Eles andam por aí

hyena.gif
Para termos a inteira medida do que será a vitória de Cavaco, devemos prestar atenção à malta que ciranda em seu redor. Nem toda, é certo; mas a sofreguidão induzida pela proximidade da vitória já arreganha os caninos aos mais incontinentes. E lá começam a escorrer os insultos e a soberba. Agora, no Pulo do Lobo, que por norma até parece espaço mais ou menos civilizado, surge o McGuffin, brandindo os cacetes do costume: generalizações, agressividade, arrogância, falta de educação democrática.
Para este senhor, as eleições só nos colocam dilemas simplórios: de um lado, há “três ou quatro pseudo-candidatos”, com ideias por certo “de pacotilha”. Eles entretêm-se a produzir “ruído. Nada mais”. Todos andam “apostados em”: “denegrir”, “ridicularizar a austera figura de Cavaco” (ai que aleivosia!) e “desferir sórdidos ataques” que apenas revelam o “vazio e a indigência” dessa malta. Sim, que a “grande farsa desta campanha, protagonizada sobretudo por Soares e Louçã” é a “incapacidade destes para apontar um rumo ou uma estratégia de longo prazo para o país”, capaz de ir além do lugar-comum das “mui queridas questões «fracturantes» e do empenho em cultivar um estilo «cosmopolita» e «moderno».” Ao fim e ao cabo, é como se essa horrenda maltosa bramasse: “nós, que somos importantes e fundamentais, propomo-nos para bibelot pois não temos opinião sobre nada”. Soares, claro está, vagueia “fora do mundo”, carregado com a sua “puerilidade aliada à soberba”. Tudo isto é, de acordo com o vocabulário mal-educado do senhor Carapinha, “obviamente bullshit“.
E que tem ele a dizer do seu candidato? Nada de famoso. “Cavaco Silva não é propriamente uma figura «interessante». A «grande» sofisticação não mora ali. Também não se adivinham conversas de antologia sobre os mais apaixonados temas”. Então, porque vai ele votar nesse palonço sem interesse? Preparem-se: é porque “o que faz falta é sacudir a malta, esbofetear a malta, chatear a malta”. Nem mais. Cavaco será um “homem sério”, “adepto do rigor e da competência”. E essas credenciais bastam para fazer um Presidente. É que o McGuffin fica “mais descansado se souber que em Belém está um homem que, não se tendo resignado, está disposto a trabalhar. Ou, se quiserem, a «chatear».”

É ou não é uma tristeza?

12 thoughts on “Eles andam por aí”

  1. eh pá, o momento alto foi em coimbra quando os apoiantes não deixaram outros “apoiantes” expressar o seu “contentamento”.

  2. O Cavalo Vencedor e o Cavaco Perdedor

    Hoje, no Forum da TSF sobre as sondagens, às tantas ouvi o Pedro Magalhães (Director do Centro de Sondagens da Católica) e (pondo as barbas de molho como o Mais Livre já alertou) a dizer que “as sondagens não servem para prever resultados eleitorais, servem para descrever intenções de voto”, “para o eleitorado da direita o Cavaco é o seu candidato” e até que “as eleições decidem-se no voto e não nas sondagens”.

    Nessa altura, mais do que nunca ficou para mim claro que estas “sondagens” (e particularmente as “diárias” do DN e da TSF) foram a arma a que desta vez os cavaquistas (i.e. os grupos económicos e financeiros que pretendem pôr Cavaco na PR), deitaram a mão com mais força, para nos levarem na conversa deles..

    Estas “sondagens” tentam fazer Cavaco parecer o que não é. Tentam dar dele a imagem de “vencedor”, escondendo que Cavaco é um candidato banal e minoritário. Banal, como se viu pelas generalidades que debitou nos debates e continua a debitar na campanha. Minoritário porque só tem o apoio do PSD e do PP. E bem nos lembramos das encenações com o Veiga e o Carlos Beato para “provar” apoios fora do seu campo, quando o Veiga se representa a si próprio e o Beato já antes o tinha apoiado…

    Isto é tentam vender-nos o Cavaco como (durante muitos anos) nos venderam o sabonete Lux, não porque fosse um sabonete melhor do que os outros, mas porque era usado por nove em cada dez estrelas de Hollywood. Agora impingem-nos Cavaco, não porque seja melhor mas porque 60, 55, ou 53 por cento dos portugueses alegadamente vão votar nele…isto é, jogam no facto das pessoas gostarem de apostar no cavalo vencedor.

    Mas estas “sondagens diárias” têm tão pouca credibilidade que nem sequer o Pedro Magalhães as inclui no gráfico do seu blogue Margens de Erro. É que as variações diárias que desde o dia 9, fazem as manchetes do DN e da TSF, estão todas dentro da margem de erro da própria sondagem e assim essas tais variações diárias podem portanto não significar rigorosamente nada. Mas disto ninguém avisa nem os ouvintes da TSF nem os leitores do DN…

    Mesmo “pegando” nestas “sondagens”, em números brutos nem uma única vez sequer o Cavaco atingiu os 50%…no máximo foi aos 48% em 10 e 11 de Janeiro e hoje quedou-se pelos 41%. Isto é, nas 600 pessoas que em quatro dias foram inquiridas, nem 300 disseram que vão votar nele e hoje 240 dizem que sim mas 360 dizem que não.

    E assim, apesar das “sondagens” se esvai a máscara do Cavalo Vencedor e começa a surgir o verdadeiro Cavaco Perdedor.

    As sondagens – não as subestimemos – são técnicas poderosas para fazer a cabeça às pessoas, para criar modas, para nos porem a comprar coisas de que antes nunca necessitámos, para nos porem a simpatizar com quem não conhecemos (ou vice-versa). As sondagens custam dinheiro, muito dinheiro. Por isso quem o tem e quer atingir um determinado fim usa e abusa delas.

    Mas sendo as “sondagens” a arma “deles”, é bom que a malta não esqueça que o voto é a nossa arma. E eu como trabalhadora e mulher vou usar o meu voto para eleger Jerónimo. E convido todos a ousarem fazer o mesmo!

  3. O povo é quem mais ordena:

    A jornalista Kátia Rebarbado d’Abreu, com a ironia que lhe é característica, levanta uma questão que me parece, nestes últimos dias de campanha, de absoluta relevância. A jornalista aceita que Jerónimo seria o candidato no qual gostaria de votar mas manifesta reservas sobre as suas possibilidades numa segunda volta contra Cavaco. Que votos conseguiria Jerónimo juntar? Em quem votaria Sócrates ou qualquer dos seus ministros? Que indicação de voto daria o PS?

    É verdade que para todas estas dúvidas não tenho respostas, ou melhor, podia tentar pôr-me a adivinhar, e até apostar, mas não me interessa fazê-lo.

    Aquilo que não é preciso ser-se adivinho ou apostador para prever, é que se a candidatura de Jerónimo passar à segunda volta ganha asas e pode voar até onde o povo quiser. O candidato que surge nas sondagens em 5º lugar e que teve menos relevância para a engrenagem mediática, invertia os dados do jogo e, de derrotado a priori, passava a vencedor da primeira volta. Ou melhor, não era Jerónimo que invertia os dados do jogo, mas sim o povo que o invertia.
    Tenhamos consciência que nada ficaria como dantes, que deixava de interessar a opinião de Sócrates e dos seus ministros ou o apoio do PS.

    Na segunda volta, só ao povo competiria decidir!

    Publicado por tiago mota saraiva. (http://maislivre.blogspot.com/)

  4. Esta malta vive a milhas da realidade. Não percebo porque é que a Nasa vai mandar uma sonda a Plutão quando bastava dar câmaras a alguns portugueses: quem é que consegue acreditar que Jerónimo seja “eleito” ou que passe à tal segunda volta?

  5. Por outro lado, compreende-se a animação das hostes do PC: esta eleição é a única oportunidade que terão de votar no seu secretário geral, seja para o que for…

  6. O Kropotkine tem estado na lua? Então não sabe que ele foi eleito por voto secreto SG do PCP?

    E o Luís Rainha acredita que o Louçã passa à 2ª volta, mas o Jerónimo não. Pois…

  7. Kropotkine: se eu lá tivesse estado não tinha metido água. De facto quem foi eleito por voto secreto foi o Comité Central, com os votos de 1297 delegados, 1228 favor, 45 contra e 24 abstenções.

    E o SG foi eleito pelo Comité Central com 4 abstenções. (www.pcp.pt dossier XVII Congresso)

    E já que anda tão bem informado deve também saber que o mesmo Comité Central o escolheu por unanimidade para ser o candidato apoiado pelo PCP.

    Penso que entretanto no congresso do BE as coisas aconteceram com uma estranhíssima unanimidade, não foi? Tenho ideia que li, na altura umas coisas sobre o assunto. Talvez que há noite, em casa, dando volta aos papéis encontre ainda alguns recortes sobre a matéria…

    LR: percebo-o. Se nem você acredita…

  8. Minha senhora,

    Também gostava muito de acreditar no fim da guerra, numa vacina para o cancro, na fartura para todos. Mas continuo apegado a um lastro incómodo chamado “realidade”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.