A Casa do Pai

Seja a casa com portas só de abrir,
Sem grades nas janelas e sem aço.
E que nos aconchegue em cada abraço
Sem nunca ser abraço de ter de ir.

Seja a casa de estar, não de partir.
Que nos aceite, mortos de cansaço,
Com um beijo de amor por cada passo
Dado em muitos regressos, sem sair.

Uma casa que nunca nos pergunte
Que outras casas buscámos e que telhas.
Que toda a gente à porta se nos junte

(Quando algum dia a vida nos demore)
Com um ramo nas mãos – rosas vermelhas.
Mate o bezerro gordo, mas não chore.

DANIEL DE SÁ

Por desacerto mental – não por abuso ou vontade de apropriação – este poema esteve horas aqui sem a assinatura do autor. Parecendo, pois, meu. Não é. Lamentemo-lo.

7 thoughts on “A Casa do Pai”

  1. O regresso do Filho, ou melhor, o acolhimento do Pai – deveria chamar-se assim, a célebre passagem do Evangelho – é a raiz matricial do cristianismo.
    É espantoso o rumo que depois tudo levou…

  2. Para mim, esse fim é paradigmático da confusão que anda na cabeça de muitos poetas que se passeiam por ruas desertas à espera que alguém lhes dê um abraço. Não percebi a ordem nem o alcance do que poderá ser apenas um alvitre, mas se continuar a ler mais do mesmo autor talvez me atreva a esperá-lo numa esquina dessa rua e dar-lhe um abraço de surpresa.

    Somos mais que as mães mas ninguém nos entende, é o que é. Uma porra, pois.

  3. Ó Fernando, o maior elogio que pode fazer-se a um autor é plagiá-lo. Quem me dera que o tivesses feito!
    (Ainda hei-de falar aqui daquele plágio de que foste alvo há muito tempo… Eu cheguei a pensar que se tratava de um texto de ficção. O rapaz até não precisa de fazer dessas coisas, mas é cleptomaníaco literário. Se fosse pelas leis de Luís XIV já tinha acabado na forca. O que era uma pena, garanto-te.)

  4. Com muito gosto (gosto por ta recordar, não por ter sido verdadeira) lembro-te a história do plágio. Foi no tempo em que no JL eu praticamente já só lia o que escrevias. Começava por ti, como de costume, e quase nunca passava dos títulos dos outros. Era na última página. Um dia, fizeste um magnífico exercício de humor a respeito de teres sido plagiado, mais do que plagiado, inteiramente copiado numa critica literária. Um caso assim só podia ser imaginação, pensei, porque ninguém se atreve a tanto. (Claro que isso foi muitos anos antes do que fez a Clara Pinto Correia, que, apesar de tudo, continuo a admirar.) Afinal de contas, tratava-se de um rapaz amigo, de que todos nós que o conhecemos gostamos, mesmo aqueles a quem ele já roubou qualquer coisinha. Ele justifica-se que são citações, mas o raio é que não põe aspas. Já dei comigo a ler coisas suas e a pensar “eu julgava que isto era de Fulano…” E era… Ele respondeu-te com um artigo em que descobriu trinta e tal críticos literários nos Açores, incluindo eu mesmo, seja Deus louvado! Lembras-te, agora?
    Mas parece que isso é da região do arquipélago onde ele vive. Já vi até o famoso poema do Gonçalves Dias “Canção do exílio” adaptada ao Pico, apenas mudando a palavra “terra” por “ilha” e “sabiá” por “biguá”. Com tanto azar para o plagiador que o biguá é uma ave que praticamente não voa nem sobe a palmeiras, e se limita a viver nos rios. E vi outras coisas do género. Só copiar e assinar com o próprio nome.

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