Comentário (muito) marginal no dia da morte de Milosevic

Do meu ponto de vista, a reflexão mais interessante que pode ser feita a propósito do processo de Milosevic é aquela que questiona essa criatura nova que é a justiça penal internacional, os seus pressupostos e as suas ambições. Por um lado, os mais idealistas dirão que o fim da impunidade dos Estados é um inegável progresso da civilização. Por outro, os mais cínicos recordarão que a justiça internacional será sempre uma justiça de vencedores. A despeito desta cacofonia, tão previsível como confirmada, o tema não pode ser abandonado, até porque está no centro de qualquer reflexão normativa sobre as relações internacionais: como diz Macintyre, prevenir uma prática de dois pesos e duas medidas é o problema maior que a ética tem por resolver. Dir-me-ão que isso nunca será possível, enquanto houver vencedor e vencido, friend and foe, uma classe e a sua oposta. Não importa; a justiça, é sabido, é (apenas) um horizonte. Pela minha parte, tenho que na Haia deviam ter estado também Tudjman e Izebegovic, ou que então se calhar era melhor que não tivesse havido Haia nenhuma. Longe de mim ter qualquer tipo de simpatia pela personagem (a causa do nacionalismo de base étnica é insusceptível de fazer vibrar qualquer corda sensível que haja em mim); mas quando oiço, por exemplo, a Euronews – esse espantoso exemplo de correcção política – a fazer o obituário de Milosevic, não me posso impedir de pensar que a história não pode ser assim tão simples, que a história está ainda por fazer.

201 thoughts on “Comentário (muito) marginal no dia da morte de Milosevic”

  1. Estes 4 anos de julgamento não tem fundamento nenhum. Não deixa de ser curioso, os EUA não reconhecem o tribunal, e pelos vistos este para pouco serve. Tal como em Kioto, os EUA não assinam o protocolo, os outros países assinaram, mas depois não cumpriram as metas.
    Enfim… real world, e nisso os americanos são mais praticos e menos dados ao teatro.

  2. Não posso concordar consigo António Figueira quando fala em ” causa do nacionalismo de base étnica”, no caso do Milosevic. O “crime” porque o prenderam foi por ele ter sido um Chefe de Estado, que se opôs ao desmantelamento do seu país, a Jugoslávia. Independentemente dos erros (quem não os comete!), ele assumiu até ao fim a defesa da Jugoslávia. No dia da sua morte, curvo-me perante um jugoslavo que sempre o foi e que sempre se bateu pela Jugoslávia.

  3. Margarida, com franqueza!
    Que se curve e´problema seu, mas não nos venha agora insultar com o “Chefe de Estado, que se opôs ao desmantelamento do seu país”!! E´simplificar demais Margarida!!! Poupe-me!

  4. Simplificar? Não foi de facto este o “crime” que ele cometeu? Não se ter curvado ao que a Alemanha e o Vaticano engendraram? Ou já esqueceu quem é que “municiou” croatas e “bosníacos”? Ou nunca leu o célebre “Anexo B” do tal protocolo de Rambouillet? Ou ainda não admite que depois da desagregação da URSS e da queda do Muro a Jugoslávia era o último bloco a dinamitar?

  5. Margarida, nem os crimes de uns desculpam os crimes de outros, nem os fins de unificação justificam os meios criminosos e bárbaros utilizados. Só se for para ti, mas nesse caso…

  6. bluegift: não quero ser injusta mas parece-me que acredita que há uma lei para uns e outra para outros. Explicando: parece-me que você acha bem que o Zapatero não permita o desmembramento da Espanha, mas que o Milosevic já não teria esse direito…

    Deixo-lhe aqui um excerto dum texto que roubei do resistir.info, e sugiro-lhe que o consulte na fonte:

    “Mas o resumo mais preciso do que representam estes quatro anos do processo de Haia foi feito pelo próprio Presidente Milosevic numa das suas intervenções mais fortes neste processo (evidentemente, completamente esquecidas pelos media ocidentais) – em 29 de Novembro (por sinal, o Dia Nacional da Jugoslávia) de 2005, quando, doente, foi obrigado a combater (com a ajuda de argumentos legais do ICDSM e de outros advogados internacionais) a tentativa do Tribunal para o acusarem de três graves crimes (em conjunto, desde o início do processo).

    O Presidente Milosevic (não deixem de ler a transcrição completa das suas observações, mais abaixo) disse aos juizes:

    “A situação presente é o resultado directo da ambição megalómana da outra parte e muito provavelmente do desejo de ter uma quantidade de material que se sobreponha a quaisquer provas graves contra mim. Quantidade em vez de qualidade. Porque os senhores não conseguem arranjar provas válidas para mentiras. E têm apoiado a outra parte por meio duma relação tolerante com eles, e a mim pedem-me para ser limitado no meu tempo. Eu sou a principal vítima por ter sido bombardeado com diversos documentos, testemunhos materiais, etc., que a parte oposta sempre teve a liberdade de apresentar com o vosso beneplácito. Acho que isto é uma forma de tortura e uma forma de cinismo atirar o peso dessa responsabilidade para cima de mim, tanto mais quando isso está ligado com o meu estado de saúde, que se tem agravado consideravelmente com a tortura a que tenho sido sujeito. E que diabo é esta organização criminosa que se está aqui a discutir? E o que é que se está exactamente a alegar? Primeiro que tudo, as pessoas que aqui estão sentadas, eu inclusive, o senhor inclusive, não temos hipóteses de saber tudo o que está referido em todos esses documentos que o Sr. Nice apresentou –um milhão de páginas, nem menos – e ninguém sabe qual é a acusação da Promotora Pública, a começar por ela própria. Ela também não sabe. Acho que até Franz Kafka acharia que não teve grande imaginação comparado com isto”.

    “Todo este tribunal foi concebido como um instrumento de guerra contra o meu país. Foi constituído ilegalmente com base numa decisão ilegal e imposto pelas forças que desencadearam a guerra contra o meu país. Aqui só há uma coisa que é verdade: É verdade que há uma organização criminosa, mas não tem como centro nem Belgrado nem a Jugoslávia, mas sim aqueles que, numa guerra desencadeada na Jugoslávia, a partir de 1991 em diante, destruiram a Jugoslávia”.

    “Quer dizer-me quem lhe paga o seu salário? Vai dizer que recebe o salário das Nações Unidas? Quem financia este tribunal, Sr. Bonomy? Quem constituiu este tribunal, Sr. Bonomy? Quem efectuou uma agressão contra o meu país, Sr. Bonomy? Os vossos países. E quem é que eu peço que se apresente aqui para testemunhar? Os vossos presidentes e primeiros-ministros. A Jugoslávia não se desintegrou nem desapareceu por um acaso qualquer, foi destruída duma forma planeada, pela força, por meio duma guerra, e essa guerra continua a ser travada, está em andamento. E um dos instrumentos dessa guerra é o vosso Tribunal ilegal”.

    “Permitam-me que diga desde já não tenho medo nenhum no que se refere aos vossos julgamentos e regras de capelinhas porque, se o vosso julgamento fosse segundo a lei e a verdade, então este processo nunca teria existido. Mas como temos um julgamento, este só pode acabar de uma maneira: Uma decisão da não-existência de culpa. E se não se basearem na justiça e na verdade, então o vosso poder desintegrar-se-á e rebentará como uma bola de sabão, porque o tribunal mundial e o tribunal da justiça e da verdade é mais forte do que qualquer outro tribunal. Depende de cada um de vós, e apenas de cada um de vós, meus senhores, optar e escolher qual o lugar que vão ocupar perante esse tribunal da história, e qual será a sua decisão”.

    Ver texto completo das declarações do Presidente Milosevic, em 29 de Novembro de 2005 em http://www.resistir.info/europa/milosevic_fev06_p.html

  7. Margarida tu realmente és um prato. Cheio!

    “Independentemente dos erros (quem não os comete!), ele assumiu até ao fim a defesa da Jugoslávia.”

    “parece-me que você acha bem que o Zapatero não permita o desmembramento da Espanha, mas que o Milosevic já não teria esse direito”

    Em suma: coitadinho do Milosevic que só matou uma mosca já o querem prender.

  8. Penso até que o maior erro de Milosevic foi ter acreditado nos “amigos” sociais-democratas, como o Mitterrand, por exemplo…

    Mas vejo que nada adianta para a discussão, a não ser umas larachas de duvidoso gosto. “Substanciazinha”, está quieto, que isso dá trabalho…

  9. O António Figueira fala da Euronews e eu que além da Euronews vi a Sky, a BBC e a CNN só posso concordar com este comentário do Gabinete de Imprensa do PCP:

    “1. O anúncio da morte de Slobodan Milosevic — o ex-presidente da República da Jugoslávia que resistira às imposições dos Estados Unidos e da NATO — ocorrida nas instalações do «Tribunal de Haia» para onde havia sido ilegalmente conduzido após o bombardeamento e desmembramento da Jugoslávia, não pode deixar de suscitar as mais legítimas interrogações.

    2. O desaparecimento de Milosevic, curiosamente uma semana após a notícia do «suicídio», naquele mesmo local, de um outro destacado responsável político de territórios da ex-Jugoslávia, constitui um oportuno acontecimento para todos quantos — a começar pelos Estados Unidos — desejam iludir as graves consequências do seu intervencionismo, ver enterrada a verdade sobre a guerra que ali desencadearam e a nova situação na região dos Balcãs decorrente do processo de desmembramento que ainda hoje prossegue como o revela a tentativa em curso de separação do Kosovo.

    3. O falecimento de Milosevic contribuirá para que perdure o conjunto de mentiras e falsificações históricas que deram suporte à ilegítima guerra de agressão, movida pelos Estados Unidos e pela NATO na base dos mais diversos pretextos, ao processo de sequestro e entrega de Milosevic ao «Tribunal de Haia», ao desmembramento violento do Estado Jugoslavo e à criação de uma nova situação geopolítica que visou, no essencial, a criação de um conjunto de novos países e protectorados subordinados à estratégia e objectivos de dominação dos Estados Unidos e dos seus aliados naquela região.”

    PS: pelo andar da carruagem nem daqui a 50 anos temos a história feita, parece-me…E lembrar-me eu que o Sampaio, há cinco anos justificou a intervenção de Portugal na guerra contra a Jugoslávia com Timor! A guerra contra a Jugoslávia foi para mim o empreendimento mais criminoso da social-democracia em terras europeias. E mais indecentemente estúpido!

  10. Margarida, eu estou a favor do processo de autonomização que está a decorrer na Catalunha. Aliás, devia ocorrer aí e em muitos mais sítios. Não vejo qual é o problema, desde que existam condições que permitam a autonomização.
    Pelo que percebi, tu consideras que o genocídio que ocorreu na ex-juguslávia foi cometido por tropas externas ? Mais grave ainda, consideras que as forças internacionais não devem intervir em casos deste género ? Eu não devo estar a ler bem…
    Quer dizer, seguindo a mesma lógica, deviamos era andar para aqui todos a falar em alemão, e isso se por acaso tivessemos a oportunidade de o fazer ! O mais certo era andarmos a fazer de escravos dos alemães. É isso Margarida? Francamente, não estou a entender muito bem onde queres chegar…

  11. Margarida, então foram as potências estrangieras que começaram a guerra em 91? Foram elas também que provocaram os massacres de Sebrenica, que bombardearam Dubrovnik (depois de 400 anos de paz!), incendiaram as casas dos kosovares de origem albanesa (e eu nem sou pela independência do Kosovo)? Foram elas?

  12. Há centenas de testemunhas em como foram as tropas sérvias, lideradas naturalmente pelo defunto, que iniciaram e fizeram a esmagadora maioria dos massacres, e vens tu agora para aqui afirmar que o presidente ignorava a situação? Só podes estar a brincar…

  13. Mas o que é que autonomia tem a ver com desmembramento dum país? Eu também sou a favor da autonomia da Madeira e dos Açores e as diferentes repúblicas da Jugoslávia eram autónomas! Até o Kosovo era uma província autónoma.

    Mas o Kohl e o papa o que reconheceram foi a independência da Croácia! Unilateralmente. E financiaram e armaram ilegalmente croatas e bosníacos! Está a ver o que aconteceria no país basco, por exemplo se isso acontecesse? Acha que o governo de Madrid ia permitir que isso acontecesse, sem luta? E não foi por causa da secessão do Sul que nos USA houve guerra civil?

    É óbvio que quem combateu foram os locais mais uns milhares de expatriados que andavam pela Alemanha, pela Suiça e pelos USA (alguns nem nunca tinham vivido na sua terra, eram filhos e netos dos nazis croatas e bosníacos que tinham fugido no final da II Guerra…). Ou nunca ouviu falar do lobby croata ou albanês que influencia (e financia) políticos nos USA? Mas quem financiou e armou croatas e “bosníacos” foram países da NATO. É que o império por razões geo-estratégicas precisava de vários protectorados nos Balcãs em vez dum país que decidisse autonomamente. E por isso o “partiu” e aliás ainda nem sequer acabou a obra. Ou não sabe que ainda querem o Kosovo e Montenegro independentes, à revelia de Belgrado?

  14. A guerra na ex-jugoslavia foi produto da conjugação dos esforços dos da direita nos EUA e na Europa, o unico crime de Milosevic foi defender o seu estado de uma conspiração internacional. A morte de Milosevic, depois de lhe ter sido negado o tratamento pelo “tribunal” que o “julgava” é só mais um crime dessa aliança conservadora e reaccionária.

  15. João Pedro: isso que está a dizer é o que a CNN e a Sky e a BBC, e o Público, e o DN, e o Le Monde e o Libertacion, e o Finantial Times, e o Washington Post nos andam a enfiar na mona desde há séculos. E os mesmíssimos medias também nos garantiram que o Iraque tinha armas de destruição massiva. Eu até me lembro de ouvir o Secretário da Defesa do Clinton dizer que no Kosovo os sérvios tinham matado 100.000 kosovares! 100.000! E depois da NATO ter entrado no Kosovo e de por lá terem andado nem sei quantas equipas forenses de toda a Europa descobriram cerca de 2.000 corpos, enterrados separadamente, de todas as etnias, incluindo as vítimas dos bombardeamentos da NATO, isto é, não conseguiram nem uma vala comum descobrir em todo o Kosovo!

    Bluegift e João Pedro: se as coisas eram tão lineares como as põem, como é que se compreende que andassem a “julgar” o Milosevic há quatro anos e ainda não tinham descoberto nem um “smoking-gun”? Nem uma provazinha de todos os crimes de que o acusam? Em todas as guerras se cometem tremendas atrocidades. A primeira atrocidade é começar uma guerra! E foi a declaração de independência da Croácia que desencadeou a guerra civil. Aqueles povos tinham vivido 50 anos em paz, esta era a maior prova que podiam continuar a viver como país. Mas tinham de os dividir para poder vencê-los. E nessa divisão é trágico o papel da social-democracia. E agora, querem convencer a malta que o Milosevic é o único culpado? Haja decência. De facto o “crime” do Milosevic foi querer que a Jugoslávia continuasse Jugoslávia.

  16. Sugiro a leitura do texto “Jugoslávia, a primeira guerra da globalização”, por Diana Johnstone, que podem encontrar em http://resistir.info/europa/cruzada_de_cegos_5.html

    Diana Johnstone é uma jornalista, americana, residente em Paris.

    Trabalhou para a Agence France Presse e diversas publicações, incluindo Le Monde Diplomatique.

    Entre 1979 e 1989 foi correspondente europeia do semanário social-democrata de Chicago In These Times. O seu livro The Politics of Euromissiles: Europe in America’s World foi publicado pela editora Verso, Londres, 1984.

    De 1990 a 1996 foi adida de imprensa do Grupo Verde no Parlamento Europeu.

    Este texto é extraído do capítulo 5 (O novo modelo imperial) de Cruzada de cegos: Jugoslávia, a primeira guerra da globalização , Editorial Caminho, Lisboa, 2006, 381 pgs., ISBN 972-21-1764-5.
    Este texto encontra-se em http://resistir.info/ .

  17. António Silva, os fins não justificam os meios e estás a defender uma posição imperialista. Ora toma lá os crimes do Milosevic:
    http://www.hrw.org/reports/2001/kosovo/

    Sabes qual foi a sorte dele? Foi ter morrido antes de o julgamento finalizar!

    Milosevic era sérvio tal como o grupo que detinha o poder. Onde estavam as representações croatas e bósnias? Quem é que é reacionário ? Ou o tipo só por ser comunista e alinhar com a Rússia é já automaticamente livre de qualquer crime? Parece que sim.

    Margarida, parece-me que o texto dá origem a leituras que divergem em função da orientação política…
    Eu não alinho com hegemonias nem de direita nem de esquerda. É absolutamente ridículo afirmares que foram grupos formados por netos dos nazis e cia que realizaram os crimes. Tenta tomar consciência do ridículo desse tipo de afirmações.

    Outra afirmação ridícula é insinuar que um povo só porque vive em paz é porque está bem. A paz de Salazar também durou uns bons aninhos, e a da Rússia comunista idem e foi a merda que se viu e ainda perdura.

    Mas espera lá, tu és ou não a favor da independência da Catalunha e de outras províncias que assim o pretendam e tenham condições para isso?

  18. Ai esta memória! ai esta atenção à história! Com que então “Milosevic era Sérvio tal com o grupo que detinha o poder.”, Bluegift talvez não te recordes ou nunca tenhas dado por isso, mas após a morte de Tito a presidência da Jugoslávia era rotativa, ocupando o cargo um elemento de cada Républica durante um determinado tempo. O Tito era aliás um fiel representante desse grupo “de Sérvios” que detinha o poder, pois até era Croata.

    Quanto à independência da Catalunha; sou a favor do direito do seu povo decidir os seu destino. Mas não gostaria de os ver como joguetes dos interesses alemães (como foi no caso da Croácia, em que a Alemanha chegou ao ponto de não se inibir de fazer chantagem sob os restantes países da CEE para que estes reconhecessem a sua independência) e muito menos gostaria que começassem a matar e a expulsar os Castelhanos ou Galegos … das suas casas. Em relação aos Bascos respeito muito a sua luta e o seu direito a um estado, mas não concordo com a actuação da ETA, pelo menos enquanto não esgotarem os mecanismos que a democracia espanhola possui.

    Quanto à “sorte” do Milosevic e do seu “julgamento”, o que ficou provado após estes anos todos de farsa internacional não foi mais nem menos do que o que estava no início; as mesmas mentiras da NATO, dos agressores da Jugoslávia. Será que não havia interesse por parte dos agressores em que o desfecho do “julgamento” fosse este mesmo??? Sempre se poupavam muintos embaraços.

  19. Muito bem. Mesmo na Jugoslávia que restou já havia sentimentos fortes contra este julgamento, porque uma parte da população acreditava tratar-se de um julgamento contra a Jugoslávia e uma determinada ideia de Jugoslávia, mais do que propriamente Milosevic.

  20. bluegift: já que me “amandou” com o Human Rights Watch, eu sugiro-lhe a leitura deste texto que o explica. Na 1ª parte estão alguns dos financiamentos conhecidos, na 2ª está a história da coisa. Há-de reparar que um dos directores do Human Rights Watch foi Presidente do Tribunal onde morreu (mataram?) Milosevic e que a acusação da Carla del Ponte se baseou nos relatórios elaborados pelo Human Rights Watch. Se tivesse acompanhado minimamente os julgamentos teria também sabido que foi também o Human Rights Watch que fez a filtragem das testemunhas croatas, “bosníacas” e kosovares, e que foi o Human Rights Watch quem colheu os depoimentos no Kosovo e na Bósnia das “vítimas” e das “atrocidades” e quem os canalizava para os media. Basta ir ao site do Tribunal e ler as actas das sessões. Mas vamos ao texto (que é longo, nada chato e bastante informativo). Se alguém precisar posso traduzir:

    1 – Philanthropy Donations (known)
    Ford Foundation
    . Awarded $90,000
    . Awarded $24,000
    . Awarded $650,000
    . Awarded $150,000
    . Awarded $40,000

    MacArthur Foundation
    . Awarded $250,000
    . Awarded $50,000
    . Awarded $3,500,000

    Open Society Institute
    . Awarded $40,000
    . Awarded $82,840
    . Awarded $200,000
    . Awarded $200,000
    . Awarded $75,000
    . Awarded $2,000
    2 – HUMAN RIGHTS WATCH AS A POLITICAL INSTRUMENT OF LIBERAL COSMOPOLITAN ELITE OF THE UNITED STATES OF AMERICA
    “I feel that I’m here as a friend among friends… I know very well what you did for us, and perhaps without you, our revolution could not be” – Vaclav Havel

    THE SAME ARE PURPOSES, BUT METHODS…
    By this act Soviet leaders legalized transformation of the problem of human rights observation from internal into intergovernmental. Accordingly, the status of critics of human rights violations in the USSR was principally changed, so far as these violations became not only a matter of domestic concern; criticizing such violations in the Soviet Union by western human rights activists became valid. And what is more, this criticism could not be formally considered hostile propaganda, as far as it had no concern with the defense of US national interests (or “American imperialists’ interests”) but it became subject of international law recognized by legitimate Soviet leaders who signed this Agreement. Both western and Soviet human rights activists appeared before the general (especially leftist) public as defenders of universal human rights, not interests of the ruling elite of the US.

    Since James Carter who proclaimed defense of human rights the central element of his foreign policy became the President of the United States, informational and ideological pressure on Soviet leaders had increased. The problem of human rights was no more a concern of “world human rights defenders” but was added to US governmental armory. This doesn’t mean that in 1970s US Helsinki Watch and Lawyers for Human Rights on the one hand, American governmental or semi-governmental organizations such as CIA, Rand Corp., or Council on Foreign Relations which professionally specialized in sovetology on the other hand arranged joint propagandist actions. Though Democratic (liberal) administration and liberal human rights activists had had similar (sometimes equal) concrete tasks – for example to create in the Soviet Union a necessary ideological base to change its political and economical structure – these groups understood the meaning of these changes differently.

    Jimmy Carter’s “liberal” Administration in the person of his national security advisor Zbigniev Brzezinski considered propaganda of the ideas of “freedom of speech, human rights and democracy” in common context of geopolitical opposition and ideological struggle between the USA and the USSR. Accordingly, the “workers of ideological front” (Freedom House, Rand Corp., Council on Foreign Relations, US Institute for Peace, Voice of America, Radio Liberty and other governmental organizations and research centers) propagandized the ideas of human rights striving for creation of favorable “subjective” conditions of political and ideological changes in Eastern European countries in the direction needed by the US.

    Western human rights activists-liberals (many of them had shared anti-capitalist and even socialist views) regarded the “introduction” of universal ideas of human rights in the USSR as a necessary element of the struggle for “liberation of the whole mankind” a kind of missionary activities. For the same reason they wanted to defend human rights in any country of the world, no matter what kind of political and block orientation it was possessed. In other words, American human rights activists didn’t appear only as US citizens troubling about American interests but as defenders of human rights worldwide. This wing of realists-liberals is often called by American public a “liberal cosmopolitan” wing.

    Also we shouldn’t forget that many of western (and American) human rights activists including some US Helsinki Watch members (Catherine Fitzpatrick, Aryeh Neier) took a great part in anti-war movement which had been spread worldwide at the beginning of 80s.

    Non-coincidence of tasks of American administration and American human rights activists became evident just after neo-conservative interventionalist Reagan’s administration came to power. Reagan conducted the policy of pressure on the Soviet Union and Socialist countries and the policy of “double standards” in the sphere of human rights defense. By the words of Jeane Kirkpatrick, then a US representative in UN, the United States had been going to criticize human rights violations stronger in the countries, where the regimes were “leftist”.

    FROM A HELSINKI GROUP TO WORLDWIDE HUMAN RIGHTS MONITORING
    At first the activities of US Helsinki Watch Committee were limited to issuing annual reports on human rights observation in the Soviet Union and Warsaw Treaty countries and also to issuing statements on concrete persecutions and arrests of human rights activists (especially members of Helsinki groups) in these countries. The staff of US Committee grew relatively slowly. At the beginning of 80s the number of its members wasn’t more than 10; except above mentioned a multimillionaire M. Bernard Aidinoff, lawyers Roland Algrant, Charles Biblowit and Russell Karp joined the group. The practical activities of the group were conducted by Catherine Fitzpatrick, an excellent Russian-speaker.

    The International Conference of Helsinki groups, which took place in fall of 1982 in Alpine resort near Como, Italy, was a very important event in the process of internationalization of human rights defense. Among the participants there were not only such human rights activists as L. M. Alekseeva of Moscow Helsinki Group and Jeri Laber of US Helsinki Watch, but such well-known liberal leftist political and social activists of Europe and America as French philosopher Pierre Emmanuel and Jiri Pelikan, who was a head of Czechoslovak television in the times of the Prague Spring (Among the guests of the Conference there was also an author of this article).

    One of the topics of the Conference held in David Rockefeller’s villa was a discussion of above mentioned “double standard” policy conducted by Reagan’s administration. The “answer” of “liberals-realists” to such a policy was the establishment of a new human rights organization, a filial of US Helsinki Watch, with its mission of monitoring human rights violations in Latin American countries – Americas Watch. A Wall Street lawyer and the vice president of US Helsinki Watch Adrian W. DeWind became the first Chairman of the Advisory Committee of Americas Watch.

    After Como Conference which set forward a task to organize human rights defense worldwide, not to be limited to the criticism of Socialist countries, Robert Bernstein and his US Helsinki Watch colleagues began to establish branches “responsible” for concrete regions of the world.

    More and more branches had been established using the scheme of US Helsinki Watch: human rights defense proper was conducted by young hired lawyers and politologists, among them there were former anti-war movement activists; connections with the federal administration, public organizations and political and financial elites of the USA was conducted through the Advisory Committees attached to every branch. Among the members of these Committees there were businessmen-multimillionaires, managers of charity funds such as the Ford Foundation and the Carnegie Endowment for International Peace, eminent lawyers, well-known pastors and rabbis, politicians of moderate liberal views and heads of “think tanks”.

    In 1985 a human rights organization named Asia Watch was established; the most well-known American liberal lawyer Jack Greenberg became its Advisory Committee’s Chairman. In 1988 – Africa Watch, in 1989 – Middle East Watch, which conducted monitoring of human rights violations in the zone of Palestinian-Israeli conflict.

    By 1989 all human rights organizations united in one – Human Rights Watch (HRW) with united leaders and united Advisory Committee which was later renamed the Board of Directors. Robert Bernstein himself became the first Chairman of HRW, Adrian DeWind, a lawyer, became its vice-Chairman. A former ACLU leader Aryeh Neier became the Executive Director of HRW, and “a rising star” of human rights establishment Kenneth Roth became the vice-CEO. There were 22 members in the Advisory Committee of Human Rights Watch; some of them were leaders and advisors of human rights branches, others – charity funds’ managers and multimillionaires-donors (Dorothy Cullman, Irene Diamond etc.).

    Robert L. Bernstein also continued to be the Chairman of US Helsinki Watch. The President of New School University historian Jonathan F. Fanton and Alice H. Henkin, a lawyer, one of directors of the most influential think tank – the Aspen Institute – became his deputies. The members of the Advisory Committee of US Helsinki Watch were worldwide known scientists Hans Bethe and Jerome Wiesner, writers Ed Doctorow and Arthur Miller, Jesuit pastor Fr. Robert Drinan and rabbi Rolando Matalon, former anti-war movement activists Frances T. Farenthold and Stanley Sheinbaum, specialists in international law Marvin Frankel and future President of so-called International Criminal Tribunal for the former Yugoslavia (ICTY) Theodor Meron; and, of course, bankers multimillionaires M. Bernard Aidinoff, Ellen V. Futter, Felix Rohatyn, among them especially outstanding person – billionaire John Gutfreund, “the king of Wall Street”, for many years the Director of Salomon Brothers Inc. Jeri Laber continued to be US Helsinki Watch Executive Director. Catherine Fitzpatrick who had been a director of the Research department for years left HRW at the end of 1980s because of her disagreement with a new strategy of HRW (described below).

    The financing of all the branches of HRW was generally provided by Jewish charity funds such as Aaron Diamond Foundation, Jacob Kaplan Fund, Revson Foundation and Scherman Foundation. As in 70s, the Ford Foundation continued financing HRW too. Among new “donors” there appeared well-known multimillion philanthropic funds such as MacArthur Foundation, John Merck Fund and J. Mertz-Gilmore Foundation. Financing had also been provided by the Fund for Free Expression, established by Robert L. Bernstein at the beginning of 70s. At the same time the list of its activists included the names of well-known writers, scientists, artists (Arthur Miller, Kurt Vonnegut, John Updike etc.) and managers of large charity funds (already mentioned Dorothy Cullman, Irene Diamond and Mark Kaplan).

    TO GLOBALIST “OPEN SOCIETY”
    And the step, which decided the fate of HRW and influenced not only the character of its activities and the choice of objects to criticize but the very mission of the organization was its “alliance” with stockjobber-billionaire George Soros. Soros joined HRW not only himself. His wife Susan, the shareholders of his Quantum Fund multimillionaires John Gutfreund and John Studzinski, Fiona, the wife of the manager of his fund billionaire Stanley Druckenmiller, even the employees of companies and funds managed by Soros, well-known politologists Barnett Rubin and William Zabel, and also Warren Zimmerman, a diplomat became members of the Advisory Committee of HRW and its branches.

    A number of the functionaries of HRW joined the structures own by Soros, remaining their HRW duties: a member of the Board of Directors, the Chairman of HRW Europe and Central Asia Advisory Committee (former US Helsinki Watch) journalist Peter Osnos became the Executive Director of a publishing house own by Soros. A member of HRW Women’s Rights Division Advisory Committee, an activist of struggle for rights of homosexuals Gara LaMarche became the vice-President of the Open Society Institute of Soros.

    Very little you can read about participation of George Soros in struggle for human rights and, in particular, in HRW activities. It generally comes to the enumeration of leaders of HRW (Board of Directors and Advisory Committees) supported by Soros. But direct financing HRW and its leaders wasn’t the point; the situation was as follows: some historical coincidence occurred at the second half of 80s. Just by that time George Soros who had grown rich through currency speculation formed for himself a philosophical doctrine which he called (following his teacher [[Karl Popper]) a philosophy of “Open Society”.

    It’s known that George Soros “earned” his first billion dollars through international currency speculation. (for example, in 1992 Soros “earned” one billion US dollars) He invested money into high-profitable investment funds (organized by Soros, including Hedge Funds, where investor’s minimal payment is 100,000 US dollars). These high-percent dividend funds were, in general, invested by currency speculators millionaires and billionaires such as George Soros, Stanley Druckenmiller, Bruce Kovner, Franklin Booth and Henry Kravis. When he “earned” that way several billion dollars, he turned his eyes on “virgin spaces” of the Soviet Union and Eastern Europe. In the troubled period of Russian and Eastern European history this ambitious billionaire found an opportunity to organize his political economical experiments.

    The goal of his experiments was to create in the Soviet Union and Eastern European countries conditions for free non-government-controlled transfer of financial capitals (including interference into their currency markets). Soros considered that it would be possible when so called “Open Societies” with western-type representative democratic institutions, market economy, legal state and mass media, independent from state authorities would have been established in Russia and Eastern European countries. At the same time Soros realized that independent, i.e. non-state-regulated market economy was the destructive power which would lead to the world financial crisis and disintegration of world economical and political system. And the only solution of this Global problem Soros saw in establishing transnational and transgovernmental structures.

    In fact, Soros appealed for establishing the World Government as a “coalition of open societies, which would take in hand UN functions and would turn the General Assembly into the true legislative power enforsing international law”. And occasionally a liberal human rights organization with universalist (in fact, globalist) conception of universal human rights as predominant over national laws, social traditions, religions and morals turned up at the right moment. That was the junction of class interests of Soros and other transnational cosmopolitan financial (non-industrial) tycoons and professional interests of the transnational organization, founded by publishers and lawyers sharing liberal cosmopolitan views.

    The political organization under control and financing of American liberal cosmopolitan establishment (mainly of Jewish origin), which used human rights activities to achieve political goals of that very establishment became the product of this “synthesis”. In other words, the activities of HRW began transforming from informational-humanitarian into informational-propagandist, a kind of “Agitprop” (communist agitation and propaganda department in Soviet Russia of 1920s), serving the interests of American liberal cosmopolitan financial, political and academic establishment.

    In a number of cases this “Agitprop” had been serving the interests of the Administration of the President of the United States of America, when its goals were similar to the goals of Soros, as it had happened in Yugoslavia and Russia at the second half of 90s. In Balkans the leaders of HRW and Soros supported US agression against Yugoslavia, where both HRW and Soros were working hand in hand with Bill Clinton’s Administration (Madeleine Albright and James Rubin). In Chechnya conflict HRW and Soros took the part of separatists; together with Zbigniev Brzezinski’s group they organized the American Committee on Chechnya.

    But when Soros protested against US military intervention in Iraq and later announced that “the goal of his life” was to remove Bush from the White House, HRW took a neutral position in this issue; it at least hasn’t openly co-operated with the Administration of G. W. Bush.

    “ARREST NOW!”
    From the very beginning of “perestroyka” members of HRW (Jeri Laber, Joanna Weschler, Adrian DeWind) began to visit Eastern European countries frequently to collect information about “human rights violations” in these countries. They paid special attention to Czechoslovakia because that very US Helsinki Watch defended the members of Czechoslovak Charter 77 in 1978 persecuted by communist authorities of that time. The results of their investigations were used by US administration and western anti-socialist mass media as an instrument for pressure on Socialist yet leaders of the Republic of Czechoslovakia.

    A member of the Advisory Committee of US Helsinki Watch and the wife of American ambassador in Prague in 1982-86 Wendy Luers played almost the leading part in the propaganda of liberal and pro-American views in Czechoslovakia. As he was just elected (1990) the President of Czechoslovakia, Vaclav Havel declared in New York Headquarters of Human Rights Watch: “I know very well what you did for us, and perhaps without you, our revolution could not be.”

    Just after pro-American regime in Czechoslovakia was established (at the end of 1989), Wendy Luers organized in Prague the Foundation for a Civic Society joined by a considerable part of Chech intellectuals who had signed Charter 77 in 1977. This Foundation’s money was used for financing the Project on Justice in Times of Transition with annual budget of 3 million US dollars. The goal of the Project was “reinforcement of democracy, legal state, civil society and market economy”. In all, more than 11 million US dollars were spent by the Foundation for a Civic Society to support these activities.

    Besides “reinforcement of democracy and market economy” in Czechia, the Foundation for Civic Society “had been giving job” to American and Western European “advisors” in ministries, municipalities and other governmental offices in Czechia and Slovakia. Within three years (1995-1998) the Democracy Network Program, an organization created by “advisors” from HRW with the help of United States Agency for International Development (USAID) spent more than 5 million US dollars for “development and reinforcement of non-governmental organizations (NGO) in Czechia and Slovakia” (http://www.fcsny.org/wendy.html). It’s absolutely evident that these activities of HRW bore no direct relation to its human rights defense. But they eloquently witnessed the true goals of Human Rights Watch and its concrete plans to fulfil in the countries of Eastern Europe.

    From the end of 80s, besides human rights violations monitoring which is common to human rights organizations, HRW began to issue Declarations in which it “reprimanded” governments “at fault” for their “misbehavior”. Later, by the middle of 90s HRW began even to recommend UN and NATO governments to punish infringers properly. Yugoslavia, the state which neither wanted to join NATO, nor to open its borders to uncontrolled penetration of financial capital of transnational corporations provoked the special “anger” of HRW and its main donor George Soros.

    So, from the beginning of 90s of XX century some functionaries-“researchers” of Human Rights Watch – Fred Abrahams, Peter Bouckaert, Rachel Denber, Lotte Leicht, Benjamin Ward, Joanne Mariner and Martina Vandenberg – began to visit Bosnia, Croatia and Kosovo regularly to collect information about human rights violations during military operations within Yugoslavian territory. These information had been processed and issued as “reports” and “declarations” during more than 10 years.

    Overwhelming majority of these publications “condemned” the authorities of Serbia (President Radovan Karadzic) and Yugoslavia (President Slobodan Milosevic) for “ethnical sweep operations” and “genocide” of Moslem and Croatian population of Bosnia and Kosovo. The fact that HRW was on the side of separatists – Croats, Moslems and Albanian Kosovars – is demonstrated by the direct co-operation between the leaders of HRW, its Advisory Committees and Kosovar separatists. For example, the member of the Europe and Central Asia Advisory Committee (former US Helsinki Watch) Morton Abramowitz was an advisor to a delegation of Kosovar Albanian separatists at the negotiations with Yugoslavian delegation in Rambouillet, France (January – February, 1999).

    Of course, HRW functionaries couldn’t ignore atrocities of Croats and Moslems at all. But the “statistics” of HRW Declarations from 1992 to 2001 was as follows: 122 declarations of HRW had been issued on “human rights violations” by Serbian side, 9 declarations – by Croatian side, 4 – by Bosnian (Moslem) and 6 – by Kosovar (UCK/KLA). It’s clear why European and American public opinion had changed after acquaintance with such a statistics. The regimes of R. Karadzic and S. Milosevic began to look criminal, and pro-NATO press started to compare them to Hitler and Stalin.

    Besides systematical informational and psychological influence on public opinion in the West, Human Rights Watch and its main donor and ideologist George Soros began to form “civil” and political infrastructure opposing the regime of Milosevic. This structure included dozens of non-governmental organizations, “civic groups”, human rights organizations, clubs, radio and TV broadcasting companies, newspapers and journals. It was made to create “revolutionary” atmosphere in Yugoslavia and not only to support transition of the power under control of “pro-Western” parties, but also to provide support to a new pro-western regime for some “historical stage” needed for fundamental economical and political changes in Yugoslavia (http://emperors-clothes.com/engl.htm#1).

    American governmental funds such as the National Endowment for Democracy (NED), in the Board of Directors of which there are members of HRW leading structures (the same Morton Abramowitz) also took part in this broad-scale re-organization of society initiated as far back as in late 80s. Here are the words of NED functionary Paul McCarthy: “The programs of the NED supported to survive for a considerable amount of Yugoslavian free press and to ruin (marked by the author) key centers of government-controlled mass media… by reinforcing influential sources of objective information. The help provided by NED gave newspapers, radio and TV broadcasting companies an opportunity to buy necessary printing and broadcasting equipment. Among them who received our grants there are newspapers “Nasha Borba”, “Vremja” and “Danas”, an independent TV broadcasting company “TV Negotin” in southern Serbia, popular news agency BETA and Beograd radio “Radio B-92”.

    That is Human Rights Watch, which initiated establishing so-called “Tribunals” for the leaders of “disobedient” countries, Yugoslavia and Serbia, in the first place – Radovan Karadzic and Slobodan Milosevic. Such International Criminal Tribunal for the former Yugoslavia (ICTY) was established in February of 1993, and it was a direct violation of UN Regulations. Three months later HRW issued a “Report” on the assassination of about 260 captured Croats supposedly committed on the 20th of November, 1991 by Yugoslavian soldiers. The title of this report was extremely significant: “Punisn Now! Human Rights Publishes 8 Cases for International Criminal Tribunal in Former Yugoslavia”. Though there were no cogent arguments to charge Yugoslavian Army with assassination of more than two hundred Croats, the prestige of leading human rights organization was sufficient for much people of the West to believe that all the charges were true.

    Just after issuing of that Report Human Rights Watch initiated a campaign named “Arrest Now!” against Yugoslavian leaders. The leadership of Human Rights Watch informed readers with pride that “combining working with lawyers, working with press and mobilization of enormous quantity of people we forced the governments of NATO to arrest the suspects (marked by the author) or to force them to surrender”.

    THE DOUBLE STANDARDS OF HUMAN RIGHTS WATCH
    Now HRW has its offices in the cities of 9 countries of the world – New York, Washington, Los Angeles, Brussels, London, Rio de Janeiro, Moscow, Tbilisi, Dushanbe, Hong Kong. The staff is more than 180 people, and annual budget of the organization is 21,715,000 US dollars. It regularly issues its “Declarations” and “Reports” on human rights violations in almost every country of the world. But, as Orwell wrote, “all people are equal, but some of them are more equal”. To determine who is “more equal” for Human Rights Watch and who is “not so”, it’s enough to examine the statistics of its Declarations and Reports. It brightly illuminated what degree of its double standards HRW uses in different cases and who should or should not be an object of its criticism. This may be used as litmus-paper to witness evident partiality of HRW to concrete “regimes” and states.

    As to former Soviet Union countries, HRW had issued 172 Declarations on human rights violations from 1994 to 2001; 117 of them concerned Russia. But at the same period NONE of them concerned Ukraine, 6 – concerned Kazakstan and just 3 – Turkmenistan. For all that, the same HRW blamed Nazarbayev and Niyazov for establishing the regimes of personal power, for suppressing freedom of speech, freedom of the press, freedom of assembly, for arrests of members of parties in opposition!

    At the same period (1994-2001) Human Rights Watch had not issued ANY Declaration on violations of human rights of the Russians living in Latvia and Estonia. Not a word about either captured Orthodox churches in Ukraine or arrests of Russian Cossack activists in Kazakstan. What for ethnic sweeps in Tadzhikistan and Kazakhstan? Only two Declarations on Turkmenistan contained information on limitation in use of Russian in governmental and private institutions and criminal prosecution of activists of illegal Russian organizations (see details at a website “Materik” (“Continent”) of the Institute of CIS Countries).

    What’s the matter? Answers to this question don’t lay even near to human rights sphere. I will quote Elizabeth Andersen; this quotation will dot all “i’s” and cross all “t’s”: “Kazakstan is our key ally in Central Asia because of its gas and oil resources”. It is not a quotation of the Advisor to the President of the United States of America but of the Executive Director of Human Rights Watch Europe and Central Asia branch. Can you imagine S. A. Kovalyov, the Chairman of “Memorial”, saying such a phrase?!

    The same for Turkmenistan which has rich gas and oil resources; Turkmenistan annually receives 150-180 million dollars from the Congress and governmental institutions of the United States. Do you realize what this implies? If there is a smack of hundreds of billions, human rights are out of the question!

    And what for defense of human rights in the Middle East? It’s scarcely to be denied that the most unlawful and medieval state system in this region is in Saudi Arabia, where they hang members of organisations in opposition instead of filing suits against them and cut off publicly the heads of them who belong to sexual minorities. How many, do you think, Declarations on human rights violations in Saudi Arabia had been issued by Human Rights Watch during the same eight-year period (1994-2001)? Only eight. Try to compare this number to the number of Declarations on human rights violations by Serbian authorities.

    The directions of Human Rights Watch on Israeli-Palestinian conflict is typical: every year approximately equal number of Declarations on human rights violations by both Israel or Palestine is issued. Israel was “guilty” for 32 times, Palestine – for 33. But this “equalization in sin” didn’t save HRW from charges of inobjectivity and preconception from both sides of the conflict.

    The way Human Rights Watch “informed” Western readers about events in Chechnya: during the period of military operations from the September, 30, 1999 till April, 16, 2000 HRW issued 41 Declarations on human rights violations in Chechnya. The Russian side of the conflict was condemned by 38 Declarations, “Ichkerian” (“Chechen fighters”, in terms of HRW) – by one (!) Declaration; the both sides was condemned by two Declarations. In that way, according HRW “information”, Russian army, OMON (special police squads) etc. violated human rights 13 times more frequent than “fighters” of Basaev-Maskhadov-Abu Walid! Taking into consideration that before the second Chechen campaign “Russian” side of the conflict was condemned by human rights activist from HRW 19 times and “Chechen” – only once, who in the West could doubt as to colonial and “atrocious” policy of Russia relative to “freedom-loving Chechen nation”.

    Extreme publicistic activities of HRW on the eve of US agression against Iraq is an illustration of interests of HRW in the conflict. One of consealed tasks of this agression is to eliminate potential treat to Israel from Saddam Hussein’s regime. So, several months before the beginning of military operations Human Rights Watch initiated a series of Reports and Declarations on human rights violations in Iraq… 10 and even 15 years before, including the use of chemical weapons by Hussein’s regime against Kurd separatists in 1987. The goal of these publications is evident: to show the world the horrors of Saddam’s ruling and by means of this to reduce expected negative reaction to US agression against Iraqi Republic. But not to give rise to suspect HRW of solidarity with Bush’s Administration Human Rights Watch preferred not to declare its position on Iraqi war.

    INSTEAD OF CONCLUSION
    Against the background of imperialist, expansionist and openly agressive foreigh policy of the Administration of G.W. Bush violating international law, all the more human rights – selective defense of human rights and double standards of Human Rights Watch look petty and insignificant, as if you compare childish tricks to street banditism. However, now it became evident for the majority of observers that the newly just brought to light masters of “a new world order” overrated their strength and degree of resistence of antiglobalists even within the United States. “Bolshevist” milieu of G. W. Bush – the disciples of Jewish-German philosopher Leo Strauss and yesterday’s trotskists who started “permanent democratic revolution” are just “kings for a day”. When George Bush and Richard Cheney leave the White House, they will also leave (and they – Richard Perle, David Frum – have already left) it.

    Then today’s critics of American “bolshevists-neocons” – “menshevist-liberals”, supporters of “humanitarian interventions” like the one in Yugoslavia (Zbigniev Brzezinski, Kenneth Roth, Morton Abramowitz, Strobe Talbott, Barnett Rubin, Rita Hauser, Richard Dicker and, of course, George Soros, who is financing now presidential candidates from the Democrats) will fill their posts. Anew avalanches of “Declarations” on “atrocious treatment of Chechen refugees in Ingushetia” by Russian authorities and “violations of human and civil rights of Meskheti turks” in their new homeland (this time in Kuban), on “raging of fascism and antisemitism” in the streets of Russian cities will overflow the Congress of the United States, the Administration of the President and UN.

    And E. G. Bonner, L. A. Ponomaryov, S. A. Kovalyov, A. M. Brod, O. P. Orlov, A. S. Politkovskaya, Yu. V. Samodurov, A. M. Cherkassov, A. Verkhovsky and other Russian human rights activists – colleagues and persons holding the same views as American liberals-cosmopolitans from Human Rights Watch.
    User:OlegPopov – 26 / 11 / 04
    http://www.pravoslavie.ru/enarticles/041126143655
    Retrieved from “http://www.global-elite.org/elitewiki/index.php?title=Human_Rights_Watch”

  21. Bluegift: no fascismo, em Portugal, apesar de ser uma garota, já achava que a libertação competia aos portugueses. E foi isso mesmo o 25 de Abril.

    Quanto à independência das “províncias” penso que é altura de você ler a Carta das Nações Unidas…é que esta organização foi fundada no respeito pela soberania das nações aderentes. Por isso definitivamente lhe digo que não, não sou a favor da independência da Catalunha.

  22. Á atenção do dono do blog: mesmo agora, ao tentar mandar o comentário para o bluegift, apareceu-me a mensagem que “ficava retida para aprovação pelo dono do blog”. Por duas vezes fiz essa tentativa, duas vezes me apareceu a mensagem. Optei então por só deixar o final do artigo e “passou”. Mantenho a recomendação da leitura deste texto e a oferta para o traduzir. Se alguém quiser é só pedir.

  23. Ao dono do blog: já passou mais de uma hora desde que retiveram o meu comentário. Eu sei que o artigo é longo, mas será possível que ainda não o tenham despachado? Ou dar-se-à o caso de não ter sido aprovado pela censura? De qualquer modo fico a aguardar, ou a colocação do meu comentário ou uma explicação sua.

  24. Cara Margarida: “Dono do blog”, no meu caso, é uma designação muito excessiva: fui amavelmente convidado para colaborar num blog que já existia, e faço-o com gosto; sou obviamente responsável por tudo quanto escrevo, mas por nada mais: nem subscrevo solidariamente o mais que por aqui se escreve, nem sobretudo tenho nada que ver com a manipulação informática do blog: sou totalmente avesso à coisa, e mesmo que quisesse fazê-lo não o conseguiria; acredite ou não, só obtive a carta de condução à terceira tentativa e o simples facto de estar aqui a “postar”, para mim, já é uma notável vitória do homem sobre a máquina.

  25. António Figueira: claro que não me referia a si, mas de facto por duas vezes o aviso explicativo falava em “blog owner” e portanto o meu recado ao tal de “blog owner” é que ou repõe o comentário ou então, no mínimo deve dar uma explicação. A bem da sua própria credibilidade.

  26. Ao Carlos Alberto, e a quantos possam ter visto um comentário que ele aqui fez, devo dizer que o retirei do blog porque me pareceu um comentário insultuoso e desespeitador das regras de convivência a que – pelo menos nos posts que eu inicío e, logo, posso “limpar” – julgo estarmos todos obrigados.

  27. Factos históricos não se explicam. Analisam-se.
    Todos temos o direito de ter uma opinião sobre os assuntos, mas, se queremos ser objectivos devemos deixar de parte os preconceitos e ler os factos conforme eles se desenrolaram (no passado por se estar a analisar um facto histórico).
    Uma discussão deste tipo em que os participantes estão, à partida, com ideias pré-concebidas é no mínimo inútil.
    A História desse período da existência da ex-Juguslávia está feita. Não se altera com opiniões.
    Factos são factos.
    Parabens Margarida por esclareceres alguns pontos.
    Quando o ser humano deixa de querer aprender, acha que não tem nada para aprender, deixa também de existir intelectualmente.

  28. Cara Margarida: Ao fim de uns minutos de aturada pesquisa, consegui transformar o triangulozinho amarelo, que sinalizava os seus comentários, numa bolinha verde: ei-los portanto publicados! Feito isto, porém, eu permito-me chamar a sua atenção para o tamanho desses mesmos comentários: é que, independentemente da razão que lhe assiste, se todos os comentadores fizessem como a Margarida, este blog tornava-se ilegível. Poderei eu portanto pedir-lhe que, no lugar desses extensíssimos respigados, passe a enviar links para o material que acha importante? Antecipadamente grato, AF

  29. OK António Figueira: estou aliás a traduzir e farei uma selecção de aspectos mais interessantes. Ainda vai levar algum tempo. E obrigada por ter resolvido o problema.

  30. Caro António Figueira,
    Quando m gabinete de imprensa, publica o que foi públicado pelo PC, não podemos esconder uma realidade. É que este partido ao lamentar a morte de um ditador se comporta como um partido fascista. Bem longe estão os tempos da invasão da Hungria e Checoslováquia, mas estes senhores não aprenderam a lição. Como democrata, não posso calar a indignação.
    Fará o favor de ignorar,publicar ou deletar esta opinião.
    Mas que são fascistas, são.

  31. Carlos Alberto;
    Para benefício do esclarecimento público, não vou apagar este comentário, mas desde já lhe digo que o considero insultuoso e que não permitirei, num post meu, que surja outro igual. V. tem um blog seu: escreva lá o que quiser; agora aquilo que V. não poderá dizer é que chamar fascista ao PCP é uma simples e anódina constatação de facto; indigne-se com a Checoslováquia, a Jugoslávia ou o que entender: é um direito seu que eu não contesto (embora não perceba muito bem a associação); agora quando chama fascista a um partido que, objectivamente, na história portuguesa, foi uma das principais componentes da resistência anti-fascista, e pagou caro por isso, V. está a insultá-lo – e mais do que isso, para aquilo que pessoalmente aqui me interessa, está transformar um debate sobre as virtualidades da justiça internacional num panfleto de baixa política interna. Não conte comigo para isso.

  32. eu estou siderado, Pelos vistos, a linguagem do PC mudou muito pouco. continuam a pôr as culpas na “imprensa capitalista e reaccionária”, como a Margarida o demonstra.
    acontece que isso não foram invenções: o massacre de Sebrenica aconteceu, como muitos outros, o bombardeamento a Dubrovnik também (ainda há marcas disso), a espulsão de kosovares idem, o que não significa que tenha havido um genoc+idio na região. Claro que também houve outros culpados, como Tudjman, esse hábil manobrador de nacionalismos excerbados, e é evidente que a intrvenção no Kosovo foi muito mal conduzida. Mas ignorar o óbvio não é sério nem aceitável: Milosevic tentou impõr a Grande Sérvia no resto da Jugoslávia, tentou liquidar todos aqueles que se lhe opunham, depois de alcançar o poder com uma série de traiçõzinhas e golpes baixos. Criou campos de concentração na Bósnia e apoiou-se em criminosos locais, como Karadzic. As valas estão lá, os refugiados e os campos minados estão lá, a destruição está lá, os traumas e as recordações do horror naquele belíssimo ex-país está lá, e infelizmente os seguidores de Slobo também ainda lá estão e até já mataram um Primeiro-ministro. Isso não é nenhuma invenção da comunicação social, muito menos do Vaticano e de Khol (logo quem!), ao contrário dos relatores do PCP, que a 4 de Outubro de 2000 nos afirmavam que a greve geral promovida contra Milosevic “era um fracasso”, e no dia seguinte os “fracassados”, ou seja, o povo, derrubava o regime ditatorial (isto é igualmente válido para o António Silva).
    Quanto às RMD do Iraque, que eu saiba esses orgãos de CS não estavam todos a afirmar que existiam: uns faziam-no, outros não, e outros dividiam-se. E a maioria dos que acreditava com certeza que não tomará Slobo como um herói.

  33. bluegift: como prometido cá vai outra posta já traduzida, sobre o HRW:

    (…)
    “Prendam-nos Agora!”

    Desde o princípio da “perestroka” membros do HRW (Jeri Laber, Joanna Weschler, Adrian DeWind) começaram a visitar frequentemente os países da Europa do Leste para coligir informação acerca das “violações dos direitos humanos”.

    Prestaram atenção especial à Czechoslovakia porque o mesmíssimo US Helsinki Watch defendeu os membros da Carta 77 da Czechoslovak em 1978 que eram perseguidos pelas autoridades comunistas da época. Os resultados das suas investigações foram usadas pela Administração dos USA e pelos media de massas anti-socialistas ocidentais como um instrumento para pressionarem os Socialistas ainda leaders da Republica da Czechoslovakia.

    Um membro do Advisory Committee d US Helsinki Watch e a mulher do embaixador Americano em Praga em 1982-86 Wendy Luers tiveram quase o papel principal na propaganda de doutrinas liberais e pro-Americanas na Czechoslovakia. Quando foi eleito (1990) o Presidente da Czechoslovakia, Vaclav Havel declarou na sede central em New York do Human Rights Watch: “sei muito bem o que fizeram por nós, e talvez sem vocês, a nossa revolução não existisse.”

    Logo que se estabeleceu o regime pro-Americano na Czechoslovakia (no final de 1989), Wendy Luers organizou em Praga a Foundation for a Civic Society a que aderiu uma parte considerável dos intelectuais Checos que tinham assinado a Carta 77 em 1977. O dinheiro desta Foundation foi usado para financiar o Projecto sobre Justiça em Tempos de Transição com um orçamento anual de 3 milhões de US dollars. O objectivo do Projecto era “reforço da democracia, estado de direito, sociedade civil e economia de mercado”. No total, mais de 11 milhões de US dollars foram gastos pela Foundation for a Civic Society para apoiar estas actividades.

    Além do “reforço da democracia e da economia de mercado” na República Checa, a Foundation for Civic Society “tem dado emprego” a “conselheiros” Americanos e Europeus ocidentais em ministérios, municípios e noutros escritórios governamentais na República Checa e na Eslovakia. Em três anos (1995-1998) o Programa Democracy Network, uma organização criada por “conselheiros” do HRW com a ajuda da United States Agency for International Development (USAID) gastou mais de 5 milhões de US dollars no “desenvolvimento e reforço de organizações-não-governamentais (ONG) na República Checa e na Eslovakia” (http://www.fcsny.org/wendy.html). É absolutamente evidente que estas actividades da HRW não têm relação directa com a sua defesa dos direitos humanos. Mas testemunham eloquentemente os verdadeiros objectivos do Human Rights Watch e os seus planos concretos para os países da Europa do Leste.

    Desde o final dos anos 80, além da monitorização das violações dos direitos humanos que é comum às organizações de direitos humanos, o HRW começou a emitir Declarações onde “repreende” governos “em falta” pelo seu “mau comportamento”. Mais tarde, pelo meio dos anos 90, o HRW começou mesmo a recomendar à ONU e à NATO para punir devidamente governos faltosos. A Yugoslavia, o Estado que nem queria integrar a NATO, nem abrir as suas fronteiras à penetração incontrolada do capital financeiro das corporações transnacionais provocou um “raiva” especial no HRW e no seu principal dador George Soros.

    Assim, desde o princípio dos anos 90 do século XX alguns funcionários-“investigadores” do Human Rights Watch – Fred Abrahams, Peter Bouckaert, Rachel Denber, Lotte Leicht, Benjamin Ward, Joanne Mariner e Martina Vandenberg – começaram a visitar a Bosnia, Croacia e o Kosovo regularmente para coligir informação acerca das violações dos direitos humanos durante operações militares no interior do território Yugoslavo. Esta informação foi processada e emitida como “relatórios” e “declarações” durante mais de 10 anos.

    A enormíssima maioria destas publicações “condenaram” as autoridades da Servia (Presidente Radovan Karadzic) e Yugoslavia (Presidente Slobodan Milosevic) por “operações de limpeza étnica” e “genocídio” da população muçulmana e croata da Bosnia e Kosovo. O facto do HRW estar do lado dos separatistas – Croatas, Muçulmanos e Kosovares Albaneses – demonstra-se pela co-operação directa entre os leaders of HRW, o seu Advisory Committees e os separatistas Kosovares. Por exemplo, os membros do Advisory Committee da Europe e Central Asia (antigo US Helsinki Watch) Morton Abramowitz, foi um conselheiro para uma delegação de separatistas Kosovar Albaneses na negociação com a delegação Yugoslava em Rambouillet, França (January – February, 1999).

    Certamente que os funcionários da HRW funcionários não podiam ignorar completamente as atrocidades dos Croatas e Muçulmanos. Mas as “estatisticas” das Declarações do HRW de 1992 a 2001 foi a seguinte: 122 declarações do HRW foram emitidas em “violações dos direitos humanos” pelo lado Servio, 9 declarações – pelo lado Croata, 4 – pelo lado Bosniaco (Muçulmanos) e 6 – pelos Kosovares (UCK/KLA). É claro porque é que a opinião pública Europeia e Americana mudou depois de confrontada com tais estatisticas. Os regimes de R. Karadzic e S. Milosevic começaram a parecer criminais, e a imprensa pro-NATO começou a compará-los com Hitler e Estaline.

    Além da influência psicologica e informacional sistemática na opinião pública do Ocidente, o Human Rights Watch e o seu dador principal e ideólogo George Soros, começaram a formar infraestructuras “civis” e politicas opositoras ao regime de Milosevic. Esta estructura incluiu dúzias de ONG’s, “grupos civicos”, organizações de direitos humanos, clubs, companhias de radio e de TV, jornais e semanários. Fizeram-no para criar uma atmosfera “revolucionária” na Yugoslavia e não somente para apoiar a transição de poder sob o controlo de partidos “pro-ocidentais”, mas também para providenciar apoio a um novo regime pro-ocidental para um “estádio historico” necessário para mudanças fundamentais económicas e politicas na Yugoslavia (http://emperors-clothes.com/engl.htm#1).

    No Conselho de Directores de Fundos governamentais Americanos como o National Endowment for Democracy (NED), havia membros das estruturas liderantes do HRW (o mesmo Morton Abramowitz) e também tomaram parte nesta re-organização da sociedade em larga escala iniciada no final dos anos 80. Eis as palavras do funcionário do NED Paul McCarthy: “Os programas do NED apoiaram a sobrevivência duma quantidade consideravel da imprensa livre Yugoslava e a ruína de centros chaves da media de massas controlada pelo governo… reforçando fontes influentes de informação objectiva. A ajuda providenciada pelo NED a jornais, radio e TV broadcasting companhias uma oportunidade para comprar o equipamento de impressão e o equipamento para telecomunicações necessários. Entre os que receberam as nossas dádivas estão os jornais “Nasha Borba”, “Vremja” e “Danas”, uma companhia independente de TV broadcasting “TV Negotin” no sul da Servia, a popular agencia noticiosa BETA e a rádio de Belgrado “Radio B-92”.

    Isto é o Human Rights Watch, que inicialmente estabeleceu os chamados “Tribunais” para os leaders dos países “desobedientes”, Yugoslavia e Servia, em primeiro lugar – Radovan Karadzic and Slobodan Milosevic. Tal International Criminal Tribunal para a antiga Yugoslavia (ICTY) foi estabelecido em Fevereiro de 1993, e era uma violação directa do Regulamento da ONU. Três meses mais tarde o HRW emitiu um “Relatório” sobre o assassinato de cerca de 260 Croatas capturados, supostamente cometido em 20 de Novembro, 1991 por soldados Yugoslavos. O título desse relatório era extremamente significativo: “Castiguem-nos Agora! O Human Rights Publica 8 Casos para o International Criminal Tribunal da antiga Yugoslavia”. Apesar de não conter argumentos para acusar o Exército Yugoslavo com o assassínio de mais de duzentos Croatas, o prestígio da organização liderante dos direitos humanos foi suficiente para muita gente do Ocidente acreditar que todas estas acusações eram verdadeiras.

    Logo depois de emitir esse Relatório o Human Rights Watch iniciou uma campanha a que chamou “Prendam-nos Agora!” contra os leaders Yugoslavos. A liderança do Human Rights Watch informou os leitores com orgulho que “combinando o trabalho com advogados, trabalhando com a imprensa e a mobilização de enormes quantidades de pessoas forçámos os governos da NATO a prender os suspeitos (marcados pelo autor) ou forçámos estes a renderem-se”.

    Os DOUBLE STANDARDS do HUMAN RIGHTS WATCH

    Agora o HRW tem escritórios em cidades de 9 países do mundo – New York, Washington, Los Angeles, Brussels, London, Rio de Janeiro, Moscow, Tbilisi, Dushanbe, Hong Kong. O staff tem mais de 180 pessoas e o orçamento anual da organização é de 21,715,000 US dollars. Emite regularmente as suas “Declarações” e “Relatórios” em violações dos direitos humanos em quase cada país do mundo. Mas, como Orwell escreveu, “todas as pessoas são iguais, mas algumas são mais iguais que outras”. Para determinar quem é “mais igual” para o Human Rights Watch e quem o “não é tanto”, basta examinar as estatísticas das suas Declarações e Relatórios. Isso ilumina o grau dos double standards que o HRW usa em casos diferentes e quem deve ou não deve ser sujeito ao seu criticismo. Isto pode ser usado para testemunhar a evidente parcialidade do HRW em relação a “regimes” concretos e países.

    Quanto aos países da antiga URSS, o HRW emitiu 172 Declarações em violações dos direitos humanos de 1994 a 2001; 117 deles eram relativos à Rússia. Mas no mesmo período nenhum deles se relacionou com a Ukrania, 6 – diziam respeito ao Kazakstan e só 3 – ao Turkmenistan. Mesmo assim, o mesmo HRW culpou Nazarbayev e Niyazov por terem estabelecido regimes de poder pessoal, por suprimirem a liberdade de expressão, liberdade de imprensa, liberdade de reunião, por prisões de membros de partidos na oposição!

    E no mesmo periodo (1994-2001) o Human Rights Watch não emitiu NENHUMA Declaração de violações dos direitos humanos dos Russos que vivem na Letónia e na Estónia. Nem uma palavra acerca da captura de igrejas Orthodoxas na Ukrania ou a prisão de activistas Cossacos Russos no Kazakstan. O que disse sobre limpeza étnica no Tadzhikistan e no Kazakhstan? Somente duas Declarações sobre o Turkmenistan continha informação sobre limitações no uso do Russo em instituições governamentais e privadas e de perseguição criminal de activistas de organizações ilegais Russas.
    O que é que se passa? A resposta a estas questões nem se aproxima da esfera dos direitos humanos. Quoto Elizabeth Andersen: “Kazakstan é nosso aliado na Central Asia por causa dos seus recursos de gás e petróleo”. Não é uma citação da Conselheira do Presidente dos USA mas da Directora Executiva da delegação do Human Rights Watch da Europa e Central Asia. Consegue imaginar S. A. Kovalyov, o Presidente do “Memorial” a dizer tal frase?!

    O mesmo com o Turkmenistan que tem recursos ricos de gas e petróleo; Turkmenistan recebe anualmente 150-180 milhões de dollars do Congresso e instituições governamentais dos USA. Percebe o que isto implica? Se há uma possibilidade de centenas de biliões, os direitos humanos estão fora de questão!

    E que tal a defesa dos direitos humanos no Médio Oriente? Ninguém nega que o mais fora da lei e com um sistema de Estado medieval nesta região é a Arábia Saudita, onde enforcam membros de organizações na oposição em vez de apresentarem queixas contra eles e cortam cabeças em público aos que pertencem a minorias sexuais. Quantas Declarações sobre violações de direitos humanos na Saudi Arabia pensam que foram emitidas pelo Human Rights Watch durante o mesmo período de oito anos (1994-2001)? Somente oito. Tente comparar este número com o número de Declarações sobre violações de direitos humanos pelas autoridades Servias.

    As direcções do Human Rights Watch no conflito Israeli-Palestiniano é típico: cada ano aproximadamente um número igual de Declarações de violações dos direitos humanos por Israel ou Palestina é emitido. Israel foi “culpada” por 32 vezes, a Palestine – por 33. Mas esta “equalização no pecado” não salvou o HRW de acusações de não objectividade e preconceito dos dois lados do conflito.

    A maneira como o Human Rights Watch “informou” os leitores ocidentais acerca dos eventos na Chechenya: durante o periodo das operações militares de Setembro, 30, 1999 a Abril, 16, 2000, o HRW emitiu 41 Declarações sobre violações de direitos humanos na Chechenya. O lado Russo do conflito foi condenado por 38 declarações, o “Ichkerian” (“os combatentes Chechenos”, nos termos do HRW) – por uma (!) Declaração; ambos os lados foram condenados por duas Declarações. Desse modo, de acordo com a “informação” do HRW, o exército Russo, OMON (esquadrões especiais da policia squads) etc. violaram os direitos humanos 13 vezes mais frequentemente do que os “lutadores” de Basaev-Maskhadov-Abu Walid! Tomando em consideração que antes da segunda campanha Chechena o lado “Russo” do conflito foi condenada por activistas do HRW 19 vezes e os “Chechenos” – somente uma, quem no Ocidente pode duvidar da política colonial e “atroz” da Russia relativa à “nação Chechena amante da liberdade”?

    Actividades extremamente publicisticas do HRW na véspera da agressão dos USA contra o Iraque é uma ilustração do interesse dos HRW neste conflito. Uma das tarefas escondidas desta agressão é eliminar a ameaça potencial para Israel do regime de Saddam Hussein. Assim, vários meses antes do começo das operações militares o Human Rights Watch iniciou uma série de Relatórios e Declarações em violações dos direitos humanos no Iraque… 10 e mesmo 15 anos antes, incluindo o uso de armas químicas pelo regime de Hussein contra os separatistas Kurdos em 1987. É evidente o objectivo destas publicações: mostrar ao mundo os horrores do governo de Saddam e através disto reduzir a esperada reacção negativa à agressão dos USA contra a República Iraquiana. Mas para não levantar a suspeita do HRW de solidariedade com a Administração Bush o Human Rights Watch preferiu não declarar qual a sua posição na guerra do Iraque.(…)

    “http://www.global-elite.org/elitewiki/index.php?title=Human_Rights_Watch”

  34. António Figueira: tentei novamente enviar uma posta sobre o HRW (mais pequena!) mas saiu-me esta mensagem: “Thank you for commenting.
    Your comment has been received and held for approval by the blog owner.” Se puder então s.f.f. “mexer” no tal botão, agradeço antecipadamente.

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  35. Acho que já percebi como é que se faz (aprender, aprender sempre…). Posso eliminar o seu comentário mais extenso, de que este mais recente é a tradução?

  36. OK. Entretanto já saiu. Obrigado António Figueira.

    Se o bluegift ainda precisar de mais informações eu já tenho o artigo todo traduzido e posso postar as restantes partes que são bastante significativas para compreender estas questões.

    Quanto ao João Pedro, por agora lembro-lhe só que de facto o então presidente da Câmara de Lisboa, João Soares, e o vereador António Abreu foram – e muito bem! – a Belgrado, por convite do Presidente da Câmara de Belgrado – que até era da oposição – levar a sua solidariedade e a solidariedade do povo de Lisboa. E também lá foi o deputado comunista António Filipe e a jornalista do Avante Anabela Fino que fez reportagens extremamente interessantes e nos deram com clareza o sofrimento dum povo e dum país sujeito a bárbaros e continuados bombardeamentos.

    Lembro também ao João Pedro que o tal “Tribunal” (o mesmo que agora matou Milosevic) nem sequer aceitou a queixa do governo Jugoslavo contra estes bombardeamentos desumanos e ilegais perante a lei internacional. Nem sequer aceitou estas queixas! e lembro-lhe também que o único jornal português que transcreveu na íntegra o tal “Anexo B”, anexo secreto, foi o o Avante.

    Talvez seja por isto, João Pedro que eu tenho uma posição diferente da sua. Eu leio tudo, de todas as fontes. O João Pedro pelo que parece só lê o que interessas aos HRW e aos prós-NATO. E é importante uma pessoa ler o que dizem os agressores e as vítimas para podermos com consciência defender as vítimas. E na Jugoslávia as vítimas foram os que a NATO bombardeou.

  37. Meu caro João Pedro, basta dar uma vista de olhos pela imprensa de hoje para perceber a diversidade de opinião que existe acerca deste tema, de criminoso para cima não me pareceu encontrar ninguém com uma opinião que fosse muito diferente e as televisões o mesmo; eis a nossa “democracia” informativa. O pensamento único.

    É claro que esse chavão da “imprensa capitalista” é mais uma treta dos comunistas; “O público” não é do Belmiro, o Diário de Noticias, Jornal de Noticias, 24Horas, Tal e Qual, TSF não é da CONTROLINVESTE (se calhar já não é…), a SIC, O Expresso não são do Balsemão, a TVI não é da PRISA (se calhar ainda não é), e… por aí a fora.

    Sobre as invenções, recordo-me ainda duma verdade; que o UCK esse grupo terrorista que desencadeou o terror e o conflito no Kosovo que criou o pretexto para a intervenção da NATO.
    Quanto ao desejo da “Grande Sérvia” por parte de Milosevic, essa é daquelas invenções que foram colocadas a circular para justificar o desmembramento da Jugoslávia e que não tem fundamento, por mais que seja repetida por este “pensamento único”, mesmo assim não se transformará em verdade.

  38. Meu caro João Pedro, basta dar uma vista de olhos pela imprensa de hoje para perceber a diversidade de opinião que existe acerca deste tema, de criminoso para cima não me pareceu encontrar ninguém com uma opinião que fosse muito diferente e as televisões o mesmo; eis a nossa “democracia” informativa. O pensamento único.

    É claro que esse chavão da “imprensa capitalista” é mais uma treta dos comunistas; “O público” não é do Belmiro, o Diário de Noticias, Jornal de Noticias, 24Horas, Tal e Qual, TSF não é da CONTROLINVESTE (se calhar já não é…), a SIC, O Expresso não são do Balsemão, a TVI não é da PRISA (se calhar ainda não é), e… por aí a fora.

    Sobre as invenções, recordo-me ainda duma verdade; que o UCK esse grupo terrorista que desencadeou o terror e o conflito no Kosovo que criou o pretexto para a intervenção da NATO.
    Quanto ao desejo da “Grande Sérvia” por parte de Milosevic, essa é daquelas invenções que foram colocadas a circular para justificar o desmembramento da Jugoslávia e que não tem fundamento, por mais que seja repetida por este “pensamento único”, mesmo assim não se transformará em verdade.

  39. Meu caro João Pedro, basta dar uma vista de olhos pela imprensa de hoje para perceber a diversidade de opinião que existe acerca deste tema, de criminoso para cima não me pareceu encontrar ninguém com uma opinião que fosse muito diferente e as televisões o mesmo; eis a nossa “democracia” informativa. O pensamento único.

    É claro que esse chavão da “imprensa capitalista” é mais uma treta dos comunistas; “O público” não é do Belmiro, o Diário de Noticias, Jornal de Noticias, 24Horas, Tal e Qual, TSF não é da CONTROLINVESTE (se calhar já não é…), a SIC, O Expresso não são do Balsemão, a TVI não é da PRISA (se calhar ainda não é), e… por aí a fora.

    Sobre as invenções, recordo-me ainda duma verdade; que o UCK esse grupo terrorista que desencadeou o terror e o conflito no Kosovo que criou o pretexto para a intervenção da NATO.
    Quanto ao desejo da “Grande Sérvia” por parte de Milosevic, essa é daquelas invenções que foram colocadas a circular para justificar o desmembramento da Jugoslávia e que não tem fundamento, por mais que seja repetida por este “pensamento único”, mesmo assim não se transformará em verdade.

  40. Só mais uma coisa; segundo a televisão pública holandesa (NOS) que cita um conselheiro do TPIY; “Análises realizadas por médicos holandeses indicaram que no sangue de Milosevic havia substancias ministradas para a lepra e tuberculose, que neutralizam a medicação contra a hipertensão”.

  41. Os comunistas estão cada vez mais folclóricos. Trocar Feuerbach e Marx por Negri e Chomsky dá nisto. Já andam com as mesmas teorias de conspiração dos divisionistas de esquerda. António Silva: se bem me lembro o jargão do partido era “imprensa burguesa”, não “imprensa capitalista”. Até estas preciosas marcas identitárias se perdem?

  42. João Pedro. Já que mencionou o “massacre de Sebrenica” e a “expulsão de kosovares” vou-me servir dum texto de Diana Johnstone que encontrei em (http://resistir.info/europa/cruzada_de_cegos_5.html):

    (…) “A justificação para o bombardeamento desejado por Holbrooke chegou mesmo a tempo, em 28 de Agosto de 1995, coincidindo com a sua chegada a Paris para se encontrar com Izetbegovic e Muhamed Sacirbey. Uma horrível explosão no centro de Sarajevo despedaçou dezenas de transeuntes. Do seu quartel-general em Pale, os sérvios acusaram os muçulmanos de terem feito o massacre para obterem a intervenção da NATO. Alguns especialistas militares britânicos suspeitavam da mesma coisa, e o secretário-geral das Nações Unidas, Boutros Boutros-Ghali, pediu um inquérito. “Tudo isso não tinha qualquer importância”, segundo Holbrooke. “O que contava era a possibilidade de os Estados Unidos agirem de maneira decisiva e persuadirem os seus aliados a participarem no tipo de campanha aérea maciça de que tantas vezes tínhamos falado…”

    Esse bombardeamento foi a base da mentira segundo a qual “são necessárias as bombas para levar Miloševic à mesa das negociações”. Estaria mais perto da verdade dizer que eram necessárias bombas para levar Izetbegovic à mesa das negociações. Mas a ideia de que só um bom bombardeamento poderia fazer avançar a paz visava justificar a primeira ordem de activação da NATO em 13 de Outubro de 1998. Na véspera dessa ordem, Miloševic aceitou o cessar-fogo unilateral imposto por Richard Holbrooke. A sua atitude conciliatória não fez mais do que confirmar a eficácia das ameaças militares aos olhos daqueles que, como Madeleine Albright, olhavam a Jugoslávia principalmente como uma oportunidade para fazer a demonstração do poderio militar dos Estados Unidos.

    No acordo de Outubro, Miloševic aceitou reduzir as forças no Kosovo para 20 mil homens e conceder livre acesso ao Kosovo a 2000 “verificadores” da OSCE para vigiarem a aplicação da trégua. Miloševic poderia razoavelmente esperar uma certa compensação, a saber, que a OSCE e os americanos refreassem as operações ofensivas do UÇK. O facto de isso não ter acontecido obrigou Belgrado a defender-se com as forças deixadas no local.

    Se o UÇK fosse neutralizado, Rugova e outros dirigentes albaneses reconhecidos poderiam ousar entrar em negociações para procurar uma solução de compromisso, conforme com a política declarada dos Estados Unidos: uma ampla autonomia sem secessão. Mas nesse preciso momento os Estados Unidos tornaram impossível qualquer solução negociada ao apoiarem, mais ou menos abertamente, a luta armada do UÇK.

    Ainda antes da criação oficial pela OSCE da Missão de Verificação no Kosovo (MVK), os Estados Unidos tinham persuadido o ministro dos Negócios Estrangeiros polaco, Bronislaw Geremek, que nesse momento ocupava a presidência rotativa da OSCE, a nomear um diplomata americano para a dirigir. E não um qualquer: o escolhido por Washington, William Walker, tinha dado as suas provas na gestão violenta das “repúblicas das bananas” da América Central. Os europeus queixaram-se em privado dessa ausência de consulta, mas deixaram passar.

    A “catástrofe humanitária”, anunciada como consequência inevitável das operações de repressão sérvias, não se verificou. Os civis que tinham fugido das aldeias para escaparem aos combates regressaram. Como confirmou mais tarde o general alemão Klaus Naumann, que tinha participado no ultimato de Holbrooke, Miloševic “fez na verdade aquilo que lhe tínhamos pedido”. Cumpriu a sua promessa de retirar o grosso das suas forças, e além disso, no espaço de 48 horas, tinha confinado cerca de 6000 polícias e soldados aos seus quartéis, constatou a MVK. Mas ainda mal os sérvios tinham obedecido e já o UÇK, aproveitando a situação, avançava, tomando posições ofensivas e provocando os sérvios para que violassem o cessar-fogo. O comandante do UÇK, Agim Çeku, recordou mais tarde: “O cessar-fogo foi-nos muito útil. Ele permitiu organizar-nos, consolidar-nos e aumentar as nossas forças.”

    Os “verificadores” chegaram a conta-gotas em fins do Outono de 1998. A maioria deles era emprestada pelos serviços de informações ou militares. No princípio de Novembro havia no local apenas 200 dos 2000 previstos, e 150 deles eram mercenários modernos empregados pela empresa DynCorp, com sede na Virgínia, nas proximidades do Pentágono e da CIA, uma empresa privada de antigos oficiais que trabalham sob contrato para o governo dos Estados Unidos. Os europeus da MVK puderam observar que Walker e o seu adjunto britânico, o general John Drewienkiewicz, encarregado da segurança, “cultivavam relações privilegiadas com as facções do UÇK” . Os anglo-americanos bloquearam qualquer cooperação com a polícia sérvia, informando-se unicamente junto do pessoal albanês próximo do UÇK. Segundo os verificadores europeus e canadianos, quem apresentasse um relatório sobre violações dos direitos humanos por parte do UÇK podia contar com ameaças de morte. Para se orientarem nesta pequena província, os verificadores foram equipados com aparelhos do sistema americano GPS ( geographic positioning system ), capazes de fixar as coordenadas geográficas dos quartéis, dos arsenais, das esquadras e de outros alvos potenciais dos bombardeamentos da NATO. Afirmou um verificador suíço: “Compreendemos desde o início que as informações recolhidas pelas patrulhas da OSCE durante a nossa missão eram destinadas a completar as informações que a NATO tinha já reunido por satélite. Tínhamos a forte impressão de estar a fazer espionagem para a Aliança Atlântica.”

    Pelo fim do ano, crescia o descontentamento com os métodos de Walker e de Drewienkiewicz e o desprezo destes pelos outros cinco países representados na missão. O facto de só o lado sérvio ter sido obrigado a aceitar o cessar-fogo e de, por conseguinte, ser tecnicamente o único em condições de violá-lo, equivalia a convidar abertamente o UÇK a uma escalada das hostilidades e a provocar represálias sérvias. O chefe-adjunto francês da MVK, embaixador Gabriel Keller, queixou-se de que “cada retirada do exército jugoslavo ou da polícia sérvia era seguida de um avanço das forças do UÇK”. O UÇK aproveitou-se da contenção sérvia “para consolidar as suas posições em toda a parte, continuando a fazer entrar armas da Albânia, raptando e assassinando civis e pessoal militar, albaneses e sérvios”. Em privado, Keller exprimiu a sua convicção de que Walker tinha sabotado deliberadamente a missão e de que a sua única obsessão tinha sido “manter o UÇK para os americanos”. Um ano depois, tarde de mais para influenciar os acontecimentos, disse-se abertamente que a MVK era uma “frente da CIA” que tinha explorado e destruído aquilo que poderia ter sido uma missão de paz, para, pelo contrário, levar o UÇK a combater os sérvios. (…)”

    Diana Johnstone é uma jornalista, americana, residente em Paris. Trabalhou para a Agence France Presse e diversas publicações, incluindo Le Monde Diplomatique.

    Entre 1979 e 1989 foi correspondente europeia do semanário social-democrata de Chicago In These Times. O seu livro The Politics of Euromissiles: Europe in America’s World foi publicado pela editora Verso, Londres, 1984.

    De 1990 a 1996 foi adida de imprensa do Grupo Verde no Parlamento Europeu.

    Este texto é extraído do capítulo 5 (O novo modelo imperial) de Cruzada de cegos: Jugoslávia, a primeira guerra da globalização , Editorial Caminho, Lisboa, 2006, 381 pgs., ISBN 972-21-1764-5.

    Este texto encontra-se em http://resistir.info/ .

    PS: claro que lhe recomendo vivamente a leitura do livro.

  43. António Silva: não sei se reparou que o “enviado” da RTP em Bruxelas e que foi um dos jornalistas que o Sampaio condecorou há um ano, teve a lata de dizer que ninguém em Belgrado fala da morte do Milosevic, o que até me pareceu que incomodou a Judite de Sousa. Lembro-me dos relatos “épicos” desta parcialíssima criatura quando dos bombardeamentos da Jugoslávia, até parecia que competia com a Amamphour da CNN sobre quem é que demonizava mais os Jugoslavos e Milosevic. E trabalha esta espécime para a Televisão pública!

    Cordobes: agradeço-lhe a referência que me mandou mas terá que ficar para o serão de amanhã, pois fiquei todo o fim-de-semana presa na internet e tenho pelo menos agora que pôr alguma ordem na minha casa. Boa noite a todos!

  44. É de louvar o esforço de informar que alguns utilizadores vieram trazer em resposta a este artigo. Dito isto, acho incontornável que Milosevic era um ditador que morreu de uma forma que muitos dos seus detractores desejariam e graças ele não puderam.

  45. Margarida: o argumento da “imprensa controlada” está estafado e eu não me deixo levar por ele. é mito frequente quando se quer provar o inexistente, portanto por aí nada feito.
    Mas as imagens não mentem. e não me baseio apenas nas notíicias, mas em vários amigos sérvios que tive o prrazer de conhecer nos últimos anos. O que é curioso é que a Margarida d´-me um texto das mesmas duas únicas pessoas como se fossem verdades inolvidáveis e acha que todos os outros mentem. Tem de reconhecer que é pouco. Mais ainda, não consegue provar o contrário do que eu disse, apenas menciona umas supostas frases de holbrooke e nada mais. De onde é que surgiram aquelas valas comuns, então? foram inventadas? E o exército sérvio, era assim tão fraco que não se pudesse opôr ao UÇK? E as considerações na Primavera de 99? Também não vejo nenhuma referência. Em relação ás invenções do avante sobre o “fiasco” da greve geral, idem. foi precisamente antónio Filipe que disse que a greve não estava a ter adesão. As revoltas que se viam eram contra o governo de Milosevic, não contra os bombardeamentos (que já haviam cessado). Governo esse que caiu logo a seguir, ou teria sido igualmente uma notícia da “imprensa capitalista”?
    Interessante também ver como a Margarida já sabe que o TPI é que matou Milosevic. Já saíram as conclusões da autópsia? e será que o TPI é bom para umas coisas e mau para outras?

  46. João Pedro, claro que o Milosevic é culpado! Então o “monstro de Belgrado” e “carniceiro dos Balcãs” podia lá ser outra coisa?
    E é óbvio que, como insinua Carla del Ponte, o tipo se matou só para não ouvir a sentença… além de culpado ainda por cima é desmancha-prazeres, não é?
    Coitados dos procuradores, tanto trabalho e agora…

    Como acha que o que a Margarida escreve não merece credibilidade, por escassez de fontes, aqui vai um inquérito
    http://www.aporrea.org/dameletra.php?docid=20170
    e mais umas fontes
    http://www.michelcollon.info/articles.php?dateaccess=2004-05-01%2018:34:54&log=articles

    http://www.michelcollon.info/articles.php?dateaccess=2006-01-06%2010:02:17&log=articles

    http://www.balkanalysis.com/modules.php?name=News&file=article&sid=639
    (ver links)

    É que eu, como este senhor
    http://www.michelcollon.info/articles.php?dateaccess=2006-01-06%2010:02:17&log=articles
    também, desde essa altura, fiquei perplexo com os motivos, com as justificações e com as mentiras da imprensa em que você acredita.

  47. João Pedro,

    Com que então o argumento da imprensa controlada está estafado e não se deixa levar por ele? Nem outra coisa podia sair duma cabecinha tão iluminada como a sua!

    As imagens não mentem? Onde é que você anda quanda não anda a cagar postas de pescada? A própria ITN foi apanhada com a boca na botija a enviar imagens “falsas” para o publico inglês mas teve o azar de ser seguida por outros que a filmaram.

    Verifique isso no site da Emperor Clothes se quizer falar com conhecimento de causa. E se há aqui alguem que não pode provar nada do que diz, você é sem dúvida nenhuma o que reune mais condições para reclamar esses louros.

    Entiende?

  48. Certo, mas esquecemo-nos dos principais criminosos de guerra a enviar urgentemente para Haia: Bush, Blair e SSharon (este último sobrevive como repolho…). E, claro, há que estabelecer a pena de morte para “gibier de potence” deste calibre. Como em Nuremberga…

  49. Que me perdõe o António Figueira, mas como o João Pedro não foi à montanha eu trago a montanha ao João Pedro. Eis com fontes e tudos o artigo da Diana:

    Jugoslávia, a primeira guerra da globalização
    por Diana Johnstone [*]

    Clique a imagem para aceder à editora’. BOMBAS PARA A PAZ

    Durante o Inverno de 1997-1998, o UÇK anunciou o início da batalha pela unificação do Kosovo com a Albânia, intensificando os seus ataques contra polícias e civis. Perante a imprensa em Priština, e depois em Belgrado, em 23 de Fevereiro de 1998, o representante dos Estados Unidos para a antiga Jugoslávia, Robert Gelbard, declarou que o UÇK era “um grupo terrorista sem qualquer dúvida” e “condenou fortemente” as actividades terroristas no Kosovo. Quatro dias depois, o UÇK matou quatro polícias numa emboscada. Então Belgrado começou a fazer aquilo que o governo dos Estados Unidos teria feito em caso semelhante: esmagar sem piedade os insurrectos “terroristas”.

    Durante o Verão de 1998, as forças de segurança sérvias prosseguiram operações clássicas de contra-insurreição, visando retomar o território ocupado pelo UÇK. Washington distanciou-se progressivamente da descrição feita por Gelbard do UÇK como um “grupo terrorista”. Numa conferência de imprensa no Pentágono, em 29 de Junho de 1998, um porta-voz explicou que “a secretária de Estado determina um procedimento especial quando uma organização é ‘organização terrorista’. Essa determinação não foi feita no caso do UÇK, é tudo”. Só Madeleine Albright tinha o poder de definir a natureza do UÇK.

    Mapa Jugoslávia.

    Conduzido pelos Estados Unidos e pela Alemanha, o Grupo de Contacto publicou condenações de Belgrado e renovou as sanções contra a Jugoslávia. Esta intervenção das grandes potências continuava obscura nos seus objectivos e contraditória nas suas acções. As potências da NATO reiteravam que o Kosovo devia continuar a ser parte da Jugoslávia… mas acusavam apenas Belgrado quando os albaneses se recusavam a negociar, insistindo em que só discutiriam a independência. Sobre a questão política fundamental — o estatuto do Kosovo — as potências da NATO aceitavam a posição de Belgrado, enquanto a condenavam pelo excessivo uso da força… o que viria a ser o pretexto para a NATO utilizar uma força ainda mais excessiva para atingir o objectivo contrário: a separação de facto do Kosovo da Jugoslávia.

    A análise das particularidades históricas e políticas do conflito do Kosovo tendia a ser substituída pela analogia com a Bósnia, entendida como oferecendo um “padrão” de comportamento sérvio que, sem intervenção da “comunidade internacional”, seria repetido no Kosovo. Sem avaliar as injustiças, os erros e os temores de todos os lados, era mais fácil explicar tudo pela noção simplista de um “pérfido ditador”, sedento de sangue, que aproveitaria todas as ocasiões para matar a seu bel-prazer. Era a época da moda dos “assassinos em série”.

    Quase ninguém reparou que os Estados Unidos eram “bombardeiros em série”. A cada crise internacional, há sempre entusiastas da aviação militar que vêem nela uma oportunidade para fazer a demonstração da superioridade dos Estados Unidos nesse domínio. Em 1995, a administração Clinton apressou-se a bombardear os sérvios da Bósnia, em parte para assegurar o controlo das negociações. Nessa época Richard Holbrooke sabia bem, como sublinha muitas vezes no seu livro To End a War, que Miloševic queria a todo o custo fazer a paz na Bósnia-Herzegovina para pôr fim às sanções que estrangulavam a Sérvia. Era Izetbegovic quem queria continuar a guerra [58] .

    A justificação para o bombardeamento desejado por Holbrooke chegou mesmo a tempo, em 28 de Agosto de 1995, coincidindo com a sua chegada a Paris para se encontrar com Izetbegovic e Muhamed Sacirbey. Uma horrível explosão no centro de Sarajevo despedaçou dezenas de transeuntes. Do seu quartel-general em Pale, os sérvios acusaram os muçulmanos de terem feito o massacre para obterem a intervenção da NATO. Alguns especialistas militares britânicos suspeitavam da mesma coisa, e o secretário-geral das Nações Unidas, Boutros Boutros-Ghali, pediu um inquérito. “Tudo isso não tinha qualquer importância”, segundo Holbrooke. “O que contava era a possibilidade de os Estados Unidos agirem de maneira decisiva e persuadirem os seus aliados a participarem no tipo de campanha aérea maciça de que tantas vezes tínhamos falado…” [59]

    Esse bombardeamento foi a base da mentira segundo a qual “são necessárias as bombas para levar Miloševic à mesa das negociações”. Estaria mais perto da verdade dizer que eram necessárias bombas para levar Izetbegovic à mesa das negociações. Mas a ideia de que só um bom bombardeamento poderia fazer avançar a paz visava justificar a primeira ordem de activação da NATO em 13 de Outubro de 1998. Na véspera dessa ordem, Miloševic aceitou o cessar-fogo unilateral imposto por Richard Holbrooke. A sua atitude conciliatória não fez mais do que confirmar a eficácia das ameaças militares aos olhos daqueles que, como Madeleine Albright, olhavam a Jugoslávia principalmente como uma oportunidade para fazer a demonstração do poderio militar dos Estados Unidos.

    No acordo de Outubro, Miloševic aceitou reduzir as forças no Kosovo para 20 mil homens e conceder livre acesso ao Kosovo a 2000 “verificadores” da OSCE para vigiarem a aplicação da trégua. Miloševic poderia razoavelmente esperar uma certa compensação, a saber, que a OSCE e os americanos refreassem as operações ofensivas do UÇK. O facto de isso não ter acontecido obrigou Belgrado a defender-se com as forças deixadas no local [60] .

    Se o UÇK fosse neutralizado, Rugova e outros dirigentes albaneses reconhecidos poderiam ousar entrar em negociações para procurar uma solução de compromisso, conforme com a política declarada dos Estados Unidos: uma ampla autonomia sem secessão. Mas nesse preciso momento os Estados Unidos tornaram impossível qualquer solução negociada ao apoiarem, mais ou menos abertamente, a luta armada do UÇK.

    Ainda antes da criação oficial pela OSCE da Missão de Verificação no Kosovo (MVK), os Estados Unidos tinham persuadido o ministro dos Negócios Estrangeiros polaco, Bronislaw Geremek, que nesse momento ocupava a presidência rotativa da OSCE, a nomear um diplomata americano para a dirigir. E não um qualquer: o escolhido por Washington, William Walker, tinha dado as suas provas na gestão violenta das “repúblicas das bananas” da América Central. Os europeus queixaram-se em privado dessa ausência de consulta, mas deixaram passar [61] .

    A “catástrofe humanitária”, anunciada como consequência inevitável das operações de repressão sérvias, não se verificou. Os civis que tinham fugido das aldeias para escaparem aos combates regressaram. Como confirmou mais tarde o general alemão Klaus Naumann, que tinha participado no ultimato de Holbrooke, Miloševic “fez na verdade aquilo que lhe tínhamos pedido”. Cumpriu a sua promessa de retirar o grosso das suas forças, e além disso, no espaço de 48 horas, tinha confinado cerca de 6000 polícias e soldados aos seus quartéis, constatou a MVK. Mas ainda mal os sérvios tinham obedecido e já o UÇK, aproveitando a situação, avançava, tomando posições ofensivas e provocando os sérvios para que violassem o cessar-fogo. O comandante do UÇK, Agim Çeku, recordou mais tarde: “O cessar-fogo foi-nos muito útil. Ele permitiu organizar-nos, consolidar-nos e aumentar as nossas forças.” [62]

    Os “verificadores” chegaram a conta-gotas em fins do Outono de 1998. A maioria deles era emprestada pelos serviços de informações ou militares. No princípio de Novembro havia no local apenas 200 dos 2000 previstos, e 150 deles eram mercenários modernos empregados pela empresa DynCorp, com sede na Virgínia, nas proximidades do Pentágono e da CIA, uma empresa privada de antigos oficiais que trabalham sob contrato para o governo dos Estados Unidos [63] . Os europeus da MVK puderam observar que Walker e o seu adjunto britânico, o general John Drewienkiewicz, encarregado da segurança, “cultivavam relações privilegiadas com as facções do UÇK” [64] . Os anglo-americanos bloquearam qualquer cooperação com a polícia sérvia, informando-se unicamente junto do pessoal albanês próximo do UÇK. Segundo os verificadores europeus e canadianos, quem apresentasse um relatório sobre violações dos direitos humanos por parte do UÇK podia contar com ameaças de morte. Para se orientarem nesta pequena província, os verificadores foram equipados com aparelhos do sistema americano GPS ( geographic positioning system ), capazes de fixar as coordenadas geográficas dos quartéis, dos arsenais, das esquadras e de outros alvos potenciais dos bombardeamentos da NATO. Afirmou um verificador suíço: “Compreendemos desde o início que as informações recolhidas pelas patrulhas da OSCE durante a nossa missão eram destinadas a completar as informações que a NATO tinha já reunido por satélite. Tínhamos a forte impressão de estar a fazer espionagem para a Aliança Atlântica.” [65]

    Pelo fim do ano, crescia o descontentamento com os métodos de Walker e de Drewienkiewicz e o desprezo destes pelos outros cinco países representados na missão. O facto de só o lado sérvio ter sido obrigado a aceitar o cessar-fogo e de, por conseguinte, ser tecnicamente o único em condições de violá-lo, equivalia a convidar abertamente o UÇK a uma escalada das hostilidades e a provocar represálias sérvias. O chefe-adjunto francês da MVK, embaixador Gabriel Keller, queixou-se de que “cada retirada do exército jugoslavo ou da polícia sérvia era seguida de um avanço das forças do UÇK”. O UÇK aproveitou-se da contenção sérvia “para consolidar as suas posições em toda a parte, continuando a fazer entrar armas da Albânia, raptando e assassinando civis e pessoal militar, albaneses e sérvios”. Em privado, Keller exprimiu a sua convicção de que Walker tinha sabotado deliberadamente a missão e de que a sua única obsessão tinha sido “manter o UÇK para os americanos” [66] . Um ano depois, tarde de mais para influenciar os acontecimentos, disse-se abertamente que a MVK era uma “frente da CIA” que tinha explorado e destruído aquilo que poderia ter sido uma missão de paz, para, pelo contrário, levar o UÇK a combater os sérvios [67] .

    RACAK: CASUS BELLI PARA A NATO

    Em Janeiro de 1999, o UÇK intensificou os seus ataques. Na manhã de 15 de Janeiro, a polícia sérvia cercou a aldeia de Racak em perseguição de combatentes do UÇK que acabavam de matar cinco guardas e dois civis albaneses numa emboscada nas redondezas. As autoridades informaram a MVK da operação, convidando os observadores a acompanhá-la. A operação foi filmada por uma equipa local de televisão da Associated Press. Nessa noite, um comunicado do Ministério do Interior sérvio anunciou que a operação tinha conseguido matar “várias dezenas de terroristas”.

    No entanto, o UÇK reocupou rapidamente a aldeia.

    No dia seguinte, acompanhado por meios de informação ocidentais e albaneses, Walker deixou-se guiar pelos homens do UÇK até uma ravina perto da aldeia, onde estavam amontoados uns vinte cadáveres. Diante das câmaras, Walker depressa interpretou os “rostos dilacerados” como prova de uma “execução à queima-roupa”, “um massacre, um crime contra a humanidade”, cometidos por “pessoas para as quais a vida humana não tem valor” — quer dizer, pelos sérvios. Aparentemente muito emocionado, o embaixador Walker declarava-se sem palavras “para descrever a minha indignação à vista daquilo que se pode descrever como uma atrocidade inominável”. E acrescentou: “Já estive noutras zonas de guerra e vi alguns actos bastante horrendos, mas isto ultrapassa tudo aquilo que vi antes.”

    E Walker tinha sem dúvida visto muita coisa. A sua experiência “noutras zonas de guerra” fora adquirida na América Central, onde os “actos bastante horrendos” tinham sido cometidos sobretudo pelas forças que ele próprio apoiava em nome do seu governo. As suas missões no Salvador e nas Honduras nos anos 70 e 80 envolveram-no na criação de uma operação “humanitária” simulada para servir de cobertura ao tráfico de armas e de material para os mercenários “Contras” que semeavam o terror na Nicarágua, para desestabilizar o governo sandinista. (Por uma curiosa coincidência, um telegrama da Agência France Presse de 18 de Janeiro de 1999 informava que um filho de Walker trabalhava para uma organização não governamental no Kosovo.) Walker ajudava o exército das Honduras na época em que este criou esquadrões da morte e fez “desaparecer” cerca de 200 estudantes e sindicalistas de esquerda [68] . Na madrugada de 16 de Novembro de 1989, num momento em que Walker era embaixador dos Estados Unidos em Salvador, os homens do sinistro “batalhão Atlacatl”, cujos oficiais eram na sua maioria diplomados pela conhecida School of the Americas (viveiro americano dos militares que grassavam pela América Latina), entraram num dormitório da Universidade da América Central, tiraram seis padres jesuítas das suas camas e fuzilaram-nos à queima-roupa antes de assassinarem da mesma maneira a cozinheira e a sua filha de 15 anos. O embaixador Walker deu imediatamente mostras de compaixão… pelo comandante dos assassinos, o chefe de Estado-Maior, coronel Rene Emilio Ponce. “Em semelhante situação existem problemas de gestão do controlo”, observou ele. Sem aprovar, o embaixador sublinhou que “em tempos como estes, de grande emoção e grande cólera, coisas como estas acontecem”.

    Depois dos seus longos anos de serviço na coutada de Washington, Walker partilhou a sua experiência com os estudantes da National Defense University, antes de receber a sua primeira missão na Europa, em 1996, como administrador transitório para a missão de manutenção da paz da ONU na Eslavónia oriental, que transferiu para a Croácia o território ocupado pelos sérvios. O menos que se pode dizer é que a folha de serviços do senhor Walker não parece adequar-se a contribuir para a paz e a reconciliação numa zona particularmente sensível.

    A descrição feita por Walker do incidente de Racak foi rejeitada com indignação pelas autoridades sérvias. O presidente sérvio, Milan Milutinovic, acusou Walker de uma “série de mentiras e invenções” visando “afastar as atenções do terroristas, dos assassinos e dos raptores e protegê-los tal como os tem protegido constantemente”. O presidente sérvio denunciou a recusa de Walker de reconhecer a ilegalidade dos actos terroristas do UÇK, que tinha provocado a polícia, obrigando-a a defender-se. Esses protestos foram totalmente ignorados pelos políticos e pelos meios de informação ocidentais, que davam grande eco às acusações de Walker. O conflito do Kosovo era reduzido à perseguição gratuita de civis albaneses inocentes e indefesos, entregues às forças sádicas dos sérvios enfurecidos. Na sua versão maniqueísta, assinada por Walker, “Racak” tornou-se o casus belli de que a NATO necessitava para lançar os seus bombardeiros contra a Jugoslávia. A estratégia de provocação do UÇK tinha resultado — graças à ajuda dos americanos.

    Por que razão, interrogaram-se alguns observadores, em vez de ir pedir explicações às autoridades sérvias próximas, se fechou Walker durante meia hora com os chefes do UÇK de Racak? Mais tarde, Walker negou ter consultado responsáveis americanos por telemóvel. No entanto, o comandante da NATO, Wesley Clark, e Richard Holbrooke declararam ambos que Walker lhes tinha telefonado de Racak.

    No dia seguinte à muito mediatizada “descoberta” de Walker, o Conselho da NATO reuniu-se de emergência para ameaçar lançar os ataques aéreos e para declarar que os acontecimentos de Racak “representam uma violação flagrante do direito internacional”. Algumas semanas depois, em vésperas dos bombardeamentos da NATO, o presidente Clinton declarou: “Devemos recordar o que se passou na aldeia de Racak em Janeiro, os homens, mulheres e crianças levados de suas casas até à ravina, obrigados a ajoelhar-se na lama, crivados de balas — não por alguma coisa que tivessem feito, mas por serem o que eram.” Joschka Fischer declarou que “Racak foi para mim uma viragem”, o acontecimento que justificava a intervenção militar fora da zona de defesa da NATO.

    A “viragem” de Racak conduziu directamente às pseudo-“negociações” de Rambouillet, ocasião de um ultimato de Washington que visava justificar a campanha militar da NATO contra a Jugoslávia.

    As acusações de Walker conseguiram justificar a guerra, apesar de muitos membros da MVK não estarem nada de acordo com a maneira espectacular e tendenciosa como ele havia tratado o acontecimento. A MVK sabia perfeitamente que Racak era uma base do UÇK. Situada a uns quinhentos metros a sul da cidade-encruzilhada de Stimlje, não longe do futuro “Camp Blondsteel”, Racak estava rodeada de trincheiras, típicas das aldeias transformadas em fortalezas pelo UÇK. As autoridades acreditavam que aquela aldeia abrigava as unidades do UÇK que recentemente tinham feito emboscadas, raptos e assassínios nas redondezas. Alguns sérvios raptados nas proximidades durante o Verão de 1998 nunca tinham sido encontrados.

    Mapa Kosovo.

    As vítimas não eram apenas sérvias. Em Dezembro de 1998 e Janeiro de 1999, o UÇK “prendeu” dezassete albaneses acusados de delitos tais como “relações de amizade com os sérvios”. Segundo um relatório da MVK, o UÇK aproveitou os funerais celebrados para onze das vítimas de Racak, que tinham atraído Walker, os meios de informação internacionais e milhares de albaneses, para raptar nove albaneses acusados de crimes como ter um irmão que trabalhava para a polícia; ser suspeito de ter armas; ter bebido com sérvios; ter amigos sérvios…

    Em 8 de Janeiro de 1999, uma emboscada armada pelo UÇK atacara veículos da polícia, matando três agentes e ferindo outro, bem como três albaneses que passavam de táxi. “A emboscada foi bem preparada: havia uma posição de tiro camuflada para 15 homens, que tinha sido ocupada havia vários dias, e dispararam sobre a coluna da polícia com armas ligeiras, metralhadoras e granadas propulsionadas por foguete”, segundo o relatório da MKV. Em 10 de Janeiro, mais um polícia foi morto numa emboscada a sul de Stimlje. Foi nessa altura que a polícia sérvia decidiu preparar a sua operação contra a base do UÇK em Racak.

    Todas as polícias do mundo têm tendência para se zangar contra aqueles que matam colegas seus. É razoável supor que polícias sérvios, se cercavam os homens que consideravam responsáveis por terem assassinado os seus colegas, não tivessem hesitado em abatê-los sem piedade. E mesmo que os tenham morto durante um combate, poder-se-ia chamar ao incidente um “massacre”. Mas a questão pertinente é antes: tratou-se ou não de um “massacre de civis” cometido a sangue-frio, mortos unicamente por causa da sua identidade étnica, no quadro de uma campanha de “limpeza étnica”? Porque afinal de contas foi essa interpretação que foi utilizada para justificar os bombardeamentos da NATO.

    Desde o princípio havia razões para cepticismo. Em 20 de Janeiro, Le Figaro e Le Monde publicaram telegramas dos seus correspondentes no local que suscitavam algumas questões às quais nunca se deu resposta satisfatória [69] . O correspondente do Le Figaro, Renaud Girard, perguntava o que se tinha passado na realidade. Durante a noite, o UÇK não poderia ter reunido os corpos daqueles que tinham sido mortos por balas sérvias, para criar a impressão de uma execução cometida a sangue-frio? “De um modo inteligente, o UÇK procurou transformar assim uma derrota militar numa vitória política?”

    Os únicos princípios de resposta científica foram fornecidos por exames médico-legais realizados nos 40 cadáveres recuperados pelas autoridades sérvias três dias depois do acontecimento. (Os corpos de cinco dos 45 mortos anunciados foram retidos pelos albaneses e não puderam ser examinados.) Uma equipa médico-legal da Bielorrússia juntou-se aos peritos sérvios para os primeiros exames, seguida por uma equipa finlandesa já contratada pela União Europeia para investigar as acusações de massacres no Kosovo. Os primeiros resultados estavam disponíveis no fim de Janeiro. Mas a equipa finlandesa, a única que o Ocidente se dignava levar a sério, persistia em adiar para mais tarde o anúncio dos seus resultados, apesar da urgência da questão. Os meios de informação ocidentais passaram completamente em silêncio os resultados bielorrussos e sérvios, que no entanto foram largamente confirmados pelos dos finlandeses, revelados num artigo especializado alguns anos mais tarde.

    Só em 17 de Março, quando a segunda “negociação de Rambouillet” se dirigia para o inevitável impasse que havia de justificar a guerra, é que vinte e um quilos de exames sem síntese acompanhados por três mil fotografias foram entregues ao governo alemão, que assegurava a presidência da UE e que não revelou nada. O público e os meios de informação só tiveram acesso a uma “impressão pessoal” redigida pela Drª Helena Ranta, dentista, que presidia à equipa finlandesa (cujo membro mais qualificado para esse género de trabalho, o Dr. Antti Penttilä, se mantinha discreto).

    Na sua conferência de imprensa de 17 de Março em Priština, a Drª Ranta dava a impressão de estar nervosa, e sob a influência de Walker. Pressionada pelos jornalistas a qualificar o acontecimento de Racak como “massacre”, ela esquivou-se, depois concedeu que se tratava de um “crime contra a humanidade”, apressando-se a acrescentar que, do seu ponto de vista, qualquer morte de homem era um crime contra a humanidade. Vários telegramas captaram as palavras “crime contra a humanidade”, sem qualificação.

    As redacções não precisavam das palavras da Drª Ranta para tirarem as suas conclusões. Já na manhã de 17, antes da conferência de imprensa de Priština, o The Washington Post, num telegrama de Roma, anunciou que os peritos qualificavam as mortes de Racak de “massacre” perpetrado pelos sérvios [70] . Citando “fontes ocidentais informadas do relatório” e “responsáveis ocidentais”, todos não identificados, o The Washington Post afirmou que a equipa finlandesa tinha concluído “que as vítimas eram civis desarmados executados num massacre organizado, tendo alguns sido obrigados a ajoelharem-se antes de serem crivados de balas”. Retomado por numerosos jornais americanos, esse artigo, que mostra todas as características de uma desinformação armada pela CIA, teve certamente um impacto maior do que as tímidas declarações da Drª Ranta em Priština. Podemos reconhecer nele a origem da declaração do presidente Clinton a justificar a guerra.

    Quase dois anos mais tarde — sempre demasiado tarde para influenciar os acontecimentos — um pequeno resumo do relatório médico-legal finlandês ficou acessível ao público. Um certo número de pormenores técnicos das autópsias efectuadas nas vítimas de Racak foram publicados num jornal especializado [71] . Os três autores do artigo, J. Rainio, K. Lalu e A. Penttilä, sublinharam que as questões políticas e morais não eram do seu domínio. No entanto, a sua peritagem confirmou as seguintes conclusões:
    — não houve “execução à queima-roupa” em Racak. Todas as vítimas, salvo talvez uma delas, tinham sido mortas por balas disparadas de longe e de direcções diferentes;
    — as “mutilações inumanas” lamentadas por Walker eram literalmente inumanas: os vestígios de mordeduras provavam que elas tinham sido causadas por animais selvagens durante a noite de 15 para 16;
    — falar de “homens, mulheres e crianças inocentes” era enganador, porque as vítimas eram todas homens, com excepção de uma mulher e de um adolescente. A mulher foi morta por uma única bala nas costas, disparada à distância, talvez ao fugir do combate.

    Porque houvera combate. Com efeito, o chefe do UÇK tinha-se vangloriado do número de sérvios mortos naquilo que ele próprio qualificou como batalha. Mas não há nada que possa abalar a lenda do “massacre de Racak” depois de ele ter desencadeado uma guerra.

    As conclusões finlandesas confirmavam as dos jugoslavos e dos bielorrussos em Janeiro de 1999. Mas no Ocidente só se acreditava nas declarações contraditórias da Drª Ranta, que esperou cinco anos para se queixar, numa entrevista, das pressões que tinha sofrido e para assinalar que um número indeterminado de polícias sérvios também tinham sido mortos em Racak em 15 de Janeiro de 1999.

    Os dados materiais são compatíveis com a versão oficial de Belgrado de um ataque da polícia sérvia contra aqueles que tomava por “terroristas”. As represálias contra os presumíveis assassinos de polícias não são desconhecidas noutros países, e designadamente nos Estados Unidos. Em 19 de Abril de 1993, perto de Waco, Texas, umas 86 pessoas, entre as quais vinte crianças, foram mortas durante um assalto policial contra uma comunidade de uma seita suspeita de possuir armas ilegais. Evidentemente, nunca se falou de uma ingerência humanitária por parte da comunidade internacional.

    A FARSA DE RAMBOUILLET

    O surgimento do UÇK, hostil a qualquer compromisso e disposto a assassinar qualquer “traidor” albanês que o procurasse, tornou mais difícil do que nunca qualquer tentativa para encontrar uma solução pacífica negociada. Para os americanos, que dirigiam o jogo, o simulacro de negociações que se iniciou em 2 de Fevereiro de 1999 em Rambouillet não tinha outro objectivo a não ser provar que não havia solução pacífica possível e que era preciso fazer a guerra.

    Em Rambouillet, a delegação sérvia, que incluía representantes das diversas minorias étnicas do Kosovo, estava preparada para fazer concessões aos dirigentes nacionalistas albaneses mais respeitáveis, como Rugova, Fehmi Agani ou Veton Surroi. Isso foi excluído. Esses homens conhecidos foram imediatamente marginalizados a favor do chefe do UÇK, Hashim Thaqi, até então um fora-da-lei obscuro, promovido não se sabe como a chefe da delegação “kosovar”. Obrigar a delegação sérvia a lidar com um “terrorista” era contrário a qualquer prática diplomática, tal como exigir concessões sob a ameaça da força era contrário ao direito internacional. Thaqi foi rodeado de todas as atenções por James Rubin, o responsável de imprensa de Madeleine Albright, que lhe teria até proposto uma carreira no cinema. A delegação albanesa era assistida por uma equipa de conselheiros americanos de alto nível: o advogado Paul Williams, secretário de Estado adjunto para a Europa do Sudoeste na administração do presidente Bush pai, antes de fazer parte do grupo encarregado por Clinton de aplicar as sanções contra a Sérvia; Marc Weller, um investigador especilizado na causa albanesa do Kosovo na Universidade de Cambridge; e sobretudo Morton Abramowitz, eminência parda da “intervenção humanitária” e pai-fundador do International Crisis Group, financiado por governos ocidentais e por George Soros [72] . A principal tarefa desses conselheiros era persuadir os albaneses reticentes de que deviam assinar um texto que não chegava a prometer a independência do Kosovo. Foi preciso explicar-lhes que a sua assinatura era condição necessária para que a NATO bombardeasse a Jugoslávia.

    Uma negociação normal teria pelo menos tomado em consideração a proposta apresentada pelo governo sérvio de assegurar ao Kosovo uma ampla autonomia, com a protecção dos direitos de todas as minorias. Nem as potências ocidentais nem os seus meios de informação deram qualquer atenção a essa proposta. Quanto à delegação albanesa, tinha apenas uma proposta: a independência total, se não hoje, dentro de três anos. Mas em Rambouillet não se tratava de favorecer ou sequer de permitir verdadeiras negociações entre as partes em conflito. Tratava-se de impor um “acordo de Rambouillet” americano, redigido principalmente pelo diplomata Christopher Hill. Esse “acordo” predeterminado foi apresentado pelos Estados Unidos como um ultimato, cujo objectivo era obrigar os sérvios a partirem e fazer a NATO entrar no Kosovo, com o consentimento dos albaneses. Esse documento comportava duas partes, civil e militar. Segundo a parte civil, o Kosovo teria a sua própria constituição, cujas disposições prevaleceriam sobre as constituições jugoslava e sérvia, assegurando uma “economia de mercado livre”. Prometia-se uma importante ajuda económica ao Kosovo, mas a Sérvia nada receberia. Não se mencionava sequer a suspensão das sanções económicas contra a Sérvia, já para não falar de qualquer ajuda aos cerca de 650 mil refugiados já existentes na Sérvia. Contrariamente ao sistema de governo parlamentar proposto pelos sérvios, o Kosovo “livre” previsto pelos americanos seria um protectorado ocidental, cujo director teria autoridade para decidir todas as medidas importantes, nomear os responsáveis e anular os resultados de eleições.

    Consciente da correlação de forças, a equipa sérvia em Rambouillet exprimiu o seu desejo de aceitar esse arranjo. O impasse dizia respeito ao lado militar do ultimato. Os sérvios já tinham acolhido os observadores internacionais (a MVK) e diziam-se dispostos a aceitar uma força internacional de manutenção da paz. Por isso entendiam uma força da ONU, imparcial, e não da NATO. Mas, no último momento, os Estados Unidos introduziram novas exigências expressas numa secção chamada “Anexo B”, que daria à NATO o controlo não apenas das forças de ocupação do Kosovo mas também liberdade total de operações em toda a Jugoslávia. A NATO reclamou “o acesso livre e sem restrições” a todo o território jugoslavo, à custa dos jugoslavos, bem como imunidade a qualquer acção judicial. Isto significava que a NATO ou membros do seu pessoal seriam livres de cometer crimes ou destruir os bens com total impunidade. Seria renunciar sem condições a toda a soberania.

    Mais tarde, quando por fim o público teve notícia dessas exigências, os apologistas da NATO afirmaram que os sérvios eram responsáveis pela guerra por não terem contestado abertamente essas disposições, que representariam apenas uma “posição de negociações”. No entanto, a própria Madeleine Albright, numa conferência de imprensa em 20 de Fevereiro, acusou os sérvios de serem os responsáveis pelo fracasso por terem recusado a presença de uma força da NATO. É pois evidente que a questão-chave era a ocupação pela NATO. Era neste ponto que o Ocidente podia ter aliviado a pressão se o objectivo fosse um acordo pacífico.

    “As disposições militares”, observou Jan Oberg em 18 de Março, dia da assinatura pelos albaneses, “não têm nada a ver com a manutenção da paz.” O termo mais apropriado seria “prevenção da paz”. Oberg, director da Transnational Foundation for Future and Peace Studies, sediada na Suécia, que tinha feito dezenas de visitas ao Kosovo como conselheiro de Ibrahim Rugova, sublinhou que nenhum dos numerosos jornalistas, comentadores, investigadores e diplomatas que condenaram os sérvios por se recusarem a assinar se deu ao trabalho de examinar o conteúdo dos acordos. Oberg, pelo contrário, tinha-os estudado bem ao longo do processo, e tirou a conclusão de que “este documento foi adaptado para ser aceitável pelos delegados albaneses, a tal ponto que o lado jugoslavo — inicialmente disposto a aceitar as partes políticas — achou o documento modificado inaceitável”. Porquê essa alteração? “Porque o pior dos casos para a comunidade internacional seria a Jugoslávia dizer que sim e os albaneses dizerem que não”, concluiu ele.

    Em Setembro de 2000, ao fazer o seu relato das negociações, James Rubin afirmou que se tinha dito aos sérvios que o anexo militar podia ser negociado. Mas contou também que quando o ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, Lamberto Dini, sugeriu que fosse permitido às forças da ONU policiarem o acordo em vez das forças da NATO, Madeleine Albright replicou vigorosamente que “todo o objectivo é obrigar os sérvios a aceitarem a força da NATO”. O cenário, recorda Rubin, foi este: “se os sérvios e os albaneses aceitassem o acordo, a NATO aplicá-lo-ia com a participação de tropas americanas. Se os sérvios recusassem, a NATO efectuaria os ataques aéreos. Se os kosovares recusassem, tentaríamos cortar o apoio internacional para a sua rebelião”. Mas, acrescentou, “eu não ousei dizer, nem mesmo a alguns jornalistas sofisticados, que o único fracasso em Rambouillet seria uma rejeição por parte dos albaneses” [73] . Em suma, ainda que alguns governos europeus se tenham deslocado a Rambouillet na esperança de encontrar uma solução pacífica, o objectivo principal dos Estados Unidos era instalar a NATO no Kosovo.

    O direito internacional proíbe explicitamente a utilização de ameaças militares nas negociações internacionais. Um tratado obtido sob tais ameaças é nulo. A recusa de aceitar acordos nessas circunstâncias é, pois, perfeitamente legítima. Mas o objectivo dos Estados Unidos era também demonstrar que a sua vontade (benfazeja, é claro) devia prevalecer contra o direito internacional.

    Em 18 de Março, sob a forte pressão americana, a delegação albanesa conduzida por Hashim Thaqi assinou o chamado “Acordo de Paz de Rambouillet” — que não era um acordo, porque unilateral, nem “de paz”, porque a sua função era desencadear a guerra. Dois dias depois, Walker ordenou aos 1381 “verificadores” que abandonassem o Kosovo em direcção à Macedónia. Alguns lamentaram-no. “A situação no terreno, em vésperas dos bombardeamentos, não justificava uma intervenção militar”, testemunhou Pascal Neuffer, membro suíço da MVK. “Podíamos certamente ter continuado o nosso trabalho. E a explicação dada à imprensa, dizendo que a missão estava comprometida por ameaças sérvias, não correspondia àquilo que eu vi. Digamos que fomos evacuados porque a NATO tinha decidido bombardear.” Em 24 de Março de 1999, a NATO desencadeou a sua guerra aérea contra a Jugoslávia.

    As consequências eram absolutamente previsíveis: uma vaga de refugiados, mortos, devastação. Para além das destruições materiais, uma outra consequência, igualmente desastrosa ainda que menos visível, da decisão americano-europeia de “resolver” o problema do Kosovo pela guerra foi um crescimento sem precedentes do ódio entre comunidades. Em nome dos “direitos humanos” e da “ingerência humanitária”, o ódio triunfou no Kosovo.

    3. O TRIUNFO DO ÓDIO

    O facto de os albaneses terem convidado potências estrangeiras a bombardearem o seu país não podia deixar de suscitar uma cólera violenta entre os sérvios. Uma parte dessa cólera (mas muito menos do que se quis fazer crer) exprimiu-se em actos de violência contra albaneses. A decisão de Walker de retirar os observadores do Kosovo deixava os protagonistas frente a frente sob as bombas, sozinhos para se vingarem ou mentirem. A aceitação pela “comunidade internacional” da crença de que os sérvios estavam dispostos ao genocídio atiçou o ódio anti-sérvio quase paranóico de muitos albaneses. As relações entre os sérvios e os albaneses do Kosovo já eram más. A guerra da NATO tornou-as desesperadas. O principal efeito psicológico da guerra foi confirmar e reforçar o ódio albanês contra os sérvios, reconhecê-lo como legítimo e libertá-lo de qualquer entrave, qualificando desde então toda a perseguição aos sérvios como “vingança”, implicitamente merecida.

    Nos primeiros dias de bombardeamentos aéreos, a atenção do mundo esteve centrada no espectáculo da vaga de refugiados albaneses, em fuga para a Albânia e a Macedónia vizinhas. No fim dos bombardeamentos, calculava-se o número total dos refugiados do Kosovo em cerca de 800 mil (de uma população de um pouco menos de dois milhões). Essa fuga, resultado previsível dos bombardeamentos, foi transformada pela propaganda de guerra em justificação desses mesmos bombardeamentos. Na ausência de observadores internacionais neutros, era impossível ao mundo exterior saber as razões precisas desse êxodo em massa — se, como afirmavam a NATO e os seus aliados albaneses, era resultado de uma vasta “limpeza étnica” planificada pelos sérvios, ou se, como afirmavam os sérvios, o UÇK tinha incitado os albaneses a fugirem para ganharem a simpatia internacional para a sua causa. Ou então, como parece mais plausível, vários factores contribuíram para pôr as pessoas em fuga. Em primeiro lugar, deve recordar-se que é perfeitamente habitual em tempo de guerra ver enormes êxodos de civis abandonarem as zonas de combate e as cidades submetidas a bombardeamentos. Milhões de civis belgas e franceses abandonaram tudo e puseram-se a caminho no início das duas guerras mundiais. Sob os bombardeamentos da NATO, centenas de milhares de jugoslavos abandonaram as principais cidades da Sérvia central (Belgrado, Niš Novi Sad…) para procurar refúgio. Tal como a maioria dos refugiados do Kosovo, a maioria eram mulheres e crianças. A agressão da NATO tinha transformado o Kosovo em terreno de ensaio de toda uma gama de armas do Pentágono: mísseis de cruzeiro, bombas guiadas por laser, bombas de fragmentação, explosivos de urânio empobrecido. Os ataques aéreos desencadearam combates violentos entre o UÇK e as forças sérvias, decididas a extirpar a “quinta coluna” que ajudava a NATO a guiar os seus ataques. O êxodo afectou sobretudo o Oeste da província, junto à fronteira com a Albânia, onde os combates eram mais duros. As forças sérvias tinham o objectivo estratégico de esvaziar a zona fronteiriça de albaneses que poderiam ajudar à infiltração de armas e de combatentes da Albânia. Noutras partes do Kosovo o êxodo foi menos importante. O Kosovo é uma pequena província que se pode atravessar de carro em cerca de duas horas. Muitos albaneses do Kosovo podiam esperar abrigar-se em casa de parentes do outro lado das fronteiras albanesa ou macedónia. Uma vez terminados os combates, podiam esperar regressar a suas casas, o que efectivamente fizeram, com uma rapidez que surpreendeu os observadores que haviam apresentado essa partida provisória como uma “deportação” trágica de um povo expulso para sempre do seus lares. Quando, em 1999, os soldados da NATO entraram no Kosovo “vazio”, foram aclamados por multidões de albaneses em todas as principais cidades.

    A guerra acabou por justificar a guerra. Os objectivos declarados da guerra do Kosovo eram variáveis. A razão oficial era, no início, simplesmente obrigar Miloševic a assinar o texto de Rambouillet. Para os estrategos americanos, uma razão um pouco menos confessável mas mais imperativa era “preservar a credibilidade da NATO”. Essa era “a questão principal”, segundo Zbigniew Brzezinski, um dos conselheiros principais de Madeleine Albright [74] . Mas o espectáculo das massas de refugiados albaneses forneceu rapidamente um objectivo mais susceptível de comover o público ocidental: a necessidade de impedir a “catástrofe humanitária” em curso. Depois, quando o governo jugoslavo não capitulou como previsto, o objectivo declarado passou a ser expulsar Miloševic do poder. O método para o conseguir era fazer o povo sérvio sofrer.

    Ao fim de um mês de bombardeamentos, o senador Joe Lieberman, grande amigo do lobby albano-americano, declarou: “Espero que a campanha de ataques aéreos, mesmo que não convença Miloševic a retirar as suas tropas do Kosovo, cause uma tal devastação na sua economia, coisa que ela está a fazer, arruine a tal ponto a vida do seu povo, que este se revolte para o expulsar.” [75] Ao fim de dois meses, à pergunta se sim ou não a NATO “tentava tornar a vida miserável para os sérvios comuns”, Lieberman respondeu: “Ah, sim, quero dizer que é isso que fazemos desde há dois meses. Não atacamos só alvos militares, pois de outro modo por que é que cortamos o abastecimento de água e liquidamos as centrais eléctricas, apagando as luzes? Através dos ataques aéreos procuramos quebrar a vontade do povo sérvio para ele obrigar o seu dirigente a quebrar e a ordenar às suas tropas que abandonem o Kosovo.” [76] Este senador, que seria o candidato democrata à vice-presidência dos Estados Unidos em 2000, proclamou que “os Estados Unidos da América e o exército de libertação do Kosovo representam os mesmos valores humanos, os mesmos princípios. […] Lutar pelo UÇK é a mesma coisa que lutar pelos direitos humanos e os valores americanos” [77] .

    Entrevistado pela primeira vez após o início da guerra, o comandante da aviação da NATO, general Michael Short, confirmou que os bombardeamentos visavam fazer os civis sofrerem, como meio de atingir “a direcção e as pessoas que rodeiam Miloševic para as forçar a mudarem o seu comportamento” [78] .

    Penso que sem electricidade para o frigorífico, sem gás para a cozinha, sem poder ir para o trabalho porque a ponte está destruída — a ponte sobre a qual se realizaram concertos de rock e onde todos estavam com um alvo sobre a cabeça. Isso tem que desaparecer às três horas da manhã.

    Os bombardeamentos da infra-estrutura não eram apenas um meio para atingir a vida quotidiana dos sérvios. Eles visavam ter também um impacto político a longo prazo, destruindo a autonomia económica do país. Um alto responsável alemão explicou que as somas que seriam necessárias para reconstruir as pontes, ou muito simplesmente para dragar os detritos do Danúbio, dariam aos países ocidentais “uma influência muito grande” [79] . O país destruído seria obrigado a obedecer aos seus destruidores, os únicos capazes de financiar a reconstrução. Esse jogo cínico acabou por resultar.

    Visar a população civil era uma violação flagrante do direito internacional. No entanto, um coro de comentadores acotovelava-se para explicar que o povo sérvio merecia plenamente qualquer punição que o atingisse. William Pfaff, o mais sofisticado, abandonou o cliché do “Miloševic ditador” para argumentar que, visto que os sérvios o tinham eleito e reeleito durante uma década, não era claro “por que razão se devia poupá-los ao gosto do sofrimento que eles infligiram aos seus vizinhos” [80] .

    A Newsweek atingiu o cume do racismo anti-sérvio com um artigo intitulado “Vingança de uma raça vítima”. “Os sérvios estão fora da Europa, habituados ao ódio, educados na piedade por si mesmos”, explicou o autor [81] . Evidentemente, semelhante povo não poderá merecer simpatia, aconteça o que acontecer. Eles queixam-se por serem bombardeados? É o seu temperamento nacional.

    A propaganda da NATO procurava justificar a destruição da Jugoslávia comparando-a à Alemanha nazi e Miloševic a Hitler. Clinton declarou que o governo de Miloševic, “como o da Alemanha nazi, chegou ao poder persuadindo as pessoas a desprezarem as pessoas de uma raça ou de uma etnia determinada, e a acreditar que estas não tinham qualquer direito de viver”. Em pleno bombardeamento, Daniel Jonah Goldhagen, professor de Harvard, forneceu a justificação suprema não apenas para “um gosto pelo sofrimento” mas também para a conquista e a ocupação da Sérvia, identificando a fuga provisória dos civis do Kosovo com o Holocausto, Miloševic com Hitler e o povo sérvio com os “carrascos de boa vontade de Hitler” ( Hitler’s willing executioners, título do livro que o tornou célebre). Como a Alemanha e o Japão nos anos 40, a Sérvia nos anos 90 “conduz uma guerra imperialista brutal, procurando conquistar um território após outro, expulsando populações não desejadas, perpetrando assassínios em massa” [82] . Miloševic era um “assassino genocida”. Ele e o povo sérvio eram “tributários de uma ideologia que exige a conquista de Lebensraum “. A maioria dos sérvios “acredita fanaticamente” na justiça das acções criminosas e propôs-se eliminar a população albanesa do Kosovo, numa acção que faz lembrar o Holocausto. O único remédio era, portanto, o aplicado à Alemanha nazi: a Sérvia devia ser conquistada, “desnazificada” e reeducada pelo Ocidente.

    Goldhagen afirmava que, tal como os alemães e os japoneses dos anos 40, a nação sérvia é “composta por indivíduos cujas faculdades de juízo moral estão diminuídas e que caiu num abismo moral do qual provavelmente não conseguirá sair sem ajuda num futuro próximo”. Pelo facto de ter apoiado ou tolerado “as políticas eliminacionistas” de Miloševic, os sérvios “tornaram-se legal e moralmente incompetentes para gerirem os seus próprios assuntos”. O seu país devia ser colocado em “correcção judicial” e entregue à NATO, e os sérvios “devem compreender os seus erros e deixar-se reabilitar”.

    Isto era um apelo a uma cruzada ideológica, baseada na ideia de que se deve utilizar a violência para corrigir a maneira errónea de pensar de uma nação inteira. A comparação com o Holocausto é sintomática de uma transformação ideológica dos acontecimentos da Segunda Guerra Mundial (únicos, como todos os acontecimentos) em modelos de acções e de papéis que se repetem muitas vezes, permitindo à potência “boa”, os Estados Unidos, vencer de novo “o mal” pela força das armas. O mito do eterno retorno do Holocausto pode servir de pretexto para inúmeras guerras, necessárias para “reeducar” todas as populações moralmente deficientes do planeta.

    Na ausência de observadores internacionais neutros, a informação quase única sobre o que se passava no Kosovo durante a guerra era fornecida por fontes albanesas próximas do UÇK. Os activistas do “Conselho para a Defesa dos Direitos Humanos e das Liberdades” albanês, financiado por Washington, eram “muitas vezes os primeiros a entrevistar os refugiados que chegavam à Macedónia”, e ajudaram o UÇK a formar a imagem do Kosovo em guerra vista pelo Ocidente [83] .

    As atrocidades sérvias eram necessárias para justificar a guerra. Em 8 de Abril, o ministro da Defesa alemão, Rudolf Scharping, anunciou a descoberta de um projecto sérvio chamado Operação Potkova (“ferradura”), visando esvaziar o Kosovo da sua população albanesa. Segundo Scharping, esse plano constituía a prova de que Miloševic e o exército jugoslavo tinham planificado a expulsão de toda a população albanesa do Kosovo muito antes dos ataques da NATO. Mas esse “plano” não existia. Um ano mais tarde, o general alemão Hainz Loquai revelou que o documento em questão não correspondia à descrição dramática feita por Scharping e não era sequer um documento sérvio. Tratava-se de uma extrapolação de uma descrição geral dos movimentos militares sérvios feita aparentemente pelos serviços de informações búlgaros, que além disso precisaram que o objectivo desses movimentos era derrotar o UÇK e não expulsar a população albanesa. Os mapas que Scharping tinha apresentado para ilustrar esse “plano” provinham dos serviços alemães. Finalmente, afirmava-se que o nome desse plano sérvio era “potkova”. Mas “ferradura”, para os sérvios, diz-se “potkovica”. “Potkova” é a palavra croata [84] .

    Scharping apressou-se a repetir qualquer boato que apresentasse os sérvios como monstros sanguinários. Logo em 26 de Março ele anunciou que estava em curso no Kosovo “um genocídio de base étnica”. Dois dias depois, declarou que tinha sido organizado um campo de concentração a norte de Priština onde “os professores são reunidos e fuzilados diante dos alunos”. Em 16 de Abril não hesitou em repetir as histórias mais repugnantes fornecidas pelos albaneses para denegrir os seus adversários: teriam assado o feto de uma mulher grávida antes de voltar a introduzir-lho no ventre dilacerado; teriam cortado sistematicamente os braços e as pernas das vítimas; teriam jogado futebol com as cabeças cortadas, etc. Felizmente, tudo isso era mentira.

    Para os países da NATO, todo este incitamento ao ódio era apenas propaganda efémera de guerra, que depressa poderia ser esquecida. As sequelas eram mais graves para os povos implicados. Representar os sérvios como monstros sanguinários só podia atear um ódio muito mais apaixonado e duradouro: o ódio dos albaneses aos sérvios. Os albaneses mais moderados estavam desarmados diante daqueles que gritavam vingança contra todos os sérvios, incluindo velhos e crianças, quando as maiores potências, os Estados Unidos e a Alemanha, davam um eco complacente à ideia de que os sérvios eram um povo daninho, genocida.

    A atitude da NATO reforçou a tendência dos albaneses para dizer e acreditar no pior. Depois de se retirar do Kosovo, a MVK encarregou-se de recolher testemunhos albaneses nos campos criados para os refugiados albaneses. O objectivo era reunir provas contra Miloševi? para o procurador do TPIJ. Os questionários fornecidos pelo Departamento de Estado americano ofereciam às pessoas interrogadas umas trinta categorias de violações dos direitos humanos para confirmar. Prometia-se aos refugiados que faziam as acusações uma confidencialidade total, “para garantir a segurança das vítimas ou das testemunhas”. Este método, já utilizado na Bósnia, incitava à delação. A tentação de inventar ou exagerar devia ser considerável. Ao acusar os sérvios de atrocidades, prestava-se o melhor serviço à NATO e ao UÇK, que se podiam mostrar reconhecidos, sem correr o risco de se ser acusado de calúnia ou falso testemunho. E mesmo quando, depois da guerra, as acusações mais atrozes se revelaram completamente inventadas, nunca foi posta em causa a credibilidade fundamental desses questionários.

    A MVK não se interessava pelos refugiados não albaneses. Ela nunca tentou compreender o ponto de vista dos ciganos, por exemplo interrogando os que se encontravam também nos campos de refugiados. Os ciganos só eram encarados do ponto de vista, hostil, dos albaneses. No seu capítulo sobre os ciganos no Kosovo, o relatório da MVK designa-os pelo nome de “maxhupet” porque era essa a palavra usada pelos albaneses, apesar de o nome “maxhupet” ser “infamante” e de haver “claramente preconceito contra e uma percepção negativa dos ciganos (maxhupet) entre os albaneses do Kosovo”. Mas, acrescentava-se, visto que “quase toda a informação tinha sido fornecida pelos refugiados albaneses do Kosovo”, o termo infamante fora mantido. Pode-se perguntar: por que motivo é aceitável chamar “maxhupet” aos ciganos mas inaceitável chamar “shqiptar” aos albaneses, como eles próprios fazem?

    Quando a NATO entrou no Kosovo em 9 de Junho de 1999, as forças sérvias retiraram-se e os combatentes do UÇK impuseram rapidamente a sua lei, expulsando os sérvios dos seus empregos e das suas casas. O ódio dos albaneses aos sérvios explodiu numa campanha de violência. Cerca de metade da população sérvia teve de fugir, amontoando-se em campos de refugiados da Sérvia central. Os ciganos, que no Kosovo sérvio viviam melhor do que em qualquer outra parte da região, também tinham de fugir de uma perseguição que as forças de ocupação “humanitárias” nada faziam para impedir. Numerosos velhos sérvios que tinham ficado em Priština foram expulsos ou assassinados para permitir que albaneses, por vezes recém-vindos da Albânia, se apoderassem dos seus apartamentos, por vezes para os alugarem aos humanitários internacionais. Mais de uma centena de igrejas e mosteiros ortodoxos sérvios, muitos dos quais pertenciam a um património artístico que tinha sobrevivido aos séculos de conflitos com os turcos, foram sistematicamente destruídos, com explosivos ou pelo fogo.

    As potências de ocupação não ligavam. A sua atenção estava absorvida pela procura das “valas comuns”, para apoiar a acusação pelo TPIJ do presidente Miloševic e dos seus colegas nos mais altos cargos. Durante os bombardeamentos, o governo dos Estados Unidos tinha mantido a ficção do “genocídio” com uma escalada de números fantasistas. A 16 de Abril, o secretário da Defesa William Cohen, tinha falado de cerca de 100 mil albaneses desaparecidos. Em 18 de Abril, David Scheffer, representante de Madeleine Albright para “as questões dos crimes de guerra”, inquietava-se com o destino de mais de 225 mil homens cujo paradeiro se desconhecia. Em 19 de Maio, o Departamento de Estado elevou o número dos albaneses que talvez tivessem sido mortos para meio milhão. No entanto, mais de um ano de exumações dos locais assinalados não permitiu encontrar mais de 2788 corpos de pessoas, incluindo não albaneses, mortas durante a guerra de morte violenta ou natural. Por outro lado, na maior parte das vezes não se tratava de “valas comuns” mas de simples campas. Juan Lopez Palafox, chefe da equipa espanhola de medicina legal enviada ao Kosovo para examinar os corpos de 2000 vítimas presumíveis, queixou-se ao jornal El País de que no seu sector havia apenas 187. As minas de Trepca, onde, segundo fontes albanesas, os sérvios teriam lançado milhões de vítimas albanesas, revelaram-se vazias. No fim de contas, se acrescentarmos aos mortos confirmados o número de pessoas declaradas desaparecidas, o total de vítimas não pode ultrapassar muito as 5000, bem longe das estimativas alarmistas dos porta-vozes da NATO durante os bombardeamentos. Quanto às valas comuns que os sérvios indicaram conterem vítimas do UÇK, a procuradora Louise Arbour explicou que “o Tribunal não tem dinheiro para levar a cabo essas exumações”.

    Enquanto a violência albanesa continuava, foi instalado um governo de ocupação chamado Missão das Nações Unidas no Kosovo (UNMIK). Podia-se contar com o seu primeiro chefe, Bernard Kouchner, para não notar nada que pusesse em questão o “direito de ingerência humanitária”. Não sabendo como deter a violência albanesa, Kouchner achava argumentos para a justificar. “A natureza humana” exigia vingança, sendo a vingança “um antídoto para o veneno que infectou esta região devastada pela guerra”, receitou o médico sem fronteiras. Para tentar amaciar os albaneses, Kouchner declarou-lhes: “amo todos os povos, mas alguns mais do que outros, e é o vosso caso” [85] . Mas o ambiente não estava para amores. “É preciso ser um pouco doido para ir ao Kosovo!”, confessou ele, acrescentando que “o que falta no Kosovo é amor” — mesmo entre albaneses. “As pessoas não gostam umas das outras. Têm laços de família e de clã, uma tradição que eu respeito…” Mas “o espírito de vingança” acabou por lhe meter medo. O Kosovo, concluiu ele, “não é um lugar afectuoso” [86] .

    Kouchner não podia ignorar a implicação do UÇK na violência. Esses grupos armados pareciam operar de uma maneira organizada, com uma forma de hierarquia, de comando e de controlo, constatou ele. Mas a violência espontânea não era mais tranquilizadora. Comentando o relatório da nova equipa de observadores da OSCE, criada no início da ocupação, Kouchner assinalou que “uma das tendências mais alarmantes… [é] a participação crescente de jovens nas violações dos direitos humanos”. A OSCE tinha documentado “sucessivos casos de jovens, alguns com apenas 10 ou 12 anos, que perseguem, espancam e ameaçam sobretudo as vítimas idosas indefesas, apenas por causa da sua etnia” [87] .

    Tratava-se de uma geração educada no chauvinismo albanês. A opressão sérvia dos albaneses, tantas vezes denunciada, era sobretudo uma questão de maus tratos infligidos pela polícia sérvia a homens suspeitos de infracções e não de ataques de cidadãos sérvios comuns contra os seus vizinhos albaneses. Mesmo durante os bombardeamentos houve casos de sérvios que protegeram os seus vizinhos albaneses. Depois da guerra, Veton Surroi ousou denunciar a violência contra civis sérvios como “fascismo”. Foi uma excepção. Os albaneses que quisessem defender os seus vizinhos sérvios não se atreveriam: a violência do UÇK impedia qualquer gentileza para com os sérvios. A NATO tinha liberto não o Kosovo no sentido de toda uma sociedade mas sim os reflexos de uma cultura de ódio, justificada e até exaltada pela propaganda ocidental.

    Os albaneses matavam também outros albaneses, e até mais albaneses do que sérvios. Podemos ver nisso uma continuação da guerra travada pelos combatentes do UÇK para se estabelecerem como senhores da comunidade albanesa. Perante este problema, a comunidade internacional nomeou o caçador furtivo para guarda-caça. Depois de um falso “desarmamento” do UÇK, os seus homens foram recrutados para um chamado “Corpo de Protecção do Kosovo” (KPC), cuja ambiguidade se exprimia logo no seu nome. Enquanto os seus padrinhos internacionais afirmam que a “protecção” se refere à protecção contra desastres naturais, a palavra albanesa, “Mbrojtes”, significa não “protecção” mas sim “defesa”. Porque o KPC se considera o novo exército do Kosovo. O seu chefe, o antigo comandante do UÇK Agim Çeku, tinha adquirido triste notoriedade ao expulsar os sérvios da Krajina enquanto oficial do exército croata. Os salários desses protectores, alguns dos quais complementariam os seus salários com o tráfico de drogas ou de mulheres, eram pagos por um fundo especial da ONU, alimentado pelas contribuições voluntárias dos Estados Unidos e da Alemanha.

    Um favorito dos anglo-americanos, próximo do lobby albanês nos Estados Unidos, Ramush Haradinaj, foi nomeado comandante-adjunto do KPC. Em 1998, quando comandava o UÇK no feudo do seu clã na região de Decani, no Oeste do Kosovo, foram aí assassinados quarenta civis. “Muitos cadáveres — sérvios, albaneses e ciganos — tinham vestígios de tortura. Os albaneses moderados da Liga Democrática do Kosovo [o partido de Rugova] acusaram Haradinaj de estar ligado aos assassínios de civis suspeitos de terem colaborado com as forças sérvias.” [88] Haradinaj era um dos comandantes do UÇK equipados com um telefone por satélite, em 1999, para guiar os ataques da NATO. Quando em Julho de 2000 ele foi ferido durante um assalto armado contra a aldeia fortificada do clã rival dos Musaj, Haradinaj foi rapidamente transferido para um hospital militar americano.

    Em Março de 2000, Jiri Dienstbier, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros checo, num relatório à comissão da ONU para os direitos humanos, constatou: “Os bombardeamentos não resolveram nenhum problema. Eles apenas multiplicaram os problemas existentes e criaram outros novos.” A maior parte do Kosovo tinha sido “etnicamente limpa dos seus não albaneses, dividida, sem nenhum sistema jurídico, dominada pelas estruturas ilegais do Exército de Libertação do Kosovo [UÇK] e muitas vezes por máfias rivais”. Além disso, as forças extremistas do UÇK eram apoiadas, no seu desejo de criar a “Grande Albânia”, pelo antigo presidente Sali Berisha e outros dirigentes da Albânia. Esse relatório encontrou pouco eco na imprensa e não conseguiu influenciar a opinião pública mundial.

    A guerra de 1999 deixou uma ferida aberta nos Balcãs. O nacionalismo albanês triunfante, aproveitando a protecção dos Estados Unidos, ameaça o Sul da Sérvia, a Macedónia e até uma parte do Montenegro. A guerra e o desastre económico que ela provocou entregaram a região às actividades criminosas, nomeadamente o tráfico de drogas, de armas e de mulheres. Essas actividades ameaçam mesmo aumentar o nível de violência criminosa nos países europeus da NATO.

    4. A DEMOCRACIA NA NOVA ORDEM MUNDIAL

    A primeira cruzada (1096-1099) foi proclamada a partir das igrejas. A cruzada de 1999 contra os sérvios foi proclamada oficiosamente a partir do mais sagrado dos lugares de peregrinação contemporâneos, o Museu do Holocausto em Washington. A ocasião foi um discurso, a 23 de Fevereiro de 1999, de James Hooper, director executivo do Balkan Action Council, um think tank que reunia alguns dos “falcões” mais eminentes de Washington, tais como Zbigniew Brzezinski, Frank Carlucci, Jeane Kirkpatrick e Paul Wolfowitz. Hooper fora convidado pelo “Comité de Consciência” do Museu. Essa voz da consciência oficial explicou que “os Balcãs são uma região de interesse estratégico para os Estados Unidos, a nova Berlim se quiserem, o terreno de ensaio para a firmeza da NATO e a liderança dos Estados Unidos” [89] . Miloševic devia pagar pelo crime de ter “conseguido dividir” os Estados Unidos dos seus aliados. “A Administração [Clinton] deve ser franca com o povo americano e dizer-lhe que provavelmente teremos uma presença militar nos Balcãs por tempo indeterminado, ao menos até que haja um governo democrático em Belgrado.”

    Assim, entre as diversas razões declaradas e não declaradas para fazer a guerra havia o desejo de escolher o governo de um país estrangeiro, a célebre “mudança de regime” que se tornou uma das novas prerrogativas do Império. A palavra “democrático” neste contexto não indica um governo eleito segundo as regras democráticas, porque o próprio Miloševic o havia sido por diversas vezes. E não bastaria fazê-lo perder uma eleição. Ele tinha de ser “derrubado por um levantamento popular”, para mostrar bem que se tratava de um “ditador”.

    Mas o próprio Miloševic tinha antecipado em vários meses as eleições, que iria perder. Esperava sem dúvida ganhar, mas o castigo infligido à Jugoslávia teve finalmente o efeito esperado: um número cada vez maior de jugoslavos culpava Miloševic pelas desgraças do país, incluindo a perda de facto do Kosovo. A insistência da “comunidade internacional” em que a Jugoslávia seria um pária enquanto Miloševic aí estivesse era um importante meio de chantagem. E depois, pela primeira vez, a oposição uniu-se em volta de um candidato aceitável: Vojislav Koštunica, um jurista bastante conservador, com a reputação rara de ser patriota e honesto. Os argumentos e os dólares de Washington tinham persuadido os desavindos dirigentes dos 18 partidos da Oposição Democrática da Sérvia (DOS) a apoiar Koštunica. O embargo continuava a bloquear a importação de todos os materiais para reconstruir as pontes e as fábricas destruídas pela NATO, mas dos Estados Unidos chegava um rio de dólares para subvencionar os adversários de Miloševic. Entre os beneficiários dessa generosidade estava uma rede de jovens bastante desportivos chamada Otpor (“resistência”). Milhões de dólares de ajuda do governo americano passaram por organizações chamadas “não governamentais”, o National Endowment for Democracy — o mesmo NED que financiava os albaneses do Kosovo — e o International Republican Institute, para fornecer aos cerca de 70 mil membros da Otpor cartazes, t-shirts, desdobráveis, telemóveis, tinta em spray e dinheiro de bolso. A única perspectiva política da Otpor era ser “normal” à moda do Ocidente, um Ocidente de cinema americano. Entre 31 de Março e 3 de Abril de 2000, num hotel de luxo de Budapeste, os dirigentes dessa jovem vanguarda aprenderem “métodos de acção não violenta” com um coronel do Exército dos Estados Unidos, Robert Helvey. O manual do movimento foi escrito por um colega de Helvey, Gene Sharp, que enumera 198 métodos de acção não violenta. A chave é a provocação. As acções pretendem provocar uma repressão que vai desacreditar o regime no poder [90] . Assim, a Sérvia servia de terreno de ensaio das técnicas que visam a “mudança de regime”, que os estrategos americanos copiaram dos autênticos movimentos populares do passado para os simularem no futuro.

    Graças à sua infiltração nas instâncias do poder (uma das técnicas da lista de Sharp), a Otpor conhecia antecipadamente a data das eleições. Sessenta toneladas de propaganda eleitoral estavam já preparadas. Na primeira volta, a 24 de Setembro de 2000, entre cinco candidatos, Miloševic foi segundo, depois de Koštunica, que obteve mais de 48% dos votos. A lei eleitoral sérvia exige uma segunda volta se nenhum dos candidatos obtiver 50% na primeira. Com dez pontos de avanço, Koštunica estava seguro da vitória. Mas uma pacífica vitória eleitoral não bastaria. Era preciso qualquer coisa mais dramática. A DOS declarou que o seu candidato já tinha vencido na primeira volta, que esta tinha sido “fraudulenta” e que por essa razão boicotaria a segunda volta. Em vez das urnas, os “democratas” preferiam “a rua”, uma rua bem preparada. Em 5 de Outubro, diante das câmaras de televisão, levaram à cena um espectáculo tão artificial como aquele que desembaraçou a Roménia do casal Ceaucescu, mas felizmente menos sangrento. Num simulacro de “revolução popular”, jovens tomaram de assalto a Skupština, o edifício do parlamento no centro de Belgrado, deitando-lhe fogo… que, por acaso, parece ter destruído os boletins de voto que poderiam confirmar ou negar as acusações de “fraude”.

    Enquanto os “libertadores” deitavam fogo à sede da Rádio Televisão Sérvia, destruindo arquivos preciosos, as outras televisões do mundo inteiro difundiam complacentemente as cenas de vandalismo apresentando-as como

  50. Mas não é tudo. Para serem aceites pela comunidade internacional, os novos dirigentes da Jugoslávia teriam de ajudar a NATO a justificar a destruição do seu país, em primeiro lugar transferindo o seu presidente para Haia para um julgamento-espectáculo montado pela organização irmã da NATO, o TPIJ. Não bastava bombardear a Sérvia e amputar uma parte do seu território. Era preciso obrigar o povo sérvio a acreditar — ou fingir acreditar — que o merecia. Na Nova Ordem Mundial, é preciso adaptar o crime ao castigo.
    NOTAS
    58- Richard Holbrooke, To End a War, Nova Iorque, Random House, 1998.
    59- Holbrooke, pp. 91-92, 96. Hugh McManners, “Serbs “not guilty” of massacre: Experts warned US that mortar was Bosnian”, The Sunday Times, 1 de Outubro de 1995, p. 15.
    60- Timothy W. Crawford, “Pivotal deterrence and the Kosovo war: Why the Holbrooke agreement failed”, Political Science Quarterly, 22 de Dezembro de 2001, nº 4, vol. 116, p. 499.
    61- General de Brigada (ret.) Heinz Loquai, conselheiro militar junto da delegação alemã na OSCE em Viena, “Die OZCE-Mission im Kosovo — eine ungenutzte Friedenschance?”, Blätter für deutsche und internazionale Politik, Setembro de 1999.
    62- “Moral Combat: NATO at War”, documentário difundido pela BBC2 Television em 12 de Março de 2000.
    63- Der Spiegel, 46/1998, 9 de Novembro de 1998, “Wehrlose Aufpasser”, p. 210.
    64- Ulisse (pseudónimo), “Come gli Americani hanno sabotato la missione dell’Osce”, Limes, suplemento ao nº 1/99, p. 113, L’Espresso, Roma, 1999.
    65- Pascal Neuffer, geólogo, citado por La Liberté, Genebra, 22 de Abril de 1999.
    66- Entrevista da autora com o correspondente do Figaro, Renaud Girard, em 25 de Janeiro de 2000.
    67- Tom Walker & Aidan Laverty, “CIA aided Kosovo guerrilla army”, The Sunday Times, 12 de Março de 2000.
    68- Don North, “Irony at Ra?ak: Tainted Diplomat”, The Consortium, Arlington, Virginia, 8 de Fevereiro de 1999, p. 2.
    69- Renaud Girard, “Kosovo: zones d’ombre sur un massacre”, Le Figaro, 20 de Janeiro de 1999, p. 3; Christophe Châtelet, “Les morts de Racak ont-ils vraiment été massacrés froidement?”, Le Monde, 21 de Janeiro de 1999, p. 2.
    70- R. Jeffrey Smith, “Kosovo Attack Called a Massacre”, The Washington Post, 17 de Março de 1999, p. 1.
    71- J. Rainio, K. Lalu, A. Penttilä, “Independent forensic autopsies in an armed conflict: investigation of the victims from Ra?ak, Kosovo”, Forensic Science International, 116 (2001), pp. 171-185.
    72- Crónica de Anna Husarska no International Herald Tribune, 1 de Agosto de 2001.
    73- James Rubin, “Countdown to a Very Personal War”, Financial Times, 30 de Setembro de 2000, e “The Promise of Freedom”, Financial Times, 7 de Outubro de 2000.
    74- Tyler Marshall, “U. S. in Kosovo for the Long Haul”, Los Angeles Times, 10 de Junho de 2000.
    75- “Meet the Press”, 25 de Abril de 1999.
    76- Fox News (televisão), 23 de Maio de 1999.
    77- The Washington Post, 28 de Abril de 1999.
    78- Michael R. Gordon, “NATO General Urges Hits on Serbian Leaders; Belgrade People Must Suffer, Too, He Says”, The New York Times/International Herald Tribune, 14 de Maio de 1999.
    79- “Is Serb Economy the True Target? Raids Seem Aimed at Bolstering Resistance to Miloševic”, by Joseph Fitchett, International Herald Tribune, 26 de Maio de 1999, p. 1.
    80- International Herald Tribune, 31 de Maio de 1999.
    81- Rod Nordland, “Vengeance of a Victim Race”, Newsweek, 12 de Abril de 1999.
    82- Daniel Jonah Goldhagen, “If you rebuild it… A New Serbia”, The New Republic, 17 de Maio de 1999.
    83- Daniel Pearl & Robert Block, “Despite Tales, the War in Kosovo Was Savage, but Wasn’t Genocide”, Wall Street Journal, 31 de Dezembro de 1999.
    84- Heinz Loquai, Der Kosovo-Konflikt: Wege in einen vermeidbaren Krieg, The Institute for Peace Research and Security Policy of the University of Hamburg, Nomos, Baden-Baden, 2000, pp. 138-144. John Goetz & Tom Walker, “Serbian ethnic cleansing scare was a fake, says general”, The Sunday Times (Londres), 2 de Abril de 2000.
    85- Bernard Kouchner, “The Long Path Toward Reconciliation in Kosovo”, Los Angeles Times/International Herald Tribune, 27 de Outubro de 1999.
    86- Entrevista com Bernard Kouchner por Catherine Perron, “Kosovo: Le courage de Sisyphe”, Politique Internationale, Paris, Inverno de 1999-2000, pp. 69-90.
    87- Citação do prefácio escrito por Kouchner para o segundo volume do relatório da OSCE sobre as violações dos direitos humanos, Kosovo/Kosova: As Seen, As Told. Este relatório foi redigido por uma nova missão da OSCE no Kosovo, OMIK, dirigida por um diplomata neerlandês, Daan Everts, que começou os seus inquéritos em Julho de 1999.
    88- Tom Walker, “Cook held talks with war crime suspect”, The Sunday Times, Londres, 29 de Abril de 2001.
    89- Anthony Lewis, The New York Times/International Herald Tribune, 12 de Abril de 1999.
    90- Roger Cohen, “Who Really Brought Down Miloševic?”, The New York Times Sunday Magazine, 26 de Novembro de 2000.

    [*] Jornalista, americana, residente em Paris. Trabalhou para a Agence France Presse e diversas publicações, incluindo Le Monde Diplomatique. Entre 1979 e 1989 foi correspondente europeia do semanário social-democrata de Chicago In These Times. O seu livro The Politics of Euromissiles: Europe in America’s World foi publicado pela editora Verso, Londres, 1984. De 1990 a 1996 foi adida de imprensa do Grupo Verde no Parlamento Europeu.
    Este texto é extraído do capítulo 5 (O novo modelo imperial) de Cruzada de cegos: Jugoslávia, a primeira guerra da globalização , Editorial Caminho, Lisboa, 2006, 381 pgs., ISBN 972-21-1764-5.

    Este texto encontra-se em http://resistir.info/ .

  51. Margarida: V. conhece certamente o princípio do imperativo categórico: comporta-te de um modo que possa ser seguido pelos demais e seja benéfico para todos; sucede que, se cada um dos demais se comportasse como V. se comporta (e eles não são mais nem menos do que a Margarida) este blog ficaria pura e simplesmente ilegível, submerso que estaria em longuíssimos comentários. Porque não deixa V. simplesmente o link? Perdoe-me que lhe diga, mas eu, como leitor, por muito que me interessem as suas teses, fico algo desmotivado perante os ecrãs e ecrãs de argumentos que V. aqui traz. Peço a sua compreensão.

  52. O António Figueira tem toda a razão mas o problema é que eu deixei o link mas o João Pedro continuava a alegar que não tinha as fontes. Quem acabou por pagar as favas foi você – por isso lhe pedi perdão – mas este foi um caso extremo de para grandes males, grandes remédios. Às vezes, paga o justo pelo pecador…

  53. Mas vocês ainda se dão ao trabalho de discutir com a Margarida?

    Ela que defende Estaline, Fidel ou o regime norte-coreano só podia defender também Milosevic!

    Neste post:
    https://aspirinab.weblog.com.pt/2006/02/a_liberdade_da_islamofobia.html#comments

    a Margarida diz a seguinte frase:

    “pergunta-me o que eu penso do Estaline. Penso que foi o presidente da URSS e do PCUS e que conseguiu – com os sacrifícios e as mortes (27 milhões!!!) dos povos soviéticos – o mais importante: derrotar os invasores nazi alemão e japonês, e deu o mais importante contributo para o fim da II Guerra Mundial. E é por isso que mais de 60 anos depois da vitória sobre o nazi-fascismo e mais de 50 anos depois da sua morte, os seus inimigos ainda não lhe perdoaram a derrota que lhes infligiu.”

    Mas vão lá ver que há lá muito mais!

  54. Relatar factos históricos é assim um motivo para tal escândalo, RN? E é ou não verdade que de facto Estaline, como disse antes – e mantenho! – foi o presidente da URSS e do PCUS e que conseguiu – com os sacrifícios e as mortes (27 milhões!!!) dos povos soviéticos – o mais importante: derrotar os invasores nazis alemão e japonês, e deu o mais importante contributo para o fim da II Guerra Mundial.

    E pela sua reacção, você é um dos que, à semelhança doutros inimigos (da paz, sa soberania das nações, dos povos decidirem do seu destino), mais de 60 anos depois da vitória sobre o nazi-fascismo e mais de 50 anos depois da sua morte, ainda não lhe perdoaram a derrota que lhes infligiu.

  55. Margarida, cuidado com o que dizes sobre o Estaline: se falas bem dele ainda podes acabar Presidente da Comissão Europeia!

  56. Bem lembrado, bem lembrado… Sabe-se lá se o Durão não esteve também em casa do David Rockfeller, no tal resort em Como no Alpes Italianos, onde definiram as tácticas e as estratégias para o HRW e outras ONG’s “humanitárias” lixarem a vida dos povos da Ex-URSS e da Europa do Leste.

  57. Margarida,

    Esse Estaline é o mesmo era aliado de Hitler, quando Churchill, após o colapso da França, disse aos ministros: “Meus senhores, estamos sozinhos. Acho isto muito estimulante.”?

  58. Depois de toda essa sabatina, Margarida, apenas concluo o mesmo do comentário anterior: que se evita os acontecimentos de Sebrenica passando rapidamente para o kosovo, sem mais demoras; que se omitem os campos de concentração na Bósnia; que se considera a Revoluão popular de 5 de Outubro de 2000 uma encenação de “desordeiros”; curiosamente, já vi nostálgicos do Salazarismo referirem-se da mesma forma ao 25 de Abril.E quanto À dona Ermelinda, dispenso as suas xconsiderações. Sim, o argumento da imprensa controlada está estafado é é utilizado quando se quer provar “Factos” no mínimo duvidosos. Entende a senhora dona Ermelinda?
    e se também querem fontes, aconselho-os a bibliografia proposta no blog “O Amigo do Povo”, sobre o mesmo assunto.

  59. Já corri a blogosfera toda a ler coisas sobre o Ditador Milosevic. Em todos eles se concorda com duas coisas. Que ele deveria ter sido julgado e que o facto de não se julgarem uns não deve ser impeditivo de se julgar outros e continuar a lutar por que todos os que mereçam vão a julgamento. O que acho engraçado é que em todos os blogs aparece uma tal personagem que defende o contrário. Em todos a mesma peste. E vocês ainda perdem tempo?????

    Será que no fim vamos todos ter que dizer que ele era um patriota e santo????

    António Figueiredo, dou-te razão. Os comentários tão compridos são intragáveis. Um link basta e se não se vai ver é porque não se quer.

  60. Tal como Daniel Arruda, já precorri varios blogs, uns dizem que sim, outros dizem que não!
    Cá para mim, acho que já se está a “gastar” muitas teclas (ainda chega ao numero de munições utilizadas pelo “Milozébique” ou “Milossébiche” para massacrar populações inteiras).

    O homem já tá morto e brevemente enterrado. Mais mal é de quem cá ficou que tem que aturar esta TRETA TODA!

  61. Cordobes: de certo que não reparou que a Diana Johnstone deixou de colaborar com o jornal que menciona em 1989, isto é há 17 anos…mas agradeço o texto que destacou, pelo menos aprendi que há uma nova forma de luta que é a “a rolling hunger strike”…

    Sobre a outra questão que malevolamente coloca “Esse Estaline é o mesmo era aliado de Hitler”, vou ter que explicar com mais pormenor: como sabe, em Setembro de 1939 os exércitos nazis invadiram a Polónia, iniciando a II Guerra Mundial. Mas de facto a guerra começara muito antes, com a remilitarização da Alemanha e a sua expansão territorial, beneficiando da complacência dos principais países ocidentais, interessados na repressão e esmagamento das forças progressistas da Europa, seduzidos pelo ódio anticomunista promovido pelo nazismo e esperançados em virar contra a URSS o militarismo alemão e as suas ambições duma nova partilha do mundo.

    A Inglaterra e a França consentiram a militarização alemã (1936), a intervenção militar de Hitler e Mussolini contra a República Espanhola (1937-1939), a anexação da Áustria (1938), negociaram com Hitler o Pacto de Munique (1938) que permitiu o desmembramento e ocupação de Checoslováquia, inviabilizaram os acordos propostos pela URSS para garantir a defesa dos países ameaçados pela agressão hitleriana.
    Com tudo isto, Hitler teve o caminho aberto para se lançar na guerra.

    Vejamos com mais pormenor como se processou a “política de apaziguamento” da França e da Inglaterra em relação à Alemanha naz:.

    – Em 7 de Março de 1936 a Alemanha de Hitler invadiu, com um exército de 30.000, a zona desmilitarizada do Reno, sem qualquer resposta das potências ocidentais, apesar da sua enorme superioridade militar.

    – Entre 1936 e 1939, a Alemanha nazi e a Itália fascista intervêm directamente ao lado dos fascistas espanhóis na Guerra Civil de Espanha, sob o silêncio cúmplice das potências ocidentais, que definem uma “política de não intervenção”.

    – De 11 a 13 de Março de 1938, a Alemanha nazi dá mais um passo na agressão: faz a anexação da Áustria (Anschluss). A resposta a Ocidente foi a mesma de sempre: silêncio, cumplicidade, deixar andar…Em Portugal, Salazar apoia.
    Por exemplo, em 27 de Maio de 1938, Bonnet, ministro dos Negócios Estrangeiros francês declara ao embaixador alemão em Paris que “o governo francês aprecia os esforços sinceros empreendidos pelo governo alemão a bem da paz”.

    – Em 29 e 30 de Setembro de 1938 tem lugar a Conferência e o Pacto de Munique entre Hitler, Mussolini, Chamberlain (PM inglês) e Daladier (PM francês) donde o governo checoslovaco bem como a URSS são excluídos. A região dos Sudetas – pertencente à Checoslováquia – é cedida à Alemanha nazi que alguns meses depois (14-16 de Março de 1939) invade e ocupa a Boémia e a Morávia perante a passividade das potências ocidentais.

    O objectivo dos governantes ocidentais era claro: virar contra a URSS a agressão nazi que procuravam “acalmar” a ocidente à custa de cedências e abdicações sucessivas.

    Em todo este período, o Partido Comunista e o governo soviético desenvolveram esforços coerentes e firmes no sentido da unificação de esforços de todos os que se opunham à ameaça nazi-fascista.

    – Em 1933, o Partido Comunista e o governo soviético propuseram a criação de um sistema de segurança colectiva na Europa, conduzindo a alguns desenvolvimentos e concretizações positivas na assinatura dos tratados soviético-checoslovaco (16 de Maio de 1935) e soviético-francês (2 de Maio de 1935), destinados a prevenir a ameaça de agressão alemã.

    – Em 1936, ao abrigo deste tratado, a URSS manifesta a sua disponibilidade para ajudar a França quando Hitler invade as zonas desmilitarizadas do Reno (1936), ajuda que não foi aceite pelo governo francês.

    – Em 28 de Setembro de 1937, o Pravda escrevia a propósito da Áustria (anexada em Março de 1936 pela Alemanha nazi): “A manutenção da independência da Áustria exige acções rápidas e unidas de todos os países interessados em garantir a Paz na Europa. Só essas acções podem deter o agressor e prevenir a criação de um novo foco de guerra”.

    – Poucos dias após a invasão da Áustria (em 17 de Março de 1938) o governo soviético – o único que o condenou – afirmava em declaração oficial: “Amanhã pode já ser tarde, mas hoje ainda estamos a tempo disso, se todos os Estados particularmente as grandes potências, assumirem a posição firme e inequívoca relativamente ao problema de defesa colectivo da paz”.

    – Em Setembro de 1938, poucos dias antes da assinatura do Pacto de Munique, e em resposta a um pedido do governo checoslovaco da época, a URSS declarava-se pronta a prestar ajuda à Checoslováquia, face a uma agressão da Alemanha, cumprindo o tratado de 1935. Com este objectivo foi, aliás, deslocado para as fronteiras ocidentais da URSS um grande agrupamento de tropas soviéticas, onde se manteve até 25 de Outubro de 1938 – pronto a combater na Checoslováquia. A capitulação do governo checoslovaco em Munique em conluio com os governos da Inglaterra e da França, retirou qualquer sentido e eficácia à disponibilidade do governo soviético.

    A 18 de Março de 1938, a URSS, apesar das fundadas razões para desconfiar das intenções dos círculos dirigentes da França e da Inglaterra, propõe a realização de uma Conferência em que participem representantes da URSS, Inglaterra, França, Polónia, Roménia e Turquia.

    A 16 de Abril de 1938, Litvinov, comissário soviético dos Negócios Estrangeiros, propõe ao embaixador britânico em Moscovo a realização de um Pacto de Assistência Mútua entre a URSS, a Inglaterra e a França. Esse Pacto deveria ser reforçado por uma convenção militar entre os três Estados que garantiriam auxílio a todos os Estados da Europa Central e Oriental que se sentissem ameaçados pela Alemanha.

    Esta proposta não teve resposta concreta e a 4 de Maio de 1938, Churchill, num discurso na Câmara dos Comuns, lamentava que a oferta soviética ainda não tivesse qualquer resposta por parte do governo inglês, pois considerava que “não existiam meios para manter uma frente oriental contra a agressão nazi sem a participação activa da União Soviética”.

    A 8 de Maio de 1938, Chamberlain discursa nos Comuns e desdenhosamente afirma que a recusa às propostas soviéticas se deve a “uma espécie de muralha entre os dois governos extremamente difícil de penetrar”. Churchill, agora secundado por Loyd George, avisa de novo Chamberlain que deve negociar imediatamente com a URSS.

    Em meados de Agosto de 1939 os alemães, na sequência de propostas anteriores, de “normalização de relações”, propõem à URSS a realização de um tratado de não agressão. O governo da URSS só responde quando perde as esperanças de chegar a um acordo com a Inglaterra e a França. Os nazis chegam a esta posição porque temiam que o confronto militar com a URSS fosse demasiado oneroso, preferindo adiá-lo para uma altura em que o seu potencial militar fosse aumentando à custa de outros países europeus.

    A 23 de Agosto de 1939, a URSS assina o tratado de não agressão com a Alemanha.

    Esse tratado de não agressão germano-soviético só foi possível devido ao manifesto desinteresse da Inglaterra e da França em concluírem um tratado com a URSS. Foram responsáveis por isso os círculos dirigentes desses países (assim como da Polónia e da Roménia) , devido ao seu anticomunismo visceral.

    O tratado de não agressão permitiu à URSS preparar-se melhor no plano militar durante quase dois anos. Por outro lado, em Junho de 1941, quando os nazis atacaram a URSS, a situação internacional era diferente, pois a Inglaterra estava em guerra com a Alemanha e os EUA também estavam envolvidos, por via do seu apoio à Inglaterra. Assim, as condições eram bem mais favoráveis à formação de uma coligação anti-hitleriana do que em 1939.

  62. João Pedro: se quer mesmo saber de Sebrenica consulte http://emperors-clothes.com/analysis/list-s.htm
    Mas se tem algum sentido do ridículo não use a palavra “popular”, quando refere a golpada de 5 de Outubro de 2000. Nem os gajos do Otpor se atreveriam a chamar-lhe isso, eles sabem que as coisas se passaram como a Diana descreveu. E já agora, também no Emperor’s se pode informar sobre isso.

    O Arruda está traumatizado porque no seu blogue, não fui só eu a contestar as “atrocidades” que segundo ele o Milosevic cometeu, mas está a exagerar, porque fora estes dois blogues, só comentei o assunto em mais um…ou será que há qualquer outra “peste” que por qualquer razão o Arruda não se atreve a mencionar?

  63. Margarida, é por twr o sentido do ridículo que repito que a 5 de Outubro de 2000 houve uma revolução do povo sérvio que derrubou a ditadura de Milosevic. Pode vir com a sua free-lancer ligada aos Verdes europeus (de Cohn-Bendit, esse grande exemplo de credibilidade!), com o “Avante” e com o “Resistir”; parece que o povo se torna extremamente inoportuno quando derruba as “nossas” ditaduras, não é? Dá até para defender não só Milosevic mas também Ceausescu e Estaline. Lamento, mas como creio mais na “comunicação social burguesa” e nas pessoas que se revoltaram há 5 anos, ao contrário do que o PC apregoava, qual ministro Al-Saaf, Milosevic ficará como um dos culpados (mas não o único)por alguns dos actos mais vis dos anos 90.

  64. João Pedro,

    Com tantos anjinhos como você às voltinhas dum lado para o outro, quem é que precisa de de pagar bilhete para ir para o céu? Só se for o Arruda, comentador que veio aqui à pressa dar um abraço ao Figueira e logo a seguir descobriu o tal talento para lascar a proverbial posta de pescada contra a Margarida. Não cheira mal, mas tanto um como o outro metem-me dó. Dó porque me parece que ambos partem do pressuposto que todas as coisas ditas por comunistas nunca correspondem à verdade. E nisso se enganam.

    Repare nesta declaração inserta há um certo tempo num famoso jornal Europeu nada socialista, que nem sequer lhe vou dizer qual é só para o chatear.

    Srebrenica, which was overrun by Serb forces in July 1995, forms the basis of the genocide charge against Milosevic, but Wiebes, a member of a Dutch government inquiry into the atrocity, said there is nothing to link Milosevic to the crime.
    ‘In our report, which is about 7,000 pages long, we come to the conclusion that Milosevic had no foreknowledge of the subsequent massacres,’ he says in a radio programme, The Real Slobodan Milosevic, to be broadcast by BBC Five Live tonight. ‘What we did find, however, was evidence to the contrary. Milosevic was very upset when he learnt about the massacres.’
    The prospect of the former Balkan strongman being cleared of the most serious charge he faces is a fresh blow to an already troubled case, which begins hearing defence evidence this week after several months of delays.

    Boa noite, João.

  65. já cheguei atrasado (mas ainda bem, como diria o Luis Rainha)
    só gostaria de acrescentar:

    A propósito do desmembramento da Jugoslávia e do UCK grupo terrorista que desencadeou o terror e o conflito no Kosovo que criou o pretexto para a intervenção da NATO, é preciso não esquecer o essencial:
    Foi aqui, no cenário dos Balcãs que os EUA criaram com consistência o mito de Osama bin Laden e da Al-Qaeda. O aparecimento dos Neocons à frente do governo em Washington não pode ser apenas assacado ao Bando dos 4: Bush, Cheney, Rumsfeld, Wolfwitz – mas sim, à evolução natural do Capitalismo imperialista americano – em desespero de causa perante o crash da economia mundial eminente, derivado da bancarrota da bolsa da New Economy (nasdaq 2000) os autores do Golpe das Torres Gémeas, mais tarde viram-se tambem desesperados por estabelecer uma ligação com a Al-Qaeda e o 11 de Setembro que lhes servisse de álibi (as WMD) para atacar o Afeganistão e o Iraque. A sobrevivência do Capitalismo depende deste tipo de ataques preventivos, da existência de um “inimigo” global a condizer com a exploração global, da Economia de Guerra! que possa sustentar o Complexo Politico-Militar, seja eles com a administração Bush e seus apaniguados, ou seja proximamente com os “democratas” (a outra face do partido único) de Hillary Clinton.
    Voltando aos Balcãs, neste sitio
    http://www.kosovo.com/rpc.html
    vê-se o embaixador Richard Holbrooke (nomeado por Clinton) com um comandante do KLA no verão de 1998,mas,,,
    O desenvolvimento e treino das forças do KLA fazia parte do planeamento da NATO, dirigido directamente pelo general Wesley Clark muito, mas muito tempo antes. Nas palavras do antigo agente secreto da Drug Enforcement Administration (DEA) Michael Levine, escrevendo por alturas do bombardeamento de 1999 à Jugoslávia:
    “Dez anos atrás estávamos a armar e equipar os piores elementos dos Mujahideen no Afeganistão — traficantes de droga, contrabandistas de armas, terroristas anti-americanos… Agora estamos a fazer a mesma coisa com o KLA, o qual está ligado a todos os cartéis da droga conhecidos no Médio e Extremo Oriente. A Interpol, Europol e quase toda a inteligência e agências anti-narcóticos europeias têm ficheiros abertos acerca de sindicatos da droga que conduzem directamente ao KLA e àos gangs albaneses neste país”. (New American Magazine, May 24, 1999)

    Mais tarde, quando se tornou uma espécie de “dissidente” contra os Neocons para se candidatar às eleições de 2004, Clark não só acusou o George W. de “possível manipulação da inteligência” como também apelou a uma investigação “para uma possível conduta ‘criminosa” na condução da guerra”.
    http:// http://www.telegraph.co.uk/news/main.jhtml?xml=/news/2003/10/04/wclark04.xml 4
    uma fotografia famosa junta com um artigo de Michel Chossudovsky pode ser vista aqui, em:
    CRIMINOSOS DE GUERRA JUNTAM AS MÃOS (Kosovo 1999)
    Da esquerda para a direita:
    * Hashim Thaci, Chefe do KLA, estreitamente ligada à Al Qaeda de Osama bin Laden. Hashim Thaci ordenou assassinatos políticos contra o partido de Ibrahim Rugova. Thaci foi um protegido de Madeleine Albright (ver foto mais abaixo).
    * Bernard Kouchner, Chefe da United Nations Mission in Kosovo (UNMIK), no Kosovo (Julho 1999- Janeiro 2001), foi agente instrumental na elevação do status do KLA na ONU.
    * General Michael Jackson, Comandante das tropas do KFOR no Kosovo.
    * General Agim Ceku, Comandante Militar do KPC, investigado pelo Tribunal Penal Internacional para a antiga Iuguslávia (ICTY) “por alegados crimes de guerra cometidos contra pessoas de etnia sérvia na Croácia entre 1993 e 1995.” (AFP 13 Oct 1999)
    * General Wesley Clark, Comandante Supremo da NATO.
    O único que falta nesta foto é mesmo Osama bin Laden
    convem ler isto com muita atenção aos detalhes pormenorizadamente mencionados
    http://resistir.info/chossudovsky/us_regime_rotation.html

    por ultimo, e como eu sei o tempo que estas coisas demoram a sistematizar, os meus (creio que posso dizer nossos) melhores agradecimentos à Margarida, pela esclarecida colaboração. Muito obrigado!

  66. Margarida, agradeço alguns dos posts que aqui colocaste, são grandes, mas não estamos a falar de coisa menores, mas de acontecimentos que custaram a vida de milhares de pessoas. É bom recordar alguns acontecimentos que levaram ao desencadear da guerra na Bósnia e no Kosovo, é que uma pessoa à custa de ser diariamente martelada pela imprensa “livre e independente” acaba por ficar com as ideias um pouco afuniladas e confusas. Um dia acordamos com a notícia de que se suicidou o ditador Sadam Hussein que possuía o maior arsenal de armas de destruição em massa que a humanidade já conheceu e continuamos o nosso caminho um pouco mais descansados, com a ideia de que vivemos num mundo mais seguro e livre.

  67. A propósito do desmembramento da Jugoslávia e do UCK grupo terrorista que desencadeou o terror e o conflito no Kosovo que criou o pretexto para a intervenção da NATO, é preciso não esquecer o essencial:

    Foi aqui, no cenário dos Balcãs que os EUA criaram com consistência o mito de Osama bin Laden e da Al-Qaeda. O aparecimento dos Neocons à frente do governo em Washington não pode ser apenas assacado ao Bando dos 4: Bush, Cheney, Rumsfeld, Wolfwitz – mas sim, à evolução natural do Capitalismo imperialista americano – em desespero de causa perante o crash da economia mundial eminente, derivado da bancarrota da bolsa da New Economy (nasdaq 2000) os autores do Golpe das Torres Gémeas, mais tarde viram-se tambem desesperados por estabelecer uma ligação com a Al-Qaeda e o 11 de Setembro que lhes servisse de álibi (as WMD) para atacar o Afeganistão e o Iraque. A sobrevivência do Capitalismo depende deste tipo de ataques preventivos, da existência de um “inimigo” global a condizer com a exploração global, da Economia de Guerra! que possa sustentar o Complexo Politico-Militar, seja eles com a administração Bush e seus apaniguados, ou seja proximamente com os “democratas” (a outra face do partido único) de Hillary Clinton.

    Quis colocar aqui os links com a história mais detalhada da agressão nos Balcãs, com um agradecimento à Margarida pelos esclarecimentos, mas o post não entrou
    Talvez o Antonio Figueira possa tb dar um geito nisso

  68. Dona Ermelinda:

    Tu quando te dedicas à arte de inventar és um show.

    “What we did find, however, was evidence to the contrary. Milosevic was very upset when he learnt about the massacres”

    Estou mesmo a ver o Milosevic a dar um raspanete à malta que ordenou os massacres porque ele é responsabilizado.

  69. Para o João Pedro vale tudo, e para desacreditar a Diana Jonesthone até já a encosta ao Cohn-Bendit, como se desconhecesse que o Cohn-Bendit foi um dos “humanitários” que mais incentivou alemães, franceses e americanos a investirem contra Milosevic e contra a Jugoslávia…

    Agora, porém parece que lhe fugiu a boca para a verdade quando liga Milosevic a Ceaucescu: fê-lo certamente sem se lembrar que também na Roménia “encenaram” uma “revolução popular” no meio da qual inopinadamente prenderam, “julgaram” e “fuzilaram” (em poucas horas e num dia de Natal!) o casal Ceaucescu. Claro que quem o fez tomou o poder e pouco depois aderia à IS, arranjando assim credenciais “democráticas” à prova de bala! A que se seguiram as privatizações das empresas estatais, as grandes fortunas de meia dúzia de governantes, a corrupção galopante, o desemprego ainda mais galopante, o encerramento de empresas, o empobrecimento geral da população, a emigração clandestina…um pouco do mesmo que hoje acontece na Jugoslávia. E que o Milosevic repetidamente denunciou no “Tribunal”, no tal “julgamento” que tinha desembocado num beco sem saída, pois que a del Ponte com a ajuda do HRW bem se esforçou mas nada conseguiu provar.

    O Luís Oliveira também pensa que com umas larachas se safa. Possívelmente nada leu sobre as conversações de Dayton, pensará provavelmente que na altura era o Milosevic que “mandava” na Bósnia. Assim sendo porque se esforça tanto a del Ponte na captura dos líderes bósnios sérvios ainda a monte?

    Só não se compreende é que tendo acesso à Internet esta gente não se esforce um pouco mais para conhecer com mais objectividade o que se passou e passa na Jugoslávia. Não saberão pesquisar no google ou não querem mesmo nada conhecer?

  70. Margarida:

    Não percas tempo com o Luis Oliveira que já é um caso perdido. E continua a mandar os teus lençois. Ultimamente andavas tão caladinha que eu já andava preocupado.

    Também qual é o camarada que pega naquelas larachas do RMD?

  71. Não, Margarida, eu não falei a despropósito, você é que referiu antes o ditador romeno; e que eu saiba, a jornalista por si tão abundantemente citada era assessora dos Verdes. ou não?
    Para mim não vale tudo. Mas, como diz outro comentador mais acima, não gosto de brincar às ideologias e às mentirinhas quando há demasiados mortos envolvidos, demasiados massacres por explicar e demasiados assassinos à solta. E o mesmo se aplica ao 2mito” Bin Laden. Mito? Querem ver que o 11 de Setembro é obra dos americanos ou do lobbi judaico?

  72. João Pedro:
    então e não é mesmo que o 11/9 é mesmo obra do Bando Neocon?

    um negócio anual de U$D 30 biliões por ano de receitas para o Complexo Politico-Militar:

    WAR AND GLOBALISATION
    THE TRUTH BEHIND SEPTEMBER 11 – um livro do canadiano Michel Chossudovsky
    http://globalresearch.ca/globaloutlook/truth911.html

    Toda a gente já viu (e leu sobre)isto, menos os indefectiveis beneficiários da economia de guerra. Segundo as sondagens Bush tem actualmente apenas 34% de apoiantes. Ainda são muitos, o que demonstra o tipo de sociedade irracional que se está a tentar construir usando toda a panóplia de desinformação por forma a fomentar o desinteresse e a indiferença. Apesar disso,,,

    A decadência americana acelerou-se a um ponto tal que até são já os ideólogos conservadores que contribuiram para a criação da ideologia do “triunfo do Capitalismo”, que se interrogam
    http://zfacts.com/p/236.html

  73. Ó António Silva, talvez “tenhas falta de memória ou nem tenhas dado por isso”, mas, que se saiba, o Milosevic era Sérvio e o grupo que detinha o poder durante os massacres também. Quem é que afirmou que o Tito era um santinho? Era um servo da Rússia imperialista e comunista. Milosevic era protegido pelo actual governo russo, menos imperialista mas interessado em que as “ex-colónias” não fujam a 7 pés da sua dominância opressiva.

    Se és a favor do direito do povo de decidir o seu destino, não faz sentido que te armes em falso protector face ao perigo alemão. Aos Catalães já lhes bastou a subjugação a Castela. De qq forma é a eles que cabe decidir e não a falsos protectores ;) Estás armado em bushista…
    Nem comento essa de os catalães começarem a desatar a expulsar e a matar os castelhanos e os galegos. É ridículo.

    Os Bascos têm direito à independência, se o povo assim o determinar, mas não pelos meios demonstrados.

    Já pensaste, alguma vez, que este processo da Catalunha poderá ser uma forma de mostrar aos Bascos que a luta armada não é o melhor meio para atingir os seus objectivos? É, isso sim, uma verdadeira lição a todos os separatistas espanhóis.

    Milosevic seria seguramente condenado pela grande maioria dos crimes de que era acusado. Esta morte só o favoreceu. A única parte interessada em o aniquilar era a dele.

    Só falta afirmares que o Hitler também era um santinho, que nos queria proteger dos malandros dos americanos e cujo único erro foi pretender manter a unidade da Europa… Vai daí, os judeus foram mortos pela guerra civil provocada pelos pró-americanos…

    Só mais uma coisa: se dentro do teu conto de fadas, os russos nos invadissem para nos “protegerem” dos mauzões alemães ou americanos, podes ter a certeza que a NATO seria muito bem vinda ;)

    Nos nossos dias, dentro da política actual, bem entendido…

  74. AF
    não vi jeito nenhum, pq mesmo agora tentei enviar outro post – mas desde que mencione links de ligação, não entra directamente e aparece isto:
    Thank you for commenting.
    Your comment has been received and held for approval by the blog owner.

    portanto, se vcs não derem entrada ao post – fica como ontem: sem aparecer

  75. João Pedro: o seu a seu dono, nada de confusões, quem se referiu ao Ceaucescu foi a Diana Johnstone no artigo que eu aqui coloquei. Eu não costumo muito falar do que não conheço, o que conheço foi o fim “humanítário” da “justiça” que os prendeu, “julgou” e executou num dia de Natal há uns anos atrás, sob os aplausos dos novos “missionários” que andaram com lupas a coscuvilhar as “atrocidades” que supostamente os jugoslavos cometeram.

    Ainda sobre os verdes, lembro-lhe que os Verdes portugueses pertenceram sempre a esse grupo no PE. Aquilo não é só (e felizmente!) um feudo do Cohn-Bendit, apesar dele tentar fazer passar essa imagem…

    É precisamente por levar muito a sério as ideologias que às vezes passo fins de semana a tentar perceber mais qualquer coisinha. E nunca me viu, nem verá a armar à justiceira, a apontar “bandidos” e a”assassinos”, vcomo você por aqui tem feito.

    E quanto ao bin Laden, só mesmo você para não ver que é um genuino produto made by the CIA e que às vezes os monstros saem fora das garrafas onde os guardaram …Formaram-no, municiaram-no, apoiaram-no, publicitaram-no (eram os freedom fighters na guerra contra os russos no Afeganistão, lembra-se? freedom fighters continuaram na guerra contra os jugoslavos na Bósnia e no Kosovo), estranhamente ainda não o “encontraram” nem no Paquistão nem no Afeganistão, mas continua a ser um produto made by the CIA…

  76. João Pedro, é evidente que o 11 de Setembro é obra do grande mestre do crime, do anjo caído, enfim, do demónio, ao qual se opôem as forças do bem, o 007, o anjo do Senhor, que no final, depois de muitos trabalhos e sofrimentos, vencerão. Como sabe, é a luta contra o Mal a razão da existência de S. Jorge e S. Tiago e restantes nobres representantes de Deus e do Rei. Qualquer relação com o controle das matérias-primas fundamentais e sua distribuição é pura coincidência.

  77. Margarida, mostra-me uma fonte neutra se não te importas. Existe? Não, não existe.
    Não vejo qual é o problema desta fonte ser da Human Rights Watch. Alguém teria que ser responsável pela filtragem das testemunhas, e recolha dos depoimentos no Kosovo e na Bósnia. Já agora, porque é que a Rússia não fez o mesmo? Alguém a impediu? Não convinha, né?

    A defesa de Milosevic, praticamente, assentava na defesa do unidade do país (como se o extremínio das populações pudesse ser aceite para justificar os fins…), na ignorância do mesmo em relação ao que se passava, e na falta de poder no controlo das próprias forças. Não é suficiente Margarida. E os amiguinhos russos tinham outros interesses “mais elevados” que procurar provas que o ilibassem ;)

    Nota só mais uma coisa. Apesar do que afirmo em relação à Rússia, eu admiro bastante o povo russo. Só espero que se livrem rapidamente da herança comunista e não caiam demasiado no vortix capitalista, nada mais.

  78. Só mais uma coisa em relação ao 25 de Abril: preferia que tivesse sido mais cedo, bem mais cedo !!! E a ajuda dos americanos teria sido bem vinda (e de certa maneira foi ;)). Não concordo com ditaduras; A Democracia ainda é o mal menor que melhor respeita a soberania de um povo.

  79. Bluegift: é capaz de me dar o exemplo de um povo que conseguiu a independência, contra a opinião do seu governo, sem andar aos tiros?

    E já viu a barbaridade que é dizer que a morte “só” favorece (seja quem for) e a infâmia que é dizer que foi a “parte” dele quem o aniquilou? No fundo o que você pretende é branquear o tal “Tribunal” e quem o prendeu, a NATO. E a sua argumentação não é diferente da del Ponte, do Jack Straw, da CNN, da BBC, da Sky news, da Euronews ou do José Manuel Fernandes. Mataram o homem e não satisfeitos ainda querem responsabilizá-lo por ter morrido…

    Passando por cima das tontices que diz sobre o Hitler, lembro-lhe só que nunca sequer houve nada que sugerisse sequer uma ameaça de invasão dos russos, mas que quem ajudou os governos de Salazar e de Marcelo a bombardearem e a matarem angolanos, moçambicanos e guineenses foram os seus amigos da NATO, com armas e dinheiro. E quem ajudou os movimentos de libertação dessas ex-colónias foram os soviéticos. E pelo contrário, quem impôs guerras civis a angolanos e moçambicanos foram países da NATO e o seu aliado racista do apartheid da África do Sul.

    E já agora, nunca esqueça que NATO significa USA e os seus interesses de hegemonia mundial.

  80. “Sabe-se lá se o Durão não esteve também em casa do David Rockfeller, no tal resort em Como no Alpes Italianos, onde definiram as tácticas e as estratégias para o HRW e outras ONG’s “humanitárias” lixarem a vida dos povos da Ex-URSS e da Europa do Leste.

    Margarida, então e a Rússia não lixou estes povos? Essa agora… Então devia ser para os proteger que não os deixava sair do país, é? E os estrangeiros também não podiam (e mesmo hoje mal podem…) viajar pelo país porque íam contaminar os povo com ideias capitalistas… Mas que queridos paizinhos… tão queridos e protectores…
    Francamente ! Não me digas que ainda és comunista e que ainda apoias a política da Rússia e do PCP de olhos vendados e com palas!?
    Bom, se ainda te encontras nesse estádio, o resto está explicado… :P

  81. “Bluegift: é capaz de me dar o exemplo de um povo que conseguiu a independência, contra a opinião do seu governo, sem andar aos tiros?”

    Porquê? Em que é que isso contradiz o que afirmei?

    Não é barbaridade ,Margarida, é um sentimento real sentido por todos os que acreditavam na sua culpabilidade. É um imenso sentimento de frustração. É também uma imensa lição à Justiça para que encontre forma de acelerar os processos.

    As influências de que falas existem de todos os lados. Acontece é que nem todos são escravos delas apesar que poderem sentir uma ou outra influência. Eu prefiro os tribunais internacionais à libertação dos criminosos, mesmo que pelo seu povo.

    Relativamente ao Hitler, Margarida, se quiseres, também se arranjam muitas formas de o ilibar, ou duvidas?

    O que vale é que os russos nunca invadiram ninguém ;)

    Não contesto o que afirmas sobre a guerra colonial, mas lembro-te que a NATO, apesar da influência dos americanos, não é assim tão dominada por eles quanto pretendes fazer crer. No fundo, Margarida, venha o diabo e escolha ! Eu prefiro o lado ocidental, democrata, que respeita a soberania dos povos através do uso da Democracia, contra ditaduras comunistas ou outras, contra os falsos paizinhos, paciência ;)

  82. Margarida, não te esqueças que os comunistas comem criancinhas (ou seriam os judeus?) e que o Saddam quando chegou ao Koweit roubou as incubadoras das maternidades e deitou os pobres inocentes pró lixo.
    Lembro-me perfeitamente de ver na CNN uma testemunha ocular desse crime, portanto é verdade.

  83. Ó map, os comunistas são os tipos mais democratas que conheço, tens razão, é pena é que seja só em teoria… Na prática são uns verdadeiros ditadores.

  84. E o Saddam era “o” Democrata ! Basta olhar para os palácios onde vivia o povo e para a forma gentil como os tratava. Era um amor de homem…

  85. “Eu prefiro o lado ocidental, democrata, que respeita a soberania dos povos através do uso da Democracia”

    Bluegift, preferências cada um tem as suas. Mas “respeito da soberania dos povos”, a que planeta é que te estás a referir? A História de toda a América Latina, de toda a África, de práticamente toda a Ásia e de uma boa parte da Europa nos últimos 60 anos, para não irmos mais longe, demonstra precisamente o contrário, a total falta de respeito pela “soberania dos povos” do teu “lado ocidental, democrata”.

  86. Não, bluegift, o Saddam era o “Monstro de Baghdad”, grande mestre do crime, um autêntico Darth Vader que tinha nos calabouços dos “palácios” aquelas máquinas de fazer salsichas onde introduziam os opositores para deleite do tirano que assistia embevecido. Veio na CNN, portanto é verdade.

  87. map, um pouco mais democrata que o lado Leste dominado pelo comunismo russo, não? ;) Hoje aquilo parece mais uma espécie de “capitalismo à russo”, mas enfim… Já lá foste ?

    Não significa que concorde com a acção “ocidental”, mas, entre as duas, prefiro-a de longe !

    Mas, já agora, mostra-me lá qual é a tua fonte preferida de informação? Deixa-me advinhar… :P

  88. Bluegift,

    Por favor, fecha-me essa garagem, filho. Desde que aqui chegaste há três dias depois do jantar, só tens dito asneiras umas atrás das outras baseadas em desinformação pura que aqui vens descarregar muito contente e convencido. Mas a verdade é que nem o DN das segundas-feiras consegue aborrecer tanto aqueles que o lêm.
    Tua culpa? Não. Quem tem culpa é quem te trouxe a este mundo e não te proibiu de beberes esses malditos programas da Walt Disney 15 horas por dia, vício que ainda não perdeste nem dás mostras de querer perder.
    Um conselho: pega no Arruda e no João Pedro e, todos juntos, amandem-se de cabeça para LA. Consta-se que andam à procura de tres gajos para re-filmarem as aventuras dos Three Stooges (Três Estarolas). Se estiveres interessado em fazer o papel do desgraçado que leva os carolos na cuca, não te esqueças de te ires treinando de boca aberta com uma colher de pau para te habituares aos sons das campainhas palatinas..

  89. Bluegift,

    Por favor, fecha-me essa garagem, filho. Desde que aqui chegaste há três dias depois do jantar, só tens dito asneiras umas atrás das outras baseadas em desinformação pura que aqui vens descarregar muito contente e convencido. Mas a verdade é que nem o DN das segundas-feiras consegue aborrecer tanto aqueles que o lêm.
    Tua culpa? Não. Quem tem culpa é quem te trouxe a este mundo e não te proibiu de beberes esses malditos programas da Walt Disney 15 horas por dia, vício que ainda não perdeste nem dás mostras de querer perder.
    Um conselho: pega no Arruda e no João Pedro e, todos juntos, amandem-se de cabeça para LA. Consta-se que andam à procura de tres gajos para re-filmarem as aventuras dos Three Stooges (Três Estarolas). Se estiveres interessado em fazer o papel do desgraçado que leva os carolos na cuca, não te esqueças de te ires treinando de boca aberta com uma colher de pau para te habituares aos sons das campainhas palatinas..

  90. bluegift, não tenho uma “fonte preferida de informação”, uma das vantagens de viver nesta época é precisamente o acesso imediato a muitas fontes de informação, e é pelo contraste entre elas que encontro as minhas “verdades”. Por exemplo em http://www.ipl.org/div/news/ encontras links para jornais de todo o mundo. É fácil.
    E não, não assino o Avante, nem leio jornais desportivos…
    E pelos vistos, os “comunistas russos” continuam a comer criancinhas…. valha-nos Nossa Senhora de Fátima, que disse que eles se haviam de converter

  91. bluegift
    é verdade:
    “Relativamente ao Hitler,se quiseres, também se arranjam muitas formas de o ilibar”
    na tese do cineasta Hans-Jurgen Syberberg, que realizou “Hitler, um filme da Alemanha” (passou a semana passada na Cinemateca) o hitlerismo existia em todos os alemães – cada um segundo a quota parte do hitler que tinha dentro dele próprio.
    Sendo assim, se a experiência do III Reich nos ensina alguma coisa, convém não ser conivente com os crimes que actualmente os adeptos do IV Reich praticam.

  92. Ó Dona Ermelinda, volte lá masé prás suas telenovelas e deixe de abusar da aguardente.

    map, a 1ra fonte de informação não me parece diferir muito na conotação política face às mais conhecidas. Já a 2nda, bem, é a opinião de um só jornalista, claramente comunista… O que é que queres que te responda?

    Que o Bush arranjasse um pretexto para invadir o Iraque e lhe sacar o petróleo, estamos de acordo. Mas qual o interesse das Balcãs a não ser o de manter a zona sob a influência comunista (neo-comunista…)? Nã… e tanta gente a mentir ao mesmo tempo ? Tantas testemunhas a afirmar o mesmo ? O tipo tanto podia ser comunista como outra coisa qualquer, mas da culpa não se livra, nem no caixão !

  93. xatoo, em cada alemão existe um hitler, da mesma forma que em cada português existe um ladrão, em cada espanhol um cigano, em cada francês um napoleão, em cada italiano um mafioso, em cada holandês um viking, em cada loura uma burra… por aí fora. É um raciocínio um pouco simplista e perverso, não achas?

  94. Não bluegift, quem lixou e bem os povos da Europa do Leste foram os gajos do grande capital financeiro, norte-americano. Esses povos tiveram tremendas oportunidades em termos de trabalho, saúde, segurança social, cultura e educação. E setenta anos dum sistema não provam a falência desse sistema, porque ainda por cima esse sistema viveu numa época que sofreu duas guerras mundiais. Enquanto houver – e cada vez há mais – exploração, guerra e injustiças, há gente empenhada em lutar por um mundo diferente, mais justo, sem exploração e sem guerra.

    De facto não conseguiu dar um exemplo de povos que contra a opinião do seu governo se tenham tornado independentes, sem guerra. Pela razão de que isso não é possível. E é porque preconizo a convivência pacífica dentro dum determinado espaço geográfico (país) que abomino quem artificialmente, por interesses próprios de domínio – e ainda mais por interesses alheios – tenta lançar a divisão e o sessionismo. As pessoas têm o direito de viver e de conviver com gente de qualquer religião e etnia na sua terra em igualdade de circunstâncias.

    Sobre a NATO, dê-lhe as voltas que quiser dar, ela é um instrumento dos USA para fazer guerras, pois mesmo os USA já concluíram que sozinhos não conseguem dominar o mundo e precisam dos jovens doutros países para serem carne para canhão ao seu serviço.

    Acha mesmo que os conflitos que os USA estimularam nos Balcãs não foram do máximo interesse para os USA? Pense só: antes, a NATO era uma aliança defensiva, depois dos bombardeamentos sobre a Jugoslávia (que eram ilegais não só sob o ponto de vista da NATO como principalmente da ONU) a NATO converteu-se estatutariamente numa aliança ofensiva para intervir em TODO o mundo! E à pala desses conflitos em vez dum grande país independente e soberano têm mais dúzia de protectorados com governos que fazem o que eles (os USA) querem. E nesta altura, os USA têm um enormíssimo quartel na Bósnia e no Kosovo têm o maior quartel fora das fronteiras dos USA. No Kosovo que ainda é, formalmente uma província Sérvia. Sem pagarem um tostão têm lá, numa zona geograficamente estratégica o maior quartel fora do solo norte-americano.

    E vá ver a quem pertencem hoje as minas, as empresas de telecomunicações, de electricidade, de fabrico de automóveis, de confecção de tabaco, siderúrgicas, refinarias, editoras, etc., desses países da antiga Jugoslávia. E veja quantas empresas e fábricas de lá faliram, entretanto. É assim: ou fecham as empresas para inundar esses países com as suas exportações ou compram-nas por tuta e meia e ganham sempre explorando a mão de obra local, que agora já não tem a segurança social e as regalias sociais de há dez, 15 anos atrás. Porque nos governos estão os neoliberais que também por lá aplicaram as receitas do costume: se queres saúde, paga-a, se queres educação, paga-a e se queres pagar menos impostos, enriquece.

    Fala de muita gente a mentir. Nem era preciso haver muita gente a mentir a todo o tempo, bastava haver os gajos do costume: meia dúzia de gajos na CNN, dois ou três na Sky, Euronews, ou BBC, meia dúzia em cada rede de jornais, e convidarem sempre gente do HRW e similares, uns tantos escritores, artistas, historiadores, modelos da moda. E em cada país “aliado” (o nosso, por exemplo) o mesmo esquema: nas TV’s, rádios, jornais, editoras. Eles parecem muitos porque ocupam todo o espaço mediático e raramente deixam algum espaço para quem discorda. Eles não são muitos eles têm é os media e o controlo desses media.

    E repare só neste pormenor: cá em Portugal, o único jornal que publicou na íntegra o “Anexo B” foi o Avante. O único. Porventura noutros países “aliados” (que não têm o Avante) nenhum, nenhum jornal o publicou. E lembra-se das horas seguidas de directos com as lamechises dos “refugiados” kosovares ou bosníacos? Lembra-se dos gritos da Júlia não sei quantas a acordar-nos todas as manhãs com o estridente “Bom dia Bósnia”? Lembra-se das criancinhas kosovares acolhidas em não sei quantos países e de quuem nunca mais se ouviu falar? Lembra-se das fotos dramáticas de primeira página sempre com o coitadinho. Nem é preciso ir muito longe. Conte só as vezes que desde domingo os nossos queridos jornais chamaram “carniceiro dos Balcãs” ou “bruxa” ao Milosevic e á mulher…

  95. Só agora tive tempo para ir espreitar a Lusa. Trago de lá este take que aqui deixo, sem comentários, para reflexão de todos nós:

    “Milosevic tomou medicamentos para agravar o seu estado – Carla del Ponte

    Paris, 14 Mar (Lusa) – Slobodan Milosevic, encontrado morto na sua cela sábado passado, “tomava medicamentos às escondidas” para agravar o seu estado ou mesmo para se suicidar, disse hoje a procuradora do Tribunal Penal Internacional (TPI) para a ex- Jugoslávia, Carla del Ponte.

    “Na minha opinião, foi ele quem decidiu que o seu estado de saúde devia piorar. Ele tomava medicamentos às escondidas”, assinalou Del Ponte numa entrevista ao jornal francês Le Monde hoje publicada.

    “Temos de esperar pelos resultados das análises toxicológicas para sabermos o que é que ele tinha no sangue. Se esses elementos se confirmarem, poderemos afirmar que ele agravou o seu estado de saúde para poder ir a Moscovo ou que ele se quis suicidar”, acrescentou.

    Del Ponte referia-se ao pedido apresentado em Dezembro pelo ex- presidente jugoslavo para ser autorizado a deslocar-se a Moscovo para exames médicos e tratamento dos problemas cardíacos de que sofria.

    Apesar de uma garantia escrita dada pelo Governo russo de que Milosevic seria devolvido a Haia, onde estava a ser julgado por crimes contra a humanidade e genocídio, o TPI rejeitou o pedido.

    O ex-presidente jugoslavo foi encontrado morto no sábado, na sua cela no centro de detenção do TPI em Haia. Segundo os primeiros resultados da autópsia, Slobodan Milosevic, de 64 anos, foi vítima de um ataque cardíaco.

    Hoje, o TPI pronunciou oficialmente o arquivamento do processo contra Milosevic, devido à morte do acusado.

    “(A morte de Milosevic) foi um duro golpe! Depois de tudo o que fizemos! É inacreditável (Ó) Puxou-nos o tapete, deixou-nos às escuras. Assim”, declarou a procuradora.

    Se Milosevic não tivesse morrido, Del Ponte teria “pedido prisão perpétua” no julgamento. “Sem dúvida nenhuma”, afirmou a procuradora.

    “Devemos olhar em frente. Quero Radovan Karadzic, quero Ratko Mladic (líderes político e militar dos sérvios bósnios, ainda a monte). Este tribunal tem de ressuscitar porque, neste momento, está em coma”, disse Carla del Ponte.”

  96. bluegift, bem me parecia que o teu lugar era mesmo o littlegreenfootballs. Parabéns pela confirmação.
    Devo reiterar, no entanto, que o facto de haver petróleo no iraque é pura coincidência. O Bush como o S. Jorge e o S. Tiago, para não falar da Padroeira, do Batman e do Super Homem, estão apenas a lutar contra o Mal Absoluto e os seus Grandes Mestres do Crime. Repito, petróleo no Iraque é pura coincidência, e o oleoduto do Mar Negro ao Mediterrâneo também.
    Como também é pura coincidência o que podes ler se conseguires escrever allied intervention in the russian civil war na caixa de pesquisa da wikipedia. O Bush da altura, que se chamava Churchill, fumava charutos e, como este, gostava da pinga, sem se arrepender, un grande Democrata ocidental, a quem se devem, entre outros grandes serviços à liberdade, à democracia e à causa do Bem, o primeiro bombardeamento com armas químicas dessas hordas de terroristas ao serviço do Mal e dos Grandes Mestres do Crime – no Iraque, em 1920. Já nessa altura o facto de haver petróleo no Iraque era pura coincidência.
    Pois é, a História tem destas coisas.

  97. «Conte só as vezes que desde domingo os nossos queridos jornais chamaram “carniceiro dos Balcãs” ou “bruxa” ao Milosevic e á mulher…»

    Realmente eu se fosse um carniceiro sentia-me ofendido!

  98. “E setenta anos dum sistema não provam a falência desse sistema, porque ainda por cima esse sistema viveu numa época que sofreu duas guerras mundiais.” Se calhar, também o nazismo merecia mais umas décadas para podermos ver se era assim tão mau…

    “Lembra-se das horas seguidas de directos com as lamechises dos “refugiados” kosovares ou bosníacos”… Mas esta mulher é mesmo o que se chama “idiota útil”: quer substituir a verdadezita oficial dos EUA por outra fantasia antagónica mas não menos distante da realidade: os delírios do “Avante” e quejandos.

    Já percebo porque é que esta “Margarida” tem vergonha de assinar com o seu nome todo: idiotices autistas deste calibre envergonham qualquer um com meio cérebro a funcionar.

  99. Uns chalaçam, este Magalhães insulta. Mas a prova está no que realizaram: a URSS e os países do Leste Europeu desenvolveram a sua economia, educaram e trataram dos seus cidadãos, desenvolveram a ciência e puseram-na ao serviço do homem, apoiaram lutadores e povos em todo o mundo, desenvolveram os direitos das mulheres e das crianças, respeitaram tradições, religiões, criaram Estados laicos, igualitários e justos.

    Os capitalismos promoveram guerras, ocupações, barbáries, deixam milhões nos seus próprios países, desempregados, crianças, jovens e velhos à deriva, sem apoios sociais, sem preocupações com a saúde e a educação.

    E por cá podemos comparar o que faz o PCP e o que desfazem os outros. No PCP aprendemos a lutar pelos direitos dos trabalhadores e das populações e pela paz, respeito pela soberania de todas as nações e pela cooperação com os povos de todo o mundo. Nos outros lutam por direitos patronais: por facilitarem os despedimentos, por diminuirem o acesso à educação e à saúde, pela degradação de salários e pensões e por enviarem para guerras alheias homens e recursos.

  100. O mesmo António Esteves Martins que no domingo à noite dizia de Belgrado que lá ninguém falava nem se interessava pela morte de Milosevic, acabou de dizer agora, na RTP-N, que nos últimos três dias já 250.000 pessoas tinham assinado os livros de condolências, em Belgrado…

    Quando o povo quer, o povo tem muita força, e até põe, afinal o António Esteves Martins a ver.

  101. John Catalinotto: Milosevic expôs crimes dos EUA nos Balcãs

    O imperialismo americano e sua mídia corporativa fizeram um esforço concentrado para demonizar Slobodan Milosevic enquanto ele estava vivo, acusando-o de crimes em uma guerra feita por eles prórpios. Agora estão usando sua morte como outra oportunidade para esculhambar o último líder independente da Iugoslávia, uma nação multinacional que não mais existe. Foi desmembrada do mapa pelas potências capitalistas encabeçadas por EUA e União Européia.

    Os imperialistas têm a vantagem de possuir a mais poderosa máquina de propaganda da história. A única vantagem que Milosevic tinha, e que havia se referido na abertura de seu discurso de defesa, é que a verdade e a justiça estavam ao seu lado.

    De acordo com declarações anteriores de autoridades da prisão Scheveningen, em Haia, Holanda, o ex-presidente da iugoslávia foi encontrado morto em sua cela na manhã do dia 11 de março. Os rumores de sua morte, transmitidos em primeiro lugar pela rádio da Sérvia, foram confirmados. A pessoa que liderou a Iugoslávia à resistência contra a subversão e os ataques estrangeiros de 1990 a 2000 estava morta.

    O advogado e ativista internacional de direitos humanos Ramsey Clark sempre apontou que nada na Carta das Nações Unidas permitia ao Conselho de Segurança de criar um corpo jurídico como o Tribunal Criminal Internacional para a Ex-Iugoslávia (TCII). O TCII é um instrumento político estabelecido para punir qualquer um nos Balcãs que tenha resistido à agressão imperialista na região.

    Esse “tribunal” conduziu acusações contra Milosevic exatamente no momento em que eram levados a cabo, pelo pacto militar do Atlântico Norte (Otan) e dos EUA, os bombardeios da Iugoslávia, em maio de 1999. Obviamente, tinha como objetivo adicionar ainda mais pressão contra a liderança iugoslava.

    O que muito do resto do mundo não sabe e não pode extrair da mídia corporativa é que os apoiadores do presidente Milosevic pressionaram seguidas vezes o Conselho de Segurança para que o presidente fosse examinado por seus próprios médicos e recebesse tratamento médico em uma clínica moscovita. A Corte segudamente recusou esses apelos e minimizou as graves condições médicas de Milosevic, às quais tinham completo conhecimento, até sua morte aos 64 anos.

    A Otan e os Estados Unidos conseguiram, com armas e dinheiro, romper a unidade da República Socialista Federada da Iugoslávia.

    Eles conseguiram derrubar um dos últimos governo independentes da Europa Oriental, o que existia em Belgrado. Eles conseguriam até confundir muitos progressistas no Ocidente — nas nações imperialistas — com uma ofensiva de mentiras bem planejada e executada que colocavam a culpa em Milosevic por qualquer problema nos Balcãs e na Sérvia.

    Essa ofensiva propagandística obscureceu a interferência, a subversão e as táticas de dividir para conquistar praticadas pela Alemanha e pelo imperialismo americano, que se utilizaram de grupelhos neo-fascistas nas repúblicas da Croácia e Bosnia & Herzegóvian, além da província sérvia de Kosovo.

    Mas o TCII falhou miseravelmente ao tentar provar ao mundo que Slobodan Milosevic era culpado de qualquer crime cometido contra o povo dos Balcãs nos anos 1990.

    Cadê o ‘Julgamento do Século’?

    Milosevic gastou mil páginas para responder às chamadas “evidências” apresentadas contra ele, um calhamaço de 500 mil páginas construído pelo TCII e que falhou absolutamente na tentativa de conseguir provar alguma coisa. A mais concisa argumentação a seu favor é a própria abertura da defesa de Milosevic, conduzida por ele próprio, em 2004 e publicada em “A Defesa Fala — Pela História e Pelo Futuro”, editada pelo International Action Center (IAC).

    Existe também a apresentação “curta”, apresentada com este artigo, que convence qualquer um capaz de olhar para os fatos sem nenhum juízo prévio.

    Quando o julgamento de quatro anos começou contra Milosevic, em fevereiro de 2002, foi chamado de “julgamento do sécvulo”. As potências da Otan planejavam utilizá-lo como um “show” contra os que se atrevessem a resistir à conquista de sua terra. Todos esperavam uma cobertura consistente do julgamento e notícias que justificassem capa dos jornais. Era o que teria acontecido, se o TCII tivesse conseguido chegar próximo de seu objetivo.

    Mas não foi assim. A despeito de uma enorme vantagem em dinheiro, pessoal, investigadores e apoio estatal de todos os membros da Otan, o TCII foi incapaz de trazer à luz qualquer caso crível contra Milosevic. A notícia então sumiu da mídia imperialista. A falta de cobertura, por si só, é como uma admissão da inocência de Milosevic e a assumção da culpa por parte de EUA e Otan.

    É muito cedo para avaliar a contribuição de milosevic como líder da antiga Iugoslávia e do Partido Socialista da Sérvia. Esse julgamente deverá ser deixado, em primeiro lugar, ao povo e à classe operária dos Balcãs, e não aos imperialistas criminosos que destruiram a Federação Iugoslava.

    Mas uma coisa está clara. Do dia que ele foi raptado de uma prisão de Belgrado à prisão de Scheveningen em Haia, e colocado sob prisão da Otan, ele conduziu, sob condições horrivelmente desiguais, uma batalha heróica e política contra as pessoas que o colocaram ali. Como seu companheiro nos Balcãs, prisioneiro político nos anos 30, o comunista búlgaro Georgi Dmitrov, que se defendeu brilhantemente contra falsas acusações nazistas de que havia colocado fogo ao Reichstag, Milosevic conduziu sua própria defesa legal contra a falsa corte da Otan.

    Milosevic virou a mesa no tribunal e mostrou que Bill Clinton, Tony Blair, Gerhard Schroeder, o general Wesley Clark e o resto da camarilha da Otan é que mereciam um julgamento pelos crimes de guerra cometidos.

    Sara Flounders, do IAC, disse que o TCII tinha razões para desejar a morte de Milosevic. “Como o caso estava rumando para um fim — com a defesa efetiva de Milosvic — surgiu um terrível dilema para o tribunal”. Por essa razão, o IAC está junto com o Comitê Internacional pela Defesa de Slobodan Milosevic (ICDSM) no sentido de que seja feita uma “investigação independente e internacional das circusntâncias e causas da morte de Milosevic”, e para que “sua família, seu partido e seus simpatizantes tomem parte dessa investigação”.

    John Catalinotto é americano, jornalista do Worker’World e co-editor do livro “Hidden Agenda — the U.S./NATO takeover of the Balkans”, publicado em 2002 pelo IAC.
    Fonte: Worker’s World
    http://www.vermelho.org.br/diario/2006/0314/0314_milosevic_ww.asp

  102. O TPI comprovou ser uma farsa jurídica onde a justiça não é cega nem imparcial.
    O julgamento de Milosevic procurou torná-lo no bode expiatório de 500 anos de guerras balcânicas e impôr à Jugoslávia uma novo Tratado de Versalhes em condições humilhantes.
    A realidade é que os mesmos que acusaram Milosevic deram toda cobertura e apoio logístico à deportação de 500 000 sérvios da Krajina pelo exército croata, com o apoio dos serviços de informações da NATO. O mesmo aconteceu com o grupo terrorista chamado UCK, especializado em incendiar igrejas e mosteiros. E os bombardeamentos de civis pela NATO não são também acções deliberadas contra civis?

    Também os nazis pocuraram encenar um julgamento dum acusado com crimes cometidos pelos acusadores: foi o julgamento de Dimitrov, que ficará para a história e que os novos senhores do mundo procuram repetir

  103. Não sei porquê mas de cada vez que vejo a Srª procuradora Carla na televisão só me vem à cabeça o Intendente e frases tipo Bigornas… palavra que não sei porquê

  104. Para uma mentira resultar e passar por verdade tem que obedecer a dois requisitos: tem que ser muito grande e tem que ser muito repetida.
    O Luís Oliveira é a prova de que esta receita resulta. Alguém adivinha quem foi o autor desta receita de transformar mentiras em verdades?

  105. Bluegift
    Com que então o Tito era um “servo da Russia imperialista e comunista”, francamente um pouco mais de conhecimento da história do século passado não te fazia mal nenhum, assim francamente não vale a pena… abre-me esses olhos e tira essas palas

  106. Ainda vem esta malta falar de “palas”! Incrível: agora, as sociedades concentracionárias, violentas e miseráveis do antigo Bloco de Leste eram, afinal, um paraíso.
    Estes alucinados também devem acreditar que o Muro de Berlim servia para impedir as hordas invejosas do Ocidente de entrar na RDA…

    O Tito poderia ser muito “aberto” se comparado ao ogre Ceausescu; mas continuava a ser um peão de um imperialismo insaciável, monstruoso e opressor. E líder de um país artificial que se viu condenado mal o império soviético se desmoronou.

    Quem ainda se recusa a acreditar nisto não é muito melhor que os skinheads que veneram o 3º Reich: imbecis adoradores de monstros a que nenhuma evidência conseguirá abrir os olhos.

  107. “A URSS e os países do Leste Europeu desenvolveram a sua economia, educaram e trataram dos seus cidadãos, desenvolveram a ciência e puseram-na ao serviço do homem, apoiaram lutadores e povos em todo o mundo, desenvolveram os direitos das mulheres e das crianças, respeitaram tradições, religiões, criaram Estados laicos, igualitários e justos.”

    Porque será, então, que todos, menos os dignitários dos PCs, andavam à procura de oportunidades para se pirarem desses sítios tão bonitos?
    “Desenvolveram” a economia à custa do Ambiente, de mão de obra miserável, de um centralismo esmagador.
    E que dizer da admirável “liberdade” que por lá se gozava? Poderia uma “Margarida” soviética aplaudir manifs contra o governo, organizar protestos sindicais, ou sequer escrever baboseiras destas sem ir logo parar a um daqueles sítios de onde poucos regressavam? Ou o Gulag, as perseguições, as torturas, as prisões arbitrárias também nunca existiram?
    “Igualitários e justos”, escreve a criatura, escarrando sobre a memória de incontáveis vítimas. Que vergonha.

  108. Só agora reparei num comentário anterior do bluegift em que ele diz que não vê qual o problema de ser o Human Rights Watch a fonte do “tribunal”. Apesar de já lhe ter sido explicado antes que um dos directores do Human Rights Watch até foi Presidente deste “tribunal”, que a acusação da del Ponte se baseava nos relatórios e depoimentos recolhidos pelo Human Rights Watch, que a demonização da Jugoslávia e dos seus líderes foi a prioridade durante dez anos da actividade da Human Rights Watch e que a própria existência e financiamento deste “tribunal” foi obra da Human Rights Watch, bem como grande parte do circo mediático montado contra a Jugoslávia e contra os seus dirigentes, em que foram activíssimos participantes.
    Por isso não exagero concluindo que o bluegift é adepto dum regime em que impere a lei do mais forte: o mais forte manda nos media, nos governos e em quem detém os meios de repressão e nos tribunais. Tal como o fascismo fez por cá, tal como o nazi-fascismo aplicou em quase toda a Europa. Enfim, uma ditadura. Tal como nesta altura, nos USA, uma juíza do Supremo Tribunal (que há pouco tempo se demitiu) receia que Bush esteja já por lá a implementar.
    E o bluegift nem repara que a actualidade no terreno é o melhor desmentido de tudo o que diz: é que a Sérvia-Montenegro (o que resta da Jugoslávia de Milosevic) é hoje (fora a Macedónia) o único Estado que se mantém multinacional e multiétnico. E as criações da NATO – a Croácia, a Bósnia e o Kosovo praticaram uma limpeza étnica quase total.

  109. “O mais forte manda nos media, nos governos e em quem detém os meios de repressão e nos tribunais.” E você, Margarida, tem o descaro de postular que não era precisamente isto o que se passava no Bloco de Leste? Onde andavam por lá os partidos alternativos ao poder, os sindicatos livres, as greves, os protestos consentidos, a dissidência livre?
    E não se aproveite dos buracos que existem na pré-condenação que os media fizeram do Milosevic para nos papaguear a reza do “ai que bom que era o comunismo”…

    Mas, já agora, Margarida, leia o tal jornal que citou, também quando ele refere testemunhos que ligam efectivamente o defunto a algumas atrocidades… ou esse jornal só é digno de crédito quando escreve o que nos interessa? Claro, ou não fosse viesse você de onde vem.

  110. Quando era vivo o Ceaucescu era o grande amigo do Mário Soares e de toda a social-democracia, agora (depois de o assassinarem à queima-roupa e à revelia da justiça) é um “ogre”, mas nem uma palavrinha para os seus executores. Seriam santos? Democratas? Para serem recebidos de braços abertos na EU e na NATO pelo menos devem ser exemplares com as mais altas credenciais “democráticas”…
    Agora o Magalhães explica que afinal, depois do desmoronamento da URSS, a Jugoslávia estava “condenada”. Querem melhor e maior desmentido das tretas das “atrocidades” dos sérvios e do Milosevic? Eles mal a URSS se foi já estavam condenados a desaparecer. Relembro o meu primeiro comentário nesta discussão: O “crime” porque o prenderam foi por ele ter sido um Chefe de Estado, que se opôs ao desmantelamento do seu país, a Jugoslávia.

  111. A Jugoslávia estava condenada a desaparecer pois a ameaça das armas soviéticas era a única coisa a mantê-la unificada. Só não o via na altura quem não queria abrir os olhos. Mas o que tem isto a ver com as atrocidades posteriores?
    Claro que o Ceausesco era um ogre e a Roménia, que eu tive o desprazer de visitar na altura, era um país sinistro, pralisado de medo e paupérrimo; que o Soares fosse amigo dele nada me espanta. E nem me passa pela cabeça aplaudir aquela farsa travestida de julgamento.
    No entanto, os crimes e disparates que hoje ainda por lá se verificam não absolvem o longo pesadelo que foi o Bloco de Leste. Era como se o facto de hoje haver flagrantes desigualdades e muita miséria em Portugal exonerasse o Estado Novo das suas culpas.

    E quanto ao seu sonho de um “estado multinacional e multiétnico”, receio que ele possa acabar já a 21 de Maio. Ou não reparou que vai haver um refrendo sobre a independência do Montenegro?

  112. José Magalhaes
    As tuas palas também não são nadas pequenas; não reconhecer o papel que a União Soviética teve no combate ao Nazi-fachismo, no desenvolvimento cientifico, espacial, na melhoria das condições de vida, na libertação e autodeterminação dos povos do mundo inteiro e ainda por cima vir com frases do tipo: “imperialismo insaciável e opressor” só demonstra que pelo menos de vez em quando tens uns ataques de anticumunismo troglodita bem reaccionários.
    Essa do imperialismo insaciável devia ser com o Bush.

  113. Magalhães: não me lembro de mencionar o Guardian (às vezes lei-o on-line, mas não me lembro de o referir…) mas presumo que dessa notícia de 1 de Maio de 2003 não deve ter compreendido a seguinte passagem: “Despite more than 100 witnesses and thousands of hours of phone intercepts and TV recordings, not a scrap of evidence showed Milosevic ordering crimes that left more than 200,000 dead in the Balkans.” Isto é, apesar de mais de 100 testemunhas e de milhares de horas de intercepções telefónicas e de escrutínio de gravações por TV, nem um pintelho de evidência descobriram que provasse que Milosevic tivesse dado qualquer ordem para a execução de crimes…

  114. António Silva,

    Santo abrenúncio. Onde é que eu não reconheci o papel da URSS no combate ao nazismo? E onde é que neguei essa coisa do “desenvolvimento cientifico, espacial”? Em lado nenhum, claro está. Limitei-me a afirmar a verdade inegável: aquilo estava longe, demasiado longe, de ser um parraíso e todos que podiam desejavam de lá fugir.

    As suas palas são de um modelo especial: fazem-no ver e ler coisas que não existem. Vendem-se na Festa?
    Claro que existiu um imperialismo soviético. Ou não reparou, por exemplo, em alguns passeios de tanques organizados pelo exército da URSS, já bem depois do fim do nazismo?

  115. Margarida,

    Olhe que o sentido do artigo é precisamente o oposto, daí o uso da forma verbal “showed”; no pretérito, está a ver? Até aos testemunhos que são referidos no artigo, nada tinha aparecido de muito sólido, situação que então se modificou.
    Ou não leu o resto da peça? Por exemplo, “The former secretary to Arkan, Serbia’s most feared paramilitary commander, has told the trial of phone calls he received from Milosevic’s men giving orders for attacks on unarmed Bosnians”, “The breakthrough is just in time. Prosecutors have only two more months to complete their case”, ou “With evidence now firmly linking Milosevic to murders, rapes, ethnic cleansing and the bombardment of Sarajevo, it is hard to see how he can escape a life sentence”.

    Isto para nem falar da continuação do pedaço que cita, tão convenientemente omitida por si: “A picture emerged of him running his regime like a Mafia don, working through a handful of confidants who were given verbal orders that left no paper trail”…

    Realmente deve dar muito jeito usar as tais palas: só se lê e aceita os bocados que nos interessam. Ao resto, fecha-se os olhos.

  116. Pois, Magalhães mas a continuação do relato era uma opinião do jornalista ou de quem ele interrogou da parte da Acusação. Claro que a del Ponte tinha que consubstanciar nalguns subjectivismos a acusação. Mas provas, provas, nem pintelho. Até mesmo The Guardian o confirma…E quanto às testemunhas escolhidos pelo HRW e os seus depoimentos também pelo HRW registados (e andaram à cata por toda a Jugoslávia por mais de 15 anose ainda por lá continuam…) não os ouviu também nas CNN, BBC, Sky News, TVI, SIC, RTP, Público, etc., até à exaustão? Provas nickles. Nada. Nadinha. Nem em 2003, nem em 2006. O julgamento estava “doomed” como li ontem algures. Condenado. Um fiasco completo.

    Joana Abrunhosa: porque estou no trabalho (e tenho que despachar os comentários antes que o patrão me tope), envio este artigo feito com base nos relatórios do PNUD que explica o “paraíso” subsequente. (António Figueira, perdão mais uma vez pelo tamanho do copy&paste).

    [Nota: estou farto destes testamentos por aqui espalhados a esmo. Trate de indicar links para os textos e pare de os colocar aqui. Se chama a isto censura, azar o seu: é mesmo censura ao abuso da hospitalidade alheia. Luis Rainha]

  117. Margarida,

    Isso é, muito simplesmente, mentira. O artigo do Guardian intitula-se, de forma reveladora, “Milosevic faces new war crime evidence”. E começa logo de forma devastadora: “You would not know it from the granite expression on his heavy jowls, but the roof has fallen in on the world’s most infamous defendant – Slobodan Milosevic. ”

    Não é opinião do jornalista: é um relato de novas provas que então apareceram. Como é que se atreve, depois de ter lido uma peça em sentido oposto, a afirmar que “Até mesmo The Guardian o confirma”? Não há por aí nem um pingo de vergonha, pois não?

    No que toca ao tal “paraíso subsequente”, voltamos ao mesmo: não é o facto de se terem feito muitas asneiras depois que desculpa os incontáveis crimes cometidos pelas autoridades “comunistas” no Bloco de Leste.

  118. Margarida,

    “Poderei eu portanto pedir-lhe que, no lugar desses extensíssimos respigados, passe a enviar links para o material que acha importante? Antecipadamente grato, AF”

    Está visto que não adianta usar boas maneiras. Aliás, já há uns meses eu lhe tinha exigido que parasse com essa mania de descarregar aqui todo o pedaço de prosa que lhe agrada.
    É de uma tremenda falta de respeito aos outros leitores e comentadores. Monte o seu blogue, copie para lá os seus quilos de textos alheios e tenha um feliz resto de vida.
    Aqui, pode comentar o que quiser; não pode é usurpar espaço com prosa que nem sequer escreveu e dificultar a leitura a quem não está para levar com estes lençóis quilométricos. Não tem mais nada que fazer com o seu tempo do que abusar da hospitalidade alheia?

  119. E o que é que a independência de Montenegro (se se vier a concretizar) invalida que a Sérvia continue a ser multinacional e multiétnica? Não vivem por lá sérvios, croatas, bósnios, montenegrinos, ciganos e kosovares? Não são todos eles iguais perante a lei? Não têm todos os mesmos direitos e deveres? Não convivem por lá católicos romanos com ortodoxos, com judeus e com muçulmanos? Não frequentam as crianças e os jovens de todas as etnias e religiões as mesmas escolas e as mesmas universidades? E nos hospitais não há doentes sem qualquer separação seja qual for a sua etnia e a sua religião? E repare só como isto não acontece na Bósnia nem no Kosovo, apesar de governadas e patrulhadas pela NATO. Não. Aqui há escolas, hospitais, cafés, lojas e bairros para uns e outras para outros e até em certas ruas uns andam dum lado e os outros andam do outro lado. Aliás um tanto à semelhança de como se vivia na África do Sul no tempo do apartheid ou como se vive hoje em dia em Israel.

    Mas vejo que para o Magalhães afinal maior “papão” que a Jugoslávia ainda era a Rússia e a “ameaça das armas soviéticas”! O mesmo Magalhães que agora fala em “atrocidades posteriores”. Posteriores? Posteriores a quê? Esquece-se que os “crimes” de que Milosevic estava a ser acusado se reportavam desde que foi eleito pela primeira-vez? Desde o princípio?

    E a um país onde povos de muitas etnias e religiões conviveram e se desenvolveram durante 50 anos, pacificamente e harmoniosamente, atreve-se a chamar primeiro de “artificial” e agora de medroso? Olhe, lamento ter de dizer-lhe, mas você parece-se com aqueles gajos muito valente com os de baixo e muito lambe-botas com os de cima. Um perfeito filho do império.

    António Figueira: pensava que este post (e a respectiva caixa de comentários) era seu. Por isso queira ser você a fazer o favor de apagar o texto que acompanhava o meu comentário à Joana Abrunhosa:

    [Lamento, o António tem mais que fazer e cabe-me a mim a tarefa de desparasitar o imóvel. Luis Rainha]

  120. Magalhães: a cabeça usa-se para pensar, não é verdade? Qual foram então as “novas provas” que apareceram depois de 1 de Maio de 2003? Nem uma. Nem uma única!

    Quanto ao que disse a Isabel Faria fica aqui a prova dum “lençol” que ela me apagou do seu blogue (que é para quem não saiba o mesmo do Arruda):

    SOBRE A VIOLÊNCIA
    A corrente impetuosa é chamada de violenta
    Mas o leito do rio que a contem
    Ninguém chama de violento.
    A tempestade que faz dobrar as betulas
    É tida como violenta
    E a tempestade que faz dobrar
    Os dorsos dos operários na rua?
    (Bertold Brecht)

  121. Está a morder o calcanhar errado.
    Eu não aprovo a forma como Milosevic foi detido e “julgado” e tenho como certo que deveria lá ter estado mais gente, de outros lados da guerra.
    Por outro lado, se quiser abrir os olhos para a realidade do “multiculturalismo” que se pratica hoje na Sérvia, pode começar por um recente fait-divers: a escolha do representante local para o pires concurso canoro da Eurovisão. Episódio caricato mas revelador.

    Mas importante mesmo é a sua tentativa de ignorar o facto principal na criação e existência da Jugoslávia: a permanente ameaça do poderio soviético. Tente lá encontrar um historiador (que não escreva no Avante) que consiga sustentar outra tese. E tal nada tem a ver com ser-se “medroso”.

    Quanto a isso do “filho do império”, até parece elogio, vido de uma filha da… Soeiro Pereira Gomes.

  122. “a ameaça das armas soviéticas era a única coisa a mantê-la unificada”
    Só gostava de saber de que armas era a ameaça que a manteve unificada desde a sua formação, em 1918, até à invasão nazi, em 41. Talvez o José Magalhães queira explicar os fundamentos dessa evidência.
    E ou já não sei ler ou o que a Margarida afirmou é que o único estado que se manteve multinacional e multi-étnico é a Sérvia-Montenegro. Por acaso também é uma união de estados, mas o que é que isso tem a ver com multi-etnicidade?

  123. O Reino da Jugoslávia foi uma consequência do Tratado de Versailles. As armas que o uniam tinham donos bem determinados: os sérvios. A monarquia despótica de Alexandre I tratou de impor o domínio sérvio a todo o reino. Como consequência, a contestação das outras etnias foi crescendo atá ao assassinato do próprio rei, em 39. Explicado?

  124. EHeheheH
    Então vocês também andam a levar com a Margarida Aboim Inglez? Isso não é um ataque de parasitas; é uma praga bíblica!

  125. Cá vai novamente o texto que o LR acha que é “parasita”:

    Eusouburraeusouburraeusouburraeusouburraeusouburraeusouburraeusouburraeusouburraeusouburraeusouburraeusouburraeusouburraeusouburraeusouburraeusouburraeusouburraeusouburraeusouburraeusouburraeusouburraeusouburraeusouburraeusouburraeusouburraeusouburraeusouburraeusouburraeusouburraeusouburraeusouburraeusouburraeusouburraeusouburraeusouburraeusouburraeusouburra

  126. map,
    O que tem a ver é apenas tudo: para a Margarida, aquilo é um modelo de pacífica e harmoniosa coexistência. Ao que parece, muitos montenegrinos não têm de todo essa ideia.

  127. :) Pobre ‘Aspirina’, precisam de a distribuir bastante se “apanharam” esta margarida… A criatura para além desta horrível má educação que demonstra para com os outros possíveis participantes das caixas de comentários, é uma descarada mentirosa quando lhe convém. Os textos de que ela se queixava de terem sido apagados no Troll estão lá todos para quem quizer ver. O que o tal blog fez foi apagar as repetições ( porque não contente com lençõis como estes, ela depois ia repetindo em copy/paste a mesma lenga-lenga em vários posts).Um caso típico, e que me chamou a atenção por ela ter a lata de o dizer, foi exactamente o texto do Brescht que sempre lá esteve, nunca foi apagado!

  128. Como é fácil de imaginar,pelos comentários que ela deixou neste post,foi exactamnte o poema do Brecht o lençol da Margarida que apagámos…

    Luís tás preparado??? Foram 240 numa noite…240!!!até às 3 da manhã…fora os que lá tinham ficado durante o dia…

    Como diz o Anonymus…é uma praga biblica…será que com nome e tudo???

  129. Luís, um conselho e de borla que se ele fosse bom vendia-se. Ignora-a. Foi assim que ela me abandonou a tasca.

    Como a Isabel disse. Numa noite foram 240.
    LG, obrigado, estava a ver qu eninguém reparava nisso. Este poema ainda está l´para quem quiser ver.

  130. José Magalhães, eu pensava que as causas antecediam as consequências e não percebo como é que um Reino fundado em 1918 pode ser consequência de um tratado que se negociou em 1919, no qual se determinou o destino da Alemanha. Os tratados que reconheceram as fronteiras do Reino da Jugoslávia são os tratados de Saint-Germain e de Trianon entre os vencedores e respectivamente a Áustria e a Hungria.
    O rei foi assassinado em 34, não em 39, por uma organização nacionalista búlgara a IMRO que propugnava a união da Macedónia com a Bulgária e que, entre outras centenas de assassinatos também se entretinha a matar búlgarosntre os quais um primeiro-ministro, e que tinha, isso sim, como bons fascistas, excelentes relações com os Ustashi croatas. Tanto uns como outros foram aniquilados pelos partizans de Tito após a libertação.
    Portanto, nada explicado.

  131. Map,

    O tratado de Neully (em que a Bulgária cedia algumas localidades) foi assinado em 1919, como o de Saint-Germain, e o de Trianon em 1920. Todos estes serviram para dar existência real ao que era apenas uma construção teórica dos exilados sérvios na Grécia. É claro que a Jugoslávia foi uma consequência do desenlace da I Guerra Mundial; e isso era o cerne da minha afirmação.
    E atenção: em rigor, o Reino da Jugoslávia só surgiu com a ditadura de Alexandre I, em 1929.
    Meti gralha no ano da morte do rei, mas não nas suas causas: “contestação das outras etnias”, incluindo os búlgaros da Macedónia. Não vejo qualquer contradição com o que escrevi.

  132. António Figueira: não dá para perceber a nervoseira que atinge alguns bloquistas quando numa discussão se avança com um escrito de qualquer autor comunista. O Arruda (no blogue dele) perdeu por completo a cabeça quando eu postei um texto do Eugénio Rosa que ele criticara e nem tivera o cuidado de linkar. Agora é o Luís Rainha que depois de ter apagado (várias vezes) o texto do Luís Carapinha, me cortou o acesso na última tentativa: (
    Thank you for commenting.

    Your comment has been received and held for approval by the blog owner.

    Return to the original entry)

    Começo a perceber o que leva à demissão do BE de dirigentes como o Miguel Vale de Almeida. É que tanto umbiguismo, tanta ciumeira, tanta vacuidade leva qualquer um a perder a pachorra com estes gajos.

  133. Daniel,

    Olha que esta pragazita já é nossa velha conhecida. Agora esta faceta de spammer vingativa é que é nova. Mas a criatura não perde pela demora.

  134. Por aqui já me chamaram de Botelho e agora de Aboim Inglês. Não percam tempo com isso, não vale a pena, eu sou só a Margarida. E deixem as minhas camaradas em paz.

  135. Margarida,

    É tocante a sua preocupação com o BE: Mas olhe que eu não a partilho, pois não sou militante do mesmo.
    Nada tenho contra o Luís Carapinha, que nem conheço; tenho muito é contra a sua tentativa de usar um texto dele, que não tem culpa nenhuma, para poluir esta caxa de comentários.
    Já lho tinha pedido educadamente; o António fez o mesmo. Mas deu para ver que a boa educação é desperdiçada em si. Que ideia estúpidamente agressiva é essa de persistir e persistir em meter aqui um texto enorme, mesmo depois de saber que esse comportamento é um abuso indesejado?
    Se alguém atacasse o site do “Avante!” e lá teimasse em deixar textos à toa, o que diria você?

  136. Se deixarem de me ver por aqui é porque me censuraram. É que eu não sou das que come e cala.

    Ficam alertados. E se me censurarem, eu não deixarei de informar a blogoesfera que também no aspirina há censura.

  137. Margarida,

    Eu não lhe “chamei” nada disso. Apenas lhe perguntei, com educação, se era a Margarida Botelho. Isto ainda no BdE. Não percebo, e lamento, que agora se dedique à prática do spam, de forma agressiva e injustificada.
    Mas estou-me nas tintas para as suas ameaças bacocas.
    Se continuar a despejar aqui textos enormes em vez de se comportar de acordo com as normas básicas do civismo, volto a apagar os seus comentários.
    Censura? Sim: à estupidez e ao spam.

  138. Concordo com o José Magalhães: a Jugoslávia surgiu em 1929 sem qualquer relação entre os estados que a constituíam. A Eslovénia e a Croácia eram parte do Império,sendo que a primeira dependia da Áustria e a segunda da Hungria; a bósnia estava nas mesmas condições, o Montenegro era um reino independente (tal como os seus habitantes querem voltar a ser), e a Sérvia era um estado mais pequeno do que é hoje: possuía parte da Macedónia, mas a Voivodina também era do Império. A ocidente praticava-se o catolicismo, a leste eram ortodoxos e no meio havia comunidades muçulmanas, uma herança dos otomanos. Por isso, a criação do Reino dos “eslavos do sul” era um artificialismo que Tito conseguiu manter muito bem, “jugoslavizando” a Sérvia, ao passo que Milosevic optou pela política contrária.

  139. Margarida,

    Queria tentar responder-te, mas confesso que, depois dos lençóis e do reboliço que por aqui anda, se torna complicado…

    De qualquer forma, já percebi que falas demasiado pelo partido a quem pertences, e isso empobrece bastante uma discussão minimamente neutral.

    Infelizmente, mesmo que o Milosevic e outros afins fossem vistos em plena actuação, seriam sempre desculpados pelos comunistas. Não adianta discutir. O conceito de justiça é muito diferente, a forma de estar na vida idem.

    Eu não quero viver numa sociedade comunista, fachista, muçulmana, whatever. Com todos os defeitos possíveis considero o capitalismo mil vezes preferível. Gosto demasiado da liberdade, da democracia, do bem estar. Realidades completamente condenadas por tais ideologias (nas quais o bem estar só pertence às elites).

    A imprensa não comunista, ex-jugoslavos não comunistas, reconhecem Milosevic como culpado. Isso basta-me.

    De qualquer forma: Parabéns. Se excluirmos a “cassete” de um post mais acima ;) acho que conseguiste argumentar muito bem.

  140. José, continuo a não poder concordar consigo. Se é óbvio que a derrota e dissolução do Império Austro-Húngaro no final da Grande Guerra criou as condições para a unificação dos povos eslavos do sul, é também evidente que tal unificação se processa por vontade expressa desses povos, quer dos que já eram independentes como a Sérvia e o Montenegro ou dos que estavam sob domínio do Império, como os Eslovenos e os Croatas, na concretização de uma ideia que se vinha consolidando desde meados do século XIX.
    Os búlgaros da Macedónia não foram ouvidos nem chamados para a formação da Jugoslávia, ou melhor, e obrigado pela correcção, do Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos que passou a denominar-se Reino da Jugoslávia em 1929, integravam a Sérvia desde a conquista desse e outros territórios -Kosovo, Trácia- aos Otomanos em 1912, na I Guerra dos Balcãs, e cuja divisão entre os vencedores -Sérvia, Grécia, Bulgária, Montenegro- ocasionou a II, entre a Bulgária por um lado e a Sérvia e a Grécia por outro. Nessa fase a IMRO é já práticamente um instrumento do estado búlgaro, que lhe faculta o controle de uma província a partir da qual lança ataques contra a Jugoslávia.
    Ver a história do Reino da Jugoslávia à luz da “contestação das outras etnias”, ou de todos contra os sérvios é semelhante a explicar a I República à luz da rivalidade entre Lisboa e Porto. Não há partidos, não há classes, não há lutas sociais, há “etnias” cuja rivalidade tudo explica. Não explica certamente porque é que, após a libertação, se reconstitui a Jugoslávia, não explica porque é que os comunistas tomam o poder, mas é, de facto, a linguagem a que nos habitua a imprensa “livre” que consumimos.

  141. José, só mais um detalhe, é que os tais exilados sérvios eram, na sua maioria, croatas… wikipedia – yugoslav committee

  142. bluegift, fiquei cheio de curiosidade em saber o que é uma discussão mínimamente neutral, qual será o teu conceito de bem-estar, e o que é a imprensa não-comunista. Se quiseres esclarecer…

  143. Caro Luís Rainha, Margarida, demais leitores: desculpem a minha ausência (estive fora de Lisboa durante quase todo o dia, a vender a força de trabalho), mas confesso que não imaginava que um inocente pequeno post, escrito ainda antes de o Sporting ter recebido o Boavista, merecesse ainda comentários depois de o Sporting ter ido a Coimbra… Em qualquer caso, devo agradecer ao Luís ter-me substituido e dizer três coisas aos restantes, nomeadamente à Margarida:
    – não é minha intenção (e tenho a certeza que também não é de mais ninguém neste blog) censurar seja quem for que se comporte com civilidade, isto é, que não insulte o próximo (incluindo, no conceito de insulto, o racismo, o chauvinismo, o sexismo, a homofobia e outras violações do dever básico de tolerância social) e quem não ocupar indevida e excessivamente o espaço alheio: quem tiver comentários a fazer aqui que não conseguir condensar num espaço razoável, pois então que deixe links ou abra o seu blog e remeta para lá os interessados, se os houver;
    – comentários de natureza partidária, nomeadamente sobre as tropelias que o Bloco de Esquerda faria neste blog, a mim passam-me totalmente ao lado: não sou do Bloco de Esquerda e não me interessa saber quem é ou não é (há uns que escrevem aqui e que eu sei que são, porque isso é público e notório, mas isso não me transforma em compagnon de route de seja quem for), porque não entendo este exercício como sujeito a uma lógica partidária, de tempos de antena: dou aqui opiniões pessoais, recebo outras e discuto com elas – civilizadamente – se for caso disso, e é tudo;
    – last but not least, uma primeira e última (sublinho o última) consideração que deixo à Margarida para reflexão: se V. não está aqui unicamente para dizer que está, se há um sentido útil na sua presença, se V. pretende convencer o próximo do bem fundado das suas posições, se pretende ganhar a batalha, como dizem os ingleses, dos hearts and minds, and seize the high moral ground, então pf tenha outro tipo de comportamento, e respeite as regras do jogo – sob pena de estar a prejudicar, patente e objectivamente, a causa cuja defesa a trouxe aqui em primeiro lugar.

  144. Sim, sim, map, eu sei que tudo é relativo. Mas nesse domínio, para mim, é muito claro. Se achas que a vida do povo russo e dos povos que foram subjugados pelo velho império comunista foi fácil face aos colegas europeus, bem podes guardar a relatividade comunista para ti…

  145. È melhor colocar no “livro de estilo” blogue o anúncio do nº máximo de caracteres admitidos em cada comentário, para evitar estas confusões.

  146. Luís Rainha, comentar no Avante?!?!?!?! Mas achas mesmo que isso é possível?!?!?!?! Vai lá ver se consegues comentar alguma coisa. Nos foruns do PCP o acesso é limitado e restringido. Mesmo assim os comentários passam por censura. No Avante é mesmo impossível.

    Não achas que isso era democracia a mais??????

  147. Daniel,

    Claro que tal não me passaria pela cabeça. Conheço muito bem os padrões de democracia participativa que por essas bandas se usam.

  148. Amigo Simões, pf não me lixe: leia o que eu escrevi (e que não vale a pena ler senão para este estricto fim) e verá que eu fui fair enough, com a Margarida e com todo o resto: podem dizer o que lhes apetecer, só não podem insultar-se (e limpei assumidamente, um comentário que, a propósito do Milosevic, veja bem, lembrava a invasão da Checoslováquia e chamava “fascista” ao PCP…); à dita M., pedi-lhe com bons modos que não mandasse textos quilométricos, com footnotes e tudo; a dita cuja insistiu (para quê? escapa-me), com um pretexto espúrio qualquer; tempos depois, o Luís Rainha limpou-lhe um texto de kms, e insistiu para que a M. mandasse, como devia, um link (e eu achei que ele tinha razão); é isto censura? Come on, be serious…

  149. Então o Luís Simões, para eu o levar a sério (acho difícil, mas nunca se sabe),
    abre o seu sitezinho, senta-se ao lado à espera, deixa-me colar lá dentro as páginas amarelas, e depois, pela reacção que demonstre ter, eu lhe direi se o considero digno de chamar censor ao próximo – tem por acaso algum site seu a jeito, para fazermos já a experiência?

  150. ‘Tá, tá – vou pensar nisso logo à noite, no intervalo do filme do Schwarzenegger (como é que este tipo topou que eu era um bófia, e logo dos bons?)

  151. Estava a ver que nunca mais me deixavam ir ver a bola em paz… mas apareçam sempre, claro (é sempre um prazer discutir com gente séria).

  152. Lições sobre a censura:
    Enquanto a Margarida enviava os seus lençois “que prejudicavam a discussão e os outros intervenientes” esta ia crescendo e multiplicando-se, logo não é o tamanho que impede o diálogo (desde que o conteúdo do texto tenha a ver com o assunto e não um mero exercício de boicote), aliás parece-me que foi ela e os seus comentários a razão para que no regresso o António Figueira confesse “que não imaginava que um inocente pequeno post, escrito ainda antes de o Sporting ter recebido o Boavista, merecesse ainda comentários depois de o Sporting ter ido a Coimbra… “. É que a censura sempre teve muitas razões para se justificar, mas sempre uma coisa em comum; o desacordo com aquilo que se censura. Não estou a acusar ninguém, é só uma reflexão.

  153. António Silva: inteiramente de acordo com as suas lúcidas conclusões das “Lições sobre a censura”, de que “a censura sempre teve muitas razões para se justificar, mas sempre uma coisa em comum; o desacordo com aquilo que se censura”.
    E lembro que o António Figueira no seu post defendia que a “reflexão mais interessante que pode ser feita a propósito do processo de Milosevic é aquela que questiona essa criatura nova que é a justiça penal internacional, os seus pressupostos e as suas ambições”. E a propósito fomos avançando com tiradas e textos focalizados sobre temas que nos vinham à lembrança, como em qualquer conversa normal; eu pela minha parte tratei com seriedade todos os que me interpelaram, e no esforço por defender os meus pontos de vista, deitei mão a textos em que me reconheci, a maioria dos quais descobri no processo desta discussão. Textos que outros aqui colocaram ou linkaram também me foram bastante proveitosos – aproveito a oportunidade para a todos agradecer – e ajudaram-me a uma compreensão mais aprofundada.
    Foi contudo o copy&paste deste texto (http://www.pcp.pt/publica/militant/index.html) na resposta à Joana Abrunhosa, que desencadeou a entrada intempestiva do Luís Rainha na discussão. É que é de facto demolidor o que diz o Relatório do Desenvolvimento Humano para a Europa Central e de Leste e Comunidade de Estados Independentes, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, de 1999.

    Diz o Luís Carapinha que “A situação gravíssima de depressão populacional e demográfica é testemunhada pelo relatório (…) que afirma ser “difícil imaginar que algo similar pudesse alguma vez ter acontecido em tempo de paz e numa região tão vasta” (p. 42).” Como também diz que ““Vários milhões de pessoas não sobreviveram à década de noventa o que teria acontecido se o nível de esperança de vida existente em 1990 tivesse sido mantido” (p.5).”

    E mais adiante diz ainda: “A terapia de choque – assim ficou conhecida a liberalização selvagem e o processo de privatização e usurpação da riqueza e erário público – teve consequências devastadoras para o aparelho produtivo e economia dos países em questão. “Nem sequer durante a Grande Depressão dos anos 30 se assistiu a uma queda tão acentuada no rendimento”, observa o relatório (p.15). Na Federação Russa (FR) a produção industrial decaiu 38% e o PIB 41% entre 1990-97, enquanto na Ucrânia a quebra do PIB em igual período foi de 58% continuando a descida depois de 97. Na totalidade da CEI (Comunidade de Estados Independentes) o PIB decresceu 45% de 1990 a 97! (p.16). Números avassaladores.”.

    E mais adiante: ““É claro que a transição é acompanhada pelo aumento da desigualdade”, (…) (p. 20) que aponta o dedo ao processo de privatizações “resultante na constituição de uma reduzida e opulenta classe capitalista e de uma sociedade altamente polarizada” (p. 20). O exemplo da FR, onde o “nível de desigualdade é hoje comparável ao de certos países da América Latina” (p. 20), é elucidativo.”

    E também que: “A vulnerabilidade das crianças tem aumentado durante a transição devido ao dramático aumento da mortalidade dos adultos, da taxa de divórcios, de suicídios e às novas epidemias como a SIDA. O resultado é o crescimento do número de crianças de rua e em orfanatos (p. 6). Aliás, é sintomático que actualmente na FR existam mais crianças abandonadas do que no período posterior à 2ª guerra mundial.

    Como afirma o relatório (…) a “transição para a economia de mercado foi literalmente letal para uma vasta camada da população” com “consequências devastadoras para o desenvolvimento humano” (p. 43). “

    Concordo pois consigo quando fala em desacordo com o que se censura. Além de que também fui eu quem meteu os pés ao caminho, e saquei do Centro de Documentação do Público o artigo que o Francisco Louça plagiou (respondendo a um desafio numa discussão anterior num post do Luís Rainha).

    Por isso não levo muito a sério esta argumentação do “tamanho” (que nunca foi quantificado, afinal…). É tão só um pretexto, a vingança serve-se fria e certos crimes nunca terão perdão, como aprendemos de cada vez que mergulhamos na história dos Balcãs.

  154. Afinal o Luís Rainha tem um método muito mais sofisticado e prático de fazer censura do que o Arruda e a Faria.

    Enquanto que estes me fizeram perder um serão e um intervalo de almoço a postar um texto do Eugénio Rosa e um poema do Brecht, que teimosamente iam cortando, o Rainha programa a caixa de comentários para não deixar entrar textos com determinadas palavras chaves. No caso do texto anterior a palavra chave é a sigla do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Qualquer um pode experimentar…

    Isto fez-me ficar curiosa sobre as palavras chaves que terão impedido textos anteriores que antes tentei mandar (e que o António Figueira fez o favor de desbloquear) mas de que também outros se queixaram…

    Aprender, aprender sempre!

  155. Margarida,

    Ainda bem que contribuí para a sua aprendizagem. Já agora, o que se passou em outras ocasiões em comentadores se viram bloqueados teve a ver com os automatismos anti-spam do MT: acabou por bloquear um IP na altura a ser usado por montes de gente.

    Nunca poderá falar de censura quando apenas lhe pedimos para publicar aqui os excertos relevantes e um link para os textos completos. Agora insistir e insistir em colar aqui os textos inteiros é que me parece completamente despropositado.

    E não vejo como é que se pode queixar de censura a propósito do episódio do F. Louçã. Escrevi um post a reconhecer o facto, quando me podia ter limitado a uma resposta na caixa de comentários onde corria a discussão.

  156. Margarida, já sei que NÃO PODES estar de acordo, mas a propósito do que afirmas, não me parece que os problemas dos países da antiga URSS fossem tão graves se o caminho tivesse sido outro que o do comunismo. Portanto, se queres culpar alguma coisa, preocupa-te em olhar para os resultados devastadores desse tipo de regime. Sim, é natural que a situação seja comparável à américa do sul, eles tb sobreviveram a regimes fachistas do género dos que defendes.

  157. Afinal isto está mesmo artilhado. Tentei mandar: Experiência: a sigla do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento é PNU… com o D e apareceu a mensagem

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    Tem alguma coisa a explicar-nos, Mr. Figueira?

  158. Bluegift: eu pedia-lhe que lesse o artigo do Carapinha com atenção e que tivesse em consideração que tem como base o Relatório de 1999 do Desenvolvimento Humano para a Europa Central e de Leste e Comunidade de Estados Independentes, da responsabilidade do PNU…D, que é, por extenso o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

    Aqui há tempos, procurando no google eu encontrei esse relatório e em português. E depois de o ler fiquei não só arrepiada como principalmente muito revoltada com o atroz sofrimento que a mudança de regimes trouxe a esses povos. E ainda ontem consultando a net dei com esta notícia da lista de milionários da Forbes e sobre o seu aumento na Rússia: http://www.emeconomy.com/Russia/96726-Russia_s_32_billionaires_got_into_Forbes_magazine%B4s_2006_rankings.htm
    Se entender ler com atenção esses dois documentos verá que é uma tontice culpar da miséria quem afinal os tirou da miséria (alguns mesmo da escravidão), isto é os regimes socialistas que governaram esses povos alguns decénios – mais no caso da URSS, menos no caso dos países da Europa do Leste.

  159. Margarida, a Rússia é actualmente, salvo erro, o 4° país mais caro do mundo ! No próximo ano já nem sei. Eles estão a viver uma espécie de Brasil à país de Leste. A situação é arrepiante, sim. É um país de ricos e pobres, praticamente sem classe média. Mas eu acredito que vão conseguir ultrapassar esta fase. Têm actualmente todas as condições para isso. Se tudo correr bem, daqui por uns 10/15 aninhos a situação estará mais equilibrada. É certo que o povo era menos pobre durante o regime comunista, mas não era suficiente, Margarida. Passar 5/6 horas a seguir ao trabalho para conseguir comprar fruta ou outros produtos básicos mas raros, não lembra a ninguém ! Claro que para quem estava no poder não havia problemas destes… Era uma miséria franciscana. Em paz, mas miserável.

  160. Bluegift: penso que está a fazer confusão com Moscovo – esta sim é que também li algures, já há algum tempo que era das cidades mais caras para se viver, em termos de turistas, pois os hotéis eram caríssimos. Mas numa coisa tem toda a razão: por lá agora é abissal a distância entre os muitíssimos ricos e a generalidade da população. Com o abaixamento brutal do nível de vida que o capitalismo lhes trouxe, deve ser de facto muitíssimo difícil viver por lá, hoje em dia.

    Antes, no regime socialista (o comunismo ainda estava muitíssimo distante, era tão só um objectivo a atingir), havia oportunidades para todos trabalharem e especial atenção com as crianças, os jovens e os reformados. Dessas preocupações deles acabámos por beneficiar os que vivíamos do lado de cá, pois foi a comparação com os direitos que eles tinham que inspiraram muitos trabalhadores a empurrar os seus sindicatos para obterem por cá esses direitos. Também as mulheres e as organizações de mulheres exigiram direitos equivalentes aos que gozavam as soviéticas.

    Mas era um regime em construção e com muitas lacunas, erros e deformações. Um dos maiores erros foi terem subestimado a qualidade e a variedade de bens de consumo. As pessoas não eram obrigadas a estar todos os dias 5/6 horas nas bichas como você diz, mas como o abastecimento de determinados produtos era irregular, quando aparecia alguma novidade no mercado as pessoas faziam bicha para o obter, pois não sabiam quando tornava a haver.

    Tudo isso se podia e devia não só ter evitado, como corrigido. Mas a intromissão e a ingerência não o permitiram e acabaram por deitar fora o menino com a água do banho. Claro que o povo há-de mudar as coisas. Se já as mudaram uma vez…porque chegarão à conclusão que para o bem-estar e a felicidade de todos em geral e dos trabalhadores em particular, só com o socialismo. Que terá que ter mais democracia e mais participação popular para não cair nos erros do passado. Mas que as coisas hão-de mudar, não tenho dúvidas nenhumas.

  161. Luís Rainha: registo que já podemos colocar também “excertos relevantes”. É um avanço. Eu não me queixei de censura no caso do Francisco Louçã, eu queixei-me de censura no caso do artigo do Luís Carapinha. Só lembrei o caso Louçã para explicar a quem nos lê razões para a sua entrada intempestiva. Tão somente.

  162. Que avanço, santo deus? Toda a gente sempre o fez por aqui; você sempre o fez aqui sem problemas.
    E não estou mesmo nada a ver as “razões” que repesca desse caso para agora comentar a minha “entrada”.

    Metendo a foice e o martelo em seara alheia, gostava de saber se consegue aplicar essas teorias à RDA. Como é que, partindo de pontos iniciais semelhantes, se chegou a tamanha desigualdade entre as duas Alemanhas? Existia um fosso de tal fora enorme que nem hoje se anulou…
    Ou também acredita que ninguém queria fugir da RDA para a RFA?

  163. 1 – Pergunta o LR: “Como é que, partindo de pontos iniciais semelhantes, se chegou a tamanha desigualdade entre as duas Alemanhas?”

    Vejamos o que para o LR são “pontos iniciais semelhantes”:

    A) – Morreram em todos os cenários da II Guerra Mundial:

    Na URSS 27 milhões
    Na China 10 milhões
    Na Alemanha 6,5 milhões
    Na Polónia 5 milhões
    No Japão 2,35 milhões
    Na Jugoslávia 1,7 milhões
    Em França 600 mil
    Na Itália 500 mil
    Na Roménia 500 mil
    Na Grécia 450 mil
    Na Hungria 430 mil
    Na Áustria 374 mil
    Na Checoslováquia 340 mil
    Na Inglaterra 350 mil
    Nos USA 300 mil

    O PC Alemão em 1933 tinha centenas de milhares de membros. Em 1945 eram pouco mais de mil. De 1940 a 1944, setenta e cinco mil comunistas franceses morreram torturados, fuzilados ou em luta directa com o ocupante. A história repetiu-se em Itália, na Checoslováquia, na Polónia, na Albânia, na Jugoslávia, na Hungria, na Bulgária, nas Repúblicas Bálticas. Na China, no Vietname, nas Filipinas, etc., etc., etc. Dos 27 milhões de mortos da URSS, três milhões eram comunistas.

    B) – Na URSS os hitlerianos destruíram 1.710 cidades, 70.000 aldeias, 32.000 empresas industriais, 100.000 empresas agrícolas. Desapareceram 65.000 Km de vias férreas, 16.000 automotoras, 428.000 vagons. As riquezas nacionais da URSS foram reduzidas em mais de 30%.

    No território dos EUA, excepção feita a Pearl Harbour, não caiu uma só bomba, não se disparou um único tiro.

    C) – E ainda a guerra não tinha acabado, ainda a Alemanha nazi e o militarismo japonês não haviam sido completa e definitivamente derrotados e já os norte-americanos urdiam planos para romper a coligação anti-hitleriana, minar o edifício da paz e da cooperação internacional tão laboriosamente construído em Ialta e Potsdam e transformar a URSS no principal inimigo a abater. O célebre discurso de Churchill sobre a “cortina de ferro”, na presença e com o aplauso do Presidente dos USA foi proferido em 5 de Março de 1946.

    Os USA emergem da II Guerra como a mais poderosa potência capitalista. Precisavam de criar um clima internacional que justificasse o não cumprimento de cláusulas fundamentais de Ialta e Potsdam e facilitasse a sua política de ingerência nos assuntos internos dos povos que se lançaram na luta pela satisfação dos seus interesses e aspirações, que se traduzia na destruição do domínio dos monopólios e dos grandes proprietários rurais.

    Impotente para intervir directamente nos países de democracia popular, o imperialismo concentrou todos os esforços na defesa das posições do capital e da reacção na Europa Ocidental.

    Nos USA foi a época da repressão do movimento operário e do desencadeamento da “caça às bruxas” com o macartismo e a fundação da CIA. O Plano Marshall lançado em Julho de 1947 constituiu na área económica e finnceira o modo de impor condições políticas e militares à Europa libertada. Em relação à Alemanha, os USA, a Grã-Bretanha e a França sabotaram a aplicação dos Protocolos de Potsdam, lançam-se na restauração do poder dos grupos monopolistas e dos latifúndios responsáveis pela barbárie nazi, impedem um entendimento para a assinatura de um tratado de paz com toda a Alemanha e dividem o país ao proclamar em 8 de Maio de 1949 a República Federal Alemã e iniciam em força o seu rearmamento.

    Todo este processo culminará a 4 de Abril de 1949 com a criação da NATO, bloco militar liderado pelo imperialismo norte-americano e instrumento da sua estratégia de hegemonia mundial.

    A RDA foi proclamada em 11 de Outubro de 1949 e o Pacto de Varsóvia foi constituído em 14 de Maio de 1955, isto é seis anos depois da constituição da NATO.

    Como vê L.R., semelhanças não há rigorosamente nenhumas.

    2) Já se esquceu que postou isto aí em cima: [Nota: estou farto destes testamentos por aqui espalhados a esmo. Trate de indicar links para os textos e pare de os colocar aqui (…) Luis Rainha]?
    Se também ainda não está a ver a razão de eu ter lembrado o caso Louça, pode então explicar o porquê da sua entrada intempestiva, nesta discussão (além do pretexto do copy&paste)?

  164. Tanto número e nenhum explicação cabal para o atraso miserável que a RDA angariou em tão pouco tempo face à RFA. E volto a perguntar-lhe, mesmo sendo a RDA o país “socialista” com melhores condições de vida, porque ansiavam lá quase todos por fugir? E o júbilo popular pela queda do muro, também foi invenção dos media ocidentais?

    A Margarida, com o seu apreço pelo progresso material, esqueçe a ausência nesses países de um “pequeno” bem: a Liberdade. Ou também ficaria contente se vivessemos ainda sob o fascismo, desde que as condições de vida fossem boas?
    As ditaduras “socialistas” nunca nos permitiriam ter um diálogo como este; ou tem dúvidas disso? Se tem, ponha os olhos no caso da China e dos recentes castigos aplicados a cibernautas atrevidos…

    Quanto ao ponto 2), confesso que não o entendo. Entrei nesta discussão porque tenho poderes para terminar com abusos óbvios. E porque me desagrada a má educação, sobretudo num blogue que ajudei a fazer nascer.

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