12 thoughts on “José responde a José”

  1. Vamos imaginar que José Mário Silva se descaminha quando supõe ajustes de contas por interposto Baudelaire (e ainda fica que a tese é tecnicamente elegante), vamos supor que Jorge Melícias não teve a mínima intenção de atingir alguém vivo (e ainda fica a sua espectacular desatenção no caso). Resta que uma tradução portuguesa de Baudelaire (sim, logo de Baudelaire) não deveria ver a luz nestas condições.

    Tem de felicitar-se JMS pela sua exigência de qualidade e pelo provado domínio dos idiomas, duas virtudes que vão sendo escassas no País. Desculpe-se, talvez, um entusiasmado tradutor. Mas nunca o revisor que deveria lê-lo. Se existiu a figura.

  2. Li o texto do primeiro link e fiquei…esmagado pela razão que aparentemente assiste ao crítico José que responde ao leitor josé, a propósito da traição da tradução à letra do poeta morto.

    Mesmo assim, aflorar em processos intencionais escritos uma suposição de cobardia ou desonestidade, c´est pas bon chic bon genre, quand même, monsieur.

    Mais, peut être que les choses sont plus intéressantes comme ça.

  3. Por mim, prefiro “postais”. Parece-me adequado, pois não passam disso mesmo e “postas” sabe-me a pescada. Algumas vezes, arrotada, o que se torna desagradável como imagem de quem escreve.
    Já de quem fala…

  4. Alex.Não quero ser parvo. Já fui ao dicionários. Muitas vezes. Mas desta, não. Arroto ás vezes, em sentido próprio. O que estaria certo era que percebesse que escrevi com o sentido. De humor. Para quem pudesse entender.
    Parece que não será o seu caso…

  5. Haverá alguém com vontade de comentar isto que segue e que foi publicado hoje, no Público e que retrata pelo menos, o perfil de um voyeur?

    A fauna das caixas dos comentários
    José Pacheco Pereira

    ARede está a mudar tudo, a criar coisas novas, a realizar outras muito antigas que as tecnologias até agora existentes ainda não permitiam e a dar eficácia a velhos, e muitas vezes maus, hábitos que existiam no mundo exterior e agora passam para o mundo interior da Internet. Alguns casos recentes voltaram de novo a mostrar a Internet sob uma luz pouco amável, bem preconceituosa aliás, porque nada do que lá se faz se deixou de fazer cá fora. O que há é um upgrade tecnológico no crime, que a Rede melhora e nalguns casos favorece pela sua acessibilidade e universalidade. São estes os múltiplos exemplos da chamada “fraude nigeriana”, ou os casos de phishing que leva os incautos a fornecerem palavras-passe de acesso a contas bancárias; os casos de cyberstalkers, pessoas que perseguem outras cujo nome e morada aparece na Internet. Isto tudo depois da pedofilia e de outras utilizações criminosas da Rede.
    O que é novo na Rede, quer na “normal” quer na criminosa, são as características psicológicas específicas do mundo em linha, em especial a exploração da fronteira, mais ténue do que parece, entre a realidade e a virtualidade. E isso traz elementos novos como se vê se analisarmos para além do crime em si. Um caso actual é o do assassinato de uma menina de dez anos por um autor do blogue chamado “Strange Things are Afoot at the Circle K.” (http://futureworldruler.blogspot.com/), que tinha feito pouco antes um comentário sobre canibalismo. O que há de novo neste caso e no interesse mediático sobre ele é que em vez de um diário em papel, ou escritos mais ou menos dementes ou geniais, como era o caso pré-Internet do Unabomber, agora, quase de imediato, todos se voltam para o blogue, para o perfil do blogue, para o rasto na Rede do putativo criminoso. A Rede fica indissociável da nova identidade das coisas, como se entre o mundo virtual e o real a teia fosse completa. E, se calhar, é.
    Mas não é este apenas o único aspecto interessante, há outro para que não se tem chamado a atenção: o mundo muito próprio dos que escrevem sobre textos alheios nas caixas de comentários dos blogues ou de órgãos de comunicação em linha. O Strange Things are Afoot at the Circle K. continua em linha e tem, à data em que escrevo, 644 comentários na última nota escrita pelo seu autor, todos eles posteriores ao conhecimento do crime. O blogue continua vivo mesmo depois da prisão do seu autor.
    Mas os 644 comentários empalidecem face aos portugueses 1321 comentários do Semiramis (http://semiramis.weblog.com.pt/), cuja anónima autora teria morrido de morte súbita, suscitando as mais contraditórias versões na própria caixa de comentários do blogue. Deixando de parte a polémica sobre as caixas de comentários abertas ou moderadas, ou sobre a sua própria utilidade e valor, deixando de lado também a história pessoal inverificável do que aconteceu à sua autora (ou autor?) anónima, o interessante é registar que o que há nesse blogue é uma comunidade que aproveita o “lugar” para se encontrar. A caixa de comentários tornou-se numa espécie de chat, que parasita a notoriedade do blogue, como já acontecera no Espectro (http://o-espectro.blogspot.com/) com os seus finais 494 comentários, onde as pessoas se encontram numa pequeníssima “aldeia global”, que tomam como sua.
    O comportamento destas pessoas-em-linha é compulsivo, eles “habitam” nas caixas de comentários que são a sua casa. Deslocam-se de caixa para caixa de comentário, deixando centenas de frases, nos sítios mais díspares, revelando nalguns casos uma disponibilidade quase total para comentar, contracomentar, atacar, responder, mantendo séries enormes que obedecem à regra de muitos frequentadores desta área da Rede: horário laboral na maioria dos casos, quebra no fim-de-semana e nos feriados. São pessoas que estão a escrever do seu local de trabalho ou de estudo, de empresas ou de escolas, onde têm acesso à Internet. Há, no entanto, alguns casos de comentadores caseiros e noctívagos, que só podem estar a escrever noite dentro, como era o caso nos primeiros anos da blogosfera portuguesa, antes de se democratizar. É um fenómeno aparentado com muitas outras experiências comunitárias na Rede, mas está longe de ser o mundo adolescente dos frequentadores do MySpace (http://www.myspace.com/) ou dos “salas” de conversa virtual.
    No caso português, os comentadores não parecem ser muitos, embora a profusão de pseudónimos e nick names dê uma imagem de multiplicidade. São, na sua esmagadora maioria, anónimos, mas o sistema de nick names permite o reconhecimento mútuo de blogue para blogue. Estão a meio caminho entre um nome que não desejam revelar e uma identidade pela qual desejam ser identificados. Querem e não querem ser reconhecidos. É o caso da “Zazie”, do “Euroliberal”, do “Sniper”, do “Piscoiso”, “Maloud”, “Bajoulo” “Xatoo”, “Atento”, Dasanta”, “José”, “e-konoklasta”, “Cris”, “Sabine”, “José Sarney”, “Anticomuna”, etc., etc, Trocam entre si sinais de reconhecimento, cumprimentam-se, desejam-se boas férias, e formam minicomunidades que duram o tempo de uma caixa de comentários aberta e activa, o que normalmente dura pouco. Depois migram para outra, sempre numa tempestade de frases, expressando acordos e desacordos, simpatias e antipatias, quase sempre centrados na actividade de dizer mal de tudo e de todos.
    Imaginam-se como uma espécie de proletariado da Rede, garantes da total liberdade de expressão, igualitários absolutos, que consideram que as suas opiniões representam o “povo”, os “que não têm voz”, os deserdados da opinião, oprimidos pelos conhecidos, pelos célebres, pelos “sempre os mesmos”. São eles que dizem as “verdades”. Mas não há só o reflexo do populismo e da sua visão invejosa e mesquinha da sociedade e do poder, há também uma procura de atenção, uma pulsão psicológica para existir que se revela na parasitação dos blogues alheios. Muitos destes comentadores têm blogues próprios completamente desconhecidos, que tentam publicitar, e encontram nas caixas de comentários dos blogues mais conhecidos uma plataforma que lhes dá uma audiência que não conseguem ter.
    Não são bem Trolls, sabotadores intencionais, mas têm muitas das suas formas perturbadoras de comportamento. A sua chegada significa quase sempre uma profusão de comentários insultuosos e ofensivos que afastam da discussão todos os que ingenuamente pensam que a podem ter numa caixa de comentários aberta e sem moderação. Quando há um embrião de discussão, rapidamente morto pela chegada dos comentadores compulsivos, ela é quase sempre rudimentar, a preto e branco, fortemente personalizada e moralista: de um lado, os bons, os honestos, os dignos, do outra a ralé moral, os ladrões, os preguiçosos que vivem do trabalho alheio e dos impostos dos comentadores compulsivos, presume-se. O que lá se passa é o Faroeste da Rede: insultos, ataques pessoais, insinuações, injúrias, boatos, citações falsas e truncadas, denúncias, tudo constitui um caldo cultural que, em si, não é novo, porque assenta na tradição nacional de maledicência, tinha e tem assento nas mesas de café, mas a que a Rede dá a impunidade do anonimato e uma dimensão e amplificação universal.
    O que é que gera esta gente, em que mundo perverso, ácido, infeliz, ressentido, vivem? O mesmo que alimenta a enorme inveja social em que assentam as nossas sociedades desiguais (por todo o lado existe este tipo de comentadores), agravada pela escassez particular da nossa. Essa escassez não é principalmente material, embora também seja o resultado de muitas expectativas frustradas de vida, mas é acima de tudo simbólica. Numa sociedade que produz uma pulsão para a mediatização de tudo, para a espectacularização da identidade, para os “15 minutos de fama” e depois deixa no anonimato e na sombra os proletários da fama e da influência, os génios incompreendidos, os justiceiros anónimos, o “povo” das caixas de comentários, não é de admirar que se esteja em plena luta de classes.
    Historiador.

  6. Caro José,

    A resposta já lhe foi dada:


    Moura Pires diz, 2:56 PM, Abril 20, 2006
    Este josé rói-se de inveja do Pacheco Pereira…

    josé diz, 3:06 PM, Abril 20, 2006
    Tipo esperto, este Pires… “

    Retirado da caixa de comentários de “ Uma petição ética”, publicado ontem por José em http://www.grandelojadoqueijolimiano.blogspot.com.

    “…muitos destes comentadores têm blogues próprios… e encontram nas caixas de comentários dos blogues mais conhecidos uma plataforma que lhes dá uma audiência que não conseguem ter…”. Pois é.

  7. Ó Álvaro ( curioso pseudónimo):

    V. acha mesmo que é a inveja que move os comentadores como este josé que assim assina?!

    É que o Pires insultou e a resposta que levou, foi a que leu.
    Quanto a mim, é este o limite do insulto na blogosfera: inócuo.
    Aliás, mesmo aqui neste blog onde comento há pouco, já fui insultado de modo bem pior- e não me queixei assim tanto.
    São estas as regras do jogo: quem vai a esta guerra, dá e leva.
    E como poderá ler num acórdão recente do TEDH, as formas de insulto no âmbito político ( e que é que nós fazemos aqui, senão discutir também a polis?) estão muito desvalorizadas…~
    Não ofende quem quer, mas lá que há muito “peludo” por estas bandas, lá isso há.

  8. Outra coisa:

    Sabe quantos “josés” andam por aí a comentar?! Tem a certeza que é sempre o mesmo?!

    Aliás, tinha a certeza( se por acaso não o confirmasse) que este que aqui escreve estas linhas, é o mesmo que escreveu aquelas que transcreveu?

    Como é que se controla isto?!
    Não há meio meu caro- a não ser acabar com os blogs, claro.

    Suspeito que haja quem o deseje.

    Quanto a notoriedade, quem a quer?!
    Eu respondo: quem tem algo a ganhar com isso!
    Adivinhe quem…

  9. Concordo porém, num aspecto referido no artigo em causa:

    O tempo que se gasta nestas andanças, exige disponibilidade perto de um computador…e o exercício vicia.

    Porém, todos os que escrevem por aqui, nos blogs, sabem que esse perigo deve ser esconjurado através dos meios de defesa habituais de quem não quer ser escravo seja do que for- nem do trabalho.
    Escrever por aqui, ao implicar uma assiduidade junto ao teclado e écran, pode fazer-se sem prejuízo do trabalho normal se este já implicar também o processamento de texto ou actividades “à secretária”.
    Toda a gente experimentada sabe que se pode fazer um comentário como este que estou a fazer, em poucos segundos ou minutos; passar para um outro trablho no WOrd ou a manusear papéis e voltar à janelinha para ver o que se passa…
    Que isto vicia, já o disse: vicia.
    Antídoto?
    Dois dias sem ligar.

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