A indecisão do poeta

Querem ler os brilhantes argumentos com que Vasco Graça Moura transforma a sua coluna de hoje num panfleto eleitoral? Vão lá. Ou, se quiserem poupar tempo, podem ficar com um breve resumo, com alguns comentários meus à mistura, em itálico:
Portugal está face a uma grave crise económica. Para a ultrapassar, “é imprescindível que haja total coesão e compreensão entre os órgãos de soberania”. Portanto, devemos votar num candidato programática e ideologicamente próximo do governo, certo?
O candidato salvador vai escorar a sua “capacidade política” “no rigor, na experiência, na competência e também na disponibilidade permanente”. Estará ele a falar de Soares, que nem aos 80 pára?
Mas claro que também é natural que a “personalidade do candidato conte, e conte muito, para a sua designação”. Portanto, devemos recusar o candidato que ainda há dias negou palavras suas e mentiu descaradamente.
Se estes métodos de selecção falharem, o melhor é eleger o candidato com um manifesto que seja um “compromisso solene e um programa viável de actuação”. Estou a ver aí uns quatro nessas condições…
Devemos exigir alguém que afirme a “sua independência e o seu posicionamento acima das forças políticas”. Já não percebo nada; agora está a apelar ao voto em Alegre?
A fechar, o nosso homem em Belém deve rejeitar “enquadramentos e compromissos partidários, a dicotomia esquerda/direita, a revisitação do passado e a ordenação do presente segundo enfoques paroquiais ou interesses mais do que discutíveis”. Aparte a ideia de fazer de conta que não há esquerda ou direita, não se entende grande coisa desta passagem; mas aquilo de não se regressar ao passado deve deixar de fora pelo menos Cavaco e Soares.

E agora, em quem vai votar Vasco Graça Moura, se não consegue coligir nem uma meia dúzia de argumentos que se possam aplicar apenas ao seu candidato? Pobre homem indeciso…

4 thoughts on “A indecisão do poeta”

  1. Causas,

    Nem mais. É um velho axioma que só quem é de direita se lembra dde dizer que já não interessam essas “divisões”

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