Venham de lá esses palpites

O conselheiro de Estado Vítor Bento não quer treinadores de bancada a dar palpites sobre as medidas do Orçamento de Estado para 2012. Curioso, até há pouco tempo não o incomodavam os palpites, nem os dele, em inúmeras entrevistas, nem os dos outros. Agora ‘não têm utilidade’ e ‘dificultam a execução do que tem se ser feito’.
Também não percebi a quem chama treinadores de bancada, se aos seus colegas economistas, se aos restantes mortais. E a verdade é que cada vez é mais difícil distingui-los. Por um lado, a credibilidade dos economistas já conheceu melhores dias, basta olhar para as suas previsões e ver a realidade que teima em mostrar que não passam de verdadeiros palpites com tanta probabilidade de estarem certas como as de um qualquer bruxo. Por outro, os portugueses, que fugiam da matemática como o Diabo da cruz e que viam nos números verdadeiros bichos-de-sete-cabeças, ultrapassaram os medos e tratam agora as questões económicas por tu. E se os seus palpites falharem, enfim, isso só os aproxima dos especialistas na matéria. Um feito extraordinário que prova que nem tudo é mau nesta crise, embora ainda haja assuntos sobre os quais, estranhamente, ninguém quer dar palpites e que passam ao lado de todos os treinadores de bancada. Por exemplo, a falência e consequente nacionalização do banco Dexia. Por onde andam os que tanto criticaram Sócrates por causa da nacionalização do BPN? Então, agora, já são normais as nacionalizações de bancos falidos? É problema dos belgas e dos franceses, não temos nada a ver com isso. E os testes de stress, invenção de brilhantes economistas, que garantiam, em Julho, que o Dexia gozava de excelente saúde, e que também serviram para testar a banca nacional, não merecem uns palpites?

6 thoughts on “Venham de lá esses palpites”

  1. O sr Bento funcionou a dois tempos, o antes e o depois.
    A sua metamorfose evolui num processo que foi da adequação do intelecto à coisa.

    A coisa é o pote, seja SIBS ou o CE.

  2. Grande artigo. O fulano é mais um dos liliputianos… “anão que queria ter um irmão maior…” (cindo de cor o José Mário Branco).

  3. Realmente, isto todos os dias é contorcionismo e malabarismo ético desta malta liberal de meia tijela…Mas desde quando a hipocrisia passou a ser virtude?!

  4. Eu diria que, seguindo os doutos ensinamentos do MEC, se trata de uma manifestação de culambismo, muito em voga nos nossos dias mormente para chegar ao pote!

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