Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.



O Jorge Palinhos, num dos derradeiros posts do BdE, aponta certeiro às meninges sempre febris da malta que gasta os seus dias a maldizer a “choldra” que é Portugal. Depois de inventariar as litanias preferidas das lusas carpideiras, conclui: “criticar sem ideias ou convicções ou acções, pelo simples fundamento de que Portugal não é a França e Lisboa não é Paris, não é colocar-se acima dos burgessos ou apresentar-se como uma elite aristocrática. É apenas ser um burgesso que cita Eça.”
É impossível não concordar. Mas resta um curioso e desconcertante paradoxo: o fulano que melhor cultivou uma certa postura hiper-crítica e luso-céptica — e que até citava Eça como ninguém — veio, apesar de tudo, a transformar-se num verdadeiro tesouro nacional. É hoje um farol que ilumina os caminhos brumosos do rarefeito orgulho pátrio que por aí ainda ande perdido.
Falo, claro está, do próprio Eça.


  1. 1 JCV

    aahhh afinal limitaram-se a mudar de casa.

  2. 2 Luis Rainha

    Ora seja bem-vindo. Mas não se trata de casa, muito menos nova; é antes um “trailer park” com manias…

  3. 3 Jorge

    A solução para o paradoxo é simples: os originais têm certos privilégios que os imitadores não têm.

    Especialmente os imitadores rascas, como é geralmente o caso.

  4. 4 susana

    já viste no que dá ter carisma, luís? mal abrem a casa nova, a clientela big. entra logo de rompante. um dia destes ainda vou descobrir quem é a quitéria barbuda.

  5. 5 João André

    Então é aqui? Bom, aqui ando com o primeiro comentário. Já vi que mantêm o bom ritmo do último dia do BdE. E também já vi que este vai ser local de reencontro de muita gente. Inclusive da RIAPA, coitadinhos…

  6. 6 João Pedro da Costa

    «Temos aqui um queixinhas» – João Pedro da Costa sobre Brigada Bigornas.

  7. 7 Luis Rainha

    Estes Bigornas são uma espécie de amuletos, como os ratos num navio. Se não aparecerem ou fugirem é que a coisa está para ficar negra.

  8. 8 ML

    Tal e qual. Nós lemos o post e esse paradoxo ( ? ) era bem interessante. Por outro lado dá-nos um certo orgulho – o homem que tão bem criticava esse “portuguesismo” também o sendo… era português. Enfim…

  9. 9 MP-S

    Ja’ me aconteceu pensar que as “elites” portuguesas sofrem do sindroma “Eca”. O Eca usava aquele truque sempre eficaz de escrever um texto critico enquanto se pisca um olho ao leitor e deixa-se este descansado com a mensagem subliminar: “nos somos tao espertos, nao somos, mas o resto e’ tudo uma choldra”. E, ironia das ironias, caimos quase sempre. No caso dele, talvez tenhamos uma boa desculpa… e’ que ele escrevia tao bem.

  10. 10 JCV

    Obrigado pelas boas vindas

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