Declaração de Admiração

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O escritor Almeida Faria assinalou, com o texto abaixo, os noventa anos do professor e investigador ÓSCAR LOPES (na foto), no passado 2 de Outubro. Agradeço ao autor a oferta e disponibilização do texto.

De entre os contemporâneos de Óscar Lopes, poucos serão os escritores em Portugal que não lhe devam algo. E também alguns brasileiros – João Cabral de Melo Neto ou João Guimarães Rosa – lhe ficaram devendo atentas e lúcidas análises.No que me diz respeito, devo-lhe argutas leituras de romances meus e, pelo contexto em que isso se passou, a sua recensão a Rumor Branco. Este livro fora atacado por Pinheiro Torres que depois se disse pressionado nesse sentido por gente que com ele partilhava um fanatismo supostamente progressista. Óscar Lopes, com maior cultura e abertura, procurou pelo contrário naquele romance o que ele teria de mais autêntico.

Mas não é só da sua crítica que me declaro admirador. Aprendi com a idade a dar à lucidez o mesmo valor que dou à generosidade, e várias vezes confirmei a generosidade deste grande leitor cujos noventa anos hoje festejamos. A seguir à publicação de A Paixão, participei com Óscar Lopes em sessões públicas que sempre saltavam da literatura para a política – sendo esse justamente o seu objectivo implícito. Foram memoráveis as sessões na Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto e na Cooperativa Piedense, esta por iniciativa de Cid Simões e ambas sob mais que provável vigilância policial. Nem por isso o debate foi menos corajoso e acalorado. Da sessão na Cova da Piedade há documentos fotográficos. Da sessão portuense haverá pelo menos o testemunho de quem lá esteve.

ALMEIDA FARIA

4 thoughts on “Declaração de Admiração”

  1. Vem mesmo a propósito. Ando há muito tempo à procura de um poema de òscar Lopes que tem por título «O t de tu». Logo que o encontre, envio ao Fernando Venancio. Trabalhei com Óscar Lopes durante dois anos na Associação Portuguesa de Escritores. É um senhor.

  2. Notável esta frase e o sentimento que traduz:
    “Aprendi com a idade a dar à lucidez o mesmo valor que dou à generosidade”.

  3. Também me junto ao Daniel no enlevo provindo da frase citada. Embora ainda se possa fazer saborosa conversa quanto à suspeita de ser a generosidade uma outra forma, e superior, de lucidez…

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