Desastres gastronómicos

Seguia eu já bem atrasado para o jantar de ontem, serra de Sintra acima, quando quase fui abalroado por um autocarro repleto de turistas de olhos claros e arregalados. Alguns golpes de volante e de travões depois, percebi que sobrevivera; eu e o grande recipiente plástico que viajava a meu lado, cheio do melhor cozido à alentejana de Lisboa (obra do excelso “Barrote Atiçado”).
Depois, pus-me a imaginar desenlace mais dramático e cénico. O meu rotundo cadáver disposto numa travessa de alcatrão, guarnecido por couves, batatas, nabos, grão, na fumegante companhia de carnes variegadas e enchidos das melhores proveniências. Quem desse comigo em tais preparos não duvidaria que se estava ali a aprestar um banquete para algum deus canibal.
Já me antevi em mortes mais dignas.

5 thoughts on “Desastres gastronómicos”

  1. Este foi mais um lapso Freudiano, ou tencionas, realmente, “virar comida”?
    (Não precisas responder, é retórica!)

  2. Seria um verdadeiro desatre. efectivamente. Tendo em conta que tu não és um enchido da melhor proveniência. Não faria pandan.

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