Consultório sentimental

O JPT não acredita que a mobilidade social tenha acabado com a luta de classes. Insisto com ele. Abril criou mobilidade social. Fenómeno novo no país mas rapidamente apreendido. O povo, em vez de lutar pela igualdade, passou a lutar para deixar de ser povo. Passou a querer ser classe média. E depois de classe média passou a querer ser classe alta. Foi vê-los, infectados pelo vírus do consumismo, a comprarem casas, carros e a tirarem cursos superiores.

E agora, depois deste enorme triunfo, depois de lhes darem a possibilidade de viver e tratar mal quem fica por baixo, atrevem-se a falar de igualdade? Nem pensar! Já não há povo nem classes baixas. Há cidadãos com mais dificuldades que outros. Mas ninguém quer ser povo outra vez. Luta de classes? Claro que sim. Para mantê-las. RMD

14 thoughts on “Consultório sentimental”

  1. Caro RMD

    1) Não sou o JPT da mashamba. Sempre assinei com as iniciais do meu nome, JPT, mesmo antes de ser permanentemente confundido com o autor do Mashamba. Veja o link pro mail, jptelo@…

    2) Por “povo” suponho que queira dizer “proletariado”, na versão marxista do termo. Designar por povo apenas os pobres, ou, pior, todos os outros menos nós, fica muito mal num blog de esquerda. O “proletariado”, na versão clássica do termo, está, de facto, em extinção nas sociedades ocidentais e ainda bem.

    3) Mas continuo convencido que a luta de classes, no sentido mais lato, continua. O facto “do povo querer deixar de ser povo, passar a querer ser classe média”, etc, são as novas formas de luta de classes. Os objectivos mudaram, os grupos intervenientes, como é óbvio, também, mas…, hum…, a luta continua.

  2. é, esta confusão é recorrente. até já deu discussões…ninguém é dono de iniciais, paciência, o que é que se há-de fazer, eu preferiria que não houvesse esta confusão e não seria difícil, mas enfim. pelo menos deu para vir a esta JOC bloguista, via o elo errado

  3. Havia um gato chamado Povo, cheio de mobilidade, saltitando de post em post. Depois veio a felicidade em forma de passarinho a exibir-se à janela.
    O resto da história já foi contada, teorizada e, finalmente, corrigida: ao passar pelo oitavo andar, o gato Povo ainda achava que “por enquanto, tudo bem”; à altura do terceiro, murmurou, confiante, que “enquanto há VISA, há esperança”; só depois veio o tal “miaaaaaaaau decrescente de proa apontada ao passeio”.
    Não cheguei a expor-lhe a minha teoria de que, se calhar, as lutas de classes têm sete vidas, o mundo dá muitas voltas, um dia destes o Durão e o Pacheco ainda me aparecem pela esquerda. E, agora, já não me parece útil tentar convencê-lo, ao gato Povo, de que água mole em pedra dura tanto dá até que fura, a ele, que se tinha por duro e ali jaz moldado à pedra da calçada.
    Mas não faz mal: há mais povo para além do gato.

  4. O Rodrigo que me desculpe mas a mobilidade social de que fala do ponto de vista historico comecou antes do 25 de abril, na viragem 1950-60.
    O 25 de abril pode mesmo ser visto como uma consequencia dessa mobilidade.

  5. De facto, esqueci de clicar no quadrado que faria activar o link para o mail.

    Nenhum problema com a confusão. Mais problemas terá o José P. Teixeira, que vê as minhas opiniões serem-lhe coladas…

    João Paulo Telo

  6. ó jpt(elo) já falámos sobre isso sob sua iniciativa emailística – que me lembre (ou tenha notado) só deu bronca uma vez, no Mar Salgado, foi aí que notei a existência de um sósia de iniciais. Acho que não gostaram de algo que v. escreveu e mo atribuíram. Por coincidência logo muito pouco tempo depois o FNV também não gostou nada de algo que eu comentei, o que deu uma sensação algo irreal. Se calhar outras confusões terá causado. Eu preferia que não fosse assim, confesso. Mas, como já disse, não há donos de iniciais. Fico-me a resmungar, mas que todos os males do (blogo)mundo. Ao menos comente-lhe com força, dê cabo desses pavões bloguistas

  7. a mobilidade social já existia, mais dificil do que é hoje, mas existia.
    a diferença entre classes é que era brutal.

    a mobilidade social em nada veio acabar com a luta de classes.
    o povo não é só o pobre, ou a plebe, ou a classe baixa, como preferirem.
    o “subir na vida” nada muda, estão todos a tentar ser os gajos do “big cash”, ter alguem abaixo deles e se possivel não ter ninguem acima.

    quem o ouvir falar pensa que não existe classe baixa em portugal ou que as diferenças que se tem acentuado não prejudica niguem.

    não me leve a mal, mas essa visão só demonstra cegueira ou no minimo miopia ideologica e preconceito.

    proletario é todo aquele despossado de capital, de meios de produção, são todos aqueles que trabalham por conta de outrem. como se diz nos states aqueles que trabalham para o “the man”.
    a unica diferença é a qualificação dos proletarios de ontem e de hoje.
    o resto são umas codeas que se dão e se dá o nome de classe media.

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