Don Duarte nos Infernos

Cheguei à hora pontual, as batidas vasculares superando os toques dos sinos da Igreja de São Francisco. O encontro fora um desastre.
Ela. Na imobilidade do fóssil, no grito silencioso, no alto da sua maturidade, filmava-me em câmara lenta, perscrutinando detalhes ofensivos, pormenores insultuosos. Ele. Imóvel, protegido por óculos sombrios, aguardava. As portas do Inferno abriram de par em par.
Ambos bebericavam um café sumido, desviando olhares, empedernidos na ignorância duma presença absurda. Agressiva e determinada, pedi um sumo de laranja, um pão com manteiga e um pingo.
Observei-lhe a cara de emplastro, caiada como um claustro na Primavera, as mãos ressequidas, o olho baço, os lábios insuficientes para o bâton, o corpo magro, apagado, sem atractivos, a lividez de um Outono latente, prenunciando o desgaste final.
A verdade, inimiga da máscara libertina, dançava sobre o tampo da mesa, rindo-se do desconforto de Don Duarte. A verdade queimava o ar de enxofre, prendendo Don Duarte em estalidos de mentira, na clareza e evidência dos crimes disseminados, na procura da mulher inconcebível.
Descortinei-lhe os olhos infernais, na combustão pesada do ódio contido, e a frieza dos gestos mortais nas mãos enlameadas de um húmus perdido. Os significantes convergiram no alcance da verdade e Don Duarte prostrou por terra, fugindo do espelho oferecido.

Cláudia

16 thoughts on “Don Duarte nos Infernos”

  1. Comparando o que escreves nos teus pequenos comentários, utilizando uma linguagem tão medíocre e pobrezinha, a mostrar uma perfeita inabilidade para a escrita com o texto de cima, não é preciso ser muito esperto para perceber que não te pertence. Só tu é que não vês ou não queres ver que os outros não são parvos, inebriada com o hipotético sucesso que o post possa causar a quem o lê. Não te sentes mal, Cláudia? Fazes-me lembrar uma mulher que faz implante das mamas: crescer, elas cresceram, mas não são dela. É material importado! Neste caso, é nacional. Mais uma vez anda aqui no teclado o dedo do João Pedro, ou de alguém amigo que quer levantar-te o moral. Por este andar vamos ter livro! O Valupi faz a apresentação da obra e o José do Carmo Francisco faz a crítica. Perfeito! E vai sonhando acordada, piquena. A tua vocação não é a escrita, por muito que o desejes. E vê se cresces, por favor. Já vai sendo tempo, não?

    ramalho: ó cabeleireiro, eu assino com pseudónimo, mas não me escondo atrás dele porque não tenho motivos para isso. É só uma questão de moda. O «cisco» de que falas não se ajusta à minha pessoa: não sou ordinário como tu nos comentários que faço. Andas tão mal da alergia à laca que nem sabes o que dizes. E repito: é lamentável descer-se tão baixo em comentários como os teus aqui neste blog.

  2. Cá temos, como eu adivinhei, um dos tais livrinhos de citações que ajudam a Cláudia a botar palavra. Desta vez serviu-se de um livrinho em brasilês. Ai, Claudia, que desgraça, ainda por cima com a falta do «que»!Mais burrinha do que tu, só tu mesma piquena.

    Z. tu sim, és giro no que escreves e pareces culto (dentro da tua profissão é claro)! Mas já que não falas nos diterpenos nem do gascárdico, então o que me dizes dos terpenóides?

  3. ando preocupado é se este Carlos anda a dormir o suficiente que o gajo só tem trinta anos, bem é a idade da tusa toda, deixa lá ir ver. Eu a mim ainda me dá é uma de etileno: senescência e abcisão,

  4. sempre gostei do barbas do Fed,

    o cabrão do tricheur é que agravou isto tudo com a imparidade euro/dólar o ano passado a manter os juros em mais de 4% em vez de acompanhar a descida do dólar, tudo a bater palmas com €1>$1,5 com o catrapum à vista curta,

    ontem voltei a ler o Malthus, a viabilização do casamento homo e dos triângulos enquadra-se na moral restraint postmoderna cá para mim,

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