Meditação para um quadro oferecido por Jorge Bretão

Trouxeste num quadro a luz da tua cidade
Eu só tenho para te dar o escuro de Lisboa
Nos dias em que anoitece sobre a verdade
E a raiva é uma nuvem que nos sobrevoa

Numa cidade cheia de prisões e hospitais
De eléctricos vagarosos com os atrelados
A vida era diferente dos bilhetes-postais
Era mais cinzenta e nós muito cansados

Anos depois veio um projecto de alegria
Na manhã de Abril hoje perdidas ilusões
Uma excelente promessa de democracia
E ficou reduzida a um ritual de eleições

Salva-nos o tempo; permanece o mistério
No usufruto duma manhã plena de festa
Os músicos que tocam frente ao Império
São toda a felicidade que nos resta

3 thoughts on “Meditação para um quadro oferecido por Jorge Bretão”

  1. Pois, meu Caro JCF, temos de nos contentar com esse ritual de eleições. E com uma Europa de que cada vez mais desconfio, que este governo, saído do partido em que vitei apesar de não gostar deste Sócrates, pouco mais faz que disparates. Num dia pensa mandar pagar cinco cêntimos por cada saco de plástico, e no outro faz saber que nem uma imperial se poderá beber num copo de vidro, que será substituído pelo tal plástico monstruoso. No Verão, passarei a andar com um copo de vidro meu na algibeira, porque em plástico é que eu não bebo cerveja nem café. E o whisky ou o vodka, como serão? Em plástico também?
    Se eu fosse de praguejar, praguejava. Mas estou a fazê-lo por dentro.
    Ah, o poema? Gostei, sim, meu Caro.

  2. Eu não sou contra as eleições – em si. Sou é contra o facto de só haver eleições em vez de democracia. Talvez porque participei no 25 de Abril na Pontinha, sinto as coisas de modo intenso. Quanto maiores são as esperanças maiores as desilusões.

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