Curso rápido de leitura das entrevistas do Saramago

Há quem não se importe nada com o que Saramago disse, com o que Saramago pensa e com o que Saramago quer. Estes, aparentemente, também não se importam muito com o fim de Portugal como país, passando a província da Espanha. Dizem que Saramago não é iberista, apenas lúcido. Que Saramago fala da integração como quem diz que vai chover, mas sem ser uma inevitabilidade (??). E ainda acrescentam que leram a entrevista ao DN do passado domingo.

E nisso, no ter lido a entrevista, é que está o problema. Porque para quem não a leu, acreditar que Saramago é um vendido aos castelhanos é legítimo e recomenda-se. Estar-se-á centrado no essencial, sem se ter perdido tempo a ler o supérfluo. Porém, quem leu passa a ter um problema. E que não é pequeno. É um problema com 800 quilómetros de costa.

Saramago, na quase totalidade do que diz, argumenta a favor do fim de Portugal como Estado independente. A troco do quê? Do abstracto desenvolvimento. Mais não avança ou detalha, revela ou esclarece. O desenvolvimento é para ele um conceito auto-evidente, universal, e, se bem explicado, todos os portugueses o iriam desejar. Isto é, todos os portugueses iriam querer viver com o nível de vida dos catalães, promete Saramago. Ora, com isto fica patente que o nosso Nobel está a mentir, a delirar e a enterrar-se no valado do ridículo. Porque o designado desenvolvimento espanhol corresponde a uma situação que não é reproduzível no contexto português, com ou sem integração.

A montante e jusante da ciência económica, o nosso leitor de entrevistas de Saramago já desistiu há muito de Portugal, o qual constata estar pejado de portugueses. Este leitor não acredita na renovação do escol luso, preferindo substituí-lo por atacado pela elite madrilena. Contudo, a entrevista afirma que seriam ainda os portugueses a gerir Portugal, embora subservientes ao poder central ibérico. Esta contradição deixa o nosso leitor numa periclitante posição, arriscando o erro hermenêutico ou a ignomínia patriótica. O que me leva a oferecer este ensinamento: quando se lê uma entrevista de Saramago, lembremos-nos de que estamos perante um ex-português. Um ex-português que sonha com uma Espanha das Baleares aos Açores.

27 thoughts on “Curso rápido de leitura das entrevistas do Saramago”

  1. pena é que saramago se ausente do escol luso. talvez seja um gesto amoroso, questão de pilar – digo eu…

  2. Então para Valupi, “acreditar que Saramago é um vendido aos castelhanos é legítimo”. Eu digo que não passa de retórica comicieira e injuriosa.
    Valupi diz que “Saramago, na quase totalidade do que diz, argumenta a favor do fim de Portugal como Estado independente”. Isso não é verdade. José Saramago apenas desdramatiza a perspectiva, que considera provável no futuro, da integração de Portugal com Espanha. Considera apenas que não é outra vez Alcácer-Kibir. E nem sequer afirma que essa integração é inevitável. A inevitabilidade foi-lhe abusivamente colocada na boca por outro comentador exaltado, também ele tomado de febres patrióticas.
    Segundo Valupi, José Saramago viria nesta entrevista a procurar convencer os portugueses a abdicarem da sua independência em troca do desenvolvimento. Isso é uma inverdade que inverte os dados da questão. José Saramago, questionando claramente a viabilidade de Portugal como estado independente, afirma apenas que, integrados, manteríamos língua, cultura e autonomia, “e teríamos tudo a ganhar em desenvolvimento”. Isso diz ele, que eu não sei. Mas Valupi sabe. Sabe que é mentira e delírio, porque o desenvolvimento espanhol não é reproduzível no contexto português, com ou sem integração. Talvez tenha razão.
    Por mim, sei apenas que temos vinte anos de atraso da Galiza, e muito mais de outras regiões de Espanha. Sei apenas que Portugal, ou adquire viabilidade integrado em Espanha, ou a vai encontrar na Europa global, ou a arranca das próprias tripas, se quiser sobreviver como país independente.
    Sei, mais ou menos, como é que Portugal foi construindo essa viabilidade no passado. E foi através duma aritmética muito simples. Um certo país, a que Valupi pertencia ao menos em espírito, vivia independente e era viável, à custa dos direitos mais elementares e legítimos do país restante. Tenho, porém, as minhas dúvidas de que isso seja um povo europeu, uma sociedade moderna, uma ordem social sustentável, e um país viável, nos tempos que correm.
    Já não tenho dúvidas de que, se não fosse a barcaça europeia em que vamos navegando, há muito tínhamos voltado à fórmula original. Ou, quem sabe, com as febres patrióticas de Valupi, estaríamos ainda a ouvir no remanso conversas em família.
    Porque o problema é o da nossa viabilidade, é o da nossa capacidade de construir um país que se desenvolve, que se moderniza, e que se aguenta nas canetas. Olhando aos últimos trinta anos, e às condições que tivemos, mesmo tendo em conta que partíamos do zero, o panorama não acalenta ilusões.
    E não Valupi, eu, que leio com prazer as entrevistas de José Saramago, eu não desisti de Portugal. Do que eu desisti, há muito, é do teu Portugal. Do teu escol luso, a quem estou cansado de passar cheques em branco, e com as excepções da ordem não passa duma cambada de corruptos, ou incompetentes, ou traidores, que vão levando a coisa pública enquanto governam a vidinha, seguindo uma escola muito antiga.
    Mas não desejo substituí-lo por nenhuma elite madrilena. Dava-me mais jeito uma elite nacional qualquer, que tivesse dignidade e sabedoria, e ainda não desisti dela. Coisa que ao José Saramago, se calhar, já aconteceu. Porque ele é ex-português, como tu decretas. Paga impostos em Lisboa por extravagância, coisa que muitos patriotas em febre não fazem, como conheces muito bem.
    Sabes uma coisa, Valupi?! A retórica magistral dos teus ensinamentos, se não me fizesse sorrir, assustava-me.

  3. Jorge,

    O que assusta, mas também esclarece, é a nítida perspectiva espanhola (castelhana, claro, mas usemos o termo imperial) de Saramago. É a duma Espanha feliz, muito arranjadinha, com as suas línguas, as suas culturas, as suas «autonomías». Ora, essa Espanha só existe vista de Madrid. E para isso é preciso, ainda, cegueira.

    Tu sabes que a «Espanha» se formou pela união de reinos e depois pela anexação de outros. É nessa perspectiva que podes entender a sugestão de Saramago. Portugal seria, bem simplesmente, mais um reino a «aderir» ao projecto.

    Tu sabes (saberás?) que a felicidade espanhola se mantém ao preço de muita sujeição ao poder central, que tem retórica, mas também botas de tropa.

    «Um ex-português que sonha com uma Espanha das Baleares aos Açores»? Eu devia ter-me já lembrado dessa. Saramago, um «vendido aos castelhanos»? O Valupi é exacto – e é ainda simpático. Outros serão bem mais violentos.

    Mas só te fica bem não desistires de Portugal. Por mim, seja de que Portugal for.

    E não te estou a ver num mundo em que cada palavra tua escrita em português (como hoje em galego, em basco, em catalão) seja mais um centímetro ganho à prepotência.

  4. Caros, responderei logo que tenha tempo.

    Por agora, só um rápido esclarecimento: devido ao entusiasmo do Fernando, resolvi aperfeiçoar a frase final construída à pressa. Assim, troquei “Maiorca” por “Baleares”. Ganha a forma e o conteúdo.

  5. é assim mesmo Carvalheira! estes gajos acham que esta nossa felicidadezinha é sustentável, mas não é. um dia a choldra ficará ingovernável, caso a malta não tome juízo.

  6. É como trocar de família, porque a minha é pobre e analfabeta.

    A questão é muito hipócrita.

    Reza que Espanha está à beira de uma gravíssima recessão devido a uma gigantesca bolha especulativa imobiliária.

    Se tal acontecer, depois conversamos.

  7. Pois rezam mal. O mercado imobiliario de espanha ja esta a abrandar. Mas isso e’ um contratempo de uma economia forte. A Espanha fez reformas, as tais reformas estruturais de que tanto se fala em Portugal. Mas reformar o estado em Portugal so pode ser feito por um politico suicida, que depois de derrotado nas eleicoes seja substituido por outro suicida. Mas para muita gente liberalismo economico e’ fascismo!

  8. Ler a entrevista de Saramago?É normal e saudavel!Discordar do todo ou de parte?É normal!
    Discordar?É normal!
    Agora um ministro da Defesa em Bruxelas responder oficilmente ao conteudo(interpretado…)da mesma…não é normal!ajl

  9. Meu caro Fernando

    Em ti, comentador civil e cordato, um José Saramago “ex-português… vendido aos castelhanos” sugere-me verdades reveladas, sem ofensa.
    Em Valupi é uma injúria.
    E noutros “bem mais violentos” será um assassinato que não foi além da tentação.
    Para mim nada disso é ciência certa. O que é certo, para mim, é termos a história pejada de casos destes. Um tipo põe-nos a abanar, e nós somos assim. Se nos contraria a mensagem, matamos o mensageiro.
    Já o resto que dizes de Castela, assino por baixo.
    Insistindo, por causa das confusões, que não sou iberista, nem me comovem fanfarronadas castelhanas.

  10. Jorge, honras-me. Achares que tenho a capacidade de “injuriar” uma entidade não nomeada (o Saramago? tu? nós? Portugal? quem?) indica que temos assunto de conversa.

    A fórmula que escolheste para recensão da entrevista – “José Saramago apenas desdramatiza a perspectiva, que considera provável no futuro, da integração de Portugal com Espanha.” – é uma invenção tua. Poder inventivo que te assiste, devia ir sem nota, mas não te confundas: o único sentido das palavras de Saramago é o de expor as vantagens do fim de um país chamado Portugal.

    Colocas-me num certo Portugal que renego. O Portugal dos tiranetes, dos corruptos e dos imbecis não é o meu; pelo menos, não o que quero. E assim, levado pela emoção, derrapas no raciocínio: o escol português não tem necessária correspondência com a classe que exerce o poder. Nisto, sou agostiniano da Silva: Portugal não tem um regime português desde 1580. Olha só a quantidade de cheques em branco que isso representa.

    Terminas com a estafada acusação da retórica. Ora, acontece ser a retórica uma capacidade decisiva para a democracia, por um lado, e ser um meio de construir sentido comunitário, por outro. Retórica não é sinónimo de hipocrisia ou dolo, mas poupo-te a lição. O que me interessa no teu remate é o que deixas por dizer – que te assustas com fantasmas.

    Falar de pátria tornou-se politicamente incorrecto, sendo provável levar com um carimbo bolorento. Cumpre dizer que tal reacção só aumenta a urgência de levantar Portugal do marasmo que já faz muitos preferirem o consumismo espanhol à liberdade lusitana. Se te dá mais jeito uma elite nacional, por que esperas para ser parte dela? Ou acharás que o heroísmo é uma coisa que só acontece aos outros?

  11. eu não me oponho à Ibéria como plataforma civilizacional, de valores e mistérios. Uma vez numa exposição na Cordoaria de Lisboa, vi lá uma interpretação de que Iberia, ao contrário da interpretação clássica derivada do rio Ebro, vinha antes de (Nova) Hebreia, a partir duma tribo migrada da Macedónia.

    Agora prescindir da soberania nacional em matéria de Constituição, língua e orgãos de soberania, nem pó.

  12. “José Saramago, questionando claramente a viabilidade de Portugal como estado independente, afirma apenas que, integrados, manteríamos língua, cultura e autonomia, “e teríamos tudo a ganhar em desenvolvimento”. Isso diz ele, que eu não sei.”.

    Carvalheira,

    Não sabes, mas eu sei. Trata-se da bonita e politicamente correcta proposta dum senhor que escreveu merda muito desinformativa sobre a bíblia (deram-lhe um oscar sueco por isso) que não ficaria mal na boca de qualquer embaixador atarefado na busca de adeptos para uma ideia e clientes para um produto constante de mapas velhos..

    Pensa naquilo que nos dizes que o Saramago disse, e depois informa-nos se esse teu longo comentário de carambas e castanholas não foi apenas devido ao facto de ontem ter sido o teu dia de defeso na área da punheta. Ou então fala-me de paises ideais constantes no teu pequeno livrinho do orgulho dos orgulhos de paises onde não exista gente politica e financeiramente corrupta. Dar-te-ei um pacotinho com maltesers se me apresentares um.

    E pois, tu NÃO sabes, não sabes, e não sabes. Três avé-marias. Porque ELES não te dizem, muito intencionalmente. E nem era preciso que dissesses, porque nós sabemos que as pessoas “honestas” como tu, fortes no cagar para os nacionalismos corruptos, só não são oficialmente comunistas, com a respectiva mentalidade de obediência ao poder central, apenas porque têm o vício moderno e artificial de coçar o rabiosque ao Comunismo do Templo de Salomão com a mão direita. Ninguém nota e vai deixando passar. Disfarce e diversão – ou então pura inocência ditada pela leitura repetida de cancros noticiosos e úlceras ideológicas. Neste último caso dá um banho a esse cérebro. Usa Lavanda. Isto é, Alfazema.

  13. caro Valupi
    depois de ouvir as baboseiras do sr. Martins da Cruz sobre o que disse Saramago, conclui-se que vc se apressa em não se ficar paratrás da posta recitada pelo tachístico ex-ministro.
    Quando cita: “não te confundas: o único sentido das palavras de Saramago é o de expor as vantagens do fim de um país chamado Portugal” vc Valupi mostra uma ignorância crassa sobre o que pode ser a autonomia das regiões governadas por gestões de proximidade (em prejuizo das entidades centralizadoras à la LuisXIV, voilá “a Espanha” cuja designação é tão recente quanto a noção de Estado (do século XVI)
    ora porra
    afinal vc Valupi,também nem sequer leu a entrevista. O Zé o que disse foi:
    “Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla La Mancha e tínhamos Portugal(…) Não se deixaria de falar, de pensar e sentir em português”(…) provavelmente Espanha teria de mudar de nome e passar a chamar-se Ibéria”

  14. V. «mostra uma ignorância crassa sobre o que pode ser a autonomia das regiões governadas por gestões de proximidade».

    Xatoo,

    O que seja a sacrossanta autonomia, pronto vá lá, das regiões governadas, oui encore un effort, por gestões de proximidade – isso vê-lo tu, não vás mais longe, na Galiza.

    Eu levei anos a perceber que a autonomia, bah, das regiões governadas, uff tá quase, por gestões de proximidade era uma grande trampa.

    Aproveita. Vai à Galiza e observa bem. Vês logo o futuro de Portugal, chegadinho a essa autonomia das regiões… ui, como era que dizias?

    Lembro-te só isto. Em 2006, os catalães prepararam um novo «Estatut de autonomia». Queriam chamar-se, aí, nação. Nada por aí além. Pois, por ordem de Madrid, o termo foi posto no preâmbulo, onde não tem qualquer valor jurídico.

    Em 2007, os galegos socialistas e nacionalistas, preparando o novo «Estatuto de autonomía», quiseram chamar-se nação. Nada que brade aos céus. Pois o próprio PP galego (comandado de Madrid, claro, mesmo com um chefe galego…) opôs-se, e a remodelação do Estatuto está na gaveta.

    Quem é o português que quer meter-se num Estado assim? Tem juízo, homem.

    Eu quero riqueza, quero desenvolvimento, em Portugal. Mas antes pobre que espanhol.

  15. O que ao xatoo escapa é que nas ditas comunidades autónomas de Espanha luta-se diariamente por coisas tão simples quanto a possibilidade de usufruir de serviços ou trabalhar na língua nativa. Não deixa de ser curioso que um Nobel da Literatura português venha defender a sujeição da sua língua ao mesmo estatudo de menosprezo em que se encontra o galego, o basco ou até mesmo o catalão.

    Já agora, se fossemos parte de Espanha iamos ter a nossa voz própria na União Europeia ou, à semelhança de galegos, bascos e catalães, iamos depender do Estado espanhol para nossa representação nas instâncias comunitárias?

  16. disse:
    “Eu quero riqueza, quero desenvolvimento, em Portugal. Mas antes pobre que espanhol”
    caro prof. F.Venancio vc contradiz-se na mesma frase, antes do ponto quer riqueza: a Galiza tem um PIB de 15800 euros/ano per capita. Portugal tem 13.800, mas vc foi logo buscar “o exemplo” que mais lhe convém, o da pátria do franquismo, porque se comparar com a Catalunha o PIB deles é 23.500, quase igual ao de Madrid cidade.
    Quanto ao caciquismo vc fala “daquilo que vê” – eu falo daquilo que desejo. Vc também não compreende, ou faz vista grossa, a que o poder do caciquismo local dependa do apoio, do patrocínio dos poderes centrais, cujas cúpulas são dos mesmos partidos, etc.
    Enquanto o Poder Central não fôr irradicado (por isso Saramago fala do fim do termo Espanha)para passar a ser apenas uma gestão técnica com mandatos controlados (enquanto as decisões politicas serão Locais) vc vai continuar a assistir àquilo que vê. Qual é o espanto? vc conforme afirma depois do ponto no meio da frase, contradizendo-se ao desejo de riqueza, até nem se importa de “continuar a ser pobre”.
    Devia optar por ser português integrado na Ibéria (a previsão de Saramago) o que lhe proporcionaria melhores horizontes, a todos os niveis.

  17. e temos aqui outra compararação curiosa caro prof. Venâncio:
    o PIB do País Basco,, que com apenas meio milhão de habitantes e 1 décimo da área da tugolândia é de 24.500 euros ano per capita.(ainda maior do que o da Catalunha) Porque será que as regiões que maiores aspirações de autonomia possuem são “as que melhor se safam?”

  18. Caro Xatoo,

    Você dá duas grandes cambalhotas concepcionais (já vou falando à Valupi). A primeira toma como natural, se não óbvio, que os portugueses um dia queiram, em maioria (e sempre ela teria de ser qualificada), a dissolução do Estado português e sua integração num novo (em todo o caso para eles)Estado. A segunda cambalhota é supor que essa integração será seguida (de certeza!, de outra maneira a operação seria inútil) de um crescimento, talvez espectacular, mas por certo que aconchegado, do PIB.

    É suposição sobre suposição. E já se deu conta dos gastos – reais, não «esperados» – em desmantelamento de estruturas, em criação de novas estruturas?

    Trabalhe você para Portugal. E obrigado, de coração, por cada cêntimo que você produzir. Já esperámos demasiado tempo por Sabestiões. Não vamos esperar agora por um que se chama «Espanha».

  19. O País Basco com “apenas meio milhão de habitantes”…

    O xatoo está a referir-se aos bascos maiores de 60 anos? Ou está a referir-se a quê? Porra para o analfabetismo!

  20. Nikita Blogoff
    realmente tem razão, são 2 milhões
    mas um lapso não é razão para tudo o mais estar errado, se eu fui apelidado de analfabeto, vc é idiota se não sabe ver isso

    Fernando Venâncio
    Vc insiste no erro de pensar o Estado (“um novo Estado”, disse), uma entidade com apenas 400 anos, como se essa fosse definitivamente a concepção última de organização social possivel. Se calhar antes de Westefália o povoléu também pensava ser impossivel ver um dia desaparecer os Feudos para dar lugar a outra forma de exercicio do Poder emanando de salões dourados. Quanto aquilo que “a maioria dos portugueses um dia quererão” volto-lhe a citar Saramago: “não sou profeta, mas”,,,
    e, ao contrário da sua suposição,
    não há gastos nenhuns na “criação de novas estruturas” não temos já Câmara Municipal? Assembleia Municipal? Juntas de Freguesia? suponha que me perguntavam a mim e à rapaziada aqui dos clubes recreativos se achavam bem que se mandassem os nossos rapazes aqui da região de Lisboa cumprir serviço militar pró Iraque nas guerras da Nato?
    Realmente é verdade. Para que é que serviria então o Poder Central, se não houvesse guerras imperialistas?

  21. Xatoo,

    Você pode saber alguma coisa de «organizações sociais possíveis», mas o funcionamento real da Espanha (no que tem de aceitável e no que tem de repudiável) parece escapar-lhe.

    E quanto à sua última frase («Para que é que serviria então o Poder Central, se não houvesse guerras imperialistas?»), eu prefiro pensar que não a compreendo. Ou terei de considerá-la o cúmulo do cinismo.

  22. Caro xatoo,

    Tu defendes a vantagem em Portugal abdicar da sua soberania como país independente para se tornar uma província autónoma da Espanha (mesmo que não seja este o nome que designaria esse novo conjunto). E justificas o fim do país Portugal com os índices de desenvolvimento económico aqui ao lado. Daí, esta questão:

    Se, para ti, os países se medem (se outorgam sentido) exclusivamente pelos índices económicos, pelo dinheiro que o cidadão tiver para gastar, porquê nos irmos vender à Espanha? Não verás mais vantagem em pedirmos asilo pátrio à Noruega, aos EUA ou à China?

    Conta lá.

  23. E perguntar aos espanhóis?
    É que isto parece negarse a ir a uma festa à qual nunca serão convidados. Gosto especialmente do “antes pobre que espanhol”. Força. Eu, como vasco e espanhol, não quero lá mais portugueses. Afinal há muitos mais tugas lá do que espanhóis cá. Eu vivi lá e fui muitas vezes convidado a sair. E assim o fiz. Sai de aquele sitio o mais rapidamente que consegui.
    Por isso, como espanhol, vasco e não castelhano, e anti-iberista, vos direi, caros vizinhos:
    NO, GRACIAS!!!!
    E já agora, vejam se deixam essa grande hipocrisia vossa de nos chamar “hermanos”.

  24. (NO FIM, VERSÃO EM CASTELHANO… PARA QUE ENTENDA QUEM PENSA QUE TODA A ESQUERDA É SAMAGUISTA” !)

    UM APELO DIRECTO A JOSÉ SARAMAGO (inédito!)

    Há lógicas que não consigo entender.
    Conheço um escritor de grande valor que se bate por várias causas, a nível mundial. Não só luta contra os “males” do Mundo, numa época em que o Capitalismo Selvagem dita a sua lei sobre governos, povo, e nações, como luta para que todos os povos tenham o direito de e governar como entenderem. Esteve até na Palestina, apelando à Independência desta em relação a Israel. Apoiou a independência de Timor. Apoia a idéia dum Curdistão independente.
    Este homem apela a que deixem os povos decidir. Combate as elites iluminadas que manipulam a vontade desses mesmos povos. Nega-se a aceitar que haja povos mais ou menos inteligentes.
    Este homem viu, desde 1989/1990, inúmeros povos reclamarem a sua independência e a sua constituição em Estados soberanos. Ainda recentemente, vimos o pequeno Montenegro proclamar a Independência.
    O homem em questão cita o exemplo de países como a Eslovénia como capazes de ultrapassar Portugal, e sabe que a mesma se separou duma União maior chamada Jugoslávia.
    Talvez tenha até ouvido o Primeiro-Ministro dinamarquês comparar Portugal e a Dinamarca, e dizer que ambos são pequenos países com pouca população (e, nestes aspectos, Portugal é superior), com um vizinho poderoso, mas que fazem o possível por sobreviver, e que, se a Dinamarca foi capaz de se tornar um dos países mais ricos do mundo, Portugal também o poderá fazer.
    O nosso homem sabe que não se vislumbra, por essa Europa fora, nenhum movimento de retrocesso em relação a independências adquiridas há menos tempo que Portugal. Ninguém tem conhecimento de que a Holanda se queira reintegrar na Alemanha, ou a Bélgica, ou parte dela, na França.
    Sabe, e di-lo, que um dos problemas das elites em Portugal, ao longo dos séculos, é o seu desprezo pelo povo que as sustenta e a tentação da riqueza fácil “adquirida”, se necessário, vendendo-se ao estrangeiro. Sabe que o próprio povo tem varrido essas elites.
    Este homem é de Esquerda, Republicano, Laico, Anti-imperialista.
    Este homem chama-se José Saramago, e recebeu um Prémio Nobel pelo que escreveu em Língua Portuguesa, enchendo de alegria muitos compatriotas.
    Mas este homem não aplica ao seu País o que defende para o resto do Mundo. Acha que o povo de que é fiho é menos inteligente que os demais. Acha que não tem o Direito à Independência. Como as elites que critica, acha os portugueses incapazes de se governarem sozinhos, e acena ao estrangeiro… mesmo quando este é governado por uma Monarquia… que nasceu depois de uma guerra brutal que esmagou os seus companheiros ideológicos (ressalve-se que os actuais monarcas não tiveram a culpa !). Pior, acha que “sem se encostar” a um “padrinho” poderoso, não pode subsistir, porque não tem sido capaz de se governar sozinho. E acha isto depois de 850 anos de independência… com os seus altos e baixos, naturalmente…. mas em que resistiu a tudo e todos.
    Saramago, Saramago, meu caro Nobel: aplica ao teu povo o que desejas para os outros. Não cries, em quem adora tua Literatura, problemas de consciência.
    Por uma vez, copia um pouco a altivez da Espanha que admiras, e aplica-a ao teu País. Contribui para a saída da crise, apelando ao amor-próprio de todos nós, em vez de agravares os nossos sintomas depressivos. Lembra-te do teu livro “Levantados do Chão”.
    Carlos Eduardo da Cruz Luna
    (um leitor/apreciador da obra de Saramago)
    Estremoz, 16 de Julho de 2007

    O MESMO TEXTO DE APELO A SARAMAGO…EM CASTELHANO !!!!
    EN CASTELLANO !UN APELO DIRECTO A JOSÉ SARAMAGO (DE UM PROGRESISTA PORTUGUÉS)
    UN APELO DIRECTO A JOSÉ SARAMAGO (DE UM PROGRESISTA PORTUGUÉS)

    UN APELO DIRECTO A JOSÉ SARAMAGO (POR UN PROGRESISTA/”IZQUIERDISTA” PORTUGUÉS)
    Hay lógicas que no consigo entender. Conozco a un escritor de gran valor que se bate por varias causas a nivel mundial. No sólo lucha contra los “males” del mundo, en una época en que el capitalismo salvaje dicta su ley sobre gobiernos, pueblo y naciones, sino que también lucha para que todos los pueblos tengan el derecho a gobernarse como entendieren. Estuvo hasta en Palestina, apelando a la independencia de ésta con relación a Israel. Apoyó la independencia de Timor Oriental. Apoya la idea de un Kurdistán independiente. Este hombre apela a que dejen decidir a los pueblos. Combate a las elites iluminadas que manipulan la voluntad de esos mismos pueblos. Se niega a aceptar que haya pueblos más o menos inteligentes que otros. Este hombre ha visto, desde 1989/1990, a innúmeros pueblos que reclamaban su independencia y su constitución en Estados
    soberanos. Aún recientemente, vimos al pequeño Montenegro proclamar la independencia. El hombre en cuestión cita el ejemplo de países como Eslovenia como capaces de superar a Portugal, y sabe que la misma se separó de una unión mayor llamada Yugoslavia. Tal vez hasta haya oído al primer ministro danés comparar Portugal y Dinamarca, y decir que ambos son países pequeños con poca población (y, en esos aspectos, Portugal es superior), con un vecino poderoso, pero que hacen lo posible por sobrevivir y que, si Dinamarca fue capaz de convertirse en uno de los países más ricos del mundo, Portugal también lo podrá hacer. Nuestro hombre sabe que no se vislumbra, en Europa, ningún movimiento de retroceso con relación a independencias adquiridas hace menos tiempo que la de Portugal. Nadie tiene conocimiento de que los Países Bajos se quieran reintegrar en Alemania, o Bélgica, o parte de ella, en Francia. Sabe, y lo
    dice, que uno de los problemas de las elites en Portugal, a lo largo de los siglos, es su desprecio por el pueblo que las sustenta y la tentación de la riqueza fácil “adquirida”, si es necesario, vendiéndose al extranjero. Sabe que el propio pueblo ha barrido a esas elites. Este hombre es de izquierdas, republicano, laico, antiimperialista. Este hombre se llama José Saramago, y recibió un Premio Nobel por lo que escribió en lengua portuguesa, llenando de alegría a muchos compatriotas. Pero este hombre no aplica a su país lo que defiende para el resto del mundo. Cree que el pueblo del cual es hijo es menos inteligente que los demás. Cree que no tiene derecho a la independencia. Como las elites que critica, cree a los portugueses incapaces de gobernarse solos, y hace gestos al extranjero… incluso cuando éste está gobernado por una monarquía… que nació después de una guerra brutal que aplastó a sus compañeros
    ideológicos (¡nótese que os actuales monarcas no tuvieron la culpa!). Peor: cree que, “sin arrimarse” a un “padrino” poderoso, no puede subsistir, porque no ha sido capaz de gobernarse solo. Y cree esto después de 850 anos de independencia… con sus sus altibajos, naturalmente…. pero en que ha resistido a todo y a todos. Saramago, Saramago, mi estimado Nobel: aplica a tu pueblo lo que deseas para los otros. No crees, en quien adora tu literatura, problemas de conciencia. Por una vez, copia un poco la altivez de la España que admiras y aplícala a tu país. Contribuye a la salida de la crisis, apelando al amor propio de todos nosotros, en vez de agravar nuestros síntomas depresivos. Acuérdate de tu libro “Levantado del suelo”. Carlos Eduardo da Cruz Luna(um lector/apreciador de la obra de Saramago)Estremoz, 16 de julio de 2007
    Traducido del portugués al español o castellano.

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