Todos os artigos de Valupi
Quase um mês depois, a ASJP resgata a honra própria
«"A palavra atentado é muito forte, mas podemos dizer que pomos em causa aqui alguns dos princípios estruturais do Estado de direito", defendeu, em declarações à Lusa, o presidente da ASJP.
"Como é que uma denúncia anónima tão pouco concretizada, tão pouco consistente, conforme é dito por que aquilo que tem vindo a público, demora três anos a ser investigada? Será que foram investigados esses factos [...] ou foi feita uma investigação cujo objeto foi muito para além disso, numa tentativa de encontrar aqui algo ao longo de muito tempo de investigação?", questionou.»
Começa a semana com isto
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People with Dark Personality Traits Use Touch to Manipulate Their Partners
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Feeling in control may be the key to conquering daily stress
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This everyday vitamin could be the closest thing we have to an “anti-aging pill”
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Scientists say this simple diet change can improve sleep fast
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Forget fiber. Science just found the foods that really help constipation
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Living computers powered by mushrooms
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Unconscious Cognitive Processes May Fuel Election Fraud Beliefs
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Dominguice
Gostei que Mariana Mortágua tivesse chegado à liderança do BE. Gostei por causa da sua qualidade parlamentar e por ser mulher. Depois, constatei que não tinha estratégia. Por estratégia entendo um plano para ser relevante nos eleitorados que prezem a democracia e a liberdade. Que o mesmo é dizer, cidadãos preocupados com a qualidade e defesa do Estado de direito democrático. Acontece que a esquerda à esquerda do PS não tem a mínima intenção de se posicionar nessa área (nem o PS desde 2011, salvo as excepções conhecidas; outra conversa). Ideologia facciosa oblige. A comunicação social, toda nas mãos da direita de uma ou outra forma, esmagou-a com o ódio machista e chegano.
Que pena Garcia Pereira não se poder candidatar a líder do Bloco. Ou de qualquer outro partido.
Vamos, pois
Quando escrevi este texto — Vamos deixar Ivo Rosa sozinho? — em Abril de 2021, não imaginava que fosse possível vir a acontecer o que já sabemos que aconteceu.
Pensava que este era um país de cobardes. Que o é. Agora, tenho a acrescentar traidores. Como país, sociedade, regime, comunidade, somos cobardes e traidores.
O desfecho do caso Ivo Rosa, o maior escândalo na Justiça portuguesa desde a aprovação da Constituição, seja ele qual for, vai definir o grau da nossa derrelicção.
Uma involuntária autobiografia
O caluniador profissional pago por muitos mandantes lançou um livro sobre Sócrates, depois de já ter escrito uma série de televisão sobre Sócrates (um estrondo de audiências num canal fantástico, literalmente fantástico) e de Sócrates ser o vocábulo que aparece em 92% das suas declarações públicas, sejam escritas ou orais.
Segundo palavras do próprio, o livro demorou 10 anos a ser escrito e consiste em recortes de jornais. Dito de outro modo, para não ficarem dúvidas, o livro é uma colecção de centenas de recortes de jornais (da autoria de colegas seus na indústria da calúnia) e levou 10 anos a estar pronto.
Diz que tem mais dois livros sobre Sócrates na calha. Quer dizer que em 2045 ainda espera vir a encher o bolso com recortes de jornais e Sócrates. Há uma justiça poética qualquer nesta exibição de miséria moral e disfuncionalidade livreira.
Exactissimamente
Vamos lá a saber
Nas muralhas da cidade
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Dominguice
Ricardo Leão teve um resultado triunfal em Loures, maioria absoluta e um total de 10 mandatos (6 do PS, mais 2 do Chega e 2 do PSD/CDS). Tudo graças à estratégia de ser o Ventura do PS. Valeu a pena ser violento com miseráveis, e prometer mais do mesmo para os mesmos. Empolgado, afrontou e destratou António Costa. Uma questão legítima se coloca, perante a evidência dos números: se este senhor tivesse concorrido em Lisboa, pelo PS, com a mesma cassete teria ganhado ao Moedas? Não faço ideia, nem ninguém, claro. Mas a pergunta impõe-se porque não é impossível que o PS queira seguir por este caminho. É muito mais provável ver votantes no PS, que o podem fazer há décadas, a apoiar o populismo eleitoralmente eficaz exibido em Loures do que vê-los a defender o Estado de direito democrático ou a herança de Abril. A violência sobre os miseráveis e ostracizados é fascinante, há uma gula antropológica calada por esse espectáculo. Ventura, com o convite e o empurrão de Passos, introduziu no sistema partidário essa oferta ideológica. Ricardo Leão provou que a mesma também tem viabilidade sob a chancela do PS.
Se eu fosse do PS, militante ou dirigente, tentaria expulsar este traste para fora do partido. Precisamente por causa do seu resultado triunfal em Loures.
Um conjunto irrazoável de pulhas
«Existe um conjunto razoável de comentadores, políticos e antigos bloggers, conhecidos na gíria como “as viúvas de José Sócrates”, que hoje em dia já não têm coragem para o defender publicamente, como fizeram noutros tempos com fervor, mas que ainda rezam em segredo pelo fracasso da Operação Marquês. Em bom rigor, esta gente está-se nas tintas para o destino de Sócrates, politicamente morto e enterrado. Mas não se está nas tintas para as suas reputações.»
Caluniador profissional pago pelo Público
A parte que acho mais interessante, porque cognitivamente mais desafiante, neste trecho citado, o qual abre o produto pelo qual a SONAE paga muito dinheirinho, está na expressão: “conjunto razoável“. Que bicho será esse?
Bom, podemos de imediato reconhecer que o tal conjunto se opõe a um outro tipo de conjunto considerado irrazoável. Felizmente, não temos agora de definir este último, basta assinalar a sua diferença. Constitui-se como limite semiótico ao desafio de definir o primeiro.
Sendo “razoável”, o conjunto aludido tem algum tipo de mérito, de valor positivo. Seguindo por esta linha hermenêutica, encontramos um outro limite, o qual se posiciona como antagónico daquele já encontrado: razoável será, neste entendimento, o que não é medíocre ou inferior, mínimo. Ou seja, a noção de “razoável” pode, tentativamente, indicar algo que está entre um mínimo e um máximo. Uma mediana.
Muito bem. Apliquemos essa lógica ao que a expressão está a qualificar, os tais “comentadores, políticos e antigos bloggers“. Tal significa que o caluniador profissional, seguramente, está a pensar em vários comentadores, vários políticos e vários antigos bloggers. Isso é inevitável, são vários de cada, como o plural usado regista. Mas quantos? Quantos em cada categoria serão necessários para se obter um “conjunto razoável”? Dois não será a resposta, dado ser a pluralidade mais baixa, o limite mínimo. Se formos para o limite máximo, ficamos face a face com o abismo: como calcular o total dos comentadores, dos políticos e, especialmente, dos antigos bloggers?…
É quase impossível, sem meios de contagem especializados e custosos, obter a informação correcta. Mas tentemos, por alto, à toa. Por exemplo, que tal admitirmos 214 comentadores, 5. 529 políticos e 375 antigos bloggers (pressupondo-se, portanto, que continuam em actividade apesar de vetustos)? Sim, há outros números diferentes, e igualmente prováveis, mas temos de encontrar algum pé para não nos afogarmos na irrazoabilidade. Usando estes, o conjunto razoável agitado pelo caluniador profissional corresponderia à soma dos respectivos conjuntos razoáveis específicos. Cá vai: 100+2800+190=3090. A ser uma quantidade aproximada daquela sugerida, tal explicaria a omissão de tanta gente no artigo. Porque acontece não podermos extrair das suas palavras a quem se refere, daí este esforço para a decifração. Mas estaria o fulano, realmente, a querer insultar tanta gente? Não é crível — não por falta de gana para o fazer, até a muitos mais, tão-só porque revela ser consumidor das opiniões dos seus alvos. Terão de ser apenas uma mão-cheia de seres que defenderam publicamente Sócrates “noutros tempos com fervor”. E que, naturalmente para este Torquemada, merecem o opróbrio eterno, quiçá a prisão.
Assim, lembrando que um caluniador profissional está sempre, sempre e sempre a cuidar do seu ganha-pão, passamos a ter a cifra para atravessar a cobardia do autor e chegar ao âmago da sua pulhice. Ela chama “viúva de José Sócrates” a qualquer um que ameace a sua reputação. E para ameaçar a sua reputação basta ir para o espaço público defender o Estado de direito democrático, a Constituição, a legalidade, a decência, os direitos humanos. Pessoas que pensem pela sua cabeça, que apontem para o óbvio, que não fizeram de Sócrates e do PS uma obsessão por oportunismo venal e mercenário, ameaçam a sua reputação.
Não me espanta que se assuste com os raros comentadores e políticos que o façam (mas mais hoje do que no passado, tamanho o escândalo com Ivo Rosa). Espanta-me é que este caluniador profissional, em 2025, precise de vigiar antigos bloggers.
E esta, hein?
Arraial, arraial, por Portugal
«O que me parece que existe neste caso de Ivo Rosa é algo que é absolutamente habitual na actuação do Ministério Público, o que é raro é que isto seja feito relativamente a um magistrado judicial. [...] Esta espécie de instrumentalização do processo penal, de medidas altamente intrusivas dos direitos, liberdades e garantias, não em função da tentativa de apuramento de crimes, mas de pura e simplesmente andar à procura de coisas, isto é típico de Estados policiais. Isto é o que fazia a Stasi, isto é o que fazia a KGB, isto é o que fazia a PIDE. [...] Isto ocorre há muito tempo. Isto ocorre perante ou a passividade, ou a inoperância, ou a cumplicidade de sucessivos responsáveis da Procuradoria-Geral da República. [...] Neste momento, não só podemos pensar que há uma intimidação do sistema político, como podemos pensar que há também uma intimidação do poder judicial. [...] É uma questão de regime, a de saber se nós temos separação de poderes, se nós temos o respeito pelo Estado de direito dentro dos próprios operadores judiciários, e se os magistrados judiciais vão ou não ser o garante do Estado de direito e das liberdades, ou vão ser um instrumento ao serviço do Ministério Público.»
«Este caso do juiz Ivo Rosa é de facto muito grave, e eu tenho pena que o Senhor Presidente da República ainda não se tenha pronunciado sobre isto. Tinha que meter o dedo na ferida. A ideia que fica para a opinião pública é muito simples: este juiz estava a decidir contra a opinião do Ministério Público, passa a ser investigado. Ponto. E a partir daí isso também é um sinal para os restantes: "Quem manda somos nós, e vocês ou se portam bem ou nós vamos atrás de vocês". Essa forma de o Ministério Público actuar é completamente inaceitável. [...] Sobre um crime que se passa dentro de casa, que é as fugas de informação, não há uma investigação. Isto significa que todos nós podemos ser acusados, se cometermos crimes temos de pagar pelos crimes que cometemos, mas aqueles senhores podem cometer crimes diariamente e nunca são responsabilizados pelos crimes que cometem. E não há crimes bons nem crimes maus. Um crime é um crime, e isto é um crime.»
Pedro Siza Vieira e Duarte Pacheco são duas prestigiadas figuras da elite política nacional, tendo já desempenhado cargos de alta responsabilidade política. Comungam também por terem uma invariável pose de estadistas, respeitando as regras de decência e deferência no trato das questões públicas e na relação com os diversos agentes políticos e comunitários. Não se venderam à indústria da calúnia, discursam a partir de uma assunção de honra e, portanto, responsabilidade.
Pois aqui estão eles em sintonia, fazendo em público uma das mais alarmantes denúncias que é possível conceber em democracia — a de que temos um Ministério Público que viola o Estado de direito democrático; portanto, que comete crimes impunemente. Que o mesmo é dizer que estamos numa situação de irregular funcionamento das instituições, agravado tragicamente pela cumplicidade do sistema partidário e, principalmente, do Presidente da República.
Estas palavras lancinantes e implacáveis não geraram qualquer comoção popular, nem reacção fosse de quem fosse. Os patrões da imprensa, os editorialistas, os jornalistas e o comentariado, a que se somam os deputados, são todos igualmente cúmplices. Sabem o que se passa, sabem o que significa, sabem as consequências, mas alinham porque há diversas agendas que se juntam com a mesma finalidade: é preciso que o auto-de-fé de Sócrates, em que uns foram linchadores e outros cobardia, se consume. Estar a dizer que o Ministério Público violou a lei com o Ivo Rosa dá azo a que, por maioria de razão, se leve o bom povo a pensar que fez o mesmo na Operação Marquês. E isso seria uma chatice do caralho para o projecto de manter o País subjugado por criminosos que juraram defender a Constituição.
Perguntas simples
Quando Marques Mendes disse que Ivo Rosa era “um perigo à solta” — Abril de 2021, já a devassa do Ministério Público estava em andamento — tratou-se apenas de mais um dos seus exercícios de difamação e calúnias ou foi em consequência de este conselheiro de Estado ter sido criminosamente informado da investigação em curso, querendo aparecer como vidente do que julgava ser a iminente prisão do perseguido e odiado juiz?
Uma grande força popular
Há uma declaração de Paulo Raimundo, em Janeiro deste ano, que diz tudo o que de essencial há para dizer sobre o PCP: Segundo o secretário-geral do PCP, o partido está empenhado em “transformar a CDU naquilo que ela é, uma grande força popular”.
Se a CDU já é uma grande força popular, então não há transformação possível sem que a CDU deixe de ser uma grande força popular. E se a CDU precisa de ser “transformada” para ser uma grande força popular, então a CDU actualmente não é uma grande força popular, o que cria uma contradição de identidade. Estamos perante uma violação do princípio de identidade em lógica formal: A = A (uma coisa é idêntica a si própria). A expressão sugere simultaneamente que A = A e que A ≠ A. Este oxímoro, entretanto, tem mais de 50 anos de presença na retórica dos comunistas portugueses porque eles consideram-se a si próprios como os legítimos proprietários (e monopolistas!) do 25 Abril. Há ponderosas razões para tal, com muito sofrimento e heroísmo nas biografias dos seus militantes e simpatizantes na luta contra a ditadura, a que acresce uma ideologia com a densidade do Antigo Testamento e a simplicidade dos Evangelhos. Naturalmente, estabilizada a democracia, quando os eleitores de imediato passaram a preferir ser governados ora pelo PS, ora pelo PSD, eles sentiram-se roubados. O povo é deles mas não são eles que tratam do povo. E é nesse estado mental que se mantêm até hoje. Preferem passar fome (de poder) a perderem a pureza religiosa que é só o que lhes resta para suportar o sentido da vida.
O PCP não queria que o PS ganhasse as eleições. Se quisesse, ou tinha aceitado o convite para a Viver Lisboa ou desistiam de participar e mandavam a sua gente votar nos socialistas. Mas o PCP também não queria ganhar as eleições, pois para tal teriam de começar a agitar as bandeiras do PS, do PSD e do Chega, todas ao mesmo tempo enquanto metiam a sua cassete numa gaveta, na loucura de esperar receber votos desses eleitorados. Impossível, apenas aqui deixo a caricatura para ilustrar o argumento. Então, que queria o PCP para Lisboa nestas eleições autárquicas? Resta só uma resposta: queriam o que veio a acontecer.
Ter o PCP na Viver Lisboa levaria a uma outra dinâmica de campanha, recuperando-se o prestígio e a esperança dos tempos de excelente memória de Jorge Sampaio. Ao mesmo tempo, caso fosse vitoriosa a coligação, tal daria a João Ferreira quatro anos de intensa promoção de imagem, naturalmente deixando-o nas melhores condições possíveis para suceder ao banana Raimundo e conseguir chegar a eleitores que desconhecem completamente qual a história do PCP antes e depois de 1974. Pelo meio, o PCP estaria a influenciar decisivamente as políticas da Câmara, assim cumprindo o que apregoa fanaticamente, essa entrega aos verdadeiros e profundos interesses do povo mais povo. Mas lá no Comité Central votaram noutro caminho, dado serem todos cientistas da História. Optaram por um futuro sem contaminações burguesas, longe desses traidores do PS e quejandos. Assim impunha a luta de classes como processo dialéctico.
A dialéctica fez-lhes a vontade: por 11 votos, perderam um vereador e ficaram atrás do Chega. Se não fossem uma grande força popular, as coisas poderiam ter sido bem piores.
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