23 thoughts on “Ut ars scientia”

  1. Ern-Esta,

    Da Alexandra Solnado só sei (e isso fazendo fé em ti) que existe. Imagina agora o que é pensar que eu era ela…

    E as guerras… Sabes que elas realmente estalaram por imprecisões da Pitonisa? Se foi à estalada, ignoro. Lembro-me de, em «Troy», ver correr algum sangue. A minha cinematografia é mitológica.

  2. Voltando ao velho Venâncio,

    Se me tiras a Alexandra Solnado lá se vai a minha fé de que Deus faz parte dos Monty Phyton…

    E as guerras acho que já começaram até por umas chávenas de chá, mas na de Troia as imprecisões não foram da Cassandra de serviço, mas de quem nela não acreditou.
    Hoje em dia parece que os chefes se reunem em ilhas vulcânicas para discutir os oráculos e ler nas entranhas de peixes sinais de armas que não existiam…

  3. Fernando, leva a pátria no blog para onde quiseres, mas não podes dar um jeito na língua que com pouca corrupção se crê que é portuguesa? Isso não seria menos incorrecto se fosse. “Nulus dies sine Blogum” e «Patria est ubicunque blogus est»? E por que razão dobraste o “g” em “bloggare”?
    (Isto digo eu, que de latim sei muito pouco. Mas gostaria de saber as tuas sábias razões.)

  4. Rui,

    Fiz já algumas entrevistas na vida. Digo isto para sublinhar saber eu que toda a entrevista é uma estilização da conversa havida.

    O Ricardo Nabais é um fulano ousado (que conheci no Expresso), e não me admiro de uma conversa dele com o Pacheco ter dado nisto.

    Falei com o Pacheco o bastante para perceber que jogava no mostrar e esconder a uma velocidade alucinante. Mas o olhar – aquilo que na entrevista tem de ser compensado – não enganava: sabia-se quando ele estava a fugir. O Nabais tenta retê-lo, puxa o que pode pela manga. Mas cala-se quando ele já fugiu, já se denunciou, o suficiente.

    É assim que se faz.

  5. Daniel,

    «Dies» é, creio lembrar-me, feminimo. Daí «Nulla dies». Permiti-me não latinizar demasiado «blog», provindo de «web» e «log», coisas pouco latinas.

    Só cedi em «bloggare», assim grafado para conservar o «o» breve. O duplo «g» fecha a sílaba, e torna breve a vogal.

    Não sei se são «sábias» razões. Não sei sequer se são razões.

  6. Fernando
    Obviamente que tens razão no “nulla”. Foi pura distracção minha, que só pensei no “blogum” e não sei porquê escrevi “nullus”. As tuas razões são… razoáveis.

  7. fernando,
    Estamos de acordo no essencial, no que toca à técnica da entrevista. Estava mais em saber se a tal fantasia encaixa nele. Mas obrigado.

  8. Rui,

    Suponho que te referes ao episódio com o penetrante poeta alentejano. Chamas-lhe «fantasia». Lembro-te que, em entrevista de há-de haver uns quinze anos, P. falava das suas fainas nocturnas pelo porto de Setúbal em – como dizer – actividades linguais com rapaziada local. Tu concluirás se «encaixa» ou não.

    E até admito que o magala de Braga possa ser fantasiado. Afinal, a literatura ou é um «non-lieu» ou não serve.

  9. âncio,
    Não, expliquei-me mal. Essa é cagativa, verdade ou não, ficará para sempre onde pertence: no passado do próprio, coisa sua. Citei só porque me assentava na metáfora (o bom igual ao menos mau: não ser enrabado todos os dias). Referia-me ao embalo alucinante da asneira que julgo ter sido a sua existência. A minha questão está limpa de juizos de valor. Só queria ‘saber’ se compensa, para o génio, a dôr acumulada. Se tem que ser assim. Ou se tinha que ser assim, na circunstância pachequiana.

  10. Rui,

    Se te entendo, o génio cedo se apercebeu da filha-da-putice que era a vida, e toda a sua existência foi a busca do modo de dar-lhe, filha-da-putamente, a volta, foi esse «embalo alucinante da asneira», termos teus, fortes e tremendos.

    Se continuo a entender-te, só um génio teria podido dar essa forma auto-destrutiva, mas literariamente tão fecunda, à «dor acumulada».

    Talvez, talvez. E talvez que, «na circunstância pachequiana», isso tivesse mesmo que «ser assim».

    Como a mim, como a muitos, também esse homem sublime parece deixar-te perplexo.

  11. âncio,
    Esse abraço entre a genialidade e a loucura, antigo como os tempos, deixa-me perplexo, é um facto. Perplexo nem será bem o termo, assustado talvez, sem drama. É que (comparações evidentemente à parte, estão longe tais calcanhares) quem tem coiso tem coiso e tal. Medo, evidentemente.

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