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Há mais estúpido do que isto, mas isto já levaria um prémio

O Tavares mau da última página do Público é de um ridículo que mete dó. Para demonstrar que o segredo de justiça não é assim tão importante face aos crimes cometidos por alguns poderosos («um» poderoso talvez fosse mais correcto neste caso obsessivo), de que os jornais que ele aprecia dão conta e acusam sem pejo, tergiversa e tergiversa com as adversativas de outros articulistas, inventa que não há ninguém que melhor do que ele defenda a presunção de inocência e, no final, conclui pelo que sempre conclui e por onde devia ter começado, poupando-nos mais uma leitura inútil: José Sócrates é culpado de tudo o que o Correio da Manhã e o Rosário Teixeira o acusam e abençoadas “violações do segredo de justiça” neste caso. Ponto. E ponto final. Sem qualquer “mas”. Como ele gosta. Está lavrada a sentença e só não se percebe o que anda Sócrates ainda a fazer fora da prisão nem o absurdo da preparação de uma defesa. Há lá defesa possível?

Este Tavares nem percebe que ele próprio é a prova provada dos métodos perversos do Ministério Público: já odiava Sócrates, vai daí adorou a Tânia Laranjo, a Felícia Cabrita, o Dâmaso e tutti quanti dessa escola da pulhice jornalística para a qual não há «mas» nem meios «mas» e dos seus pactos com o MP. E vai daí também, toca a publicar, artigo sim artigo não, libelos acusatórios com base no que o MP passa ao Correio da Manhã (ou este lhe exige). Por isso, tudo o que disseram e dizem os pasquins oficiais do MP é sagrado, é música para os seus ouvidos e ele só pode querer mais e mais e insistir na acusação sem julgamento.

Vejam aqui amostras:

[…]“Eles [certos fazedores de opinião, como Adão e Silva, Marques Lopes, etc.] não têm dúvidas de que os mais poderosos devam ser punidos pelos seus crimes, mas relembram a cada passo a presunção de inocência (como se alguém quisesse acabar com ela),[…]”

Ah, ah. E não queres ó Tavares? Tu já acabaste com ela!

[…]“A eleição de Isaltino Morais mais um mandato à Câmara de Oeiras é a prova de que em Portugal há reputações que não se sujam nem com condenações em tribunal, quanto mais com meras suspeitas. E o recém-arquivado caso Centeno demonstra que o tão estupidificado povo sabe reconhecer uma suspeita absurda quando a vê — quem levou justa pancada foi o Ministério Público, não o ministro das Finanças benfiquista. Perante isto, como justificar a obsessão de tantos colunistas em relação ao segredo de justiça? A minha tese é esta: para quem ainda está a fazer o luto da Operação Marquês tudo serve para descredibilizar a instituição que descredibilizou as suas opiniões sobre a honorabilidade de José Sócrates.”

José Sócrates. Cá está. Chegou onde queria. Não, pazinho, o caso Centeno NÃO demonstra “que o tão estupidificado povo sabe reconhecer uma suspeita absurda quando a vê”. O que demonstra é que a justa indignação de uma parte importante da opinião publicada e televisiva (uma elites, se quiseres) deixou de rastos uma instituição que já se suspeitava ser incompetente e abusadora do poder que tem e gostar de trabalhar para o espectáculo mediático. Caso contrário, o povinho que lê o Correio da Manhã lá engoliria a insinuação e transformá-la-ia depressa em invectivas e acusações. O que, para ti, estaria óptimo. Aposto que foi com alguma desilusão que viste a operação “bilhética” ir por água abaixo.

Pobre Justiça quando não há distância alguma entre o MP e o Correio da Manhã

Nunca o miserável jornal alguma vez imaginou nos seus sonhos mais húmidos que comandaria o Ministério Público. Mas aconteceu. Está a acontecer. O que o CM diz, o MP toma por bom. Nem discute. Ainda se pensava que era o Ministério Público a utilizar o pasquim popularucho dos escândalos para fazer o seu jogo perverso. Ilusão. É mesmo o Octávio Ribeiro e o grupo Cofina que dão as ordens e que, pelos vistos, em todos os casos conhecidos, exigem informações em segredo de justiça e as publicam em conluio com certos e determinados procuradores. É esta a qualidade do Ministério Público?

 

Uma semana de enxovalho para Mário Centeno e nada acontece quando o principal órgão de investigação criminal vai atrás da primeira insinuação que possa vir à cabeça do Octávio Ribeiro.

 

MP arquiva inquérito que envolvia Centeno e Benfica.  Procuradoria-geral Distrital de Lisboa diz que nada aponta para “crime de obtenção de vantagem indevida”.

A grande investigação à utilização dos cartões de crédito pelos ministros de Sócrates

(Repetindo um bocado o Valupi)

 

Um primeiro-ministro assim tão corrupto como o Sócrates só podia estar rodeado de ministros corruptos, insinuou-se aqui há uns anos, no tempo de Paula Teixeira da Cruz. Ele não agia sozinho. Aquilo era um bando de vigaristas muito bem orquestrado. Embora lá vasculhar os cartões de crédito daquela malta, disseram os magistrados do MP.

Pronto. Então não é que é verdade? Andaram a mamar e bem à conta do Estado.

Soube-se hoje, após prolongada e competente investigação, que um dos membros do governo de Sócrates (secretário de Estado) se excedeu nos gastos (14 000 euros, lê-se) … em livros e um outro utilizou o cartão para comprar … o quê, o quê? Revistas, lá está, no valor de 400 euros.  Quatrocentos. Com um chefe assim, não admira. Corruptos!

Ó Sócrates, pá, menos mal que não é droga. Vá lá.

Alguns pressionam pela positiva, equiparando Rio a Passos*

Lendo os principais ideólogos do agrupamento que se poderia intitular “Estado mínimo” ou “Portugueses contra zonas de conforto”, que publicam (e espumam) no Observador – o Rui Ramos e o José Manuel Fernandes -, ou Rui Rio faz como eles querem, a saber, defende que se “reforme o Estado” despedindo todos, que se privatize tudo, desde a saúde à educação, passando pelos transportes públicos, que se extingam as chamadas “clientelas do Estado”, como bombeiros, guardas florestais, assistentes sociais, operadores de Kamov, professores ou médicos, e que se dê a iniciativa a entidades privadas (como já fizeram, para agora se queixarem da falta de pessoal em todos os serviços básicos que o Estado tem obrigação de prestar aos cidadãos, como a protecção e a defesa, além dos serviços postais), ou eles, a direita desmiolada e os promotores do derrotado Santana Lopes fazem-lhe uma guerra tal que, se o homem não cair com os disparos, formam um outro partido. Poderá ser o… deixa cá ver… PPD. O segundo «P» valeria por «populista». Estaria na moda e diria ao que vinha. Seria politicamente incorrecto, elitista, grunhista e anti-distribuição. Defensor dos salários baixos. Um partido de direita a sério. A apoiá-los, contariam com pessoas como o André Ventura e o Passos Coelho. Estás feito, Rio. Se não fazes demagogia com a sustentabilidade da Segurança Social, o chamado “direito de escolha” no ensino, as gorduras do Estado, os direitos adquiridos, o salário mínimo e o próximo Procurador-Geral do Ministério Público, cuja nomeação os socialistas querem (sempre) viciar, o futuro PPD faz-te a folha.

 

*Por exemplo, este

N gargalhadas e um funeral

Rui Ramos, hoje, no site Observador

[…]

“Descontemos a lenda das “trapalhadas” de Santana. Em 2004, para facilitar o trabalho ao presidente da república, toda a gente teve interesse em fingir-se muito chocada com os incidentes e gaffes governativas do costume. ” […]

 

Cinco gargalhadas, só num período:

a lenda

trapalhadas entre aspas

para facilitar o trabalho ao presidente da República

fingir-se muito chocada” (o homem chegou a ir de férias 20 dias depois de ter tomado posse)

do costume” (qual costume?)

 

 

Ataque de riso, felizmente não fatal:

[…] “No fim, quando o presidente o derrubou, Santana cometeu ainda outro erro: resolveu exibir sentido de Estado, foi respeitoso, resignou-se. Ajudou assim a causa dos seus inimigos, ao parecer ele próprio dar razão ao presidente. ” […]

Chama-se a isto fidelidade canina. Até ao enterro. Irra!

O mundo da Comunicação Social é um circuito fechado que procura a diversão

Parecem uns putos sem nada que fazer, que vêem passar um gato e desatam a inventar tropelias para fazer ao pobre bicho. A direita vê, alinha, sugere mais outras e assim vamos. Aconteceu com a Ministra da Justiça como com vários outros alvos recentes.

Não houve um único canal de televisão que, ontem à noite, não estivesse debatendo a “gravíssima” questão da recondução, ou não, da actual PGR – cujo mandato termina apenas em Outubro. Isto devido a uma pergunta sobre esse assunto feita por um jornalista à ministra numa entrevista desse dia, a que ela respondeu com a sua leitura estritamente jurídica da questão.

À tarde, enquanto Hugo Soares se excitava na Assembleia da República inventando fins para o Estado de direito caso a PGR não fosse reconduzida, já os canais noticiosos faziam alguns ensaios de exploração do tema, com comentadores mais à mão. Mas, para a noite, a noite, já se elaboravam as listas de convidados que, aí sim, saltariam em grande para o palco para protagonizar o inesperado festival. Foi assim que vimos um desfile considerável de especialistas em Constituição e em leituras políticas de rostos e frases, os quais incluíram desde o Paulo Baldaia, a Ana Drago e o José Eduardo Martins até gente séria como o advogado Saragoça da Mata. Eram tantos e em tanto lado que lhes perdi a conta (e o nome).

 

A TVI24, então, levou a palma, antes, suponho eu, de passar ao futebol: convidou, a páginas tantas, nada menos que um painel de quatro analistas, quatro, além do moderador, para debaterem as interpretações do parágrafo da Constituição sobre esta matéria, que, desculpem lá, não são nem podem ser trezentas, nem cem, nem duas. Há uma e única interpretação: o mandato é de seis anos, mas, como nada mais é dito, subentende-se que não é inconstitucional renová-lo. Chegou a acontecer uma vez, há mais de vinte anos. Não voltou a acontecer. Pode voltar a acontecer. Ponto. Mas, para preencher a noite, discutia-se também se Costa estava ou não sintonizado com a Ministra da Justiça, ou se a afirmação dela tinha sido combinada com ele (não sei se alguém chegou a dizer que a Ministra devia ser demitida, mas tal seria totalmente plausível naquele ambiente insano), se a PGR ficava ou não fragilizada até Outubro, se o Presidente da República estaria informado e não sei quê e sabe-se lá que mais. Admito que tenha perdido um conjunto de teses importantíssimas sobre a indispensabilidade da doutora Joana para o bom funcionamento do nosso sistema judicial ou sobre o conceito de ofensa do PR, mas não tive paciência para aturar aquilo.

O Ferreira Fernandes, no DN, diz bem o ridículo do que se passa:

 

Escândalos para tansos

Pesquisa rápida na nossa Constituição

Artigo 220.º
Procuradoria-Geral da República

 1. A Procuradoria-Geral da República é o órgão superior do Ministério Público, com a composição e a competência definidas na lei.

2. A Procuradoria-Geral da República é presidida pelo Procurador-Geral da República e compreende o Conselho Superior do Ministério Público, que inclui membros eleitos pela Assembleia da República e membros de entre si eleitos pelos magistrados do Ministério Público.

3. O mandato do Procurador-Geral da República tem a duração de seis anos, sem prejuízo do disposto na alínea m) do artigo 133.º.

Artigo 133.º

Competência (do Presidente da República)

[… ]

m) Nomear e exonerar, sob proposta do Governo, o presidente do Tribunal de Contas e o Procurador-Geral da República;

Não subestimemos o nosso potencial como farol da humanidade

A propósito da higienização (de “Ὑγίεια”  (lê-se «higuía»), palavra de origem grega, que significa actualmente saúde) dos hábitos alimentares e dos alimentos vendidos em hospitais e escolas públicos, mas também em restaurantes e cafés, deploro este artigo idiota que apresenta como exemplos de boas práticas os países europeus que disponibilizam tacinhas com cubos de açúcar totalmente expostos e à discrição nos estabelecimentos de restauração e, supostamente, chocolates Mars, Coca-Cola, bolachas de chocolate, Bolicaos (que são o que os miúdos gostam) ou sanduiches de maionese com atum  e “cornichons” em tudo o que é máquina ou bar em edifícios públicos como “snacks” para matar as pequenas fomes.

Eu gostaria de aqui lembrar, em matéria de saúde e higiene, que, em muitos desses países “exemplares”, como a Bélgica ou a França, os trabalhadores de padarias e pastelarias desconhecem por completo a utilidade de objectos como luvas ou pinças e servem os clientes agarrando os bolos e os pães com as próprias mãos – sabendo nós como manuseiam o tempo todo moedas e notas e como é inevitável que, ao longo do dia, cocem a cabeça (ou outras partes do corpo que me abstenho de nomear, mas mesmo assim nomeio o nariz) pelo menos umas vezes. Pois é, são países, como a Holanda, em que a comida típica de rua é batatas fritas com maionese ou salsichas gordas com maionese e cebola (Alemanha) e onde os distribuidores automáticos são invariavelmente abastecidos com “gauffres”, cobertas ou não de chocolate, barras de chocolates e por aí fora. Saudável até dizer chega.

Convém, no entanto, assinalar que é notória a evolução no bom sentido dos snacks oferecidos em locais públicos, como o metro e outros, em muitos desses países. A opção de pão escuro, com vegetais e carnes saudáveis e ausência de molhos está já bastante generalizada, assim como os sumos de fruta mais saudáveis que os refrigerantes tradicionais, carregados de açúcar disfarçado pelo gás. Sinal de que há alguma preocupação com a alimentação saudável e uma clara discordância daquilo a que a articulista despeitada chamaria “o Estado a meter o bedelho onde não é chamado” (embora eu desconheça se há por lá legislação que regulamente a oferta de alimentos em máquinas ou quiosques). Mas é uma boa tendência. Quanto aos hospitais estrangeiros, desconheço o que as máquinas oferecem, mas tenho péssimas recordações da comida de um hospital de renome em Bruxelas. Já o de Viseu, público, onde ainda há pouco tempo esteve a minha mãe, as refeições eram verdadeiramente cinco estrelas. Sei, porque provei, dado o pouco apetite da paciente. Muito melhor a comida e mais saudável e saborosa do que em muitos dos restaurantes ali à volta. Infeliz e inexplicavelmente, o bar e as máquinas à entrada não acompanhavam em quase nada aquele excelente regime dispensado aos doentes. Pelos vistos, é o que se pretende mudar. Parece-me bem. Referir que se passará a vender aipo é caricaturar sem grande piada.

Correndo o risco de parecer agente do Governo ou do ministro da Saúde, que não sou, se não queremos miúdos obesos e adultos diabéticos ou hipertensos, o Estado tem que fazer alguma coisa. Não só a nível da educação e da melhoria do nível de vida das pessoas, mas também cumprindo a sua parte da responsabilidade na oferta de alimentos por contrato público, já que a outra parte da responsabilidade, sem dúvida a mais importante, para o bem e para o mal, cabe à família. A utilização do episódio da lagarta no prato de uma cantina escolar, ou de frango cru noutra, para desdenhar de toda e qualquer medida de prevenção de doenças que incida sobre a alimentação é apenas ridícula. Por coincidência, nessa escola de Braga, até era uma empresa privada a prestar o serviço, regime que tem tudo para agradar à colunista. Qualquer expediente serve para criticar o Governo. Quanto aos alimentos biológicos, se é verdade que os produtos biológicos são mais caros, também é verdade que o incentivo assim dado a tipos de agricultura que utilizam menos químicos é positivo. Isto anda tudo ligado.

Não há incendiários em Portugal

Não ouvi, na mensagem de Ano Novo de Marcelo Rebelo de Sousa, uma única, ainda que ligeira, referência aos criminosos que ateiam incêndios por esse país fora. Será que Portugal é aquele país mirífico em que não há incendiários? Pior do que isso: se há, farão essas bestas parte das “graves falhas do Estado” de que tanto se ouve falar e por isso não convém serem mencionadas, ou serão uma inerência, “vindos com o território” e por isso ignoráveis? Talvez estivesse o Presidente demasiado concentrado no incêndio de Pedrógão Grande e Castanheira de Pera, onde não parece ter havido mão criminosa, pelo menos nas chamas que consumiram tudo o que passou por aquela terrível estrada, e onde terão ocorrido fenómenos naturais absolutamente raros. Estes, aliás, também omitidos da sucinta mensagem, por muito importantes que sejam as alterações climáticas para o planeamento futuro das culturas e das reservas de água. Pode ser. Mas não devia.

Nos incêndios de Outubro, porém, de muito maiores dimensões e prejuízos materiais, e sobre os quais se aguarda ainda um relatório exaustivo, vários acendimentos em cadeia, ou vindos do ar ou a horas inexplicáveis – no dizer dos próprios habitantes locais – apontam claramente para mãos criminosas, nem todas pertencentes a indivíduos mentalmente perturbados. Aliás, há inúmeras pessoas presas por atearem incêndios. Nada a dizer sobre isso? O aproveitamento por  criminosos de terrenos em seca extrema (e estamos a falar em três meses depois de Pedrógão, onde a seca já era aflitiva) mereceria, a meu ver, da parte do Presidente, uma advertência séria, um alerta, enfim,  uma menção. Uma menção, por exemplo, à necessidade de investigar as suas motivações e de agravar ou tornar de utilidade pública as suas penas.

Também não vi nenhum apelo a que as autarquias locais controlem melhor os locais de construção, os seus mecanismos de protecção contra incêndios, a limpeza das matas, a segurança das estradas, etc. Nem uma referência aos meios necessários para o fazerem. Nem ao infeliz fenómeno da retirada ou da redução do Estado no que toca aos serviços às populações, que foi um objectivo bem preciso e posto em prática pelo anterior governo.

Marcelo passou a mensagem de que, assim como o bom desempenho da economia, o crescimento do emprego, o equilíbrio das finanças públicas foram obra do Governo, que não podia deixar de ser elogiada, também as trágicas consequências dos incêndios se devem a umas tais “falhas do Estado”, conceito que o Zé Povinho que o adora confunde facilmente com o Governo, e com alguma razão. Em matéria de incêndios, Marcelo tem ainda muito em que meditar e tem sobretudo de sair da sua zona de conforto, que consiste em aproveitar os dramas das famílias atingidas e enlutadas para permanentemente lançar nódoas sobre o Governo. Sem qualquer razão. E já cansa este arremesso.

Haja sentido de humor… e liberais contra a prosperidade das empresas

“Evidentemente não há aqui nenhuma interferência política porque o Governo português não interfere no pernil de porco.”

A revista Sábado e o Correio da Manhã estão entretanto a definir um novo alvo de perseguição: Mário Lino. Que fez ele agora? Está na administração de uma das empresas exportadoras de carne que mais ganhou com contratos de exportação. Não pode? Não pode. Ou não seria notícia.

Eu apoio estes

 

Desconhecia que, em Barcelona e Tarragona, os independentistas catalães não tinham obtido a maioria nas recentes eleições. Agora, parece que os unionistas destas duas cidades – maioritários – se preparam para declarar unilateralmente, não a independência, mas a permanência (em Espanha) enquanto comunidade autónoma, para o que já lançaram um movimento internáutico para recolha de assinaturas. Alegando que o governo da Catalunha (a Generalitat) lhes fica com demasiadas receitas. Seria, obviamente, interessante e tornaria este enredo muito mais picante a perspectiva de, caso os independentistas catalães declarassem outra vez a independência da Catalunha em relação a Espanha, esta nova comunidade contra-declarasse a sua em relação à Catalunha. Viva, pois, a Tabarnia, que nos torna a existência tão mais colorida! E justa. Nunca demos por que Barcelona fosse uma cidade oprimida. Pelos vistos, os barceloneses também não. Portanto, um feliz e atilado ano novo, assim como um feliz PIB, para a potencial Republica Catalana.

Jornalismo de sarjeta e… calma!

Hoje, logo pela manhã, o DN noticiava que o valor do financiamento atribuído à Raríssimas quadruplicara com o actual governo. Escândalo, sugeria a manchete. Falcatrua, sugeria também, isto de o ministro Vieira da Silva ter passado pela associação tivera como resultado um favorecimento imoral. O quádruplo das verbas previstas pela governo anterior é muito múltiplo. Mas é verdade?

Não, é mentira. O insuspeito Observador foi ler melhor os despachos e chegou à conclusão de que as verbas são praticamente as mesmas – na ordem dos 1 200 000 euros, apesar do aumento do número de camas. Com o esclarecimento do Ministério da Saúde (também reproduzido pelo site), mais se confirma a fraude noticiosa do DN.

Até à hora a que escrevo, o DN mantinha a notícia inalterada.

Sobre este assunto da Raríssimas e a tentativa logo pronta de envolver um importante membro do Governo nas eventuais irregularidades (pela jornalista da TVI e pela oposição de direita), importa referir uma entrevista que ouvi ontem, por acaso, na SIC Notícias (já depois das 21h00) ao ex-tesoureiro denunciante das irregularidades e na qual, pelos vistos mais moderado, ele sublinha que gostaria que o problema não fosse levado para o campo dos ministros ou políticos que tenham colaborado com a associação, porque não é aí que ele está. Que convém não perder o foco: a gestão danosa, autoritária e prepotente da presidente agora demissionária. Pareceu-me ser um reparo ao próprio jornalista. Li também que não é a mesa da Assembleia Geral que aprova as contas. Podendo nós questionar-nos por que razão este senhor demorou algum tempo a denunciar as irregularidades observadas, parece, de facto, ter havido abuso de poder e aproveitamento por parte da presidente. Se são pecadilhos ou crimes, a justiça o dirá. Convém, porém, não esquecer que o trabalho realizado no que aos doentes diz respeito é meritório, muito meritório mesmo, atendendo aos casos que as imagens mostram, e que a dirigente de uma associação deste tipo tem todo o direito e, porventura, o dever de tudo fazer, incluindo lobbying, para aumentar a visibilidade da associação, inclusive a nível internacional, e os donativos para a causa. Parece-me ir demasiado entusiasmo na justiceira e assanhada (sempre em direcção aos mesmos) Ana Leal. Um entusiasmo politiqueiro, telenovelesco e de devassa que não se justifica de todo num trabalho sério.

Respeito por quem o não merece

A propósito do recente caso da associação Raríssimas, ia eu escrever que a história pessoal da senhora Paula Brito da Costa (um filho com uma doença rara, que acabou por matá-lo), que está na origem da formação da associação, poderá ter levado quem tem o dever de controlar e fiscalizar a não querer ferir quem seguramente sofreu horrores através da execução da mera ideia da desconfiança. Por outro lado, uma pessoa com a história da Paula reúne as condições para se atribuir um vedetismo que de outro modo lhe estaria para sempre vedado.

Mas houve quem se adiantasse a mim.

 

Genealogia da imoralidade

Eremita

Tantas notícias sobre a Raríssimas e ainda nenhum jornalista se lembrou de relatar como surgiu esta associação. Pode não ser parte da explicação para o que está a ser alegado, mas é seguramente parte da história. Mexam-se, cambada de preguiçosos. 

Adenda: Em casa, disseram-me que na reportagem original da TVI é referido que a Raríssimas foi criada pela sua ainda presidente, e que a grande motivação foi o seu filho, vítima mortal de uma doença rara. Por isso, encolhi a última frase do post – como quem enfia a viola no saco. Mas a tese continua válida e é muito simples: quando uma associação nasce nestas circunstâncias, aumenta a probabilidade de a sua fundadora e presidente se atribuir uma legitimidade indevida e de os mecanismos de fiscalização ficarem limitados por um cuidado em não pôr em causa quem tem a biografia ideal para fundar uma associação de apoio a crianças com doenças raras. É claro que a posteriori esta (alegada) falha de fiscalização é indesculpável, mas não surpreende que aconteça.

 

Ó Zé Manel, actualiza-te

O homem da intriga de Belém e do jornal Público à época e, depois, ferrenho apoiante de Passos mostra-se hoje muito descoroçoado com os dois candidatos à liderança do PSD – Rui Rio e Pedro Santana Lopes. Não admira. São, de facto, dois déjà vus para os quais nos custa olhar. O Passos ao menos ainda se apresentou com um livrito onde alinhavara umas ideias neoliberais inspiradas pelo António Borges, novidade em Portugal, naquele tempo em que foi fácil culpar os socialistas pelo desastre financeiro da selvajaria bancária (ironia: pelos abusos dos exactos neoliberais que o Zé Manel tanto preza), e uma voz bem colocada para mentir com estilo. Rio e Santana são, de facto, os marretas do camarote.

Mas o que enfurece a sério o Zé Manel é a falta de um programa verdadeiramente neoliberal, a que ele chama simplesmente “liberal”, o qual explicita por eufemismos.

[…]”Há quem no PSD dê indicações interessantes sobre as linhas de fractura com o PS – e não apenas com o PS da geringonça. Quem defenda, por exemplo, que o partido deve ser pela igualdade solidária, e não pelo igualitarismo social, que deve acreditar num Estado social que liberta, autonomiza e responsabiliza o cidadão e não num Estado social que o cativa, condiciona e infantiliza. Quem acredite que a exigência na educação pode tornar os cidadãos mais iguais em vez de presumir que o facilitismo os trata por igual, tal como defenda que a família e a comunidade devem guiar a educação em vez de ser o Estado a formatá-la. E por aí adiante, já que estas frases estão todas, quase palavra por palavra, num artigo recente de Paulo Rangel, um artigo que era quase um manifesto da candidatura à liderança do PSD que afinal nunca existiu.”[…]

 

Fonte: Observador

“Há quem no PSD” – leia-se “ele e os do Observador”.

Mas vamos aos eufemismos. Assim, “igualdade solidária” será o quê? Ora pois, a caridade. A caridade torna os pobres iguais aos ricos. Iguais no sentido em que têm o que comer e o que vestir. Mas, como pobrezinhos sempre houve e vai haver, o programa governativo deve visar, não a igualdade e a dignidade permitidas pelo acesso à educação e a empregos condignos, mas a”solidariedade social”. Instituições dedicadas a isso. No fundo, os pobrezinhos são precisos para fazerem baixar o custo da mão de obra.

“Um Estado social que liberta, autonomiza e responsabiliza” será então o quê? Nada mais do que um Estado que liberta tanto, que começa por se libertar, isso sim, a si próprio das suas responsabilidades e que promove o “cada um por si” e a insegurança total. Um Estado mínimo, de preferência inexistente, que tão apreciáveis efeitos teve nas recentes tragédias nacionais e na obsolescência dos transportes públicos. Mas onde é que existe tal Estado virtuoso no mundo civilizado?

E a “exigência na educação” será mesmo o quê? Escolas públicas com turmas atulhadas, professores mal pagos e os “filhos-família” nos colégios privados, misturados com três ou quatro pobrezinhos para disfarçar? Se “a família e a comunidade devem guiar a educação”, como se promove então a igualdade? Não se promove, não é? Nessa perspectiva, ganham as famílias e as comunidades mais ricas. Sendo assim, como se garante a laicidade e a neutralidade do Estado se deixarmos que a Igreja católica, a dita “comunidade”, ou as comunidades islâmicas (noutros países), por exemplo, deitem mão à educação? E que dizer do “facilitismo” alegadamente praticado por quem não segue a cartilha neoliberal? O suposto “rigor” traduzido em exames a cada esquina, como defendeu Crato, parece não ter dado resultados brilhantes. Qual facilitismo?

Enfim, este homem quer a Troica e o Passos de volta. Na falta de Passos, o Rangel serviria. Pequeno pormenor: a pobreza libertadora já foi chão que deu uvas, já se viu o que é, e nem a Troica já seria o que o Zé Manel gostaria que fosse. Basta olhar para o Centeno na Europa.

 

 

Um director com zero valor acrescentado

Paulo Baldaia, no seu esplendor habitual, falsamente preocupado com a suposta duplicação de tarefas de Mário Centeno e com a falta que fará ao país, caso seja eleito presidente do Eurogrupo, exprime hoje a sua inútil opinião nos termos que poderão ler aqui:

Ministro cá e presidente lá

 

Contraponha-se a esta a perspectiva de Rui Tavares, um poço de bom senso nos dias que correm:

 

CENTENO NO EUROGRUPO: CUSTARÁ ASSIM TANTO A ADMITIR O ÓBVIO?

O professor Xavier Viegas ou “o relatório é meu”

O principal autor do relatório sobre as investigações ao incêndio de Pedrógão Grande está a querer assumir um protagonismo que não lhe fica nada bem. Xavier Viegas pode, evidentemente, estudar e investigar livremente tudo o que quiser nesta vida e na outra, se os deuses o chamarem a tal, mas foi-lhe encomendada uma investigação e um relatório pelo Governo. Não pode andar por aí a espalhar a ideia de que está a ser alvo de censura (deste mesmo Governo), ainda que, dias mais tarde, se lembre de dizer que afinal a censura é da Comissão Nacional de Protecção de Dados. Há, num Estado de direito, regras a cumprir. Evidentemente que, tratando-se de um relatório encomendado e pago pelo Estado, há entidades e procedimentos a ter em conta depois da sua entrega. O professor podia não ter entregado o relatório nem receber nada por ele. Era livre de o fazer. Mas, como o entregou ao departamento do Estado que lho pediu – o MAI -, devia saber da existência de regras, nomeadamente quando se trata de assunto tão delicado quanto a identidade e história de vítimas mortais de tragédias.

A decisão de publicar o relatório na íntegra e a título pessoal suscita dúvidas do ponto de vista jurídico. É um acto desafiador, que não estou certa de não se integrar nos sintomas da doença que mais ordem democrática ceifa actualmente – o populismo. Outra maleita infelizmente existente desde, pelo menos, a invenção da imprensa, é o gosto súbito de “génios ocultos” pelo mediatismo. O senhor parece padecer das duas. Se se confirmar, tenho pena.

O investigador Xavier Viegas vai revelar dados do relatório sobre o incêndio de Pedrógão Grande, argumentando que o parecer da Comissão Nacional de Proteção de Dados vincula o documento, mas não a investigação que lhe deu origem.

“Nós entendemos que este parecer relativo ao relatório que entregámos ao MAI”, Ministério da Administração Interna, “vincula o MAI e, de certo modo, restringe o MAI à publicação do relatório com aquele capítulo” – o número 6 que não foi tornado público -, “com ou sem nomes” de mortos e outras pessoas envolvidas.

Mas, de modo algum, nos pode cercear na nossa liberdade de dar a conhecer os dados da nossa investigação, porque, como investigadores, temos a liberdade, não só de investigar, como a liberdade, e até obrigação, de dar a conhecer os dados da nossa investigação”.

À Lusa, Xavier Viegas lembrou o processo que levou à não publicação do sexto capítulo do referido relatório – do qual, numa primeira fase, foram retirados os nomes das pessoas envolvidas e que, depois, foi sujeito a um parecer da Comissão Nacional de Proteção de Dados [CNPD], segundo o investigador, após um pedido nesse sentido do atual ministro da Administração Interna. Recorde-se que o investigador e diretor do Centro de Estudos de Incêndios Florestais da Universidade de Coimbra acusou a Comissão de Dados de censura.

Xavier Viegas alega não ter conhecimento de qualquer caso análogo em que tivesse estado envolvido e compara a restrição da publicação resultante do trabalho da equipa de 13 investigadores por si liderada à censura da informação do Estado Novo sobre as cheias na região de Lisboa em 1967.[…]

[…]

Embora considere que “partes do parecer” da CNPD entram em terrenos que alega não compreender, nomeadamente “em que medida é que correspondem à proteção de dados pessoais”, Xavier Viegas admite que a identidade de pessoas e “algum pormenor, algum detalhe, possa ferir alguma suscetibilidade” e, nesse aspeto, disse respeitar a posição da Comissão “e a cautela que faz”.

Mas, seguindo a recomendação implícita desse parecer e que também já nos tinha sido dada pela anterior ministra [da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa], temos estado junto das famílias das vítimas e das pessoas envolvidas no nosso relatório a procurar obter autorização para publicar os dados do relatório, se possível mesmo com identificação de pessoas, se necessário sem essa identificação”.

Xavier Viegas garantiu: “Os contactos que temos tido são positivos, no sentido de que as pessoas nos dão toda a liberdade de divulgar esses casos”.

Já sobre a possibilidade de voltar a fazer um relatório a pedido do Governo, agora para os incêndios de 15 de outubro, Xavier Viegas não diz se aceitará ou não. Alegou que não é a existência de um pedido nesse sentido que limita a “liberdade e o interesse de investigar”, e revelou que a equipa que lidera já avançou para um novo estudo. “Sendo um evento de tal magnitude para o nosso país, nós como investigadores de incêndios florestais e da segurança das pessoas não podemos deixar de olhar para ele”.

Mas o que se passa com a CGD?

Num espaço de quinze dias têm sido demasiados os episódios de irritação total com o funcionamento online da Caixa Geral de Depósitos para eu não aproveitar este espaço para dar nota pública. Passo a enumerá-los:

  1. Tentativa de compra de um bilhete da CP online com o cartão de crédito – operação inviabilizada porque tinha que aderir ao sistema 3D Secure (15 dias antes fizera uma compra semelhante, com o mesmo cartão, sem problemas). Fui à Caixa Directa online para activar o serviço. Impossível. A página que se abria não apresentava qualquer caminho para concretizar a operação. Telefonema para o meu gestor. Nada. Não atendia. Telefonema para o número fixo da agência. Nada. Ninguém por trás daquele número. Telefonema para o número de atendimento geral, o 707 24 24 24. Meia hora à espera e nada. Apenas numa segunda tentativa, meia hora depois, consegui que me atendessem. Perante o meu desagrado, o funcionário pediu desculpa e dispôs-se a analisar o problema. Quinze minutos de espera depois, confirmou que sim, que havia efectivamente um problema e que iam tentar resolvê-lo o mais rapidamente possível e depois me avisavam por e-mail. Assim foi. Passados uns dias, comunicaram-me que o problema estava resolvido e que já podia aderir ao 3D Secure. De facto, desta vez consegui. Se funciona agora ou não, ainda não sei, porque não fiz entretanto qualquer compra online. Espero não ser a próxima irritação.
  1. Num dos dias seguintes, quis entrar no Caixa Directa online para uma mera consulta e foi impossível – recebia como resposta que a minha sessão tinha expirado (eu que ainda nem entrara!). Telefonema para o 707. Desta vez atenderam depressa. Disseram que aquilo acontecia, o sistema talvez estivesse em manutenção, ou que era do Google Chrome, que eu tentasse pelo Edge que talvez conseguisse. Enfim, irritação maior. Nem tentei o Edge. No dia seguinte, lá consegui entrar. Mas as irritações não acabaram aqui.
  1. Hoje mesmo, tentativa de pagamento de uma compra numa loja com o cartão Multibanco. Nada. Operação anulada. Quatro tentativas e sempre a mesma mensagem. Passei para o cartão de crédito. Nadinha. Que o cartão estava inválido. Pensando que o problema talvez estivesse na rede SIBS, experimentei o cartão de outro banco. Milagre! Funcionou. A operação decorreu normalmente. Fui directa à minha agência para protestar e saber o que se passava com aqueles cartões. Resposta da funcionária: “Ah, isso acontece, é do sistema, não tem nada a ver com os cartões.” “Mas qual sistema? Usei o cartão de outro banco e funcionou”. “Ah, não, é o sistema da Caixa”, respondeu ela, como se isto fosse perfeitamente vulgar e aceitável. Quer-se dizer, se eu não tivesse ali outro cartão, não poderia fazer aquele pagamento, teria de me vir embora, voltar lá ou desistir da compra (que podia ser importante), e a senhora funcionária da agência não viu qualquer problema nisto. Limitou-se a experimentar os cartões na caixa automática, viu que estavam OK e ala para o próximo cliente. “Isto acontece”, disse-me, com grande ligeireza e indiferença.

Ora, sendo já demasiados os episódios de mau funcionamento do sistema informático deste banco público, pelo menos para mim, que sou uma cliente relativamente recente, começo a perguntar-me se não haverá algum ataque deliberado contra a Caixa para minar a sua relação com os clientes ou minar o seu funcionamento em geral. Pergunto-me. Isto porque me recuso a acreditar que entraram num esquema de autodestruição. Mas nunca se sabe. A vontade de abandonar definitivamente este banco é mais do que muita neste momento. Se é certo que podemos estar perante ataques informáticos com objectivos maliciosos, também é verdade que alguns funcionários (não o que primeiro me atendeu do 707, atencioso e diligente) não parecem minimamente preocupados com o mau funcionamento do sistema informático do banco nem com os incómodos que isso traz aos clientes. O que me leva à hipótese da incompetência e/ou da má formação do pessoal. Nenhuma das hipóteses é boa. Mas a do boicote exterior deveria também ser levada a sério. Aqui deixo o alerta.

Interrogatórios imperdíveis da Operação Marquês

Onde Carlos Alexandre fica a saber que o engenheiro Carlos Santos Silva também andava a fazer obras na Polícia Judiciária e lhe dá conta de que um elevador estava avariado…

Carlos Santos Silva: E nós fazemos isso. Ainda agora, portanto, no edifício da Policia Judiciária, fomos nós que fizemos a revisão toda do projecto, portanto, e encontrámos também soluções, portanto, para o cliente; o cliente que era o Ministério da Justiça e, portanto, como havia a necessidade por determinação, portanto, da senhora ministra, portanto, reduzir o valor da obra em 15%, não é, e portanto…

Carlos Alexandre: Na… no Palácio, ali na Polícia Judiciária?

Carlos Santos Silva: Sim.

Carlos Alexandre: E embelezou aquilo também com umas soluções optimizadoras poupadoras de recursos?

Carlos Santos Silva: Certo. Não, ainda falta neste momento… só falta o Laboratório de Polícia Científica.

(…)
Carlos Alexandre: Sim, mas encontrou soluções optimizadoras.

Carlos Santos Silva: Sim, sim.

Carlos Alexandre:… luminárias e…

Carlos Santos Silva: Sim, sim e em conjunto.

Carlos Alexandre: … e elevadores. Um há dias foi lá, desceu demais e coiso.

Carlos Santos Silva: Não me diga que há problemas.

Carlos Alexandre: Houve lá um problema, houve, o elevador desceu de repente e tal. Mas pronto, depois
está parado… Parou naquela altura, acho que ainda não levou nada.

Carlos Santos Silva: E com… como sempre com a colaboração também das pessoas, portanto, nomeadamente o eng. Nelson…

Carlos Alexandre: Isso é uma coisa que aconteceu… O eng. quê?

Carlos Santos Silva: Nelson da Polícia Judiciária.

Carlos Alexandre: Ah, sim, sim… O engenheiro Nelson tem lá um gabinete e tal. Eu conheço.

Fonte: Observador