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Ceci n’est pas un hétéronyme

Creio que se impõem alguns esclarecimentos sobre a minha entrada, hoje e a más horas, no Aspirina B:

1) Eu sou mesmo o José Mário Silva, o verdadeiro, o ex-BdE ressacado e em busca de um equivalente HTML da metadona
2) Podem ficar descansados: o Luis Rainha não tem heterónimos líricos e minimalistas
3) Se é ele que assina estes meus primeiros posts, é porque… olhem, para ser sincero não faço a mínima ideia
4) Isto de um gajo não perceber patavina de informática tem o seu lado triste
5) Espero que a situação seja transitória
6) É que escrever disparates a solo ainda vá, mas implicar pessoas inocentes parece-me pouco ético

[José Mário Silva]

Primeiro texto

Nos tempos do saudoso Ruínas Circulares, por mais de uma vez disse para os meus botões (ou para o fecho éclair do blusão azul que comprei nos saldos, já não me lembro bem):

«Não quero morrer sem antes ter partilhado um mesmo blogue com o sacana deste JPC que, além de ser um borgesiano tripeiro e cabeludo, é bom nisto como o caraças, pá!»

Pronto. Já posso ser atropelado por um camião TIR da Ikea.

[José Mário Silva]

Paris ainda está a arder?

Os motins em França podem bem ter sido coisa simples. Obra de miúdos divorciados da realidade por horas demais frente à Xbox. Quem sabe? Já há décadas foram armadas experiências nas quais alguns voluntários demoliam automóveis à marretada numa rua penumbrosa; não tardava até que inocentes transeuntes, atraídos pelo clamor da destruição e pela aparente impunidade, desatassem também a escaqueirar as pobres viaturas. A alcateia não precisa de fome nem de instinto; por vezes morde apenas porque sim. Quem sabe?
Ou talvez seja mesmo verdade que outro estudo, bem mais recente, tenha revelado que em 100 respostas a anúncios de emprego, 14 franceses com nomes árabes conseguem entrevistas, enquanto que citoyens de nomes puros, mas com as mesmíssimas qualificações, despertam o interesse de 75 empregadores.
Não vos parece rastilho suficiente para todos os ódios, para incêndios mil? Claro que não. A resposta não está no racismo encapotado, mas sim na inadmissível cobardia, no suicida laxismo de quem recebe e acarinha malta apenas interessada em drogas, Islão e subsídios de desemprego: o terrível “multiculturalismo” é que tem mesmo a culpa. O mal não está em recusarem-lhes emprego; está em não os obrigarem a uma integração perfeita — escondendo, se preciso for, apelidos exóticos e peles pouco francesas (seguindo a prudente receita de um emigrante português, entrevistado há dias pela SIC, que não permitiu que a filha meio argelina herdasse qualquer nome da sua mãe).
Olhem que há gente que acredita nisto. Talvez a mesma gente que aplaude como profeta um analista que ainda há um ano nos garantia que “à sombra do multiculturalismo, discute-se seriamente hoje em dia em França a possibilidade de ser introduzida no ordenamento jurídico nacional a lapidação para certos crimes, embora restrita à comunidade muçulmana”. A atmosfera em Urano aparenta ser algo intoxicante. Ou talvez seja apenas mais um caso de dedicação excessiva a jogos de computador, daqueles que nos deixam incapazes de distinguir ficção e realidade…

Volta a velha rotina dos Sábados…

Pego no “Expresso” e a namorada irrompe furibunda pela sala adentro:
— Mas já estás a ler o jornal? E o jantar, quem é que o faz?
Resposta honesta e apaziguadora:
— Não o estou a ler, amor meu. Estou só a espreitar as partes mais cómicas à procura de inspiração para um postzito. E sabes bem o jeito que o Espada e o Saraiva dão…