Perdeu-se um bom lavrador, ganhou-se um péssimo presidente

 

Ontem eu reparava no sorriso das vacas, estavam satisfeitíssimas olhando para o pasto que começava a ficar verdejante. (…)
A poda é pouco sensível na anoneira, não é essencial”, explicou Leopoldo Vasconcelos Moniz, perante o olhar curioso de Cavaco Silva, que confessou fazer sempre a poda das anonas que tem no Algarve. “Mas, este ano vou experimentar e não vou podar algumas”, adiantou o chefe de Estado.
Setembro 2011

Na mesma altura, Firmino Cordeiro convidou o Presidente da República para membro honorário da AJAP, convite que Cavaco Silva aceitou e agradeceu com simpatia e satisfação: “Não é despropositado, porque também tenho alguma coisa de agricultor e prezo-me de ter uma das melhores laranjas do Algarve a que, ultimamente, juntei também uma pequena produção de anonas”
Junho 2011 (PDF)

A Cereja faz bem a tudo, até para os calos. (…) Isto trás-me ao meu tempo da juventude, em que eu gastava o dinheiro todo que tinha para o almoço a comprar cerejas, e depois ficava sem almoço. Porque no Algarve não existem cerejas,  mas expunham isto com este aspecto e era uma tentação. Eu chegava aqui, e comia a cereja.
Junho 2011

Cavaco Silva aproveitou ainda para confessar que ele próprio é considerado “o agricultor da família”, porque mantém “apenas para deleite pessoal” a produção de laranjas, anonas, abacates e outras frutas nas terras que herdou dos pais no Algarve.
Antes, numa passagem junto ao mercado da fruta das Caldas da Rainha, o candidato tinha também já falado sobre as suas preferências em termos de produtos hortícolas: “sou um consumidor em grande de couves”, disse a uma vendedora.
Janeiro 2011

“Fiquei surpreendido por ver como as vacas avançavam uma a uma e se encostavam ao robot, sentindo-se deliciadas enquanto este realizava a ordenha”, afirmou Cavaco Silva, numa referência a um robot inovador existente na exploração que visitou.
Outubro 2008

13 thoughts on “Perdeu-se um bom lavrador, ganhou-se um péssimo presidente”

  1. de facto, saber e gostar de amanhar a terra – tudo o que nela entra e do que dela sai e vive- é um elogio para qualquer um. talvez a grande semelhança que se pode fazer entre um lavrador e um presidente resida na constatação de que o primeiro ordenha, com a mesma agilidade e dedicação e empenho, tanto vacas gordas como magras – enquanto que o segundo fica-se pelas gordas: em época de vacas magras caga-se todo para ordenhar. :-)

  2. Está visto: de todas as pessoas que escrevem no blogue (excluindo os comentadores), este Vega9000 é o meu favorito. Olhando para a triste figura Cavaco (e olhem que isto até podia estar no plural), não tenho dúvidas de que ele é um rural muito rasca. É uma pena que não tenha seguido aquilo para que tinha mais jeito – não a agricultura, não acredito nisso – mas a imbecilidade letárgica e seráfica. Nenhum papel assenta tão bem ao Cavaco como o de morto. Pena que ele não se convença disso, e não se suicide com nobreza. Tem uma deficiente mental como esposa ao lado dele, e isso ampara-lhe a idiotia num registo diário. Cavaco opta sempre pelo silêncio e quando não, pela banalidade. E o povo gosta: é o que de mais aproximado se encontra de um comportamento ditatorial. Morram todos, velhos e maduros do pré 25 de abril!

  3. Não consigo perceber os comentários. Mas estes assuntos fazem sentido na actual situação do nosso país? Não se chama a isto, com propriedade, manipulação de assuntos (o chamado faits-divers)?

    Pessoalmente acho o comportamento do PR, que se delicia com o sorriso das vacas, muito mas muito mesmo preocupante.

    E o Dr. Alberto João Jardim continua a ser um distinto Conselheiro de Estado depois de admitir que cometeu ilícidos no valor de mais de cinco milhões!??

    De facto, admito que o “semblante” das vacas nos Açores é bem mais digno, é impossível enganarem-nos!…

    Isto tudo é muito triste, não é?

  4. Parabéns, ANÓNIMO.
    Será que a palavra “anónimo” vem de “anona”? A julgar pelas subtilezas do comentário, parece que sim.
    Quem não está à altura de uma resposta, insulta – esta parece ser a regra de ouro para muitos frequentadores deste blogue, mas não creio que fosse isso que os seus promotores tinham em mente. Eu sei que todos nós pensamos essas coisas quando lemos comentários que nos desagradam, mas precisamente por isso é que Deus nos deu a capacidade de refletirmos. Quem não consegue essa proeza, não deve escrever, com o óbvio risco de nunca ser lido. E por “lido”, eu entendo “compreendido”. Há mais compreensão num paradoxo do que num insulto. Há mais tolerância no desprezo do que no confronto. São verdades ocas, bem o sei. Mas a vida, parece-me a mim, também não tem grande conteúdo. É nesse vácuo que nos movimentamos e que nos amamos, e enquanto não o preenchemos com a nossa união, convém manter esse recanto ambíguo quente. O Kalimatanos é uma pessoa e não insultou ninguém: mesmo nos blogues não nos devemos desligar do decoro que sempre nos caracteriza. Porque quero acreditar que somos pessoas de bem, e porque quero acreditar que mesmo quando praticamos o mal, no fundo, no fundo, preferíamos praticar o bem. É mais uma questão de esforço do que de anuência, portanto.

  5. boa oh crítico de tá mancos! se andas armado em machão na defesa da donzela metanos, explica lá porque é que supor é mais ofensivo que comprimir.

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