Pequeno romance de António e Luísa

Bom dia em Portimão
Boa noite em Alcoutim
A força de uma paixão
Que parece não ter fim

Bodas de prata, cruzeiro
Entre Mar e Guadiana
Amor fica em primeiro
Sete dias por semana

O que António precisa
Para sorrir de alegria
Está na voz de Luísa
Onde a paixão principia

Quando foram à procura
Sementeira de esperança
E a vida foi muito dura
Lá por terras de França

O tempo passa e corre
Em todos os dias da vida
Mas nos filhos não morre
Esta paixão perseguida

Numa filha que continua
No ofício e na profissão
A vida que sendo sua
É um fruto desta paixão

No filho que joga e estuda
Quatro linhas dum relvado
E todos os dias se muda
A expressão do resultado

Com António, com Luísa
Mãos dadas passo a passo
Esta paixão é uma divisa
No tempo e no seu espaço

José do Carmo Francisco

20 thoughts on “Pequeno romance de António e Luísa”

  1. Apesar de isto ser digno de uma cançoneta do Dino Meira, confesso (rendido) que há algo nesta melopeia que me agrada particularmente. Não sei bem o que é, talvez a total sujeição da sintaxe à métrica. É. Deve ser isso. Esse texto é muito engraçado. Apetece musicá-lo com um cavaquinho, assim à la Stephin Merritt.

  2. JP,

    Eu julgava que era a sujeição da métrica à sintaxe.

    O Zé do Carmo despreza a métrica (nada a fazer, o Daniel e eu não conseguimos convencê-lo), e dá largas à sintaxe.

    A melopeia é gira. Mas a poesia é também manufactura. Não para o Zé, claro.

  3. E era tão fácil pôr o ritmo métrico de acordo com o ritmo fonético!
    Nos casos que o requeriam, por exemplo assim:
    O Amor fica em primeiro
    Lá pelas terras de França
    Nos dias todos da vida
    Mas nos filhos nunca morre
    Na filha que continua
    É fruto desta paixão
    Todos os dias se muda
    Esta paixão é divisa

  4. Versos que curam as hemorróidas da cabeça do Venâncio

    “Porri-potente herói, que uma cadeira
    Susténs na ponta do caralho teso,
    Pondo-lhe em riba mais por contrapeso
    A capa de baetão da alcoviteira;

    Teu casso é como o ramo da palmeira,
    Que mais se eleva, quando tem mais peso;
    Se não o conservas açaimado e preso,
    É capaz de foder Lisboa inteira!

    Que forças tens no hórrido marsapo,
    Que assentando a disforme cachamorra
    Deixa conos e cus feitos num trapo!
    Quem ao ver-te o tesão há não discorra
    Que tu não podes ser senão Príapo,
    Ou que tens um guindaste em vez de porra?”

  5. Ai, «Susana». Ficava-te bem citar o autor (o Sadino, está visto), e esmerares-te mais no grafismo do soneto.

    De resto, o Sadino sabia como medir o verso. Para ele, quando se joga, joga-se por regras.

  6. Talvez assim, ou não?
    (com as minhas desculpas ao autor do poema)

    Dia bom em Portimão
    Noite boa em Alcoutim
    A força de uma paixão
    Que parece não ter fim.

    Bodas de prata, cruzeiro
    Entre mar e Guadiana
    O amor fica em primeiro
    Sete dias por semana.

    Mas o que António precisa
    Para sorrir de alegria
    Mora na voz de Luísa
    Onde a paixão principia.

    Quando foram à procura
    Da sementeira da esperança
    A vida foi bem mais dura
    Lá pelas terras de França.

    O tempo que passa e corre
    Todos os dias da vida
    Só nos filhos nunca morre
    Esta paixão perseguida.

    A filha que continua
    No ofício e profissão
    A vida que sendo sua
    É fruto desta paixão.

    No filho que joga e estuda
    Quatro linhas de um relvado
    Que todos os dias muda
    A expressão do resultado.

    Com António e com Luísa
    De mãos dadas passo a passo
    Tem por paixão a divisa
    Quer no tempo ou no seu espaço.

    Acredite, Daniel, que não o copiei!

    Mal, claudia, mal!

    Não foi bonito, susana!

    Que todos me desculpem pelo abuso.
    Saudações.

  7. candido mota, suponho que tenha percebido que a primeira «susana» não é a que tem uma participação no aspirina.

  8. Cândido Mota,

    Espectacular!

    E que dirá o nosso Zé do Carmo da façanha? Aprenderá ele um dia a métrica que há-de tornar estes seus poemas a maravilha que merecem ser?

  9. Cândido! Cândido! Cândido!.. Cândido!

    Agora, sim! A poesia digna da métrica.

  10. Não foi abuso, foi apenas uma sugestão de leitura, perfeitamente aceite enquanto tal. E de forma civilizada. Assim, sim.

  11. Zé, não fujas à seringa.

    Que o texto do Cândido é uma «sugestão de leitura» já se tinha percebido.

    Mas é muito mais do que isso. É a correcção (mais exactamente, uma correcção) dum texto anterior. Teu.

    E para que seja claro: quem faz poesia do tipo da que tu fazes aceita as regras dela. É o meu ponto de vista, é o ponto de vista do Daniel – já vês, duas pessoas que te querem bem, e que não te querem ver passar vergonhas.

    É sobre isso que gostaria de ouvir-te. E não só sobre a civilidade do comentador Cândido.

  12. Não é vergonha reconhecer que, tal como em algumas traduções melhores que o original, o poema fica melhor nesta versão. Não se discute, agradece-se.

  13. TUDO VALE A PENA SE A MÉTRICA NÃO FOR PEQUENA

    Peixe assado sabe bem
    Grelhado melhor saberia
    Quer nas brasas de Belém
    Ou forjas da Maçonaria

    Na cozinha os tiranetes
    Planejam o prato do dia
    Uns preferem salmonetes
    Outros intriga ou enguia

    Depois das pancinhas cheias
    Com sobremesas mui ricas
    Combinam futuras ceias
    Ou ritos em chafaricas

    Onde se discutem estratégias
    Com manos de Londres e Paris
    E o peixe das ementárias
    É doutra malha e cariz

    Já dizia o Fernão Pena
    Da alma com muitos senãos
    Comam petinga pequena
    Que as trutas são prós irmãos

    Finis

    Que Deus, ou o Mota, nos ajude.

    José, pau acho que terás, já de tomates é que não digo nada.

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