Vinte Linhas 660

O Portugal-França, o Futebol juvenil e a fábrica dos sonhos

O Portugal-França em «Sub-21» terminou há minutos. No particular o que conta para as estatísticas é o resultado (1-) e o marcador do golo Wilson Eduardo. Mas um jogo de futebol é sempre algo mais do que a sua ficha técnica. A mim deu-me para ir escrevendo nas margens de um jornal diário a lista de jogadores do Sporting Clube de Portugal que ou estão ou já estiveram na Academia de Barroca de Alva. (Os jovens da foto são apenas um exemplo)

Para além do marcador do golo da vitória (Wilson Eduardo) e do melhor homem em campo (André Martins) esta selecção nacional de Sub-21 contou com mais sete jogadores que são (ou foram) do Sporting. Vejamos os seus nomes: Cedric Soares, Rui Fonte, Diogo Amado, Nuno Reis, Mário Rui, Diogo Rosado e Pedro Mendes. Nove nomes, nove vidas, é muito nome, é quase uma equipa inteira, são muitos sonhos numa fábrica onde cada vez mais não há lugar para sonhos. Três deles (o Cedric, o Mário e o Pedro) jogaram todos os 90 minutos o que significa que o seleccionador Rui Jorge não tinha substitutos para eles e preferiu dar mais consistência defensiva à equipa. Recordo também dois treinadores destes miúdos e nos seus nomes englobo todos os que, de modo discreto e humilde, ajudam a terrível tarefa de dar lume aos sonhos que chegam à Academia. São eles Luís Dias e Luís Gonçalves.

De todos eles tenho histórias curiosas: o Cedric a lembrar que nasceu no estrangeiro mas a sua mãe é natural de Barroca de Alva, o André Martins a quem eu chamava «alegria do povo», o Diogo Amado que em Newark no Lar dos Leões foi um exemplo de classe desportiva e saber estar social. Com eles muitas vezes molhei os meus apontamentos nos jogos em campos não cobertos. Não jogam mas o SCP compra estrangeiros com dinheiro que não há.

11 thoughts on “Vinte Linhas 660”

  1. incomprensível mesmo, JCF, especialmente quando se gasta dinheiro em “craques” de duvidosa qualidade.

    só quando se colocar ordem em “casa” e não for permitido a uma equipa começar um jogo com onze estrangeiros, é que as coisas mudarão…

    mas quando os maus exemplos vêm da UEFA e da FIFA…

  2. O SCP faz lembrar o nosso país destes últimos 37 anos, não acerta uma, nem mesmo quando ganhou 2 campeonatozinhos. ultimamente.

  3. a belha tamém queria correr com os cabo verdianos e o portas com os do leste. já tou a ber estas duas luminárias do nacionalismo lusitóino, o xico e o vice, a assentar tijolo no futuro aeroporto d’alcochete.

  4. A ultima vez que vi o SCP campeão actuavam e foram determinantes na vitória três jogadores estrangeiros: O guarda redes, Peter Schmeichel, pela forma como comunicava e organizava a defesa; um central, André Cruz, pela forma certeira como marcava livres e sobretudo Jardel.
    Oxalá este comentário contribua na medida da sua simplicidade para desfazer alguns preconceitos que por aqui, quando se fala do Sporting, parecem existir por vezes contra porque sim e contra …Porque não! Raios partam os gajos que têm a mania de SÓ se querem afirmar pelo lado do CONTRA!

  5. O Sporting. Pois! Tá bem abelha.
    Fica muito contente com Alcochete, com os infantis e juniores mas depois, é que são elas. Tem escola, pois tem. Anda a arrebanhar os putos por tudo quanto é sítio. Eles não começam a formação no Sporting como parecem fazer crer. Não! Já vêm doutras paragens. E se os trazem e lhes pagam a estadia, os estudos, etc., é porque já são bons. Por isso dizer que nós é que sabemos formar atletas é uma treta. Eles inclusivamente se descobrem por si próprios, seja em Alcochete, no Montijo, no Barreiro, a jogar num campo relvado ou na rua com uma trapeira. O saber, ter vocação é uma coisa de nascença, não se ensina nem em Alcochete nem no Real Madrid que não está para essas fantasias, compra-os já feitos e deles tira partido. Que interessa o Sporting ter pago a formação do Moutinho, do Varela, do Ronaldo, do Simão, do Nani, etc,. se depois quem beneficiou foram outros?
    Mas isto quem não tem mais fica contente com o pouco que tem.

  6. Perdão sr. Confucio, não me confunda nem com lagartos nem com leões. Vim aqui meter a colherada mas nada tenho a ver com essa agremiação.
    A não ser nos tempos em que eles tinham a sede na Rua do Passadiço e em que eu trabalhava ali perto e, durante alguns anos, almoçava lá no restaurante. Era só. Era barato e ficava perto.
    Ah! E uma vez era eu diretor dum clube de futebol vendemos a esse clube um guarda-redes de nome Artur, ainda júnior, e por acaso era filho do chamado bruxo de Alcochete. Ainda rendeu à época 35 contos.
    Não me lembro mais. Conheci o Azevedo que frequentava o mesmo café que eu e andei na escola com o Carlos Gomes, embora ele fosse um pouco mais velho do que eu.
    E se pensar melhor se calhar ainda encontro mais alguma coisa. Mas nada de clubismos.

  7. Esse senhor de Alcochete era o senhor João, não era? Entre 1957 e 1961 ouvi falar muito dele pois morei no Montijo perto do campo Luis Almeida Fidalgo. E fui apanha bolas nos treinos do Desportivo.

  8. “E fui apanha bolas nos treinos do Desportivo.”

    e agora apanhas com bolas de trapo nas ventas, cada um é pró que nasceu.

  9. Era o sr. João sim senhor. Chamavam-lhe o Joâozinho de Alcochete e acho que tinha bastante “freguesia”. Só o conhecia de nome. Mas quando foi da transferência do filho para o Sporting tivemos que o chamar e ter uma conversa com ele pois era precisa a sua autorização para o filho ser transferido. E realmente surpreendeu-me o seu fino trato a falar e as suas ideias. Normalmente os bruxos são pessoas de não muito elevado nível mas este não. O filho tanto quanto me lembro não vingou no Sporting e não sei que é feito dele pois nunca mais o vi. Se for vivo terá aí uns sessenta e muitos anos. Esta transferência realizou-se realmente entre 1957 e 61 pois foi esse o tempo que estive na direção do clube.

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