Em resumo

Como previsto, Cavaco ganhou mesmo à primeira volta. Mas nem assim deixa de ser uma nulidade política, incapaz de começar um discurso de vitória sem falar nas “lições de civismo” que damos não sei bem a quem (estaria à espera de tiros ou coisa que o valha?). Alegre provou o que queria: o PS fez a escolha errada. Soares afundou-se.
Francisco Louçã e Jerónimo conseguiram aguentar-se, ganhando algumas (poucas) dezenas de milhares de votos face às últimas votações nacionais dos seus partidos.
Duas alegrias pessoais: Alegre venceu claramente o antigo “pai da pátria” e Cavaco não logrou a hiper-validação do seu mandato que me deu maus sonhos durante três meses; desse fado, lá nos salvámos.
Enfim; podia ser pior. Mas não muito.

PS: Podia ser pior, podia. Talvez por ter a visão enublada por lágrimas irreprimíveis, tresli os números da CNE. Louçã desceu e muito.

27 thoughts on “Em resumo”

  1. Jeronimo ganhou, Louçã perdeu.

    As lições de civismo podem ser dadas a quem demagogicamente, com falta de espirito democratico, demonizou Cavaco Silva.

  2. Também me espanta que os eleitores tenham visto, preponderantemente, Manuel Alegre, como alternativa a Cavaco. É extraordinário até onde pode ir a leviandade de pessoas inteligentes. Líricos.

  3. Eu tenho imensa pena que alegre não tenha ido à segunda volta e ganho. sim, acho que tinha mais condições que Cavaco. Se julgam que o Professor vem salvar o país…

  4. Exacto. Louça aumentou a votação do BE de 354 mil para 288 mil votos.

    Mais tarde sai o comunicado a dizer que não eram conhecidos os resultados definitivos por altura do (post)discurso…

  5. Tivessem-se todos portado como o Jerónimo e o PC e hoje a direita não estava em Belém. Cambada de irresponsáveis!…

  6. Vê se te enxergas ó meu! “hiper” quê? Queres mais?
    Qual foi, até hoje, o único candidato vencedor à primeira volta num primeiro mandato? Cavaco!
    Quem ganhou em todos os distritos, exceptuando Beja, mas ainda assim por uma unha negra? Cavaco!
    Quem teve o mesmo número de votos que todos os outros, e mais uma porçãozinha que dava para encher o Estádio da Luz? Cavaco!
    Quem foi o grande prejudicado pela abstenção? Cavaco! (os apoiantes do PCP e do BE não ficam em casa em dia de votação);
    Qual foi a percentagem de votantes no concelho de Águeda que preferiu Alegre? 28,85%! E Cavaco? 57,61%!;
    Quem teve que lutar contra quatro torpe(deiros), vergonhosamente acarinhados por um vasto bando de repórteres, cronistas e outra gente de mau porte? Cavaco!
    Não há dúvidas. Cavaco é muito MAIOR do que aquilo que sempre pensei que fosse.
    Aliás, a tentativa de minorar a vitória de Cavaco (que também é dos portugueses) não traduz apenas um terrível desconforto, que infelizmente não passa com aspirina, é também inquestionavelmente a confirmação da grandiosidade da coisa. Lá diz o adágio: “quem desdenha quer comprar”.
    Viva Cavaco! Viva Portugal!

  7. Marquês,

    O primeiro presidente eleito à primeira volta foi Ramalho Eanes. O segundo foi Sampaio. Nenhum o foi por tão magra vantagem.
    Eanes também ganhou o seu primeiro mandato com vitórias em todos os distritos excepto num.
    Como vê, afinal a “coisa” não teve assim tanta “grandiosidade.

    Desconhecimento à parte, explique-me lá de onde lhe vêm os dons divinatórios, para “saber” quem terá perdido mais com a abstenção…

    Agora essa história do “vasto bando de repórteres” a acarinharem os candidatos de esquerda só pode mesmo ser mesmo cegueira intencional.

  8. Luís,

    Tem razão meu caro. Eanes e Sampaio foram igualmente protagonistas de vitórias à 1a volta. Contudo, vitórias muito diferentes. Eanes, em 1976, deixou a mais de 2 (dois) milhões de votos o segundo classificado, Otelo. Já Sampaio, em 1996, apenas logrou obter mais 560 mil votos que Cavaco.
    Em 2006, Cavaco superou o 2º classificado, Alegre, por um número bem expressivo: 1.620.829 votos. Valor que o Luís simplesmente considera uma “magra vantagem”…
    Como vê, nada como revisitar o passado (e o passado de Eanes não é sequer comparável, como bem sabe, aos dias de hoje), para perceber a verdadeira dimensão daquilo a chamo “grandioso”.
    De facto, a terrível materialidade dos números (que, compreendo, ferem como punhais) não deixa espaço para muitas dúvidas; não reconhecer uma realidade tão incrivelmente transbordante não é cegueira, é, no mínimo, falta de humildade.

  9. Este Marquês é parvo, ou quê? Ganha com 50,6% e acha que teve uma vitória “grandiosa” e “transbordante” sobre a esquerda ?! Eu tenho a impressão que ele tinha o discurso preparado para os 56% e depois, sem reparar que se meteram um zero e uma vírgula pelo meio, e vem ler-nos o texto depois dos 50,6%… Enxerga-te, pá!

  10. O Marquês não é parvo, limita-se a constatar as evidências. Nunca nenhum outro candidato ganhou à primeira volta contra tantos candidatos e alguns deles tão fortes (pelo menos assim se julgava!). Não faria nada mal era se V. Exas. demostrassem alguma humildade democrática. É, de facto, tramado ter de engolir estes sapos. Foi, como é óbvio, uma vitória retumbante, principalmente tendo em atenção alguns dos comentários que alguns dos apoiantes dos outros candidatos andou por aí a fazer. É comer e calar que daqui a 5 anos há mais!

  11. Ai, ai. Se falei em “vantagem”, referindo-me à primeira volta, claro que o ponto crítico estava nos 50%.
    E basta seguir o link do meu post para ver que já há 3 meses eu sabia perfeitamente que Cavaco só de propósito poderia perder. Não vejo punhais inesperados neste números; só coisas da vida.

  12. Não estou mesmo a ver onde é que os “tantos candidatos” dificultarão uma vitória à primeira volta, sobretudo tendo em vista que se situavam todos num outro campo ideológico.
    Já agora, Eanes também ganhou contra Otelo, Pinheiro de Azevedo e Octávio Pato.

  13. Ó Luís Rainha, faça favor de ensinar alguma coisa a estes toscos, que acham que a vitória do Cavaco é “transbordante” e “retumbante” com 50,6% por ser… contra 5 candidatos! (se fossem todos como o Garcia Pereira, até podiam ser 50!) Eu não sou a única a achar que o palhaço de Boliqueime (não é por ter tido 50,6% dos votos que eu o acho menos ridículo, a ele mais à Maria) passou a fasquia à tangente e tem uma margem de manobra, no mínimo, limitada…

  14. “Eu não sou a única a achar que o palhaço de Boliqueime (não é por ter tido 50,6% dos votos que eu o acho menos ridículo, a ele mais à Maria) passou a fasquia à tangente e tem uma margem de manobra, no mínimo, limitada…”
    O facto de não ser a única a pensar o que escreveu é deveras preocupante, mas o que é que se há-de fazer!? Mas que raio de palas essas que têm nos olhos que não os deixam ver a realidade. Embora a campanha já tenha terminado estou a ver que o circo ainda agora começou! Isto está a ser muito mais divertido do que eu poderia imaginar. Continuem lá com esses disparates para nos rirmos todos mais um bocado!

  15. “Eu não sou a única a achar que o palhaço de Boliqueime (não é por ter tido 50,6% dos votos que eu o acho menos ridículo, a ele mais à Maria) passou a fasquia à tangente e tem uma margem de manobra, no mínimo, limitada…”
    O facto de não ser a única a pensar o que escreveu é deveras preocupante, mas o que é que se há-de fazer!? Mas que raio de palas essas que têm nos olhos que não os deixam ver a realidade. Embora a campanha já tenha terminado estou a ver que o circo ainda agora começou! Isto está a ser muito mais divertido do que eu poderia imaginar. Continuem lá com esses disparates para nos rirmos todos mais um bocado!

  16. Ó Rui Castro, qual é o teu problema? Achas que 50,6% é uma grande maioria, é muito mais que 50%, ou do que os 49 e tal que a esquerda teve? Se tu achas, eu não – e tenho a matemática a meu favor. Por outro lado, se te revês na estética da família Cavaco, pois aí, meu caro – não há nada a fazer… (eu já estou como o outro: Morte aos Feios!)

  17. À menina que acha o português de Boliqueime um “palhaço ridiculo”:
    Sempre achei a estupidez incrivelmente mais fascinante que a inteligência, pelo simples facto daquela, contrariamente a esta, ser basicamente ilimitada. Mas isto de acharmos que algo é assim ou assado carece, frequentemente, de evidência empírica que lhe confira sustentabilidade prática.
    Muito sinceramente, parece-me que as suas intervenções vêm confirmar, inequivocamente, a tese do carácter infinito da lorpice.
    Mas isso é o menos.
    Há coisas piores, porque bem mais básicas. A vida em sociedade, e já agora numa sociedade democrática como a nossa, obriga os sujeitos que lhe dão corpo a um conjunto de deveres. O “respeito” é um deles. Respeito pela pluralidade de ideias, credos, gostos gastronómicos ou futebolisticos; respeito pelas regras sociais; respeito pelo código da estrada; respeito ainda por determinados símbolos, como são, por exemplo, a bandeira, o hino e o presidente a república. No fim de contas, este ” respeito” constitui, podemos dizê-lo, a base da cidadania. Sem ele o jogo está viciado, fora dele a democracia é pura ficção.
    Ora, apelidar o futuro presidente da república de Portugal de “palhaço ridículo”, não é só uma evidente falta de respeito, simultaneamente, é a constatação de ausência de algo que, na idade adulta, ou se tem ou se não tem.
    Já agora, reconforte-se com o facto de não estar sozinha nesse universo, infelizmente…

  18. Caro Marquês (não sei de aonde):
    Fico contente por ter reduzido as razões do seu contencioso comigo. Ficou a questão do juízo estético: diga o marquesito o que disser, e seja o palhaço de Boliqueime o que for, não passa de palhaço ou a pessoa respeitável a pessoa decente (idem idem para a Maria) por ter muitos ou poucos votos: por exemplo, o Garcia Pereira, será mister Bean até morrer, mesmo que tenha maioria absoluta e, para mim, o Aníbal será sempre o tipo da vivenda Mariani – até porque a vivenda Mariani existiu, até um consultor de imagem qualquer o ter aconselhado a ver-se livre dela; a mim o voto da maioria poderá convencer-me que o tipo é o nosso PR, por 0,6%, mas não que o tipo passou a ser normal e decente, porque eu não apago a história, boa ou má, e a história aqui é simples: para chegar à Presidência, a direita foi buscar, não um grand seigneur, mas um lamentável palhaço, que servirá a direita dos interesses, certamente, mas que, do ponto de vista do gosto – pelo menos do MEU gosto, pessoal e indeclinável – é apenas, tão simples e lamentavelmente, um PALHAÇO. Tenho dito.

  19. Ó má, eu não tenho problema nenhum, mas fico um bocado confuso quando dizes (vou aproveitar da intimidade que usaste comigo para me armar em bloquista e tratar a malta toda por tu!):
    “Achas que 50,6% é uma grande maioria, é muito mais que 50%, ou do que os 49 e tal que a esquerda teve?”
    É, com efeito, uma grande maioria. Mais ainda se pensarmos que o Cavaco não se candidatou contra a esquerda mas sim contra 5 candidatos e que teve mais 30% de percentagem de votos que o 2.º candidato. Por isso, a brincadeira que tu e todos os outros que não têm 2 dedos de testa andam a fazer com os números não passa de foclore. Já quanto a esta patetice (pronto, o Rainha já vai ficar lixado com este tratamento carinhoso da minha parte!):
    “Se tu achas, eu não – e tenho a matemática a meu favor.”
    Ainda que ache não mereça grandes comentários, sempre te digo que a matemática não está a teu favor, mas bem que precisavas de um explicador de matemática do teu lado para não dizeres enormidades destas. Por fim e quanto ao:
    “…se te revês na estética da família Cavaco, pois aí, meu caro – não há nada a fazer… (eu já estou como o outro: Morte aos Feios!)”
    Quanto à estética (ou falta dela) é-me completamente indiferente, pois não guio as minhas opções políticas pela beleza dos políticos. Mas registo o facto de haver algumas cabeças ocas que dão importância a esse tipo de “coisas” numa eleição presidencial.

  20. Ó Rui, ex-Marquês: brincadeiras com os números faz você, ou fazes tu: sabes tão bem como eu que a lógica das Presidenciais é direita contra esquerda: Freitas contra 3 na 1ª volta e Freitas contra Soares na 2ª, Sampaio contra Cavaco (e não houve 2ª, porque o Sampaio ganhou com 54%) e Cavaco contra 4 à 1ª e contra Alegre à 2ª – se não tivesse sido salvo por 60.000 votos. Isto é um facto da vida: dizer que a vitória do Cavaco foi pelos 30% que ele teve a mais que o Manuel Alegre, e não os 0,6% que ele teve a mais que a maioria absoluta, é transformar o método eleitoral das eleições para PR, daquilo que é – eleição por maioria absoluta a 2 voltas – naquilo que ele NÃO É – eleição por maioria simples, à inglesa, first pass the post: aí sim, teria sentido falar da diferença em relação ao segundo classificado, mas não em Portugal (ou em França). Quanto à questão estética, que te parece despicienda, de ter o saloio da Mariani como PR, mais a Maria que diz que é professora universitária e dá aulas no secundário como primeira dama, era-me absolutamente indiferente não fora o caso de lhes caber a representação externa de Portugal, e desculpa lá, mas ter esses dois a representarem-me lá fora quase que me faz ser monárquica – não foram os Braganças uns abortos ainda maiores…

  21. Ó Má, como não tenho dupla personalidade esquece o marquês, o qual não conheço de lado nenhum. Quanto à esquerda contra a direita é um filme já muito visto e que não convence ninguém. Ainda me hão-de convencer de que o Cavaco é de direita e foi eleito só com os votos da direita! Parte substancial da direita não foi votar, exactamente por não se rever no Cavaco. o que a esquerda não quer aceitar é que se o Cavaco ganhou as eleições, foi exactamente por ter ido buscar votos à esquerda. E quanto à questão dos números continuas a laborar no erro: CAVACO GANHOU COM A MAIORIA ABSOLUTA DOS VOTOS! E estou a cagar-me (desculpa lá a expressão mas começa a faltar a paciência para pessoas como tu que persistem em não querer ver a realidade!) que tenha sido com 60.000 votos de diferença. Até podia ter sido só com mais 1 voto. Sabes que a democracia é lixada, principalmente quando não ganham aqueles de quem mais gostamos. Folgo também em saber que os candidatos com menos de 1% não contam, uma vez que o omitiste no teu raciocínio contabilístico! Quanto à questão estética, já me parece um fetiche da tua parte, mas se estás assim tão obcecada com essa questão emigra para Itália (onde de quando em vez lá se candidatam uns porno stars, que talvez estejam mais de acordo com o teu sentido estético!).

  22. “Sampaio contra Cavaco (e não houve 2ª, porque o Sampaio ganhou com 54%)”

    Querida Mázinha,
    era só para te dizer, já que sabes tanto de matemática, que a razão principal do Sampaio ter ganho à primeira foi pelo facto da existência de só dois candidatos. Se os brancos e nulos não contam…. Acho que com os teus conhecimentos básicos da matemática chegarás lá.

    Concluindo, só há possibilidade de segunda volta quando há mais de 2 candidatos. Percebes?? O que só reforça a vitória do Cavaco.

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