Para onde vai o PS?

Seguro vai ter que fazer referências ao seu antecessor, destacando as circunstâncias da crise financeira que assolou o país a partir de 2008. Se ignorar Sócrates, se atacar a sua governação ou se se esquecer de mencionar a crise, dividirá o congresso, desencadeará muita contestação entre os militantes e eleitores socialistas, confirmando os piores receios sobre a sua colagem à esquerda irresponsável, e provocará uma rejeição no eleitorado de centro-esquerda muito idêntica à rejeição provocada por Alegre.

A reflexão de fundo que o congresso do PS terá de fazer não é sobre a anterior liderança do partido, mas sobre o presente e o futuro de Portugal. Se criticar a performance do anterior governo, Seguro só se vai enterrar, porque terá de pedir emprestados argumentos ou à extrema-esquerda, ou à direita, ou a ambas ao mesmo tempo. Seguro nunca mostrou interessar-se pelo problema da dívida pública ou pela dívida externa do país e, no lugar de Sócrates, teria feito muito pior.

O que interessa debater no congresso são outras coisas. Como vai o partido responder à guerra contra o Estado social desencadeada pelo governo de direita? Como vai o PS reagir ao anúncio da privatização da RTP, das Águas de Portugal, dos CTT, da CGD, etc? Como vai a oposição socialista combater a estratégia deste governo de se aproveitar da crise para levar por diante uma ofensiva política direitista? Como vai o PS lutar contra o clientelismo e a corrupção maciça que se avizinha e as obrigatórias malfeitorias dos banqueiros laranjas, autênticas sanguessugas do povo português? Em particular, vai o PS esquecer e arquivar o caso BPN, a maior burla financeira e o maior roubo da história de Portugal? Vai o PS permitir a entrega das Águas de Portugal aos amigos de Passos Coelho e Ângelo Correia? Vai o PS permitir a entrega da CGD, o maior banco português e o mais idóneo, a um cambão de malfeitores reciclados da banca privada falida? Vai o PS permitir a liquidação da RTP, a voz mais isenta da TV e da rádio?

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Oferta do nosso amigo Apoiante de Sócrates

33 thoughts on “Para onde vai o PS?”

  1. Vamos lá ver: O Seguro é tudo, menos inteligente. Um badameco que, tal como na tropa, sobe por antiguidade é esperto, não inteligente. Neste momento não há oposição e o governo só cai por implosão. Vai haver dois anos prováveis de deserto ps e depois as, provavelmente entra uma prima dona do tipo António Costa. Até lá, faça as piruetas que fizer, Seguro é um lider??? a prazo. A política descobre mais depressa espertos que inteligentes!!

  2. Deixo aqui o meu total apoio ao “apoiante de Sócrates”! Já o disse aqui e repito-o: é para mim um indecifrável mistério o facto de os militantes do PS, escassos meses depois de terem eleito Sócrates com 93% de votos, acabarem por escolher para seu sucessor exactamente um dos seus detractores.

    E não se diga que, por se estar a poucos meses de eleições, não havia outro remédio senão ir à guerra com as armas disponíveis. Quanto a mim, isso não se coaduna com aquilo que é conhecido da personalidade de Sócrates!

    Sou militante do PS, não votei no Seguro e encaro seriamente a possibilidade de abandonar um partido cujos militantes se mostraram capazes de alinhar na morte política de um dos homens que mais o honrou! Foi, ao fim e ao cabo e quer queiram quer não, o que demonstrarm querer com o voto no Seguro.

  3. ANIPER: Apoiado. Acontece que, nos partidos, como no país em geral, são algumas elites que fazem avançar as coisas. O grosso do maralhal não pensa muito ou tem aversão à mudança. Este António José Seguro representa um entalanço permanente para o PS: para além da sua notória falta de carisma e, ao que me é dado observar, de visão, na anterior legislatura estava, para efeitos práticos, do mesmo lado da barricada que a oposição. Logo isso o impede de responder com veemência às críticas lançadas/responsabilidades atribuídas ao anterior governo (e se elas começam a chover, agora que a contestação sobe ao actual executivo!). E, por outro lado, se o vier defender, suscitará gargalhadas e/ou descrédito. Da minha parte, suscitaria uma tarte de natas na cara…

    Doçaria à parte, isto é grave, porque significa que quem vai fazer oposição serão outros, e o Bloco – que tem muito terreno a recuperar – agradece.

  4. Enfim não sou ingénuo mas acredito que o Seguro não vai enveredar pelo caminho de criticar o trabalho feito pelos governos de Sócrates, como forma de ganhar peso político.
    Marcou a sua posição, agora tem é que saber fazer o seu papel de líder do maior partido da oposição. E que se lembre que Sócrates o manteve como cabeça de lista de Braga. Será que ele faria o mesmo?
    Só receio é a aparente colagem mais à esquerda dos seus apoiantes.

  5. Penélope,

    sem contar com a formidável oposição que parte do PSD está a fazer à outra parte. Saco de gatos, sempre…

  6. há 2 coisas que destaco: 1º: seguro pode não ser um poço de galvanização e carisma, porém ganhou porque não teve um adversário suficientemnete á sua altura, porque assis embora fosse seje muito bom na arte da retórica, deveria ter preparado-se há mais tempo, para não falar na ausencia de carisma que este possui.
    Quanto á colagem ou não á esquerda, eu estou cuiroso para saber ,agora que o ps assinou o acordo da troika, como é que conseguirão fazer uma oposição forte e firme á coligação de direita, com outras ideias politicas

  7. Tiago Cabral: Não é o Seguro que critica, é o actual governo que se irá permanentemente desculpar com dívidas herdadas, desvios colossais, gastos excessivos, etc, ou seja, críticas ao anterior governo para justificar as suas medidas, essas sim excessivas, e tanto mais repetirá as críticas quanto estiver a sentir que perde o pé.

    Edie: Exactamente. E o que fará o PS, perante essa “janela de oportunidade” (?) com este líder?

    Entretanto, parece que escolheu o Zorrinho para líder parlamentar. Teve um assomo de discernimento, o que só lhe fica bem. Nunca vi o Zorrinho fazer grandes discursos (descuido meu, certamente), mas, da sua actuação como governante, sempre me pareceu uma pessoa inteligente, dinâmica e com ideias.

  8. bem , essas guerras não são minhas , mas penso que a atitude do seguro terá de ter em conta se o sócrates aparece ou não no congresso…se não aparecer significa que despreza o partido ou que só lhe interessa se estiver ao seu serviço . logo..

  9. edie 1º tem calma.. vamos ver o que ele vai fazer .. depois se ele se portar mal , tenho a certeza que os militantes do ps saberão bem o que fazer a ele.Eu espero, que mais importante do que alinhar com direita ou com esquerda, espero que ele faça propostas alternativas e mostre uma alternativa

  10. 100% de acordo com o ANIPER.Fiz-me militante por causa do Sócrates, e já pensei várias vezes mandar o cartão às favas,mas pode ainda fazer falta.Tenhamos esperrança,mas com Seguro não vamos lá.

  11. Cada partido tem o seu Passos Coelho.
    De cada vez que olho para o <seguro parece que estou a ver o Passos Coelho em versão PS.
    Omesmo sorriso esterotipado, os mesmos ademanes, os fatinhos bem compostinhos com a gravata da moda, etc.
    Espremem-se e sumo não há, é só casca!
    Seguro foi o líder possível numa travessia que se agoirava mais difícil, pois este governo é mau demais para merecer sequer o benefício da dúvida.
    Já há muito que o PS deveria ter começado a engrossar a voz e a chamar a atenção para os desmandos e tropelias diárias com que somos brindados.
    Firmou-se o acordo com a troila e não o acordo +++ do PPD/PSD+PP, por isso não deverão existir paninhos quentes e dúvidas na critica oportuna, serena e com soçuções à vista.
    Para já a não existência de listas comuns é um bom sinal. Já chega de unanimidades balofas.
    Seguro que se segure bem, pois a ondulação vai brava.

  12. teofilom, mesmo que fosse outro, de qualquer modo, tinha de aprovar as medidas previstas no memorando, e ia sentir as mesmas dificuldades, essa é que é essa.A maior tragedia do ps não é o tipo de lider, mas sim a pouca margem de manobra em termos ideologicos e politicos.O que nos diz o historial europeu, é que, um governo pode ser pessimo e ruinoso,mas que isso não baste para que a oposição ganhe. Veje por exemplo algumas eleicoes regionais em espanha, ou a suécia por exemplo.O maior desafio do ps é escolher um projecto alternativo, mas terá dificuldades devido ao seu compromisso com o acordo da troika

  13. E se a ala cavaquista estivesse a fazer a folha ao Passos Coelho, para fazer boa figura em próximas eleições, tendo em conta que não vai ter concorrência no papel de oposição?

    (pronto, OK, eu largo o vinho)

  14. ó er, quantas vezes é preciso repetir que o próprio FMI já avisou que esta cambada está a ir longe demais , para ter cuidado, para não comprometer os objectivos??????

    E mais, este acordo foi assinado pelo PS, pelo mero facto de ter sido obrigado por todos os restantes partidos representados na AR. Deixemo-nos de hipocrisias. Já chega ter de levar com isto.

    E se continuas a asiistir à destruição do SNS e do sistema público de Educação, achando que esta opção é a opção do PS, pergunto: qual é atua alternativa? Já fiz a pergunta vezes demais …deixa-te de postas de pescada e responde. de que lado estás? ( eu sei, mas porra, sê um homenzinho, dá a cara…)

  15. E respondendo à pergunta-título do post, Para onde vai o ps não sei, mas o Sócrates vai escrever um livrinho…esta ideia ninguém me tira.

  16. oh edie deixa-te de raivas, estou do lado daqueles que acham que o rumo que este governo está a seguir e o resto dos paises da europa é uma road to hell, que o fascinio neoliberal uns e outros tiveram deu cabo e continua a dar cabo da economia.Embora eu ache que este acordo com a troika é um beco sem saida, tal e qual mostra a experiencia grega,eu tal como tu acho que pelo menos este governo não deveria ir querer ir mais além do que está escrito na troika, quanto ao chumbo do pec também já te respondi e disse que o ps estando num apoio de maioria relativa, devia ter tentado ao menos negociado com a oposição.Tu achas que sou um tipo de má fé, mas simplesmente estou do lado do ps, e agora que o acordo está assinado, cabe o ps no limite do possivel defender a saude e a escola publica, e o poder de compra das familias.É isso que espero desta direccao do ps.A solução para isto tudo era eurobonds,e um governo economico europeu,e sabendo que isso nao é possivel devido á existencia dos governos de direita, mas isso já e outra questão(o que é que levou a que a esquerda na europa esteja a definhar eleitoralmente).

  17. limitei-me apenas que apesar de não ser facil, espero que o ps , mantendo o seu compromisso com o memorando, tente-se diferenciar do psd e tente defender as familias portuguesas, e digo que tu e eu estamos mais proximos do que imaginas

  18. ele e mesmo parvo edie ahaha no bom sentido: .. passei aqui para dizer que o discurso do seguro excedeu as relativamente baixas expectativas que eu tinha sobre ele

  19. olha, er, tu até me pareces bom rapaz, apesar dessa fixação de que isto tudo de teria resolvido se o Sócartes tivesse negociado com o BE…há algo de idealista nisso que, de certo modo, me atrai.

    E depois, toda a humanidade tem o seu lado feminino (eu tê-lo-ei um pouco mais desenvolvido do que tu). Vê essa beleza aí, cara :)
    http://www.youtube.com/watch?v=TB6Cpy-X7A8

  20. edie sao opinioes.. resolvido claro que nao estaria, mas provavelmente seria o caminho menos sinuoso e turbulento para resolver as coisas.Mas enfim. como pessoa que se concentra mais no futuro do que no passado acho que se deve fazer uma leitura dos resultados, seguir para a frente, e fazer uma oposição firme frente aos ataques do governo.E nós cidadãos, tendo percebido o perigo da direita , temos que lutar no futuro para que esta seje derrotada.Mas isto se calhar é o minha maneira mais “idealista” e filosofica,frente a uma ordem mundial dominante do pragmatismo e sobretudo daqueles que so pensam em numeros como o nosso querido ministro da saude, estando-se nas tintas para as pessoas( não estou a criticar o ps não)

  21. e lanço-te mais um piscar de olho: embora nao pense o mesmo da esquerda parlamentar, é obvio que a direita quis o poder.Se calhar não eram parceiros tão razoáveis e cooperativos quanto se pensava, e essa ´´e o meu ponto de vista.

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