Trabalhos de Sísifo

Isto de manter um blogue, mesmo um serenamente colectivo, como este, é uma trabalheira. Um caso recentíssimo, de ontem à noite. Um leitor dá com um texto meu de 31 de Janeiro de 2006 e faz um comentário catita.

Iniciava-se o meu «post» pelas palavras «Nunca tinha visto falar José Pacheco Pereira». O comentador – que assina Cid León – entende que mereço umas «reguadas» pelo meu «pretogunhez». Com efeito, eu deveria, entende ele, ter escrito «Nunca tinha ouvido falar JPP». As reguadas destinam-se – conclusão minha – a eu aprender que o particípio passado de «ouvir» não é… «visto».

Ora, ouvido JPP, eu tinha-o muito. Mas nunca visto falar – fora do pequeno ecrã, façam-me o favor de entender. Tive, pois, de corrigir mestre Cid León.

Tive? Eu entendi que sim. E fui lá deixar-lhe a resposta. Dei-me esse trabalho.

Mas, se calhar, sou simplesmente parvo. E ele passou por ali, e nunca mais volta.

3 thoughts on “Trabalhos de Sísifo”

  1. Nós, em Trás os Montes, diríamos: “Nunca tinha ouvisto falar o JPP”. Assim já dá para as duas. Somos muito espertos!

  2. E ficou muito bem na fotografia, já que não cometeu a deselegância de corrigir o “português” daquele comentador hipercorreccionista. O qual terá ficado, por conseguinte, Ciderado.

  3. Nos bons velhos tempos em que o cinema era a maravilha das maravilhas, havia aqui na Maia uma “sala” de espectáculos ao ar livre. A energia era fornecida por um motor cujo ruído se confundia com as motas das SS ou os carros de assalto do Montgomery. Ora numa certa noite, o motor estava fraquinho. Se alimentava o som, o filme ficava todo negro, sem imagens; se alimentava as imagens, o som passava a ser um ruído contínuo. Portanto, quando se ouvia os actores falar, não se os via falar; e, quando se os via falar, não se os ouvia falar.

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