A Al-Qaeda nos aeródromos (desativados) da Beira interior

Devemos rir ou mandar estes vigaristas que agora dirigem o Governo para a Justiça? Ou as duas coisas?

Passada a incredulidade, é impossível não largar uma sonora gargalhada, à mistura com muita revolta, ao lermos a reportagem publicada hoje no Público, da autoria de José António Cerejo. Segundo apurou o jornalista, e tão detalhadamente que não deixa margem para dúvidas, a Tecnoforma, empresa de que Passos Coelho era consultor e depois gestor em 2003/2004 e possivelmente até 2007, concorreu (candidatura no valor de 1,2 milhões de euros) a fundos do programa Foral para formação, gerido por Miguel Relvas enquanto Secretário de Estado da Administração Local do Governo de Durão Barroso, inventando a necessidade de dotar os aeródromos e heliportos municipais do país de técnicos altamente qualificados capazes de responder com competência e prontidão a ataques terroristas. A maior parte dessas infraestruturas estava desativada ou não tinha a mínima necessidade de mais pessoal (os alegados formandos seriam à volta de 400, para uma média de pessoal de 4 pessoas!). No fim, ninguém obteve qualquer certificado, se é que houve aulas. Mas foram recebidos trezentos e muitos mil euros. Não esquecer que tudo isso acresce ao ridículo da justificação e da urgência invocadas.
Todos os envolvidos neste esquema eram gente do PSD. Não vou reproduzir aqui a reportagem, nem tenho link. É hilariante e imperdível. Recomendo a todos a sua leitura, nem que tenham que pagar um euro. Os sinais de fraude são mais do que evidentes. O contraste entre as práticas destes dois senhores e o que agora gostam de apregoar quanto à relação das empresas com o Estado é de bradar aos céus e deixa os seus já ínfimos créditos na lama.
Aguardo curiosa pelas consequências. E, para já, fico à espera que o José Gomes Ferreira, entrevistador, aplique a sua sanha de inquisidor-mor a um dos membros desta dupla, ou aos dois. Verá que reabilitará a sua imagem e sairá de lá menos enxovalhado do que com o Paulo Campos, prestando simultaneamente um serviço bem mais valioso ao país.

2 thoughts on “A Al-Qaeda nos aeródromos (desativados) da Beira interior”

  1. ‘Tou farto de me rir a imaginar a Al-Qaeda a executar um atentado fazendo despenhar um terrorista em asa-delta contra a torre de controle de um qualquer aeródromo do interior, de preferência desactivado. Uns pândegos estes gajos. Mas trafulhas. E gatunos. E perigosos. E nós a pagarmos este circo todo e, o que é pior, com ainda muitos otários ignorantes a aplaudir.
    E já agora, o Cerejo endoidou ou aquilo é raiva de não o terem deixado lambuzar-se no pote?
    É que, “tão amigos que eles eram”….

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