O avental de Vítor Pereira

Vítor Pereira é o presidente da Comissão de Árbitros da Liga Portuguesa de Futebol Profissional. A primeira imagem que tive dele foi na «Bola Magazine», um texto de Cruz dos Santos sobre as suas actividades teatrais. Vejo-o ainda hoje de avental num sketch perante uma plateia atenta de um bairro periférico de Lisboa. Mais tarde li uma enorme gaffe desse senhor quando se referiu a Dário Fo como autor da peça «E não se pode exterminá-lo?» de Karl Valentim. O lance do golo do Porto contra o Sporting na segunda jornada do campeonato nasceu de um erro crasso do árbitro. O defesa Polga, já em queda, desviou a bola que era conduzida pelo avançado Postiga, e na sequência desse corte, o guarda-redes do Sporting recolheu a bola com as mãos. Todos os especialistas na matéria consideraram erro do árbitro que também esteve péssimo no capítulo disciplinar deixando sem cartões vermelhos dois jogadores do Porto. Num assomo corporativo, o inefável Vítor Pereira apareceu a assinar um «esclarecimento» técnico que nada esclarece e que visa apenas tentar esconder com palavreado vazio o erro decisivo do árbitro do jogo das Antas. Qualquer pessoa percebe que um jogador só pode «passar» uma bola se a tiver. No caso quem a tinha era o Postiga que conduzia um ataque. Já em queda e (portanto) sem qualquer gesto deliberado (que é a palavra usada nas leis do jogo), o defesa Polga apenas «desviou» a bola, apenas «cortou» o lance, não fez nenhum passe nem poderia fazer porque estava caído no relvado e quem tinha a bola era o seu adversário. Em qualquer sociedade secreta há sempre um homenzinho com avental pronto a reescrever a História. Mas para isso é preciso saber escrever. E ter razão. Coisas que não se passam com este ex-actor amador.

José do Carmo Francisco

One thought on “O avental de Vítor Pereira”

  1. “Em qualquer sociedade secreta há sempre um homenzinho com avental pronto a reescrever a História. Mas para isso é preciso saber escrever. E ter razão. Coisas que não se passam com este ex-actor amador”.

    Sublime fecho, Zé. E já Honoré de Balzac dizia o mesmo. Afinal nem todos os posts sobre futebol andam à volta de mariquices.

    Vá aprendendo Sàzito, enquanto o Daniel não chega.

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