A decisão mais independente e mais livre da minha vida política

 É uma banalidade verdadeira: os eleitores estão insatisfeitos com o sistema político no seu todo. Estão descontentes com os Parlamentos, com os Deputados, com os Chefes de Estado, com os chefes de Governo.

Os eleitores também estão descontentes com os Partidos políticos. Instalou-se uma desesperança, aqui e um pouco por todo o mundo, a qual não pode ser alavancada por movimentos demagógicos, sem ideologia, sem projeto, apenas sanguessugas do descontentamento.  

Para isso não acontecer, cabe desde logo aos Partidos políticos, através dos seus atores, entender essa desesperança, fazer uma análise do que foi e tem sido o papel de cada um e recordar uma memória coletiva apagada: a da dura evolução dos partidos, de um oitocentismo refém da “racionalidade única”, em que o referente de “Partido” era efetivamente e, não episodicamente, uma “fação”, a mais de quarenta anos de fascismo, de “União Nacional”.

Durante esses anos, muitos deram a sua vida, lutaram, foram torturados e perseguidos para que pudéssemos ter uma democracia de vários Partidos, representando cada um deles o contrário da união oitocentista ou fascista e, assim, a possibilidade de um voto corresponder a uma corrente, legítima, num desenho constitucional democrático, finalmente.

Quando não fazia ideia do que era a política “por dentro”, dizia-me “infiliável”. Pensava que sendo advogada e professora, o meu socialismo democrático, que se refletiu sempre no voto, não precisava de um “cartão”.

Hoje, não penso assim. Fui convidada, com enorme surpresa minha, para integrar a lista de Lisboa, “como independente”; refleti e aceitei. Ao fim de dois anos, nunca me senti, no grupo parlamentar, mais independente do que ninguém. Porque a independência e a liberdade são características pessoais, são características a priori. Mas senti que fazer política, no mais nobre sentido do termo, não estava totalmente ao meu alcance, já que o meu partido, o PS, o meu partido, tem os seus órgãos democráticos, tem uma latitude de atuação, através dos seus militantes, pelo país fora, que não integra, naturalmente, quem não faz parte, formalmente, do mesmo.

Por isso percebi, sobretudo nesta época de discursos “anti-partidos”, que o ato mais independente e livre que podia praticar na minha vida política seria pedir a filiação no PS, o que fiz exatamente no dia em que se contaram dois anos sobre a derrota eleitoral do PS. Foi nesse dia.

Quero agradecer ao Mário Soares e ao Jorge Lacão, os nomes que constam dos militantes que sugerem a filiação.

Ao Mário Soares uma gratidão eterna, o militante número um do PS, que não hesitou em encostar o seu nome, que pronuncio desde criança, ao meu.

É uma independência e uma liberdade juntar-me formalmente ao PS:
Um grande partido da esquerda democrática, integrado numa família política Socialista, Social-Democrata e Trabalhista de grande dimensão e responsabilidade na Europa e no Mundo. Como escrevemos aqui, o PS tem tido um papel central no desenvolvimento e na modernização do País. Foi assim na luta pelas liberdades políticas, pelo Serviço Nacional de Saúde e pelos avanços nos Direitos Sociais, na adesão à Comunidade Económica Europeia, na defesa da descriminalização da interrupção voluntária da gravidez e do casamento entre pessoas do mesmo sexo. E tem sido o principal intérprete das reformas do sistema político nos últimos anos. Foi com maiorias do PS que se aprovou a lei da paridade, que se introduziu a limitação dos mandatos executivos autárquicos e que se aprovou uma nova reforma da Assembleia da República.

Estou em casa. Mais uma Pátria.