciona “as coisas” é a iniciativa privada. Eis um homem esperançoso no crescimento porque sim, mesmo que cada passo que um homem tente dar pela mais minúscula empresa esteja condenado à morte pela austeridade – como dizer? – mais do que proporcional e com uma única amiga: a emigração.
Vamos em 800 mil vidas destruídas pelo carimbo e clama-se pela iniciativa privada.
Mas qual? Uma pessoa olha para o país num retrato global e dá razão ao primeiro-ministro.
Na verdade, temos é de compreender quem são os portugueses dele e qual a iniciativa privada que lhe rasga o sorriso.
Por acaso, como bem notava hoje um colega meu, foi a iniciativa privada que construiu monopólios estratégicos do Estado? Quem fez a EDP ou a REN ou as Águas de Portugal? A iniciativa privada ou o contribuinte? O contribuinte, pois; nós, todos nós, todos mesmo, os carimbados também.
Quem, apesar da crise, está bem na vida, na sua “iniciativa privada”? A malta instalada no que um dia foi obra nossa e que agora gere umas coisas privadas, mas com uma pequena nota: tudo em regime de monopólio. Deve ser duríssimo.
Este é o país da direita.

5 thoughts on “As pessoas que dão números – uma crise invisível”

  1. O que eu estranho no “nosso” 1º. ministro é a sua atitude permanente na A.R. Por tudo e por nada o sujeito ri-se com cara de palhaço. Um deputado faz uma observação, uma crítica e o tipo ri-se com cara de palhaço. Vê-se que o badocha não tem respostas convincentes e, portanto, o melhor é rir-se. Está resolvido. Falem do que falem sai uma risada. Triste país com quase 1 milhão de desempregados, de pessoas que não podem pagar os medicamentos, outros que não têm que comer e a solução deste safardana é rir-se. Estamos bem entregues.

  2. …gostava de a felicitar pela iniciativa de fiscalizar o oe de 2012…espero que não desista …é uma questão maior…a politica como coisa nobre que é está hoje abandalhada…reconstruí-la vai ser dificílimo…só com actos muito corajosos e levados até às últimas consequência se fará… neste país os patrões…a larguíssima maioria dos privados …a quem o governo avisa “já estamos pobres…alguns é que não deram conta disso” …são pequenos empresários duros e trabalhadores meios buçais e semi-analfabetos…estão literalmente de calças nas mãos…levantam-se de madrugada entram na fábrica na loja ou no tasco e esperam o telefonema do banco como o condenado espera a chibatada no tronco…olham agoniados para os empregados ali ao lado …muitos deles filhos noras genros primos cunhados etc e tal… sentem que a desgraça é já a tal…apostaram tudo nos trafulhas que lá estão agora… levados por uma campanha ardilosa bem oleada montada a partir da tal da «voz do dono»… «donos» esses para os quais o nosso primeiro «j» hoje fala quando fala de iniciativa privada…aqueles que têm morada fiscal nas holandas e quejandas…e que …como hoje vi na tvi…vão à «voz do dono» fazer homilias ao povo…embalados pelo pajem de serviço travestido de jorna… é necessário pois construir uma oposição firme sólida ao «país da direita» e «à voz do dono»…actualmente não há nada…tem pois…sra Deputada…uma oportunidade magnífica e tem tudo para o conseguir…faça bem..faça sem pressa

  3. Cara deputada Isabel Moreira quando puder ficaria muito grato que sensibiliza-se o Dr. Seguro para este confrontar e pressionar o actual executivo com vista a corrigir excessos do “capitalismo camarada” existentes nas PPP do asfalto e nas renováveis com rendas garantidas ao nível dos juros da divida soberana nos mercados secundários. Estou certo que esta verba iria permitir um maior apoio as camadas da população mais fragilizadas e que mais sentem na pele a bancarrota que vivemos.

  4. ainda que não venha a proposito do tema, mas vou – me servir deste espaço para te dizer que gostei muito da entrevista a revista magazine do diario de noticias e jornal de noticias de domingo 5 de fevereiro de 2012, és uma pessoa fantastica, tu es boa pessoa.

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