Valentes críticos

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É a pergunta que um crítico mais teme. Formulou-a ontem, aqui, o estimado comentador Alex Brito. Escreveu ele: «Ó Fernando! Que princípios presidem a esse maniqueísmo que definem um bom cronista, ou um mau ficcionista? Não lhe parece abusivo e pouco sério tratar assim um escritor?»

Repare-se: não é só dizer-se de alguém que é, por exemplo, «um mau ficcionista». É dizer-se também, por exemplo, que é «um bom cronista». Se bem entendo, estes juízos, para o mal e para o bem, são sempre para o mal. Não se fazem, pronto. E com isto está, de uma penada, resolvido todo o problema da crítica. Ela simplesmente não se faz.

Às vezes, pendo para dar razão ao comentador. Por uma vertente que, suponho, não lhe ocorreu. Digamos assim: algumas críticas negativas que tive de fazer, eu trocava-as bem por uma oportunidade prévia de conversa com o autor. Ou seja, em vez de ter de dizer-lhe, tarde e a más horas, e tão publicamente, que produziu um flop, eu avisá-lo-ia a tempo da ocorrência, e o livro não aparecia, ou aparecia outro. Feito isto em mais larga escala, poupavam-se aqueles monólogos cheios de energia negativa que, de vez em quando, surgem nos suplementos literários. Ou, e sem querer funalizar muito, João Pedro George podia ter impedido Margarida Rebelo Pinto de existir.

Mas o mundo não está assim tão bem feito. Continuarei, pois, a aceitar esta tarefa ingrata, que só um fulano valente (isto é, desprezador dos perigos, isto é, mansamente doido) pode executar: essa de dizer que isto é «bom» e aquilo é «mau». Princípios? Critérios? Poucos, fracos e volúveis. É mais um destino, Alex Brito. É uma branda forma de loucura. Mal paga, ainda por cima, pelo tempo que se nos vai nela. Não, não tão branda como isso.

53 thoughts on “Valentes críticos”

  1. Parece-me, portanto, que tudo se resume a uma questão de gosto.
    Há uma frase batida que diz: «gostos não se discutem». Na minha opinião os gostos merecem acaloradas discussões.
    A crítica é, tem de ser, algo mais, objectiva.
    Fernando, maneja bem de mais essa arma, para nos fazer crer que tudo se reduz a uma questão de gosto.
    Quanto ao assunto em apreço, parece-me óbvio que Miguel Sousa Tavares é um bom cronista de viagens (na senda de Chatwin por exemplo) embora não seja nenhum Pedro Rosa Mendes, é um razoável cronista de sociedade (preconceituoso) mas isso somos todos e dum cronista não espero objectividade, quanto à sua faceta de autor de romances bem, pois… se tiverem curiosidade «cliquem» no «link»:
    http://santamargarida.blogspot.com/2006/02/193-equador-remanso.html

  2. Caro Fernando Venâncio:
    O exercício da crítica é como o exercício da avaliação, uma coisa que em Portugal se presta a confusões e fugas.
    A ideia de que criticar é “dizer mal” (crítica negativa) ou “dizer bem” (crítica positiva) é confusa, primária, superficial. Então, criticar não deveria ser sempre dizer bem, isto é, dizer o que se quer dizer com qualidade e critérios especializados? Então, criticar não é esclarecer, clarificar, descodificar, ajuizar, analisar, avaliar?

    Fazer crítica nas diversas áreas transformou-se, no campo da literatura, por exemplo, em arraso ou em encómio da obra ou do seu autor. Assim acontece também na crítica política, aqui partindo de um único acto ou decisão para atingir globalmente a pessoa (caracter, inteligência, etc.).
    Creio que a pessoalização retira seriedade ao exercício da crítica, colocando-se no campo da maledicência.

  3. Caro FV
    A questão é sobretudo de grau, de intensidade. Quando se diz que fulano «é dos que melhor manejam o idioma pátrio» convém fundamentar e não apenas atirar para o ar. É que, ao fazê-lo, coloca o «nosso» MST ao nível, por exemplo, de um Lobo Antunes, isto para falar de um escritor-cronista, o que – convenhamos – é um pouco demais… Além do mais a «figura» presta-se a grandes amores e ódios… Leia – já leu, por certo – o Grande Educador do Povo da Pólis (vulgo Expresso) desta semana e a primeira croniqueta de MST é, logo, de pôr os cabelos em pé…
    Acresce que o seu poste anterior enferma ainda de um certo snobismo académico, quando refere a «classe média com alguns estudos». Junte tudo e aí tem as razões da polémica…

  4. Um jornal como o Expresso, ou seja e melhor dito, os seus directores, espelham o que é o mainstream da intelligentzia pátria que me parece de aflitiva mediocridade.
    Não o digo por preconceito invejoso ou maledicência gratuita. Digo-o porque espero e esperei sempre melhor de um jornal de referência como é o Expresso.

    Tomemos os nomes:

    MST, logo a abrir! Mas que é que um MST tem a dizer de relevante, a quem o ler, para além de uns lugares comuns e umas atoardas do tipo das que apontei noutro comentário?!!

    Depois, o próprio director actual de quem disseram que era um génio das citações.

    A seguir…Manuel Serrão!!!
    Depois, nas páginas rainhas do estenderete em forma de opinião publicada, quem podemos ler?

    De um lado, o aqui vosso colaborador Daniel. Passo nos comentários, porque seria redundante escrever o que penso e já escrevi. Só uso uma palavra: irrisório. Há, nos blogs, dezenas que escrevem melhor e dizem tanto ou mais.

    DO outro lado, o espelho fiel do que acabo de dizer, com um acrescento: parece-me um convencidote sem dote de talento.Escreve sobre política internacional como quem foi à guerra e voltou medalhado! Escreve sobre economia, como quem formou uma empresa e sabe gerir quinhentos empregados!
    Escrece sobre Justiça como quem participou em dezenas de julgamentos e deu aulas nas faculdades de Direito!

    Depois, há os convidados:
    Mário Cláudio, esta semana. Passo- espero pela próxima.

    Ana Gomes, esta semana. Idem, aspas.

    José Cutileiro: Não consigo escrever sobre o cronista. Nunca leio.

    António Pinto Leite: Para quê?!

    Guilherme Valente,da gradiva: interessante, mas episódico.

    E estamos nisto.
    Há a Actual- e li o artigo que o Fernando Venâncio escreveu sobre Saramago.
    Depois de ler aqui algo, só posso dizer que leio com outros olhos. Bons olhos o leiam.

  5. Agora, se quiserem, podem tentar fazer o paralelo, com outras latitudes e lugares:

    França, com Nouvel Obs, L´Express, Le Point e principalmente aquela que lhes dá água pela barba actualmente: Marianne!
    Leiam e digam!

    Espanha: nem é preciso semanários. Basta o El Mundo ou até o El Pais.

    Itália: L´Espresso e Umberto Eco e está tudo dito.

    Inglaterra: Sunday Times e sus suplementos amestrados.
    Guardian e sus escribas esforçados.

    Estou apenas a referir-me aos cronistas. Nem sequer ao estilo jornalístico…

  6. Ponho grandes esperanças no arquitecto Saraiva e no seu ajudante de campo José António Lima. São os melhores, apesar de tudo.

    Convidem o Jorge Mateus e paguem-lhe o que ele pedir!

  7. E o maquetista ou desigers, da desaparecida Já. Era um portento gráfico.

    Guardei alguns números só por causa disso. Nunca mais houve nada igual.

  8. Já deram conta que o BE foi silenciado por este governo “socialista”?
    Manuel Alegre também?
    enquanto este blog da treta vai debitando umas procarias sem interesse?
    Já, agora, deixo um aviso a todos os trotskystas e ex-trotskystas e ex-maoístas do BE, LAMBER AS BOTAS AO PS NÃO COMPENSA!!!!!!

  9. José António Silva,

    Pode você (se não for pedir muito) explicar que tem a ver o que você diz do BE com o que diz deste blog? É que não atinjo aonde quer chegar.

    Já agora: tem deixado a mesma dica em outros blogues – ou só este tem «procarias sem interesse»?

  10. Parabéns! Mandaram embora os esquerdistas e já receberam a recompensa: a recomendação amiga do mestre Pacheco Pereira.

  11. Que cena! Já é praga: fala-se de alhos no post e recebe-se comentários de bugalhos, ataques fulanizados e toda a verborreia sem graça, nem tino. Já cansa.

    Quanto ao assunto do post, creio que o trabalho de J.P. George(de que só conheço as referências ao autoplágio) é um exemplo do que o exercicio crítico tem de melhor: por as pessoas a pensar no que se escreve, no como se escreve e, não menos importante, porque se lê e o que se lê. Pelo menos a avaliar pelos debates suscitados nos blogs, televisão e jornais.

  12. E já repararam na Bomba Inteligente, como não falando da polémica George/Rebelo Pinto, fala que se farta?

    Cheira-me que ela sim, tem mesmo dinheiro a ganhar com o assunto. Ou não fosse inteligente.

  13. O que deve ser um crítico de jornal ( ou revista)?

    Alguém que deve usar o verbo com cuidado para não ferir a susceptibilidade de quem lê, tecendo as críticas com punho de renda, mas demolindo na mesmoa o trabalho alheio? Ou alguém que diga directamente o que deve ser dito se achar que é merecido e sem papas na língua nem rodriguinhos para não ferir pessoas sensíveis tipo pepe?

    Ora bem!Há estilos e estilos.
    Quem escreve para o público que compra e lê, deve aceitar a crítica de quem não gosta do que lê.
    Quem escreve profissionalmente, a criticar o que se pode ler,deve ter o talento suficiente para que a crítica valha por si e acrescente valor ao objecto da crítica.

    O melhor campo para se poder observar o fenómeno, será a crítica musical.
    Há críticas que ultrapassam em valor o das oobras criticadas. Falo da música popular, claro e dos críticos que lia, há uns anos, na Rock & Folk e na Rolling Stone e Crawdaddy.

    Na Rolling Stone, por exemplo, em 10.8.1978, ( John Belushina capa, para quem for ao site da revista), uma crítica de Paul Nelson ao disco SOme Girls dos Rolling Stones, dizia que era um disco assim-assim, em três colunas bem escritas.

    No número seguinte, ( Bruce Springsteen na capa) Greil Marcus ( autor de uma obra maestra da escrítica rock- Mistery Train) escrevia sobre o Lp de DYlan, Street Legal, para dizer o mesmo, ou até menos um pouco, também e três bem esgalhadas colunas.

    Pois bem!
    No número seguinte( Gary Busey- Buddy Holly na capa), o director da revista- Jann Wenner, vem desautorizar ambos, com uma crítica assinada no lugar onde ambos escreveram para dizer, além do mais:

    ” The reviews of Street Legal , Some Girls and two Stones concerts in Rolling Stone were exceptionally negative and, in many ways seemed based on a weird hostility and bitterness. Greil Marcus , Dave Marsh ( who wrote about the Stones in concert) anda Paul Nelson are among the top five or six rock critics in the world. But Marcus´and Marshs´s articles were ad hominem attacks.”
    E continua o director da revista por ali fora, em artigo de duas páginas, a desfazer nos seus escribas e a incensar as obras dos artistas que como o tempo veio a provar, eram e são medíocres.
    Quem tinha razão?! Os críticos!
    Que pretendeu o director da revista fazer?
    Reparar opiniões alheias, subjectivas, mas avalizadas.
    E fê-lo mal, como o tempo provou.

    É o mesmo que se pode aqui fazer, ao defenderem-se para a crítica, opiniões capadas de adjectivos contundentes, sempre que o autor os entende como necessários e se defende uma escrítica asséptica e inofensiva.

    Dizer que um cronista escreve coisas irrisórias não é ofensa pessoal: é opinião rebatível.
    Dizer que um determinado cronista é inútil num jornal porque nada acrescenta, é também inócuo.

    Mas, ainda assim, há quem não aguente…e por isso, o que já cansa são estas meias tintas e esta preocupação em não ferir susceptibilidades, para além do razoável.

  14. É por isso que prefiro sempre uma crónica deste com todo o vitríolo que pode conter, do que toda a pretensa sabedoria infusa de outros, tipo Stein, até .

    Ora leiam

    Um excerto:
    EYE: The critical reception of the new book has been mixed. But it seems like there’s something more than not liking the book in the negative reviews that have appeared. The viciousness of the invective makes it seem like they must have had their knives sharpened for a long time, laying in wait for your next book. And I wonder what you think motivates that kind of all-out personal attack.

    WOLFE: I don’t know whether that’s the case or not. I always assume that if somebody gives the book a bad review, after all I can’t confront them and say, “You did too like it — you thought that book was great.” So I don’t know, George Orwell once said that it was impossible to enjoy a book written by someone whose political views differ from yours. And now, I’m not very political, I have no agenda, but I can’t stand go along with all these sheep that live in New York in the writing and literary and journalistic community. And if I make fun of contemporary art, as I did in The Painted Word or From Bauhaus to Our House, that’s taken as a political act. That’s a conservative thing to do. Now neither of those books passes any critical judgment in the sense of questioning taste, but they do knock certain icons, so I guess that’s sufficient.

  15. Passando para outro nível:

    Também em 1976 arranjei um livrito que agora fui ali buscar: Les chemins actuels de la critique, da colecção 10/18.

    O primeiro capítulo, assinado por Georges Poulet, cita Thibaudet para dizer que este ensinava que o acto crítico começava pela adesão imediata, inteira e sem reserva, ao pensamento doutrém. “O ideal do homem que lê e que escreve sobre o que lê, será fazer coincidir com o espírito criador do romance, e, mais além ainda, com o espírito criador do romance considerado como género”.

    Quer o autor com isto dizer, que nem precisa de ler todo um livro, para criticar…

  16. “CADA CONA É COMO É
    Ontem, caí no erro de esbodegar tranca saloia virado para um espelho. Erro porque, a berlaitadas tantas, em vez de olhar para as minhas caretas, vislumbrei a minha parceira. Assustei-me e pensei: “Ó Pipi, o que é isto, pá? Então tu estás a partir esta sopeira à canzana ou ela está-te a fazer um broche?” Não, era mesmo uma canzana. Ela tinha era cara de cu.
    Este facto fez-me levantar uma questão – e, por momentos, baixar a pichota.
    Porque é que eu, Pipi, teimo em tentar sacar gajas feias, gajas gordas, Odete Santos, gajas com problemas de pele, gajas com queda de cabelo?
    Reflecti sobre isto e cheguei à conclusão que é o resultado imediato de ser um curioso da foda. Para mim, cada cona tem o seu encanto. Um encanto único, especial. E eu quero conhecê-lo a todas.
    Normalmente, aferimos, à primeira vista qual a principal qualidade fodenga da gaja: se é gira, se tem boas tetas, rabo rijo, pernas elásticas para pôr atrás das orelhas, odor agradável. Ou seja, o aspecto físico da gaja é o seu encanto. Nessas não há mistério”

    Bela prosa! E quem a promoveu?!

  17. olá,
    seria possivel adicionares um link para o meu blog (que eu farei outro para o teu?)
    gostaria que começasse a ser visitado
    obg

  18. Paulo Querido, percebo que o tempo para si não passe. Quer negar a evidência de que já tem idade para ter juízo e não andar em caixas de comentários a fazer insinuações sobre as pessoas (que, ainda por cima, nunca viu mais gordas). O livro foi publicado em 2003 e estamos em 2006…

    Mesmo que trabalhasse na Oficina do Livro, a editora do livro do Pipi, como toda a gente sabe, o que é que eu poderia ter a ver com o caso entre o George e a Rebelo Pinto? O Paulo Querido esteve envolvido no caso entre o BES e o Expresso? (Ai, só a ideia dá-me vontade de rir…) Percebo perfeitamente que esteja obcecado por mim, mas controle-se, sossegue e, sobretudo, não me mace. Vá trabalhar.

  19. Foi…a oficina! Do livro!

    Portugal, em Lisboa, é muito pequenino. Paroquial. E os meios que se ligam às artes e letras, ainda mais restritos são.

    Basta ler os posts nos blogs do Pitta e da tal Charlotte(?), para nos darmos conta da desproporção entre o que é o que deveria ser e não é.

    Tudo isso, porém, não coloca em causa a respeitabilidade de cada um e cada qual que deve salvaguardar-se.
    Apenas coloca em causa, o ambiente que tende para o bafio de ideias; de atitudes e de capelinhas, mesmo que sejam isoladas e sem devotos.

    Hoje acordei assim, foi o que foi.

  20. É por isso que esta discussão aberta pelo Fernando Venâncio tem muito interesse, pois serve para ventilar um pouco o ambiente dos meios da intelectualidade lusa que escreve crónicas em jornais e critica livros.

    Li algures que não há crítica literária em Portugal. Dito assim, até assusta.
    Então que andam a fazer agora, as centenas de brilhantes alunos que saíram das faculdades de letras?

    Estão escondidos?!

    Parece-me bem que sim. E será com vergonha de alguns que aparecem a escrevinhar por aí, à procura de um nome.

    Alguns, depois, são convidados a escrever crónicas nos jornais…

  21. É por isso que esta discussão aberta pelo Fernando Venâncio tem muito interesse, pois serve para ventilar um pouco o ambiente dos meios da intelectualidade lusa que escreve crónicas em jornais e critica livros.

    Li algures que não há crítica literária em Portugal. Dito assim, até assusta.
    Então que andam a fazer agora, as centenas de brilhantes alunos que saíram das faculdades de letras?

    Estão escondidos?!

    Parece-me bem que sim. E será com vergonha de alguns que aparecem a escrevinhar por aí, à procura de um nome.

    Alguns, depois, são convidados a escrever crónicas nos jornais…

  22. “Quem é a Rititi? O alter-ego de uma histérica menstruada? Uma gaja real que passa os dias ressacada à frente do computador? Em todas as mulheres existe uma Rititi, vaidosa em cima de uns saltos altos vertiginosos mas obrigatórios para o ego, angustiada ante a passagem dos anos e dos escalões que se sucedem no IRS. A Rititi é a voz que diz o que lhe apetece quando quer, exagerada e completamente atacada dos nervos, com os ovários a comandar a vida e atenta ao que contam os telejornais à hora de jantar. ”

    O texto é de autoria anónima, mas vem do site da Oficina.

  23. Paulo Querido, já desesperado, logo pela manhã? Olhe, eu agora não lhe posso dar mais atenção, porque, ao contrário de si, tenho de trabalhar. Bye, bye.

  24. Coitado do Paulo Querido. A esta hora, tem as orelhas a arder.

    Ser anónimo tem destas coisas: ninguém passa cartão!

    Porém, se fosse assim, na crítica portuguesa, tenho a certeza de que seria bem melhor e não andariam por aí as prateleiras cheias de papel que deveria estar reciclado.
    Pipis e Rititis, escreveriam em blogs e aí ficariam muito bem, com os quize minutos de fama…diária.

    Assim, já se dão ares de grandes artistas.
    Que coisa pífia, valha-nos santa Engrácia!

  25. É claro que o texto sobre a Rititi vem no site da Oficina do Livro, fonte do maior monte de tralha que invadiu os escaparates das livrarias nos últimos anos.

    Claro que à Oficina do Livro não interessa que o João Pedro George desmonte o seu produto Margarida Rebelo Pinto com a simplicidade com que desmontou: Se a que mais vende não resiste a uma análise simples como é a do João Pedro George, imagine-se os outros…

  26. Fernando Venâncio:

    Lido no blog Esplanar:
    “Achei piada a alguns editores quando disseram que os textos escritos nos jornais não afectam as vendas dos livros. Gostaria então que me explicassem por que é gastam tanta energia a contactar jornais, a pedir espaço para os seus livros e, pior, a protestar quando as opiniões não lhes agradam. Já se passou comigo: um editor não gostou de um texto meu e, zangadíssimo, telefonou para o jornal, fazendo pressão, ameaçando, etc.”

    Parece-me certo quem diz que a crítica ganhará alguma coisa em isenção, imparcialidade e objectividade quando exercida por alguém estruturalmente solitário ou com personalidade e carácter suficientemente sólidos, para o poderem ser.

    O exercício da crítica aproxima-se muito da função de julgar, própria aos juízes e as qualidades para essas funções,parecem-ne fungíveis.

    Que acha?

  27. O xpto é duma simplicidade de raciocínio confrangedora… então se foi a Oficina do Livro a interpor a providência e a lançar o obscuro George nas bocas do mundo!!! Uma pura questão de marketing, claro está. E do bom, como a Oficina nos tem habituado. De contrário, quem quereria saber de um texto tipo “balancete rassabiado” escrito por um ilustre desconhecido (para o povo, claro!) num blogue? Era mais um de tantos outros que saem dos blogues para os livros, à conta de umas editoras obscuras que se movem na net e das quais ninguém lá fora ouviu falar (ring a bell, xpto)?

  28. Olá. Peço desculpa se for intrometida…É a primeira vez que tomo Aspirina B, e embora algo intimidada com muitas das vossas referências políticas e literárias, não resisto então a escrever aos farmacêuticos sobre os meus efeitos secundários.
    O primeiro será sem dúvida:”Os críticos que se f….!” (Não direccionado…)
    Não obstante, acredito ser possível partir para a crítica com a parcialidade mínima permitida, tendo como base a realização mais ou menos eficaz (do criador ou intérprete) de alguns aspectos técnicos e formais. Tudo o resto será pouco mensurável…O meu preferido é o “Brilho”: ou tem ou não tem…Mas quase tudo é responsabilidade do crítico enquanto individuo com direito ás suas descodificações e análises (sempre conjunturais), e acima de tudo, dos seus gostos e valores artísticos e comerciais.
    Obviamente, “más” críticas, fundamentadas ou não, ninguém as quer para si e todos as devoram. Maledicência e publicidade andam quase sempre de mãos dadas…

  29. Não sei…É importante? Estou a ser inopurtuna? Se estou, mais uma vez, peço desculpa.
    E você? Da Catrina ou Abominável?

  30. “Ontem, caí no erro de esbodegar tranca saloia virado para um espelho”

    Lúcia, sua marota!

  31. Óh, linda Pomba Branca…Não estamos na escola secundária…Eu sou mais do estilo discreto mas assumido. Se a forma como prefere esbodegar a sua pombinha é realmente da sua responsabilidade, acho interessante que escolha um sítio de comentários sobre crítica para a revelar. Quer que lhe faça a minha (crítica)? Mas realmente sou aqui novata, e peço desculpa aos senhores e senhoras do blog se tiver dito algo inapropriado.
    Paz.

  32. Contra as lanças me atravesso
    nos jogos de alguém que aposta
    em saltos de passos miúdos.

    Sigo sorrindo no gin
    que fumo e desfaço na dor
    de um tal ciclo tão cru.

    Vence o nome que conheço
    qual brasão que enfim em brasa
    golpeia no meu cansaço…

    Lúcia Rodrigues

  33. Caro fernando.
    Se bem percebi, você diz que na crítica literária não há princípios ou critérios, e quando os há são volúveis? Depois falou em destino! Que maneira estranha de interpretar os textos? Eu que tinha de si uma imagem de rigor analítico.

  34. Cara Rita,

    ‘Critérios’, ‘princípios’ são noções algo excessivas num contexto em que só um GOSTO INFORMADO pode guiar-nos, e isso quando a sorte nos bafeja.

    Houve livros que eu, em dada altura, teria demonstrado serem patuscos (felizmente não o fiz), e que mais tarde me encheram as medidas. Seja exemplo «Directa», de Nuno Bragança.

    A «imagem de rigor analítico» (thanks, after all) pode ser enganadora, a começar para aquele que a dá.

    Penso – em momentos de especial lucidez – que deveríamos só ler. E ler para outros. Transformar em som, bem modulado, bem articulado, de perfeito timing, tanta maravilha – um poema de Almada, um conto de Mário-Henrique Leiria.

    Fazer crítica de maravilhas é uma loucura. Que eu pratico. Com despudor.

  35. Está bem Fernando. Mas “transformar em som,bem modulado,bem articulado,de perfeito timing”, não será mais un exercício de mimetismo,que reproduz a superficie do texto? Então a crítica ontológica deixou de ter sentido para si?

  36. Não, Rita, nada mimetismo, nada superfície do texto. O melhor do texto é, então, recriado. Tornado ali presente. Feito ali.

    Mas tem mil exigências. Só autênticos artistas o fazem. E eles são poucos. E, contudo, só a exigência nos poderá salvar.

  37. “Penso – em momentos de especial lucidez – que deveríamos só ler. E ler para outros. Transformar em som, bem modulado, bem articulado, de perfeito timing, tanta maravilha”

    De acordo. Tenho feito isso com algumas crónicas do Lobo Antunes que são perfeitas para entoações, pausas e rodopios.

    Faço-o também com o último livro do Eco. Só assim o consigo ler, aliás.

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