A culpa é dos grevistas sem direitos e com a sua atividade económica destruída

Estou a ver o CDS explicar que grande parte da queda da economia é culpa da greve de todos aqueles que a política do Governo conseguiu unir: carris; barcos; portos; estivadores; portos…
Greve ou direito à greve?
Vai uma revisão em matéria de responsabilidades e em matéria de direitos fundamentais?

14 thoughts on “A culpa é dos grevistas sem direitos e com a sua atividade económica destruída”

  1. Vai sim. O direito de alguém fazer greve sobrepõe-se ao direito de seu próximo poder trabalhar ou de, através da sua actividade, criar riqueza para o país? Que direito é esse que se está marimbando para os direitos dos outros?

  2. E se alguma esquerda, por um momento, quer ver reconhecida a dignidade e utilidade das suas convicções políticas, deixe-se de histórias românticas de revoluções de rua e luta de classes para a fotografia e defenda menos desigualdades e os direitos dos mais desprotegidos da sociedade com inteligência, propostas consistentes, respeito pelos demais e sem lógicas do cada um por si e os outros que se lixem.

  3. Não tenhamos ilusões. A direita pós 25A sempre se disse a favor da greve por mera táctica política. O ódio que têm à classe trabalhadora passa pela anulação completa de todos os direitos que possa ter. Com um governo da mesma laia e de feição para atacar os trabalhadores é o que temos visto: código, leis e inspecção de trabalho são lembranças para mais tarde recordar! Nos últimos dias, através de alguns deputados da maioria e de dirigentes da CIP, e hoje mesmo, pela boca do próprio Pedro Ferraz da Costa, foi feito apelo directo aos seus rapazolas da governação para limitarem dràsticamente o direito à greve ou, de preferência, cancelá-lo.
    Desta gente não há mais nada a esperar e, se puderem, não hesitarão em recuperar o trabalho infantil já que consideram que o Estado gasta demasiado na educação!

  4. A unica forma de pressão real que algumas classes de trabalhadores ainda vão tendo e o leitor Galuxo acima quer acabar com ela.
    Esquece-se que é precisamente porque esse direito têm sido negado nas ultimas décadas cada vez mais que temos hoje em dia enfermeiros a ganhar 4 euros á hora ou engenheiros a trabalhar 8 horas por dia por menos de 480 euros por mês.
    Mas tudo bem, o leitor Galuxo têm o seu garantido ao fim do mês, recebe talvez de acordo com o valor que pensa ter e não lhe passa pela cabeça ficar no desemprego em breve.
    Que sorte. Os outros que lutem, como o fizeram no passado, para que o que Galuxo têm hoje não lhe seja retirado…
    Prejudicial para o país e infinitamente estupido é, depois de uma greve com esta duração, que o governo ainda não se tenha sentado á mesa das negociações e que faça um esforço real no sentido de acabar com a dita.
    Prejudicial é querer nivelar por baixo o que se devia estar a exigir ser estendido a todos e não só a alguns.
    Prejudicial é engolir a história do não há dinheiro. Há muito dinheiro, está é em mãos que não sabem redistribuir mas que beneficiam todos os dias da generosidade de um estado de boa fé.
    O problema está aqui. Não está em trabalhadores que ainda se esforçam por defender direitos que lhes negam aqueles que usufruem já deles sem ter mexido uma palha.

  5. mais um dia de dolce fare niente (pago) no parlamento. Caramba, mas não têm mesmo nada para tratar?Não há assunto? Isto até dá razão a quem diz que não precisamos de tanto pessoal no parlamento, caraças.

    edie

  6. olha, sabes o que tinhas feito bem? Era lutar para que esta legislação laboral fosse submetida a revisão constitucional,como foi a dos funcionários, em vez de vires agora mandar postas de pescada. Eles estão em greve porque os seus representantes não se mexeram a tempo e horas. Esquece lá o CDS, tu és co-responsável.

  7. É corresponsável deste crime de terrorismo económico. Como são todos os que militam nesta estratégia de terra queimada. Mas, já agora, além do direito à greve, o que estes grevistas reivindicam mais? Alguém já percebeu?

  8. Lucas Galuxo,
    assim muito depressa, estes trabalhadores chegam a ter 2/3 da sua remuneração composta por trabalho extraordinário. Ora este está de borla até 150 horas anuais e o resto foi tudo reduzido para metade. Medidas que sairam no código laboral mas que não tiveram caixa de ressonância, ao contrário dos subsídios dos funcionários.

  9. Ah! os grebistas, esses terroristas económicos…
    Já agora, alguém me explica que porcaria é essa de haber faltas justificadas? Falta é falta. Ausência ao trabalho. Prejudica a economia, a empresa e até as outras pessoas.
    Vivam as dispensas dadas pelo patrão.
    Essas sim, pois só os trabalhadores merecedores é que as apanham.
    E não me venham lá com a historinha das assistências à família, os funerais, as idas ao médico, etc. e tal.
    Médicos depois das horas de trabalho; assistência à família, a família que resolva, então agora que há por aí montes de família no desemprego e reformados…; e que dizer dos dias por casamento e nascimento de filhos?! Então a mariolada casa-se, vai para o pagode e ainda quer dias de férias? Não chegam já as noites mal dormidas e depois o trabalho a ressentir-se? E pelo nascimento? Que absurdo! Então os hospitais e as maternidades não estão abertos 24 horas? Se querem ver os filhos vão lá antes de entrar para o trabalho ou depois de sair dele.
    E a ida aos funerais? Quem quiser ir, meta um dia por conta das férias ou então sem retribuição.
    Homessa! Porque carga de água há-de a empresa pagar os custos dos falecimentos da família dos empregados? Eram bons clientes? Se não, nunca deram lucro à empresa e não há obrigações que isto aqui não é o da Joana.
    E a cambada dos sindicalistas? Ai querem andar de papo para o ar em reuniões? O sindicato que lhes pague, Era o que faltava ser a economia a pagar isto tudo. Por causa desses e de outros é que o país está um caco.
    Justificadas só as por doença, e isto se não for por sistema, pois a empresa não é nenhuma instituição de caridade.
    Se é muito doente, rua! Vá-se tratar, e o estado que o trate!
    Cambada de calões. Sabotadores económicos.
    A bem da nassão.
    Viva Portugale!

  10. edie,

    Vamos então um pouco mais devagar. Afinal é o que interessa. E de quanto são essas remunerações sem e com horas extraordinárias? Às tantas é uma boa oportunidade para criar mais uns quantos postos de trabalho. Será isso que os grevistas reivindicam?
    Mas antes disso, seja lá qual fôr a reivindicação; não se arranjam por aí outras sugestões de fazer valer os pontos de vista desses cidadãos que não ponham em risco tantos outros postos de trabalho. E mesmo os dos próprios. Sem empresas que utilizem os portos os seus trabalhadores também deixarão de ser precisos. E também não deve sobrar muito dinheiro para pagar uma democracia cujos representantes julgam que os direitos que defendem são de borla.

  11. Seja qual for o valor do salário sem as horas ou com as horas, os trabalhadores , qualquer trabalhador, tem direito a lutar por aquilo que acha justo.

    Imaginemos que a empresa do leitor Galuxo acha que lhe anda a pagar demais e resolve cortar-lhe o salário digamos para metade.
    O leitor, porque sabe das dificuldades económicas do país, fica quietinho e caladinho, apesar da sua empresa continuar a ter lucro se o seu salário se mantiver, é isto?
    Concerteza que não, vai lutar para que tal não aconteça, ou para que pelo menos aconteça numa escala menor.
    Agora imagine que, um trabalhador que ganha o mesmo que o Galuxo ganha por mês num ano, vêm a saber que o salário do leitor Galuxo vai ser reduzido em metade.Mas essa metade ainda equivale a 6 meses do salário deste trabalhador! Será portanto justo, segundo o seu raciocinio, que este trabalhador julgue que o leitor Galuxo devia mas era estar caladinho e trabalhar ainda mais arduamente para que o país se recupere ( e não que a empresa do leitor Galuxo encha o pandulho e evite a queda dos lucros por estar a , digamos, vender menos).

    Isto tudo para dizer o seguinte : é bom que deixemos de arrastar quem está nas estrelas para o nosso nivel de lama e que comecemos mas é a trabalhar para verdadeiramente chegarmos pelo nosso pé ás estrelas. O mal dos outros vai sempre acabar por rebentar na cara de todos.
    É tempo de mais solidariedade e de unirmos forças contra quem está a querer tornar vidas em factores puramente económicos.
    Divididos só estaremos a ajudar a que a situação de perda continua de direitos se perpetue, até á perda final : o esclavagismo puro.

  12. Ó Gato Vadio

    É a pensar nos direitos do trabalhadores e na manutenção da sua condição de trabalhadores, e não na sua passagem à situação de desempregados arrastando mais desempregados, que me parece sensato, assim de vez em quando, lembrar que os fins não justificam os meios. Se os sindicatos que ordenam esta greve não têm uma ideia melhor para explicar ao país a justeza das suas reivindicações (que até parece terem vergonha de dizer quais são pois só falam no direito à greve) não podem estranhar que muita gente os julgue, e a quem os apoia, a lançar milhões de contos no lixo quando o país mais deles precisa, pertencerem mais à razão da desgraça do que da solução. Foi até o Valupi que denunciou, e muito bem, as ameaças de Arménio Carlos, no Terreiro do Paço, no outro dia (“senão vai a bem vai a mal”). Vai-se a ver, tem em casa quem lhe bate palmas.

  13. ao que sei, enquanto nos estivadores há um crivo/resistência à entrada de novos trabalhadores que poderão ameaçar a carga de horas extraordinárias, logo de remuneração individual (não que os patrões se tenham oposto muito, mas posso estar enganada), nos restantes casos, parece-me que o interesse em não contratar é proactivamente assumido pelas próprias empresas(aliás, o interesse em “despedir”, na realidade); no fim, bate tudo no mesmo: mais trabalho e mais trabalho grátis.

    Curioso que tenha sido retirado da balança de responsabilidades pelo prejuízo que estas greves trazem, quem decidiu por esta legislação laboral (governo, Alvarito…). Também não percebi: altera-se o código do trabalho, mas mantendo-o para os trabalhadores dos sectores aqui focados?
    Ou ele na sua essência e letra é suficientemente justo para que se aplique a todos sem excepção?

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