Factos e protagonistas dos tempos da FLA

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O jornal “Açores” era uma espécie de órgão oficioso da FLA. O tempo que se vivia era de autêntica pré-guerra civil, pelo que as mentiras ao serviço do movimento, como aquela notícia absolutamente fantasiosa com que comecei o «post» anterior, faziam parte da acção psicológica. O seu director, Gustavo Moura, veio a ser preso por causa disso e foi, honra lhe seja feita, o único até hoje, em cerca de trinta, que publicamente em entrevista na RTP ouvi reconhecer a justiça da sua prisão (na sequência do 6 de Junho, a que me referirei adiante.)

Porquê eu?

Eu, simplesmente porque estou a contar a história. Mas outros sabem tanto ou mais do que eu, e foram tanto ou mais protagonistas de um lado e outro das duas frentes.

O “Açores” foi o jornal em que comecei a escrever como colaborador gratuito, e mantive-me lá até ao Verão quente de 1975. Por essa altura publiquei um artigo contra a independência que foi mal aceito. Depois escrevi outro cuja publicação foi recusada, mas que foi levado para uma reunião da FLA em que disseram de mim (soube-o por um dos participantes, que fora redactor do “Açores”) o pior que se pode imaginar. Ainda escrevi um artigo contra a política gonçalvista dos saneamentos selvagens, que foi publicado, o que não aconteceu a um segundo, por medo das represálias. Por causa disso, deixei de colaborar lá e passei para o “Correio dos Açores”. Um dos artigos que neste escrevi provocou duas ameaças de bomba, a suspensão de catorze assinaturas e o pedido de sete novas.

Quando a FLA começou a ganhar cada vez mais força, organizei aqui na Maia duas manifestações contra a independência. Foi a única freguesia dos Açores a fazê-lo, o que foi um golpe incómodo para a unanimidade que a FLA fingia recolher dado o silêncio da contestação popular. Havia resistências pontuais em Ponta Delgada, por parte de comunistas e socialistas, mas nenhum movimento de massas. Foram postas bombas artesanais feitas com botijas de gás, várias pessoas foram agredidas, automóveis queimados, a sede de alguns partidos e a casa da família do Jaime Gama incendiada. (Os primeiros incendiários foram extremistas de esquerda, que pegaram fogo à sede do Movimento para a Autodeterminação do Povo dos Açores, antecedente “legal” da FLA, fundado por gente do PPD.) Quando o director do “Açores” arrefeceu o seu apoio à causa também apanhou com uma bomba em casa por represália, bem como Américo Natalino de Viveiros, secretário do governo regional, pelo mesmo motivo.

DANIEL DE SÁ

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José de Almeida

O chefe “histórico” da FLA fora até 25 de Abril de 1974 deputado por Viana do Castelo. Umas duas semanas depois da revolução, esteve num café de Ponta Delgada à conversa com a mulher do engenheiro João Miranda, da Câmara de Angra, que viria a ser meu colega como director regional (dito secretário) para as construções escolares (enquanto eu o fui para a Comunicação Social e Desporto) da Junta Regional, o governo nomeado para preparar eleições e que serviu como primeira experiência de governo autónomo. José de Almeida disse a essa amiga que estava a caminho dos EUA, que isto não lhe dizia quase nada, pois vivera grande parte da sua vida no Continente. No entanto, nos EUA foi convencido, por um grupo de emigrantes com ligações aos subterrâneos de certos poderes económicos, a vir dirigir um movimento separatista. Assim nasceu o chefe da FLA.

Frank Carlucci

Foi provavelmente também por causa dele que a FLA nunca teve apoios oficiais nos EUA. Veio uma vez aos Açores inteirar-se da situação política, e uma das suas reuniões foi na sede do PS. A certa altura perguntou que pensávamos das possibilidades de independência dos Açores. Por acaso a isso fui eu quem lhe respondeu. Disse-lhe que os Açores eram muito bons para a América, que ficava assim mais perto da Europa; e para a Europa, que ficava mais perto da América. Mas nós ficávamos mais longe de tudo, pelo que aquilo que exportávamos chegava muito mais caro ao destino e aquilo que importávamos chegava muito mais caro aqui. Ele respondeu textualmente: “Compreendi perfeitamente. Não há qualquer hipótese.”

Apoios

Passo por alto a tentativa falhada da FLA em adquirir material de guerra, por falta de apoios com que chegou a contar. Falo de outros, que decerto não virão nos livros de História.

Pouco depois de passado o pior período, com a queda de Vasco Gonçalves, houve um rapaz aqui da Maia que morreu num acidente numa mata. O marido da dona da empresa para que ele trabalhava veio à Maia tratar das questões legais com a família. Tratava-se de Raingeard de la Blétière, antigo miliciano na Argélia. Esteve à conversa com o já referido Francisco Sousa e comigo mesmo, em casa do meu colega. Havia uma organização a que ele estava ligado, composta por canadianos, americanos e franceses, que pretendia colocar nos Açores serviços completos de quartos-de-banho com pequenos defeitos de fabrico, e que por causa disso as fábricas não vendiam, por preços irrisórios, à volta de dois mil escudos cada um. O mesmo acontecia com televisores a preto e branco, que naqueles países ninguém comprava já, que seriam aqui oferecidos a 500$00, mais ou menos.

A finalidade desta operação seria provar aos açorianos e aos continentais que o capitalismo é que era bom, para os voltar contra o comunismo.

O 6 de Junho de 1975

Vem largamente referido por Medeiros Ferreira na História de Portugal dirigida por José Mattoso. Mas não consta lá como tudo foi engendrado. Começou numa conversa de três amigos ricos ligados à lavoura. (Foi um deles que mo contou, há poucos anos, lembrando isso quase com pavor, dadas as consequências que poderia ter tido). A ideia era concentrar o máximo possível de manifestantes em frente ao palácio do governador do distrito (na altura o Dr. António Borges Coutinho). Os lavradores (como aqui se chama aos criadores de gado) protestariam a pedir o aumento do preço do leite e diminuição do custo das rações e dos adubos; os trabalhadores do campo exigiriam alfaias mais baratas e os adubos também; e mais uma ou outra reclamação do género.

A verdadeira finalidade da manifestação não era conhecida por mais do que umas poucas dezenas de pessoas. Havia um grupo de umas vinte, talvez, que se mantiveram juntas. A multidão foi-se exaltando cada vez mais nos seus protestos frente ao palácio do governo do distrito, de modo que repetia qualquer grito que fosse dado. A certa altura, quando julgaram conveniente, os tais cerca de vinte gritaram “independência!” E a multidão repetiu o grito várias vezes. Assim se criou o mito, a pouco e pouco arrefecido pelas sucessivas confissões que têm sido feitas, de que milhares de açorianos (micaelenses) exigiram a independência naquele dia 6 de Junho.

Nota final

Quem movimentou as pessoas da Maia para se juntarem e assistirem à queima da bandeira foram sobretudo Roberto Rodrigues (meu cunhado, então com 18 anos, e hoje advogado no Seixal) e José Augusto da Silva Medeiros, que aos vinte anos tinha apenas a 4ª classe e aos 28 já era médico! Sem passagens administrativas. Chegou a ser o único a fazer exames, a seu pedido, na Universidade de Coimbra. Hoje é um reputado investigador de gastro-enterologia a nível internacional e professor na Faculdade de Medicina dessa Universidade.

Por fim, algo que acabo de descobrir na Net acerca daquela figura parda do Raingeard de la Blétière:

«Sempre fra il 1975 e il 1976 stava operando nelle Azzorre un altro uomo di fiducia di GUERIN SERAC, Jean Denis RAINGEARD DE LA BLETIERE, anch’egli ex-ufficiale dell’Esercito Francese, il quale aveva costituito il FRONTE DI LIBERAZIONE DELLE AZZORRE, in realtà non un movimento di liberazione, ma un gruppo secessionista che aveva la finalità di salvare una zona di alto interesse strategico, all’epoca, per gli Stati Uniti.
Infatti, qualora le forze comuniste e quelle ad esse alleate avessero avuto definitivamente il sopravvento in Portogallo, il Fronte costituito da Jean Denis avrebbe dovuto tentare la secessione delle Azzorre dalla madrepatria portoghese al fine di consentirvi il mantenimento delle basi americane».

DANIEL DE SÁ

47 thoughts on “Factos e protagonistas dos tempos da FLA”

  1. Ó Daniel, reparou nos outros capítulos do site que visitou? Aquilo é uma sentença do juiz de instrução do tribunal de Milão, em 1998, relativa a um grupo de fascistas italianos cujos crimes de sangue, aliás, prescreveram ou não foram provados (lá como cá…). A Parte Sexta da sentença, capítulos 58 a 67, toda ela interessa a Portugal, pois se ocupa das actividades da célebre organização fascista Aginter Press, sediada em Lisboa (1962-1974), fundada pelo terrorista internacional Guérin-Sérac com o aval do governo de Salazar e a ajuda da Legião Portguesa. Foi esse rapaz, ligado à organização de beneficência apoiada pela CIA chamada “Gladio”, que depois supervisionou toda a operação Açores em 1974-75. Veja o capítulo 61:
    http://www.strano.net/stragi/tstragi/salvini/salvin63.htm
    Está lá a história da formação do “Governo Provisório Clandestino dos Açores”, que foi efectivamente constituído em 1975 “com o objectivo de separar o Arquipélago da Mãe Pátria”. Faltam os nomes dos componentes desse governo clandestino! Era engraçado descobri-los. O reconhecimento diplomático por vários países da América Latina, África do Sul, etc. já estava prometido, ao que se seguiria, num segundo andamento, para não dar muito escândalo, o dos EUA. Tinha havido contactos prévios entre militares portugueses da guarnição dos Açores e representantes da “administração americana” (CIA, certamente). Lindo, não é?

  2. João Pedro
    Não faço ideia onde isso pára, porque sou péssimo a guardar as minhas coisas.
    Silveira
    Quase tudo isso é verdade, mas não entrei em alguns pormenores que são do conhecimento dos historiadores. Tal como a própria presidência dos EUA, a CIA terá posto a hipótese de um apoio à secessão do arquipélago, mas não chegou a actuar. Quanto aos contactos com militares dos Açores, é bem provável. Um militar amigo do meu sogro e meu chamou-nos uma noite para uma conversa confidencial. Fomos no seu carro para um sítio isolado, e ele falou-nos, muito apreensivo, de algo de perigoso que estava a preparar-se. Não entrou em pormenores, mas deu para entender que esse perigo poderia incluir mesmo confrontos militares. Tempos de medo, pelo menos de séria inquietação.

  3. Fascinante, por ser matéria lusa e oclusa. E banal, pois as potências internacionais (no caso, EUA) fazem sempre o mesmo: preparam vários cenários em simultâneo, mantêm díspares opções em aberto. No caso dos EUA de 74/75, cenário de Guerra Fria, perder os Açores seria inaceitável.

  4. Na América não havia só Frank Carlucci, havia sobretudo o Secretário de Estado Kissinger, com posições muito diferentes das do senhor embaixador em relação a Portugal, um apoiante devotado de Pinochet e de generais fascistas e sanguinários onde os houvesse, número dois do presidente Nixon e um filho da p* encartado. E havia a CIA e o seu departamento de covert operations, com ligações à pior escumalha do planeta.

  5. Daniel,

    Gostei muito desse relatório regional cheio de perpécias rocambolescas, mas não dizes nada sobre a origem das castanhas piladas. E gostei do tom amistoso do teu bate-papo com o Carlucci. Espreitaste bem nas entranhas desse homem? Viste algum pingo de sangue a escorrer-lhe das unhas, com um odor a Lumumba?

    Silveira,

    Baseado na quantidade de informação que aqui despejas, fico indeciso quando ao tamanho do teu cérebro. Para não errar muito, decido, a priori, que deve andar aí entre o amendoim e a abóbora. Aconselho-te a dares uma curva de bicleta à volta da Ilha de S. Miguel e a leres qualquer coisa sobre a NATO relacionada com a Gladio e a Aginter e as outras 15 ou mais organizações similares que existiram ou ainda existem noutros paises. E cuidado com os motociclistas fantasmas da Legião Portuguesa salazarista.

    Só te coloco esta pergunta para pensares. Mas que raio de país fascista era esse do Salazar, com fascistas e legionários a pontapé, que precisou importar um francês para fundar a Aginter, sediada em Portugal, como tu dizes?

    O Daniel talvez te ajude a responder, pois parece atraído para a problemática da importação-exportação.

  6. Sertorius, não percebi nada do que disseste, pois tanto parece uma coisa como o seu oposto, ou nem uma coisa nem outra, antes pelo contrário. Pesporrência, lá isso tens. Faz-nos a esmola de uns pingos do teu imenso saber sobre a Aginter Press ou outro assunto à tua escolha. Antecipadamente, obrigados.

  7. O meu amigo Nuno terá razão quanto à foto. E, a respeito dos maus autonomistas, pelo menos no essencial também. É preciso não esquecer que a FLA foi o papão que os primeiros governos autonómicos atiraram sempre à cara do governo de Lisboa, quando queriam benesses. E nunca foi desmentido que Mota Amaral tenha sido o autor do programa da FLA.

  8. Silveira,

    Vê se percebes isto.

    Em 1990, Novembro, os rapazes do parlamento da Comunidade em Bruxelas saiem-se com um comunicado, cujas primeiras linhas são as que mostro abaixo.

    “A. having regard to the revelation by several European governments of the existence for 40 years of a clandestine parallel
    intelligence and armed operations organization in several Member States of the Community,
    B. whereas for over 40 years this organization has escaped all democratic controls and has been run by the secret services
    of the states concerned in collaboration with NATO”.

    Coitados deles que andavam cegos ou zarolhos. Em muitos outros lados na Internet explicam com mais pormenor o que eram essas organizações:

    “Coordinated by the North Atlantic Treaty Organization (NATO), {the secret armies} were run by the European military secret
    services in close cooperation with the US Central Intelligence Agency (CIA) and the British foreign secret service Secret
    Intelligence Service (SIS, also MI6). Trained together with US Green Berets and British Special Air Service (SAS),
    these clandestine NATO soldiers, armed with underground arms-caches, prepared against a potential Soviet invasion
    and occupation of Western Europe, as well as the coming to power of communist parties. The clandestine international network
    covered the European NATO membership, including Belgium, Denmark, France, Germany, Greece, Italy, Luxemburg, Netherlands,
    Norway, Portugal, Spain, and Turkey, as well as the neutral European countries of Austria, Finland, Ireland, Sweden and Switzerland.

    The existence of these clandestine NATO armies remained a closely guarded secret throughout the Cold War until 1990, when the
    first branch of the international network was discovered in Italy. It was code-named Gladio, the Latin word for a short
    double-edged sword. While the press claimed the NATO secret armies were ‘the best-kept, and most damaging, political-military
    secret since World War II’, the Italian government, amidst sharp public criticism, promised to close down the secret army.
    Italy insisted identical clandestine armies had also existed in all other countries of Western Europe. This allegation
    proved correct and subsequent research found that in Belgium, the secret NATO army was code-named SDRA8, in Denmark Absalon,
    in Germany TD BJD, in Ireland TACA NA hÉIREANN, in Greece LOK, in Luxemburg Stay-Behind, in the Netherlands I&O, in Norway ROC,
    in Portugal Aginter, in Switzerland P26, in Turkey Counter-Guerrilla, In Sweden AGAG (Aktions Gruppen Arla Gryning, and in
    Austria OWSGV. However, the code names of the secret armies in France, Finland and Spain remain unknown”.

    Quando meteste aqui o teu comentário, pelo menos eu fiquei com a impressão que só o Salazar é que era mesmo mauzão, além dos Italianos, bem entendido, por permitir que organizações dessas actuassem criminosamente a partir da nossa santa terra. Mas, afinal, estamos vendo, a Aginter não era mais nem menos “famosa” que o resto das paralelas noutros paises não “fascistas” e excelentemente democratas. Não achas?.

    Outra coisa que também desperta a atenção é a fama propagandeada noutros lados na Internet, segundo a qual a Aginter teria sido a responsável pela eliminação física de gente política famosa como o General Humberto Delgado, Robert Mondlane e Amílcar Cabral. Eu acredito nisso tanto como na ida do Neil Armstrong à Lua ou que os americanos se meteram nessa do Iraque por causa do petróleo. Pelo seguinte: se o objectivo dessas organizações “fascistas” é evitar que o comunismo se instale como poder nos seus e noutros paises, porque razão as Aginters deste mundo não se entretêm a matar chefes de Partidos Comunistas em vez de andarerm a matar gente como a que citei acima e inocentes em estações de caminho de ferro e em praças públicas? E que estranha situação esta de vermos organizações deste calibre ideológico a serem treinadas por serviços secretos de nações democratas.

    Era um pouco desta estranheza, que considero natural e de esperar, que eu ficaria contente ter visto incluída no teu esclarecimento ao Daniel e aqui aos meninos, a bem da verdade – já que não te veio à mente falar do pormenor interessante que foi o envolvimento da super-chafarica P-2 com os gladiadores.
    Mas mesmo que não quizesses ter-te dado a esse trabalho, ainda havia outra possibilidade que era a de mudares de conversa e começares a falar da Sida em África, aproveitando a citação do Daniel. Talvez tivesses esbarrado com algum par de luvas que o Carlucci deixou esquecidas quando por lá andou a examinar o cu dos macacos procurando uma “explicação” para as origens da “doença”. Agora vires com essa da coitadita Legião Portuguesa para animares o serão, só vens é tirar a vontade de deslindarmos os segredos das coisas extremamente complicadas. O que não é nem bonito, nem esclarecedor, nem entretem ninguém minimamente exigente.

  9. Sertório, ficaste com impressão errada, pois eu também sabia e toda a gente sabe da rede de “stay behinds” que nos vens agora revelar com grande carinho e magnanimidade, “rede” de cujas histórias a world wide web está cheia há muitos anos. Não temos é exactamente a mesma visão sobre o assunto. Nem sobre esse nem sobre vários outros que afloras no teu comentário. Folgo saber que não acreditas na ida do Neil Armstrong à Lua. Isso explica muita coisa a respeito do que tu acreditas e não acreditas. Para rematar, as ligações da Aginter Press à Legião Portuguesa e à PIDE (não falo de outras ligações porque não vêm ao caso) estão documentadas desde Abril de 1974, quando foi apanhado o arquivo da organização no nº 13 da Rua das Praças, em Lisboa.

  10. Se eu vier a arranjar tempo e paciência, resumirei o que escreveu o Medeiros Ferreira no livro já citado, bem como Onésimoo Almeida e Vamberto Freitas, em artigos sobre o assunto. Ainda hoje, por coincidência, falei com o Onésimo e depois com outro amigo comum (que nesse tempo foi quase inimigo do Onésimo), ambos a viver nos EUA. Este segundo é um dos muitos arrependidos da FLA, que me confirnou ter sido Mota Amaral, nos EUA, quem escreveu os princípios programáticos da FLA. Quanto ao “governo” no exílio não passou de uma fantochada, sem nomes divulgados, embora um, além do José de Almeida, seja mais ou menos tido como tal.
    A FLA perdeu parte do apoio da classe rica que a apoiava quando se soube que queria comprar armas, e nunca foi da simpatia do povo, além de outras razões, por causa das bombas, coisa a que por cá ninguém estava habituado.
    Num comício do Mário Soares no Coliseu Micaelense, em que estive presente, foi posta uma bomba no poste de electricidade que servia auqela casa de espectáculos, apagando-se a luz e continuando o comício por momentos mesmo sem luz. O próprio que pôs a pequena bomba confessou-me a autoria anos mais tarde.
    Em entrevista há alguns anos já não me lembro em que revista ou jornal, João Gago da Câmara, que viria a ser presidente da Câmara de Ponta Delgada, disse que, se voltasse atrás, poria ou mandaria pôr bombas tal como fez então. Este é dos não convertidos, embora mais para fazer figura do que por convicção.

  11. Daniel de Sá,
    Fui um dos comentaristas que veio aqui defendê-lo dos enxovalhos, mais do que injuriosos, de que foi vítima no Aspirina B. Foi a maior vergonha infligida a um colaborador efectivo de um blog. Por isso, fiquei desagradavelmente surpreendido ao lê-lo aqui a comentar – ainda os torpes comentários que o atingiam continuavam. Mas o que mais me espantou, foi vê-lo agora em posts! Acho, sinceramente, que perdi o meu tempo. Não devia tê-lo defendido. Você não o mereceu. Pelo contrário; acaba por fazer a triste figura de uma pessoa que julguei que não fosse: a de alguém que se vende a preço de saldo, sem dignidade, sem orgulho, sem vergonha. Não vou perder mais tempo consigo.
    Releia os comentários a seu favor relativos ao triste episódio do “epitáfio”. Eu estou a seu lado. Defendi o poema e a pessoa. Enganei-me. Fica a vergonha que os Açorianos devem sentir por quem não teve a sensatez de se lembrar que foi defendido por alguns deles.
    Não é com posts sobre factos políticos e acções “heróicas” e temerárias, com encontros ao mais alto nível e secretos ou interacções que foram fundamentais que limpa a sua imagem de “retornado”. Não espere daí elogios. O (giro-flé-giro-) FLA, não vai ajudá-lo em nada. A não ser que você precisa de um palco para exibir a sua vaidade, não o seu talento. Não voltarei a ler os seus escritos. Foi pena que os comentários que o enxovalharam fossem, afinal, tão poucos.
    “Um militar amigo de meu sogro e meu chamou-nos uma noite para uma conversa confidencial. Fomos no seu carro para um sítio isolado, e ele falou-nos, muito apreensivo, de algo perigoso…”, escreve Daniel de Sá. Qualquer dia, por este relato minucioso, vamos ter no Aspirina novo “epitáfio”…

  12. Meu Caro F. C.
    Espero que ao menos leia este comentário. Eu estava decidido mesmo a não voltar a escrever aqui. Mas aconteceu que o Fernando Venâncio se humilhou, se sujeitou a tudo até ao escárnio de alguns companheiros do blog, pedindo-me que voltasse. E, entre o desprezo (que chegou mesmo a ser raiva, contra os que me agrediram) e a amizade, pensei que não era correcto desprezar a amizade. Confesso que o meu entusiasmo não é o que foi no início, e foi o facto de alguém me ter desafiado a falar da FLA (dando a impressão de que essa pessoa pensava que tudo não passava da patranhas), aliado ao facto de eu julgar que a amizade deve ser superior até aos ódios de estimação, que escrevi estas memórias, de que nunca falara em público.
    E nem imagina quanto lhe estou grato, como a outros, pela defesa que fez de mim.
    Um abraço reconhecido.
    Daniel

  13. Depois da porrada que levou e a que, pelos vistos, não estava habituado na net, acho revelador de bom carácter e valentia voltar aqui, expor-se e conversar despretenciosamente e sem rancor, como está a fazer. Não espere nunca leitores acríticos, muito menos aqui.

    F.C. quer falar em nome dos Açorianos e dizer-lhes o que eles devem sentir, mas ele é apenas um mau carácter, alguém que lhe dá apoio num momento, para depois jogar com a retirada dele no momento seguinte. Com defensores desses, o Daniel não precisa de inimigos.

  14. o fernando «humilhou-se, sujeitou-se ao escárnio de alguns companheiros de blog»?! não me parece legítimo, daniel, dizer tal coisa. como se algum companheiro de blog alguma vez se lembrasse de escarnecer do fernando! não, que ele não se põe a jeito.

  15. Susana,

    Pôr-me a jeito de levar? Porem-se vocês a jeito de levar? Mas nós não fazemos aqui outra coisa.

    Daniel,

    Não te preocupe qualquer «F.C.» que por aqui passa. Menos ainda vás desistir por… isso.

    Nunca cedas à desprezível chantagem de quem não der a cara. Que digo eu, nunca cedas a chantagem nenhuma.

  16. fernando, sim. todos nos pomos a jeito de levar. mas não era isso, pois não? era o escárnio, a humilhação. para mim dificilmente compatíveis com o respeito. achas que é verdade que algum parceiro de blog escarneceu de ti? não acredito.

  17. Caro srº Daniel de Sá

    Junto o meu pedido ao do srº João Pedro da Costa, pois penso que seria muito importante recuperar tais artigos que são “pedaços” da nossa história, mais não seja pelo simples facto de ter tido contacto recente com a curiosidade e interesse de uns amigos meus, aliás, também tive o conhecimento de que ainda à 3 semanas um grupo de jovens inquiriram um dos seus professores acerca deste tema.
    Portanto como vê, existe interesse pela nossa história, inclusive entre os mais jovens.

  18. Uma curiosidade : quem nomeou o general Altino de Magalhães para Governador Militar dos Açores em 1975 ? Não fomos nós. Quem institucionalizou a autonomia em 1976, quando não havia as mínimas condições democráticas para tal ? Quantos antifascistas estavam no I Governo Regional dos Açores, que tomou posse em 1976, presidido pelo Anticristo dos Açores ? Porque é que os símbolos regionais não foram aprovados por unanimidade em 1979 ? Como é que é possível que a imprensa de Ponta Delgada no actual regime tenha sido entregue a fascistas e analfabetos sem nível como o sr. Gustavo Moura (ex-Legião Portuguesa, ex-ANP e ex-FLA) e depois este senhor recebe a Ordem do Mérito (!), na mesma ocasião em que o antigo Governador Civil Borges Coutinho recebeu a Ordem da Liberdade ? Só temos pena que os nossos heróicos “libertadores” de extrema-direita nunca se tenham lembrado de nos libertar de coisa nenhuma antes do 25 de Abril e alguns destes ainda pavoneam a sua estupidez e analfabetismo intelectual na imprensa de Ponta Delgada. Nem vale a pena levar a bandeira nazi para as ruas porque ela ainda está hasteada no Palácio da Conceição, desde 1974.
    Será que somos mesmo o caixote do lixo da democracia portuguesa ?

  19. gostaria de saber como contactar o Sr. Daniel de Sá com alguma brevidade pois estou a fazer um trabalho para a universidade dos Açores, onde frequento o curso de estudos europeus e politica Internacional e gostaria de saber mais sobre o que ão se sabe da FLA.

  20. Cassilda, o seu telefone deve vir na lista telefónica.
    Sei que actualmente está super ocupado.
    Podes contactar com ele através do seu blog «o espólio»

  21. Susana, repara como as mesmas palavras fora do contexto, podem ter um sentido diferente, quase oposto. Fv sujeitou-se ao escárnio dos seus companheiros, é bem diferente de se sujeitar ao escárnio.
    Conhecendo o Daniel e sabendo da sua humildade, grandeza de alma, de homem e de artista, FV, sabe perfeitamente que se sentirá mais respeitado por si e por todos aqueles que sabem que a presença do Daniel será sempre uma mais valia para todos nós.É enaltecer a coragem desta atitude de FV, eu da minha parte só tenho de o agradeceder. acrescentando que aumentou o meu respeito e consideração por ele, com este seu gesto.

  22. Há um livro muito interessante e pouco conhecido de Manuel Barbosa, “Luta Pela Democracia nos Açores” (1978), que lhe recomendo.

  23. “Em entrevista há alguns anos já não me lembro em que revista ou jornal, João Gago da Câmara, que viria a ser presidente da Câmara de Ponta Delgada, disse que, se voltasse atrás, poria ou mandaria pôr bombas tal como fez então. Este é dos não convertidos, embora mais para fazer figura do que por convicção.”

    Por acaso e a navegar, encontrei esta calunia sobre o meu Pai, que tem 81 anos, e por todos conhecido como uma pessoa de bem, com uma postura de vida invejavel. Gostaria que este senhor muito mais inteligente que todos os mortais, prova-se este atentado bombista de que, e com tanto orgulho e convicção comenta. Caro Senhor, teria muito
    prazer em encontralo pessoalmente, para ver se teria coragem de me dizer isto pessoalmente, e não cobardemente neste blog de imbecis.
    Digo mais, segue hoje para o tribunal uma queicha crime por difamação, pois embora o meu pai renha 81 anos, graças a Deus, tem um filho cheio de sangue, que lutará até ao fim para defender o bom nome da sua familia.

    Tenham vergonha.

    Miguel Gago da Câmara

    P.S.
    Este assunto será devidamente esclarecido na comunicação social local e nacional, bem como nos nossos tribunais.

  24. Caros Senhores
    No meu comentário poderei ter sido injusto, e alguns dos senhores nada teêm a ver com a opinião do autor de tais comentários.
    Queiram desculpar, mas compreendam que se fala do meu Pai.

    Miguel Gago da Câmara

  25. “O seu director, Gustavo Moura, veio a ser preso por causa disso e foi, honra lhe seja feita, o único até hoje, em cerca de trinta, que publicamente em entrevista na RTP ouvi reconhecer a justiça da sua prisão (na sequência do 6 de Junho, a que me referirei adiante.)”
    Julgo que Daniel de Sá estará enganado, porque este Moura sempre se fez passar por vítima e herói por ter sido preso aquando do “25 de Abril dos fascistas e da fina flor do entulho de São Miguel”. A sua editorial demagógica e fascizante no “Açores” é de tal maneira insultuosa para a democracia e a verdade dos factos, que basta compará-la com a editorial de Luciano Mota Vieira no então semanário “Açoriano Oriental”, para perceber quem está mais perto da verdade.
    A nossa imprensa que já não era famosa em 1974, vegetou e desapareceu no actual regime, e é bem sabido que uma sociedade sem imprensa válida, é uma sociedade intelectualmente subdesenvolvida.

  26. (Cópia de mensagem enviada ao amigo Valupi)
    Meu Caro Valupi
    Venho pedir-te um favor que não sei se será possível satisfazer.
    Nos meus últimos tempos do Aspirina escrevi, em Outubro de 2007,que o Sr. João Gago da Câmara dissera numa entrevista que não estava arrependido de pôr bombas e que voltaria a pô-las. Lá digo que não me lembrava de qual a revista (de Lisboa) em que ele o dissera, mas sei que a tenho guardada… não sei é se conseguirei encontrá-la entre muitas centenas delas. Ora há dias um filho daquele Sr., Miguel, escreveu na caixa de comentários que ia pôr-me em tribunal por difamação. O Sr. João Gago da Câmara telefonou-me hoje a dizer que era mentira, que não tinha feito aquela afirmação, e prometeu fazer-me uma visita para esclarecer o assunto.
    Se é verdade que sempre tenho sido tratado com respeito (aliás mútuo) pelo Sr. João Gago da Câmara, quem é responsável pelo dito é ele mesmo, provavelmente esquecido. No entanto, não estarei disposto a que se enxovalhe o meu nome com uma acusação falsa de calúnia. Se não encontrar a revista em casa, estarei disposto a pôr um anúncio nos jornais a pedir que alguém que se lembre da entrevista me informe. Ou procurá-la nos jornais de Lisboa (provavelmente “Expresso” ou “Público”), se necessário for, em caso de insistência do Sr. Miguel Gago da Câmara em levar o caso a tribunal, com mandado judicial para efeito de prova. Não gostaria de que isto acontecesse, por respeito ao Sr. João Gago da Câmara, mas, se o filho insistir, será a honra do Pai que sairá maculada, não a minha.
    Ah, o favor que te peço é que, se é possível, envies esta mensagem ao Sr. Miguel Gago da Câmara. Vou tentar pô-la no Aspirina, mas não sei se aquele Sr. irá lê-la lá.
    Obrigado.
    Um abraço.
    Daniel

  27. Caro Senhor Daniel
    Ontem à noite, entreguei ao meu Pai cópia dos seus comentários.
    O meu Pai pediu para que fosse ele a esclarecer consigo este assunto.
    Queira compreender, e sinta-se por favor na qualidade de filho, que para mim, que na altura tinha 7 anos de idade, e ainda hoje me vem à memória a policia militar entrar em casa dos meus Pais de madrugada, para o prender. Por mero acaso, entrei no vosso blog, e foi chocante, ao fim de tantos anos, ver o bom nome do meu Pai a ser comentado desta forma.

    Passo então este assunto ao meu Pai, apenas pelo imenso respeito que lhe tenho, e por ser a sua vontade.

    Caso o meu Pai tenha feito o comentário nesta revista, acredite que bombas tenho a mais pura certeza que não pôs, agora com os punhos ai já tenho as minhas duvidas.
    O meu Pai é um homem com letra grande, e quando tem que resolver um problema resolve de frente, cara a cara, e se necessário for com os punhos. Nunca na vida iria por em risco a vida de ninguem, de inocentes ou mesmo do seu pior inimigo.

    Respeite por favor a 3ª idade do meu Pai, e não volte a colocar o nome do meu Pai em artigos ou comentários, sem que para isso tenha a sua autorização.Trata-se do respeito mutuo que penso que partilham.

    Miguel Gago da Câmara

  28. Caro Sr. Miguel Gago da Câmara
    Dou-lhe a minha palavra de honra em como nunca tive intenção de ofender o seu Pai, pessoa de um trato social finíssimo. Sei que isto vem de uma longa tradição familiar, porque as boas maneiras nascem e, sobretudo crescem, connosco. Só fiz a referência porque veio a propósito e parti do princípio de que, se o seu Pai dera a entrevista numa revista nacional, decerto não se importaria que parte da mesma fosse citada num simples comentário de blogue. Lembro-me perfeitamente de ter comentado com minha mulher que me era difícil acreditar que uma pessoa de vida cristã activa fosse capaz de dizer aquilo e, obviamente, menos ainda de o ter feito. Daí resultou a parte final do comentário, em que dou mais ou menos a entender que eu não acreditava que o Sr. João Gago da Câmara tivesse posto qualquer bomba. Mas que ele o disse, meu caro, isso disse.
    Sei que o assunto se resolverá bem entre nós, porque o seu Pai é um cavalheiro e eu não sou propriamente uma pessoa mal-educada. Mas, meu Caro Amigo, se eu vier a encontrar a revista, não farei gáudio em mostrá-la a seu Pai, mas, se mo permitir, fá-la-ei chegar às suas (suas, do Sr.Miguel) mãos para saber que não menti.
    Aceite um abraço, por favor.
    Daniel de Sá

  29. Caro Srº Daniel

    Obrigado pela sua resposta, e peço desculpa pelo meu primeiro comentário.
    Estava de cabeça quente, e nestas coisas quando se carrega no botão, já foi.

    Retribuo o abraço

    Miguel Câmara

  30. Caro Miguel Gago da Câmara
    Estes seus últimos comentários entraram para o registo das coisas boas da memória, aquele que nunca se apaga. Quanto às coisas desagradáveis, essas escrevo-as na areia, pelo que qualquer onda, por pequena que seja, as leva consigo.
    Um abraço.
    Daniel

  31. Ontem tive o grato prazer de o Sr. João Gago da Câmara ter vindo a minha casa. Belíssimo contador de histórias, estivemos quase duas horas na cavaqueira. Dedicámos poucos minutos à questão que inesperadamente apareceu aqui no Blogue, mas como é essa a que mais interessa, resumo.
    O Sr. João Gago da Câmara continua a afirmar que nunca disse o que veio na revista acerca das bombas. Disse-me que há uns anos um jornalista continental conversou longamente com ele. Ora eu sei, por experiência própria, em que é que um jornalista pode transformar o que dizemos. Por isso, para jornais, só dou entrevistas escritas. (Aconselhei o mesmo ao Sr. Gago da Câmara.)
    Outro ponto que ele me pediu para referir foi a questão da bomba no comício de Mário Soares no Coliseu Micaelense. Teme o Sr. Gago da Câmara que alguém pudesse pensar que se tratava de uma insinuação minha de que fora ele o autor. Claro que não foi. Quem pôs os explosivos no cabo eléctrico que alimentava o Coliseu foi pessoa que, como eu disse, mo confessou uns anos depois. E, explicou-me o Sr. Gago da Câmara, a mando de outro.
    Deixo aqui o meu agradecimento a este gesto de amizade do Sr. João Gago da Câmara, que veio de longe para cavaquearmos e para ele esclarecer pessoalmente estes pormenores. Registo-o com muito gosto.
    Daniel

  32. A FLA foi a coisa mais parecida com o Partido Nazi ou o Ku Klux Klan que já existiu em São Miguel. Só numa terra de ATRASADOS MENTAIS e INTELECTUALMENTE SUBDESENVOLVIDA é que alguma vez candidatos a “libertadores” tão abertamente reaccionários teriam recebido algum crédito. O crápula sem escrúpulos, pedaço de bosta humana, racista e nazi do autoproclamado movimento de “libertação” dos Açores da democracia não só tinha sido deputado fascista na última Assembleia Nacional como era deputado no dia 25 de Abril de 1974 e foi dos poucos que para lá foram naquele dia. Mota Amaral, o Anticristo dos Açores, também era deputado, mas sabia que o 25 de Abril de 1974 ia acontecer razão pela qual esteve lá apenas no dia anterior. O MAPA e A FLA nasceram de uma equação muito simples: União Nacional + ANP + Legião Portuguesa + Mocidade Portuguesa + PIDE/DGS + Guerra Colonial + neocolonialismo = Frente de Escravização dos Açores ao Fascismo. Até houve agentes e informadores da PIDE/DGS nesta farsa criminosa. Basta ver a quantidade de fascistas, racistas e neocolonialistas que participaram na farsa imunda da manifestação de 6 de Junho de 1975. Até os assassinos do general Humberto Delgado teriam participado na manifestação e nos actos terroristas a ela ligados que então ocorreram.

  33. Para os que não sabem, o crápula sem escrúpulos, pedaço de bosta humana, racista e nazi José de Almeida, era deputado da ANP à Assembleia Nacional fascista no dia 25 de Abril de 1974 e esteve lá nesse dia.
    Foi a favor da Guerra Colonial, da PIDE/DGS, da censura, apoiou o regime fascista incondicionalmente.
    Depois do 25 de Abril de 1974, esteve ligado à organização de extrema-direita MAPA, que defendia inicialmente uma “autonomia” disfarçada de separatismo. Em Maio de 1975, o pulha, militante do MAPA, defendia a autonomia numa entrevista ao “Açores”.
    Só depois da farsa criminosa do 6 de Junho, dizem que por incitação de Mota Amaral, passou a advogar o separatismo e a transformação dos Açores numa ditadura fascista, subordinada ao neocolonialismo americano.
    Quem é que pode dar crédito a esterco humano desse nível?

  34. Quer dizer, José de Almeida passou de patriota defensor de um Portugal grande para um traidor independentista lacaio dos americanos. Que miserável… ainda se nunca tivesse sido patriota…

  35. Se por patriotismo se entende um regime que condenou durante mais de quatro décadas o povo português e o das colónias à pobreza, ao analfabetismo e à emigração, a uma Guerra Colonial que foi um dos maiores crimes contra a humanidade do séc. XX, então dispensamos inteiramente esse tipo de “patriotismo”. O Campo do Tarrafal, a sua “frigideira”, e os massacres de Wyriamu também foram feitos em nome do “patriotismo”. Já cá faltava mais um analfabeto com a treta do anticomunismo, se sabemos perfeitamente que o comunismo, como o próprio Marx o entendia, era uma utopia, nunca houve regimes comunistas, todos os regimes “comunistas” do mundo, eram ou são regimes fascistas de esquerda. E o seu “patriotismo”, prisões políticas, guerras coloniais, crimes contra a Humanidade, têm muito a ver com os dos regimes fascistas.

  36. O Anticomunista era apenas uma ironia perante a designação analfabeta primária de Antifascista do comentador anterior. Já sabemos que o “Fascismo” tem as costas largas para arcar com todos os males do mundo… Mas não com os monstruosos crimes e guerras de intensidade nunca antes vistas em Angola ou Moçambique com muitissimos mais mortos do que quando os portugueses aí fomentavam o progresso e defendiam os povos dos imperialismos americanos, soviéticos e chineses. Só a ignorância ou a má-fé pode comparar as repressões antes com as posteriores, assentes na pena de morte, mercenários cubanos, oligarquias corruptas que nunca se interessaram pelo povo… Foram, antes, centenas de vítimas; depois, foram às dezenas de milhar. E aqui, em Portugal, já se esqueceram da iminência da guerra civil e das prisões e torturas, inclusive fuzilamentos similados? A conversa do “Fascismo” esconde muita hipocrisia…

  37. Acontece que é fácil criticar o 25 de Abril de 1974 pela descolonização e o que sucedeu depois disso. Acho que os militares tentaram, através do excesso de protagonismo político, que tiveram durante dois anos, branquear-se do facto de terem feito a Guerra Colonial durante 13 anos, e de desde 1962, não ter havido qualquer tentativa de derrubar o regime fascista. Com efeito, não houve eleições livres nas colónias e a democracia só chegou uma década e meia depois. Aconselho quem quiser a ler livros de História contemporânea de Portugal, e as propostas políticas da Oposição Democrática sobre as colónias. Pessoas como Nórton de Matos, António Sérgio, Humberto Delgado, defendiam mesmo a emancipação das colónias, pela via federal, que conduziria, muito provavelmente, mesmo à independência. O regime fascista nunca aceitou qualquer tipo de emancipação política para as colónias. Limitou-se a alterar o nome de colónias para províncias ultramarinas, na década a seguir à fundação da ONU e só já em 1973 transformaria Angola e Moçambique em regiões autónomas! Algo que já está esquecido de tão irrelevante que foi. Evidentemente que é fácil criticar os homens do 25 de Abril de 1974 por não terem feito o impossível relativamente à descolonização, se a dinâmica de guerra já vinha de trás, se todos os movimentos de libertação das colónias procuraram negociar com o regime fascista antes de iniciar a luta armada e se no fundo a questão ideológica era secundária para eles. Leiam o livro de Jorge Jardim, “Moçambique-Terra Queimada” e tirem as vossas conclusões. A maior parte dos militantes do PAIGC, MPLA e FRELIMO nunca foram comunistas coisa nenhuma! Por alguma razão estes partidos depois abandonariam o marxismo em detrimento do socialismo democrático, e o Amílcar Cabral e o Eduardo Mondlane nem chegaram a ver a independência dos seus países e acabaram tragicamente.

  38. Caro Sr. Anticomunista

    Você escreveu: “Já sabemos que o “Fascismo” tem as costas largas para arcar com todos os males do mundo… Mas não com os monstruosos crimes e guerras de intensidade nunca antes vistas em Angola ou Moçambique com muitissimos mais mortos do que quando os portugueses aí fomentavam o progresso e defendiam os povos dos imperialismos americanos, soviéticos e chineses.”
    Dou-lhe o benefício a dúvida a propósito de saber as coisas que sucediam nas colónias de África antes do início da Guerra Colonial. Leia o relatório de Henrique Galvão, apresentado em 1947, sobre o Estatuto do Indigenato, uma autêntica escravatura, e as circunstâncias em que era aplicado aos “nativos” das colónias, que, até 1961, não podiam adquirir a nacionalidade portuguesa nem usufruir do direito ao ensino, e julgue por si próprio sobre os benefícios da presença colonial portuguesa em África.

    http://foradolugaretempo.blogspot.pt/2010/10/sobre-o-relatorio-de-henrique-galvao.html

  39. Gostei do comentário acerca dos nativos das colónias, nomeadamente no que ao Estatuto do Indigenato concerne. Era vergonhoso o “imposto da cubata” anual, de valor igual ao duma cubata nova… ora, fazendo lembrar o nosso IMI actual. Na minha opinião, sempre fomos curtos de visão política… ressalvando os arquitectos militares da reconstrução de Lisboa, após o terramoto, e o legado do Eng.º Duarte Pacheco.

  40. Só mesmo um analfabeto fascista para ter o descaramento de elogiar o “progresso” que o colonialismo fascista fazia nas colónias de África. Todos os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa estavam num estádio de absoluto subdesenvolvimento quando chegaram à independência. O verdadeiro caminho para a autêntica autodeterminação e independência começa é com a descolonização.

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