Sempre inconveniente, Mr Camilo

Escrevia, há dias, João Camilo no seu Blue Everest (clique algures aí à sua direita):

Blogues e jornais

– Qual é a diferença entre um blogue e um jornal como o Público, por exemplo?
– Os jornais são blogues impressos em papel e que se compram nos quiosques.

– Mas há blogues que querem entrar em competição directa com os jornais. A mesma atitude, a mesma ambição, a mesma sapiência.
– São os blogues de pessoas com mentalidade de jornalista.

– Gente com ambição política ou ambição de guiar e elucidar as massas ignorantes?
– Qualquer coisa assim. Esses eu não os leio, não tenho paciência nem tempo.

– Imaginam-se marginais, mas lutam pelo tipo de poder e de influência que têm os jornais.
– Qualquer coisa assim. Prolongam e repetem o sistema. Não tem interesse. Podem ser úteis, mas eu prefiro coisas mais verdadeiras.

24 thoughts on “Sempre inconveniente, Mr Camilo”

  1. “- Gente com ambição política ou ambição de guiar e elucidar as massas ignorantes?
    – Qualquer coisa assim. Esses eu não os leio, não tenho paciência nem tempo.

    – Imaginam-se marginais, mas lutam pelo tipo de poder e de influência que têm os jornais.
    – Qualquer coisa assim. Prolongam e repetem o sistema. Não tem interesse. Podem ser úteis, mas eu prefiro coisas mais verdadeiras.”

    Isto ainda são efeitos secundários do Brecht?

    Bom fim de semana

  2. Está a ver porque é que eu venho aqui ler «sobretudo» os seus textos, caro FV. Embora não concorde totalmente, a argumentação faz sentido e tem potencial para discussão. Porém, não se esqueça dos «mistos», como a tosta, que tb os há…
    P.S. – Como zelo pelos seus postes, eu no «Não tem interesse» poria «Não têm interesse», mas tb não me chateia que esteja assim…

  3. Mensagem para a Margarida:

    O comentário que realizei para ti não entrou. Esperemos pois que seja “libertado” pelos excelentíssimos anfitriões o mais rapidamente possível.

  4. Mensagem para Bluegift:

    Aqui ninguém «encarcera» nada (a não ser o lixo electrónico), e portanto nada pode ser «libertado». Tem a certeza de que não houve factor técnico em jogo?

    Um Anfitrião Excelentíssimo

  5. Caro e zeloso Politikos,

    1. Não esqueço as «tostas», muitas vezes o melhor da pobre humanidade.

    2. Também pensei em corrigir «Não tem interesse» em «Não têm interesse». Mas tive duas razões para não fazê-lo:

    – João Camilo é um grande poeta e ficcionista, e um grande estudioso da literatura, inclusive da estilística. Pode partir-se do princípio de que o singular foi intencional,

    – e existe uma ‘leitura’ do singular, em que «Não tem interesse» significaria «Aí está uma coisa sem interesse». Na fala concreta, produzimos tais anacolutos, estilisticamente aproveitáveis.

    Na Califórnia, os pesadelos de João Camilo dos Santos, neste momento, estão por nossa conta. Que responsabilidade, Politikos!

  6. Caro FV
    Logo calculei que a do «Não tem interesse» não ficaria sem comentário ;-) (sigo o seu zelo com a Sabrine em poste acima, com aquele «pobre» «de que») (o poste é palavra de «estimação» minha, não ligue).
    Concordo, concordo, e percebi inteiramente a «coisa», mas «tropeça-se» nesse singular à primeira leitura… E o problema – e/ou a sua principal virtude, estilisticamente falando – é estar ali, naquele sítio, intercalado (como o fiambre e o queijo da tosta) entre dois plurais… Grande responsabilidade, esta de fazer a exegese dos textos e ainda por cima dos pesadelos do João Camilo dos Santos, lá longe em Santa Bárbara…
    Bom fds

  7. Logo vi que essa trampa teria de sair da cabeça dum “poeta e ficionista”. Afinal o homem não gosta de blogues de espécie nenhuma. Rapaz exigente. Por que é que ele pensa que a imprensa do mundo cagado da normalidade anda a braços com problemas que prometem um descalabro na indústria?

    Não tem tempo para ler blogues “com a ambição de elucidar massas ignorantes”? Onde é que já se viu tanta embófia emproada a este preço?

    E raios me partam se essa de o Fernando Venâncio nos lembrar do seu (dele, do poeta difícil de agradar) interesse pela “estilistica” não foi apenas uma maneira delicada de lhe lembrar que, apesar do seu bom nome entre os profissionais do ramo, é óbvio que nem sempre limpa o coiso depois de fazer serviço.

  8. Ah, Anónimo de 3:26, sou sempre um incompreendido! Eu não ‘desculpei’ JC. Bem pelo contrário, ‘assumi-o’, li-o como ele também pode ser lido. Percebe a diferença?

    Não é casuística: é um respeito por princípio (por quem já se admira, decerto, mas aduzindo razões para a admiração).

    De resto, JC tem, ele mesmo, um blogue, que eu assinalei. Ou tinha-lhe escapado essa?

  9. Vou antes contar o que me ficou das entrelinhas…

    – O que há em comum entre um blogue e um jornal como o Público, por exemplo?
    – São os jornalistas com a mentalidade de massas ignorantes e com a mesma atitude e paciência de gente elucidada pela ambição política. Qualquer coisa assim… Esses eu não os leio, não tenho tempo nem sapiência.

    – Imaginam-se impressos em papel, tal como se compram nos quiosques, mas lutam pelo tipo de poder e de influência que têm os blogues.
    – Qualquer coisa assim… Não tem interesse.

  10. O que é que são coisas mais verdadeiras?!

    O cheiro a castanhas e o sabor a água pé?

    Há bloggers que escrevem em estilo roman a clef.
    Outros, em times roman.
    Vai tudo dar ao mesmo.
    Mal por mal, prefiro um estilo original.

  11. Além disso, este blog parece-me o mais libertário dos que conheço.
    Para além de não serem cascudos, aceitam impropérios avulsos sem refilarem muito.

    Acabo por me render a estas virtualidades, embora entre aqui sempre de chancas…

  12. A maior diferença é que nos jornais podemos sempre pegar numa lupa e ampliar as letras para sabermos a quem pertence. Nos blogues não há lupa que nos valha. Nunca sabemos quem paga, não é Fernando Venâncio?

  13. Margarida,

    Se você quer insinuar que estamos aqui a soldo de alguém, e não apenas devedores à nossa frontalidade e ao nosso amor do risco, você mostrará ser, além de parva, velhaca.

  14. Eu disse e repito que nos jornais sabemos quem paga a factura e nos blogues não. É isso razão para ter ficado tão irritadiço que o levou a perder o verniz? Pelos vistos é…

  15. Margarida,

    Não desconverse. Você escreveu: «Nos blogues não há lupa que nos valha. Nunca sabemos quem paga, não é Fernando Venâncio?» Acha estranho que eu me tenha achado, e bem pessoalmente, concernido?

    E, quanto ao verniz, não se apoquente. Está todo estalado.

  16. Vocês estão aqui a soldo do Bush. Não passam de anti-comunistas disfarçados. Tudo o que afirmarem que não alinhe com a visão do PCP é prova evidente da vossa submissão ao imperialismo americano e ocidental.

  17. Mas afinal vocês trabalham por amor à camisola? Se é assim, porque não o disse simplesmente e se irritou tanto?

  18. Ora aí está!

    A Margarida acusou o autor do texto de escritor “à clef”.
    Este defendeu-se, garantindo que só escreve em times new roman.Ou garamond. Ou mesmo em Arial.

    Eu apoio o autor, pois só gosto de escrever no estilo que me convém. E não gosto de ser porta-voz de algo ou de alguém.

  19. Reparo que neste blog que entendia como libertário e liberto de incómodos de apagar comentários, já safaram alguns.

    Porquê?! Por serem do Arrebenta?!

    Por trazerem iconoclastias e escatologias avulsas?!

    Ora, ora! E eu a pensar que aqui havia liberdade total para quem quisesse, depor o que entendesse, mesmo que não merecesse atenção.

  20. Afinal, até aqui há censura.

    Mesmo com justificação, censura é.

    Perdem autoridade para defender a liberdade de expressão total e não faz sentido que o Oliveira venha depois escrever sobre a difamação em blogs ou noutro lado qualquer.

    Afinal, nem sequer se tratava de difamações graves. Apenas comentários idiosssincráticos…

    Ora bolas!

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