Os limites do infinito

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Estica-se o braço em direcção ao céu nocturno. Aponta-se ao calhas. E repara-se na porção coberta pela largura de um dedo, o mais à mão. Cabem aí 50.000 galáxias.

Não se sabe quantas galáxias há. Nem se sabe quantas estrelas tem cada uma. Fazem-se cálculos, tenta-se encontrar a média. As contas oscilam entre 200 a 400 mil milhões de estrelas por galáxia. Valor similar para o total de galáxias, 200 mil milhões delas, quentinhas. Se quiserem agora descobrir o número de planetas, façam favor, desatem a multiplicar estrelas por galáxias até que o pensamento saia fora de órbita. Nem deus, assessorado pelas legiões angélicas, conseguiria decorar os nomes dessas extraterras e respectivos apeadeiros.

Vertiginoso espaço cósmico. Dimensões que ultrapassam a nossa compreensão. A cultura ainda não enfrentou as consequências antropológicas e civilizacionais que resultam do conhecimento astronómico — ou do da física das partículas, que é simétrico na vertigem, no espanto. Mas existe no universo um fenómeno que supera em grandiosidade e mistério o conjunto dos átomos, estrelas e galáxias: é o aborrecimento. Aqueles que olham à volta e se sentem fartos ou vazios. Estupendos seres de fazer inveja às potestades celestes. Para eles, nem o infinito é suficiente.

48 thoughts on “Os limites do infinito”

  1. Mais uma perfeita valupatetice.

    A “cultura” está fartinha de “enfrentar as consequências antroplógicas e civilizacionais que resultam do conhecimento astronómico”. Não a cultura que o valupateta conhece, claro, mas a outra, a que ele despreza porque não a compreende, aquela que explora há décadas os limites do humano ou do biológico ou, na verdade, de tudo e mais alguma coisa.

    Quem, como o valupateta, encara como novidade assombrosa aquilo que a ciência já conhece e com que lida diariamente há cerca de um século, está irremediavelmente preso à ignorância. Nunca, no tempo que lhe resta de vida, conseguirá pôr-se a par do que se foi descobrindo entretanto.

    Pelo lado positivo, que também o há como em todas as coisas, há que referir que pelo menos não fecha os olhos por completo como tanta gente faz. Fraco substituto, mas sempre é alguma coisinha.

  2. Jorge,

    Fico pasmado. Será por eu ser lírico, ou tu obtuso, ou as duas coisas, nenhuma delas demasiado recomendável. Mas, a haver alguma causa humana para o meu pasmo, prefiro o lirismo.

    Esta exacta perplexidade – que o Valupi tão vigorosamente exprime, mas isso à parte -, esta perplexidade do impossivelmente incomensurável, é para mim um estado mais ou menos constante. Devoro tudo o que encontro de astronomia e astrofísica. Entre um estudo de como acabará a língua portuguesa e um de como acabará o universo, não hesito. Sobre um e outro tema, podem escrever-se estudos sublimes. E, aqui, a língua portuguesa espera.

    Mas tu serás feliz assim. E, perante isso, que interessa, vendo bem, a grandiosidade do Universo?

  3. jorge, conhecer as revelações da ciência não obvia a permanência de um mistério. e o mistério tem sempre encanto.

  4. Aquela ursa ali à esquerda é a menor? O N.?

    mas é belo, isso sim.

    ——————–
    Está confirmado: os paganus pagam impostos sobre os pagus, a troco da promessa de paz na paisagem.

    Portanto se quisermos fazer uma revolução é quebrar esta cadeia, dá idéia, mas…

    (bazar)

  5. Lírico, obtuso, pasmado, és o que bem entenderes, Fernando. Longe de mim atribuir-te adjectivos. Nem mesmo o de ignorante, embora pelos vistos ignores largos milhares de livros que lidam precisamente com esses temas. Pelos vistos, nunca leste Sagan, e será para ti uma surpresa absoluta saber que tem a obra completa (ou praticamente completa; não garanto que esteja toda) editada em português. Vai ao site da Gradiva. Nele encontrarás não só os livros do Sagan mas muitos outros de muitos mais autores, todos eles debruçados precisamente sobre estas coisas que o valupateta diz e tu papagueias que são absoluto vácuo.

    E vai também aos outros sites à procura de ficção científica. Encontrarás mais milhares de livros, dos muito bons aos muito maus (mais dos segundos do que dos primeiros, também, mas não só, por estarem quase sempre muito mal traduzidos), mas todos eles sem excepção debruçados sobre os mesmíssimos assuntos. Em alguns destes livros, o olhar sobre estas coisas é deliberado, profundo e profundamente filosófico, e mesmo naqueles onde parece incidental ele existe porque é da própria natureza do género que exista. Até nas patetices que passam por FC no cinema e na TV ele se nota, ainda que diluído e dissimulado para consumo das massas.

    Mas claro que vocês disto nada sabem. Para o valupateta, e se calhar para ti também, a “cultura” começa e acaba nos “clássicos” e a ciência é, ou devia ser, um subproduto da filosofia como no século XVII.

    Eu, o obtuso, que tive essa epifania de ser minúsculo num universo incomensurável aos 11 anos e que desde então já li milhares de páginas directa ou indirectamente sobre “as consequências antroplógicas e civilizacionais que resultam do conhecimento astronómico”, e também do biológico, do cibernético, do bioquímico, enfim, do científico, rebolo-me a rir quando leio os valupatetas deste mundo a proclamar do alto da sua astronómica ignorância que nunca ninguém pensou no assunto. Que “a língua portuguesa espera”.

    São Neutel nos salve do vosso tipo de “intelectual”. Livra!

  6. Jorge

    Foi pena eu não ter sabido antes que te irias chatear com a malta, pá, é claro que nunca teria escrito o que escrevi, nem pensar, pá. Ó Jorge, pá, tens de desculpar a malta, pá. Ninguém por aqui leu o que tu já leste, pá, e depois dá nisto, a malta só diz disparates, pá. Ó Jorge, pá, desculpa lá a malta, pá.

  7. Valupateta, vá lá, mais considerações profundas e profundamente cólturais, por favor. O teu humor voluntário é um bocejo, mas no involuntário, naquele que surge quando achas que escreves coisas sérias e inteligentes, és o maior.

    Portanto deixa-te dessas coisinhas pequeninas e chatas e oferece-nos mais pérolas da típica sabedoria valupatética. Plise. A malta quer rir-se.

  8. Jorge

    Com certeza, farei como pedes. Basta que continues o freguês fiel que tens sido e não te faltarão ocasiões para rir, sorrir e até ficares comovido. Tu mandas, ó Jorge. Tu mandas, pá! Fica aqui cagente.

  9. Jorge,

    Quanto mais Sagan (e também, ok, Azimov) eu ia lendo, mais pasmado ficava.

    Não posso trocar isto mais por miúdos – a alguém a quem o conhecimento roubou o sonho.

  10. É Asimov.

    E essa do “conhecimento roubar o sonho”, enfim… escreve-a; não te esqueças dela. Fica bem num texto lírico qualquer.

    Agora, acho um estrondo que não pareças sequer aperceber-te de que a grande valupatetice é a história da “língua portuguesa esperar” ou da “cultura ainda não ter enfrentado blá blá blá”. A barrigada é não só os dois escreverem disparates deste calibre como ainda por cima nem perceberem que é isto que contesto e não os sentimentos de arroubo perante a vastidão do universo (e nem me façam falar do multiverso).

    Mas atenção: o obtuso aqui sou eu! Nada de confusões.

  11. Jorge,

    Eu li numa língua em que era Azimov. Isaac Azimov.

    E a sério: começo a recear pela saúde da tua mente, vendo-te neste ambiente tão… disparatado.

  12. Jorge

    Confirmo que és obtuso. Não queria perder a oportunidade, nesta ocasião difícil para ti, de te dar um apoio e mostrar que concordo com o que escreves.

  13. Belo, belo, poeira.

    Há uns anos, havia um site em que a imagem diminuía, ou aumentava, gradativamente um factor 10, vendo-se desaparecer lá ao longe a nossa galáxia – ou a nossa mão.

  14. Descansa, Fernando. São já muitos anos a lidar com idiotas. Tenho prática e não me vou abaixo com tão poucos.

    (já agora aconselho vivamente a segunda imagem do Poeira, para quem a souber decifrar. Atenção que a escala é logarítmica)

  15. Pois. Esqueci-me de dizer que é uma escala logarítmica: neste caso quer dizer que é exponencial. Para terem uma ideia da extensão abrangida na carta: 10 elevado a 20 quer dizer 10+20 zeros e no mapa a 1ª década (10) corresponde a +/- 75000km, mas o mesmo espaço até à próxima década já contem 10x10x75000. Portanto são 7500000. E assim sucessivamente, a cada espaço igual no mapa há um incremento de 10×10, 100×100, 1000×1000 e assim sucessivamente.

  16. E, claro está, o mapa apenas mede distâncias de sinal rádio e as não posições relativas no espaço. Ou seja, a distância cartografada é, na realidade de 75.000e20 para todos os lados se a terra estiver no centro (360º).

  17. Jorge,

    Não precisas de entrar em epifania cósmica novamente, agora que és uma pessoa crescida e com mais juizo. Basta que nos ponhas, em despretensioso e legível Alentejano, esta passagem do teu comentário das 06.30:

    “Em alguns destes livros, o olhar sobre estas coisas é deliberado, profundo e profundamente filosófico, e mesmo naqueles onde parece incidental ele existe porque é da própria natureza do género que exista.”

    Se o fizeres, prestarás um inestimável serviço a esta comunidade astronómica e em particular a mim, Françoise. E não exageres, com os teus milhares de livros. Posso garantir-te que 99 por cento deles são àcerca de merda e escritos por merdas que andam convencidos que os americanos andam aluados desde 1969.

    Quero o teu relatório na minha frente, sem falta, o mais tarde até amanhã de manhã às 10. On the double, Chéri.

  18. Sim, Fernando.

    Tens é de me arranjar primeiro o papel azul de 25 linhas, que se me acabou. E tira esse vestido que o travesti te fica mal.

  19. Jorge,

    Fui investigar. Esta «Sagan» (estás a ver, é a Françoise, não o Carl…, fantasmas ambos, porque ambos mortos) tem o seguinte IP: 192.168.0.2

    Eu não percebo nada destas cenas, mas não coincide com o meu. Interessante é que coincida com o teu…

    Como não creio, ainda assim, que sejas tu a partir-te em heterónimos, concluo que tens de investigar. Go ahead. Ah, desculpe, Allez-y.

    Aqui entre nós: a fulana até tem pinta. Honra-me que pensasses em mim.

  20. Bravo Fernando!
    O Jorge já está de fato-macaco, pronto a ejectar-se da cápsula que o passeia pelo universo.

  21. caro professor Venâncio
    tem piada que a mim também já me lhe calhou endereçar-me este mesmo mimo que agora dirigiu ao Jorge:

    “a sério: começo a recear pela saúde da tua mente”

    não se lembra? foi a propósito dos meus comentários serem censurados no Arrastão

    Essa coisa de chamar doente mental aos que estão no lado da anti-matéria que o meu caro não enxerga é um tique terráqueo seu, né?

  22. Com certeza, Fernando. Ou Chica, se preferires.
    E eu sou o Zé Trocas-te. Esse mesmo, o de borracha.

    (suspiro)

    E agora com licença, que isto é divertido, mas como está a entrar na fase dos fantoches e eu já passei da idade, vou ler um bocadinho daquelas coisas que vocês dizem que não existem (ou, como é que é?, que a língua portuguesa espera, pois) e depois vou dar um saltinho a Vale de Lençóis, magnífico território, magnificamente povoado.

    Entretanto, cultivem-se. Façam por saber mais qualquer coisinha quando nos voltarmos a encontrar.

  23. Xatoo,

    Não me recordo, já, de ter-te tratado tão mal como dizes, mas o caso do Jorge não é para alarme. Eu pu-lo de sobreaviso sobre a insânia que por aqui grassa (ou que ele por aqui divisava), só isso.

    Já me preocupa, sim, que ele insista em supor-me autor (pronto, autora) do comentário assinado «Sagan». Por mim, era o mais baixo que eu poderia descer: fazer-me passar por comentador no meu (nosso) próprio blogue. Mas já basta o incómodo de alguém poder supô-lo.

    Já agora, Saganzinha, aparece, filha.

  24. João Pedro

    Muito bem lembrado. No entanto, o meta-texto não remete para a literatura, antes para a vulgar psicologia. Obviamente, a acédia de Ricardo Reis é uma dimensão a-psicológica, por ter intencionalidade literária.
    __

    Pois, já eu, gostaria de ter entrado no vestido da Sagan, Françoise, assinando as suas palavras.

    O que me leva, inspirado, para um novo “apport” no “Caso Jorge”. Ora vejamos:

    Caro Jorge

    Para lá de seres obtuso (como tiveste a presença de espírito de reconhecer em público), e em grau elevadíssimo (contributo meu para o teu auto-conhecimento), isso não impede que se discutam as tuas ideias. Aceitarás, porém, e sem melindre, que, em ordem a discutirmos as tuas ideias, teremos previamente de as encontrar, identificar e hierarquizar. 0ra, tu conseguiste o feito de escrever num modo intelectualmente oclusivo, o qual não permite extrair uma única ideia das tuas palavras.

    Donde, para além do TPC que a dona Sagan te passou, também eu te passo a expor uma dúvida, entre outras. Escreveste:

    “A “cultura” está fartinha de “enfrentar as consequências antroplógicas e civilizacionais que resultam do conhecimento astronómico”. Não a cultura que o valupateta conhece, claro, mas a outra, a que ele despreza porque não a compreende, aquela que explora há décadas os limites do humano ou do biológico ou, na verdade, de tudo e mais alguma coisa.”

    Fiquei feliz e contente, esperando que passasses para a parte em que apresentavas as provas dessa fartura, mas nicles batatóides, nunca mais pegaste no assunto. E também fiquei contente e feliz com o anúncio de haver uma cultura que eu desprezava, e a qual anda, “há décadas”, a explorar tudo e mais alguma coisa.

    E eu peço-te, em nome dos milhares de páginas que tu já leste – e que continuas a ler, sabe-se lá com que sacrifício, por atrasarem as tuas investidas em território “magnificamente povoado” – peço-te, repito, que reveles o nome dessa cultura; pelo menos, isso. Um nome, apenas um nome, só um, em nome da cultura que tu tens – e que já percebeste que nós nunca teremos, sem a tua ajuda.

  25. Valupi,

    Como deves calcular, estou a gostar destas conversas que se seguiram muito naturalmente aos cantos jorgeanos do insulto sem coiro nem eco entre as naves duma cabeça sem chapéu e até forçaram o pouco visto JPC a interromper o resto das suas férias de inverno em Chamonix. O Xatoo também veio: pediu uns minutos de licença lá na fábrica.

    O nervosismo da espera é, de facto, enorme. O relatório ainda não foi apresentado à Françoise e ninguem sabe se mais tarde aparecerá por aqui a Miriam com um poema a puxar a perna (pulling the arm) ao Jorge.

    Que o Trotskista Sagan, lá no Céu de Nosso Senhor e muito chateado porque a ciência não o salvou da pneumonia e da doença nos ossos, não se enerve nem se sinta ofendido: pelo andar desta carruagem, ainda há muito paninho para manguinhas. Há, há. Isto é: Eheheh.

    TT

  26. Valupateta, meu cretino preferido, mas tu supões, por acaso, que eu tenho alguma esperança que essa cabeça oca seja capaz de compreender uma ideia que seja? É claro, óbvio e evidente que não encontraste nenhuma ideia no que eu escrevi: pois se tu nem que as ideias te fossem enfiadas à martelada na caixa craniana as conseguirias encontrar!…

    Dar-te provas é, portanto, uma inútil perda de tempo. Tu olharias para elas e, na tua insuperável boçalidade, verias apenas um quarto vazio, à excepção de umas coisinhas que não saberias identificar. Podia mandar-te ler os já referidos livros de divulgação científica editados pela Gradiva e tu regressarias a esta tua pequena caixa de sabão a guinchar “e provas? e provas?” Podia sugerir-te dez, vinte, trinta, cem livros de ficção científica, cada um a lidar com um aspecto diferente da relação entre a humanidade e as consequências do descortinar da realidade pela ciência que tu, sem ler um único, regressarias aqui a este teu local de pregação ainda à procura das provas. Podia falar-te de Solaris, de Fiasco, de Labirinto, de Homem Demolido, de Stalker, de Jem, de Homem Bicentenário, de Fahrenheit, eu sei lá (a dificuldade está na escolha) que tu, fechado no impenetrável campo de forças da tua burrice, nem os títulos lerias.

    Eu compreendo-te, meu caro valupateta. Pensar é trabalho duro que gasta muita energia, e então quando o pensamento nos leva para territórios que a mediocridade reinante desconhece, mais ainda. É bem mais fácil o regurgitar dos clássicos. É bem mais simples entregar-nos a esse particular tipo de bulimia mental, especialmente quando, como no teu caso, as sinapses não conseguem ligar-se lá muito eficientemente umas às outras, quando a relação sinal/ruído é particularmente baixa. E especialmente quando quem te rodeia é igualmente incapaz. Os bulímicos juntam-se em fóruns onde conversam uns com os outros sobre a sua bulimia e se sentem normais, e é essa a utilidade que este blogue tem para ti. Eu compreendo-te, a sério. E é por compreender-te que nem perco tempo a tentar provar-te seja o que for. Sei à partida que é trabalho inútil, tempo perdido. E o tempo é daquelas coisas preciosas que nunca é suficiente para tudo o que há a fazer. Pensar, por exemplo. Ou trabalhar, que é o que vou fazer já a seguir.

    Não fiques triste. Dá um beijinho ao travesti do Fernando para consolo.

  27. Mas pelo que eu noutro dia percebi, isto tudo que se vê, ainda é um quase nada, porque é quase tudo constituído por matéria e energia negra. E noutro dia estava a olhar o céu, na ressaca do belo eclipse, e pensei: também, caramba, só é cego quem não quer ver, o céu é quase todo preto com *lhões de luzinhas.

  28. Compadre TT

    Muito obrigado pelo teu desopilanço. Estás em grande forma.
    __

    Jorge

    Então, deixa lá ver o que trazes na lancheira:

    – a editora Gradiva
    – Sagan e “outros autores”
    – livros de ficção científica
    – Solaris, Fiasco, Labirinto, Homem Demolido, Stalker, Jem, Homem Bicentenário, Fahrenheit, “eu sei lá”
    – Uma misteriosa cultura, por mim supostamente desprezada, e que anda “há décadas a explorar tudo e mais alguma coisa”, a grandessíssima exploradora de tudo e, ainda, mais alguma coisa

    Donde, sendo isto o que trouxeste para a conversa, é lícito considerar-te um imbecil. Porque só um imbecil é que se lembraria de ir para uma discussão com estranhos no singular propósito de exibir a sua banalidade.

    Não sei se estás maluquinho (e porque não?), ou se nasceste apenas com 3 neurónios (sendo que um nunca funcionou, o segundo emprestaste e não to devolveram, e o terceiro está perdido nesse palheiro), mas algo de bizarramente bizarro se passa no teu pensamento para supores que só tu é que tens cultura geral básica. Talvez até possas trabalhar num circo, daqueles que exibem mutantes, com tal currículo.

    Para teu galo, o Fernando revelou-se mais amante do cosmos do que da Língua (oh, heresia!), e eu, que te reconheço como um idiota útil, sou um dos milhares, ou milhões, de portugueses que devorou, freneticamente, toda a colecção Argonauta (não excluindo outras). O mesmo zelo de leitura para os divulgadores (onde relembro com especial carinho Hubert Reeves e o final do seu “Um Pouco Mais de Azul”, por causa do argumento relativo à música) e não só. “Uma Breve História do Tempo”, Hawking, já é prato menos lírico e mais denso. E Novikov (para exemplo complementar no campo básico da divulgação) vai ainda um bocadinho mais longe. Carl Sagan foi lido e visto na TV, etc. A parte em que a tua imbecilidade é útil é esta mesmo: dá azo à recordação encantada da adolescência.

    Ora, parece que o teu problema se encontra ao nível da literacia. Tu leste o que eu escrevi e não percebeste ponta de um corno do que lá estava (o qual, faço-te a papinha, era uma reflexão de carácter antropológico e cultural, não científico ou histórico – ou seja, era o esboço de uma questão que dizia respeito à inscrição das temáticas científicas nos sistemas sociológicos e nas psiques). E, nesse delírio que te consome 25 horas por dia, achaste que era uma excelente ocasião para vires a correr e aos pinotes avisar a malta que conheces a Gradiva. Como dizer… acho que estás a milénios-luz do comum dos mortais. O Spielberg enganou-nos: o ET não voltou para casa e assina “Jorge” na blogosfera.

  29. A ciência tem em mãos um instrumento poderoso chamado método científico que funciona, simplificando, da seguinte forma: alguém tem uma ideia, com base nessa ideia formula uma hipótese, ou, se houver dados suficientes, uma teoria, usa a teoria para fazer algumas previsões e depois vai fazer experiências para ver se os resultados confirmam as previsões da teoria.

    A minha teoria nesta conversa era que o valupateta era um cretino, e que portanto, fosse o que fosse que eu lhe explicasse, não compreenderia nada. Que responderia a alhos falando-lhe eu de bugalhos. E aí está: previsão da teoria verificada verdadeira pelos dados resultantes da experiência, logo a teoria de que o valupateta é um cretino está amplamente confirmada.

    Estou seguro de que os mais inteligentes entre os que ainda aqui estão a ler isto já terão compreendido como, mas como sei que há muitos que ainda não estão, mas não são tão obtusos como o valupateta, e portanto têm capacidade para chegar lá, aqui vai tudo explicadinho tintim por tintim.

    Recordemos que tudo começou com a extraordinária frase “a cultura ainda não enfrentou as consequências antropológicas e civilizacionais que resultam do conhecimento astronómico”. Repare-se: “a cultura”. Sabendo eu como sabia que o valupateta pertence àquele grupo de pomposos imbecis para os quais a expressão “a cultura” equivale àquilo a que as pessoas normais chamam a cultura académica, vertente humanística, percebi perfeitamente o que ele queria dizer. E dei-lhe razão: a cultura que ele conhece, a cultura académica dos filósofos, sociólogos e quejandos, está seriamente deficitária na reflexão sobre estas coisas. Nisso, aliás, não há nenhuma novidade: pouquíssimos têm sido os casos, já há mais de um século, em que essa classe de “pensadores” (como o valupateta se regala em chamar-lhes) não tenha vindo basicamente a reboque de alterações de todos os tipos de paradigmas sociais causadas pela rápida evolução científica e tecnológica.

    Ora acontece que uma coisa que o valupateta e os imbecis pomposos de sua igualha não são capazes de compreender, por mais que lhes seja martelado nas cabecinhas a rebentar de vácuo, é que a cultura académica *não é* a cultura. Não passa de uma parte, e uma parte que nem sequer é lá muito significativa nos dias que correm, pois a evolução da sociedade se faz hoje muito mais no espaço público e democrático de massas do que no mogno cheio de teias de aranha da academia humanística. Julgo, e até posso enganar-me mas é uma convicção profunda que tenho, que a tendência da cultura académica para andar a reboque da outra só poderá acentuar-se de futuro. Ou seja: que a cultura não académica, ou não humanisticamente académica, tem hoje uma preponderância que só tende a aumentar. Isto inclui as ciências físicas, inclui as artes, inclui a política, etc.

    (Obviamente que estas coisas não são estanques, e há intersecções, mais ou menos importantes, entre a cultura académica e a outra. Permita-se-me a simplificação a bem da clareza do argumento)

    Os imbecis pomposos da família mentalmente deficitária do valupateta também são completamente incapazes de compreender outra coisa: que “cá fora” também há gente que pensa. Alguns cientistas reflectem com frequência sobre as consequências sociais das descobertas que fazem e certas artes, como a literatura, têm na reflexão o seu esteio ou, na verdade, o seu motor. E tudo isso é cultura. Mas para os valupidiotas, pensamento que não seja sociológico ou filosófico e não seja apresentado com as regras (incluindo, ou principalmente, as da ofuscação de linguagem) próprias da academia é banalidade, e qualquer ideia que não ponha a academia nos cornos da Lua é estupidez.

    Daí que quando o valupateta arrotou o seu chavão sobre “a cultura” não ter enfrentado isto e aquilo, patati patata etc. e tal, eu fui buscar exemplos de agentes de cultura que já “enfrentam” todos esses assuntos há décadas. Os cientistas e inovadores tecnológicos, representados pelos divulgadores, gente que até o valupidiota seria capaz de procurar no google, que produzem sistematicamente reflexão sobre as descobertas que vão fazendo e que nos vão alterando diariamente a vida e a perspectiva que temos sobre ela. E aquela parte da literatura, a ficção científica, que de facto tem na sua base precisamente a reflexão sobre “as consequências antropológicas e civilizacionais que resultam do conhecimento” científico, e que através dessa reflexão tem também influenciado profundamente a nossa sociedade, ainda que por vias travessas. É que, ao contrário do que diz o valupaspalho, não são milhões os consumidores de literatura de FC em Portugal, nunca o foram, é um género literário ultra-minoritário e activamente desprezado pela tal “cultura” valupatética, e Portugal não está sozinho nessa atitude, bem longe disso. A influência acontece por via indirecta, quando a FC influencia os criadores de ciência e de tecnologias e quando a literatura de FC chega ao cinema ou à TV, em geral décadas depois dos contos e livros, e tantas vezes de forma muito adulterada.

    Apesar de também os exemplos dados na FC serem de títulos tão conhecidos que até o valucretino poderia encontrar no Google, para ele, claro, nada disto pertence “à cultura”, daí que não tenha percebido uma palavra do que eu escrevi. Como eu já esperava, ao não compreender o argumento recorreu ao insulto, atitude recorrente naquela besta(*). Onde se prova a sua estupidez. QED e I rest my case.

    FIM

    (*) Para quem é razoavelmente novo nisto e não sabe, passei a tratar o animal a pontapé, do modo que se vê nestes comentários, depois de ler várias respostas da valubesta a amesquinhar gente com quem discutia e a partir do momento em que me calhou a mim o mesmo tratamento. É extraordinário que um imbecil deste calibre, que sistematicamente se mostra incapaz de compreender o que lhe é dito, se permita a responder às pessoas com tamanha sobranceria. Achei que tinha de haver alguém que reduzisse o paspalho à devida dimensão. E como bónus, até tem sido divertido. Este assunto está arrumado (ele, claro, vai querer a última palavra, portanto pelo menos mais um textozinho idiota ainda haverá), mas há-de haver um próximo, em especial se o palerma não aprender nada e não mudar de atutude. Vou é ver se arranjo aquela música do Fernando Girão, “Intelectual de Café”; fica a matar como acompanhamento aos bitaites da personagem.

  30. Jorge

    Podes ficar descansado. Depois do teu magnífico exercício argumentativo, não haverá ninguém que não te queira dar razão. É que estás mesmo carenciado dela.

    Cuida-te, porque parece grave.

  31. eu gosto mais de valupateta, valupaspalho e, especialmente, de valupidiota, porque aproveitam bem as letras do ponto de partida. em valubesta e valucretino existe já um grosseiro desperdício. sempre achei tão romântico o exercício criativo em torno de um nome… que inveja.

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