Abanar o cão

Why does the dog wag its tail?
Because the dog is smarter than the tail.
If the tail were smarter, it would wag the dog.

Do filme Wag the dog

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(Nota: o post é longo, mas não consigo fazê-lo mais pequeno. As minhas desculpas)

Na sequência da discussão que aqui trouxe neste post, li entretanto dois artigos que acho que são bem demonstrativos do ponto perigoso onde se encontra a União Europeia. Vale a pena lê-los a ambos com atenção.

O primeiro é de um professor irlandês, Morgan Kelly, que se tornou famoso por prever o rebentamento e as consequências da bolha especulativa do seu país. A bancarrota da Grécia e a da  Irlanda são explicáveis com palavras simples: os gregos foram aldrabões e irresponsáveis, e os irlandeses foram estúpidos à n potência. A situação da Irlanda é espantosa: o país sofreu basicamente uma explosão de uma bolha imobiliária, à semelhança dos EUA, que destruiu o seu sistema bancário. De um momento para o outro, os poderosos bancos irlandeses ficaram com dívidas gigantescas incobráveis garantidas por propriedades cujo valor era, para efeitos práticos, zero. A diferença para a Grécia é que, à semelhança da Islândia,  isto era uma crise de capitais exclusivamente privados. O estado estava bem e recomendava-se, sem problemas de financiamento e sem défice. E o que é que os irlandeses resolveram fazer?  Em vez de deixar os bancos falir, mesmo com consequências nefastas, e reconstruir a partir daí, resolveram nacionalizá-los, e assumir todas as dívidas. Todas, sem excepção, e sem perdas para os investidores que lá tinham posto o dinheiro. De um momento para o outro, os cidadãos irlandeses eram responsáveis por uma dívida que está agora em 160 mil milhões de Euros. E ainda nos queixamos do BPN.

A grande questão da Irlanda é que o capital dos bancos vinha em grande parte dos bancos Alemães e Franceses. Caso tivessem falido, as perdas aconteciam nesses países, obrigando a que  factura da bolha especulativa que o governo irlandês permitiu fosse paga não pelos Irlandeses, mas pelos contribuintes alemães e restantes países. Mas alguém pagaria. Por isso, não consigo sequer imaginar a pressão que o governo irlandês, apanhado de surpresa pelo rebentamento, sofreu por parte dos seus poderosos vizinhos para limparem a porcaria que tinham deixado acontecer. Por isso assumiram as dívidas, passando a ser um problema de estado. Estado esse que passou, então, a necessitar de ajuda urgente por parte dos seus parceiros.

Ora, sendo essa ajuda bastante impopular junto de um eleitorado europeu já queimado com a Grécia, a solução politica é prestar a ajuda, sim senhor, mas com condições punitivas. Têm de ser penalizados, e fortemente, para que o eleitor nórdico não pense que a união caiu no pesadelo de andar o trabalho de uns a subsidiar a boa-vida dos outros. Que é a imagem cristalizada dos Gregos. Pode não ser justo, mas é o que é, e a politica lida com realidades.

Logo, os Irlandeses, para evitar que os sistemas bancários de outros países entrassem em colapso, aceitaram uma ajuda duríssima desses mesmos países. Tão dura, de facto, que se torna impossível pagar a dívida. Não faz grande sentido, pois não?

O que me leva ao tal artigo do professor Kelly. Reparem no diagnóstico e no que ele propõe:

While most people would trace our ruin to to the bank guarantee of September 2008, the real error was in sticking with the guarantee long after it had become clear that the bank losses were insupportable.

(…)

Instead, the sole purpose of the Irish bailout was to frighten the Spanish into line with a vivid demonstration that EU rescues are not for the faint-hearted. And the ECB plan, so far anyway, has worked. Given a choice between being strung up like Ireland – an object of international ridicule, paying exorbitant rates on bailout funds, its government ministers answerable to a Hungarian university lecturer – or mending their ways, the Spanish have understandably chosen the latter.

(…)

our final debt will be about €220 billion, and I think it will be closer to €250 billion, but these differences are immaterial: either way we are talking of a Government debt that is more than €120,000 per worker, or 60 per cent larger than GNP.

E a solução?

National survival requires that Ireland walk away from the bailout. This in turn requires the Government to do two things: disengage from the banks, and bring its budget into balance immediately.

First the banks. While the ECB does not want to rescue the Irish banks, it cannot let them collapse either and start a wave of panic that sweeps across Europe.

(…)

This allows Ireland to walk away from the banking system by returning the Nama assets to the banks, and withdrawing its promissory notes in the banks. The ECB can then learn the basic economic truth that if you lend €160 billion to insolvent banks backed by an insolvent state, you are no longer a creditor: you are the owner. At some stage the ECB can take out an eraser and, where “Emergency Loan” is written in the accounts of Irish banks, write “Capital” instead. When it chooses to do so is its problem, not ours.

At a stroke, the Irish Government can halve its debt to a survivable €110 billion. The ECB can do nothing to the Irish banks in retaliation without triggering a catastrophic panic in Spain and across the rest of Europe. The only way Europe can respond is by cutting off funding to the Irish Government.

So the second strand of national survival is to bring the Government budget immediately into balance. The reason for governments to run deficits in recessions is to smooth out temporary dips in economic activity. However, our current slump is not temporary: Ireland bet everything that house prices would rise forever, and lost. To borrow so that senior civil servants like me can continue to enjoy salaries twice as much as our European counterparts makes no sense, macroeconomic or otherwise.

Cutting Government borrowing to zero immediately is not painless but it is the only way of disentangling ourselves from the loan sharks who are intent on making an example of us.

Reparem no radicalismo do que ele está a propôr: entregar um sistema bancário inteiro ao BCE e passar a conta para os restantes parceiros. Colocar o défice a zero imediatamente. Parece uma proposta de comunistas revolucionários.

E no entanto este artigo está a ter muita influência na Irlanda, porque comparado com a alternativa, é de um enorme bom-senso. Mas o efeito que uma solução destas teria nos cidadãos dos outros países, que não tiveram culpa nenhuma do descalabro irlandês, não votam nesse país, mas teriam de pagar a conta, é previsível. Eu ficaria bastante zangado. E com razão.

O que me leva ao segundo artigo, de Wolfgang Munchau no FT, muito badalado por cá por dizer mal de Sócrates. Diz mal, sim, mas creio que não pelas razões que a direita pensa. Primeiro, diz o óbvio:

The problem is that the eurozone is politically incapable of handling a crisis that is now contagious and has the potential to cause huge collateral damage. The “grand bargain” – a series of institutional agreements on eurozone sovereign debt by the European Council in March – did not address the resolution of the current crisis. That process is starting only now. Those responsible have realised that, no matter which debt management option they choose, it will cost taxpayers hundreds of billions. It is highly unlikely states will accept fiscal transfers of such a size without imposing extreme conditions on one another.

The political reason this crisis goes from bad to worse is an unresolved collective action problem. Both sides are at fault. The tight-fisted, economically illiterate northern parliamentarian is as much to blame as the southern prime minister who cares only about his own backyard.

Esta ultima expressão, para mim, encerra muita coisa, e explica as críticas violentas que se seguem. “Preocupados apenas connosco” é a imagem que os cidadãos do Norte têm de nós. Porque como explica a Sofia C no seu blogue, não fomos aldrabões como os gregos e não tivemos um colapso como os irlandeses. A única coisa que fizemos foi seguir as recomendações da UE para lidar com a crise.

Logo, isto:

His announcement last week was a tragi-comic highlight of the crisis. With the country on the brink of financial extinction, he gloated on national television that he had secured a better deal than Ireland and Greece. In addition, he claimed the agreement would not cause much pain. When the details emerged a few days later, we could see that none of this was true. The package contains savage spending cuts, freezes in public sector wages and pensions, tax rises and a forecast of two years’ deep recession.

É conversa para Alemão ver. E gregos. E irlandeses. Negar que Portugal esteja a receber dinheiro “fácil”. O problema de Sócrates é então apenas o facto de não ter ficado calado, porque essa conversa põe em risco os contorsionismos que os governos do Norte têm de fazer perante o seu eleitorado para justificarem as “ajudas”, que têm de ser vistas como punitivas. Por isso, não deixa de ter alguma razão quando afirma:

You cannot run a monetary union with the likes of Mr Sócrates, or with finance ministers who spread rumours about a break-up. Europe’s political elites are afraid to tell a truth that economic historians have known forever: that a monetary union without a political union is simply not viable.

Isto é a mais pura das verdades. Um tipo que defende o seu país ferozmente como Sócrates não é bem visto lá fora, e pode pôr em risco todo este castelo de cartas. Têm de ser mansos, ordeiros, e aceitar as condições impostas pelos países fortes – que mais não fazem do que se salvarem a si mesmos. Como, por exemplo, o “bom aluno” Cavaco Silva. Esta é a verdadeira direita deste país: submissa, porque aceitam sem piar que os outros têm razão. Porque eles dizem. É sem dúvida o “síndroma de Estocolmo” em todo o seu esplendor, como bem aponta o professor Kelly.

Por isso, e como a crise do Euro coloca tensões entre países que são inultrapassáveis neste ponto – os nórdicos que, com razão, não querem pagar as facturas dos outros, e os do Sul que, com razão, não vêm porque é que têm de continuar politicas que os esmagam em favor dos nórdicos, que afinal correram riscos ao emprestar dinheiro sem pensar – e está provavelmente a dar origem a uma geração inteira de eurocépticos.  Para ultrapassar a situação, seria necessária uma união politica que permitisse aos países um controlo efectivo sobre as finanças dos outros. Que é provavelmente o que está a ser preparado, mas segundo as condições da Alemanha, e feito à medida do que o seu eleitorado aceita e exige: controlar os “preguiçosos” do Sul. Mas vai ser vendido como “inevitável”, e ai dos responsáveis de paises fracos que piem. Daí o “problema” Sócrates.

A outra solução seria cortar a situação pela raiz acabando com o Euro, e deixando cada país livre para seguir a sua própria politica monetária, e não uma feita à medida da Alemanha – o que faz todo o sentido, diga-se, porque eles são o motor da UE – mas que estrangula os que são menos competitivos.

E depois, com calma, pensar numa união politica gradual. Com tempo para nos conhecermos e aproximarmos uns dos outros, não com uma pistola apontada à cabeça.

17 comentários a “Abanar o cão”

  1. Caro Vega,
    embora seja um ileterato económico do Sul, é-me sempre agradável ler um texto que dá razão a muitas das minhas opiniões sobre o assunto.
    A frase assassina de Sócrates que afirmou que o acordo encontrado era um “bom” acordo já está a ter os seus efeitos por essa Europa fora. Os rumores sucedem-se e onde há fumo geralmente há fogo.
    Sócrates pode ter e tem muitos defeitos, mas estamos a falar de um político que, por acaso, é primeiro-ministro do meu País.
    Apontar o dedo a Sócrates e dizer que mente não tem automaticamente o efeito de tornar verdadeiros os seus adversários. Chamar teimoso a Sócrates é tentar fazer esquecer o autoritarismo de Cavaco e seus sequazes, a obstinação de Louçã, a “cassette” de Jerónimo, a falta de maleabilidade de Coelho ou o maniqueísmo de Portas.
    A Europa apoia Sócrates porque vê a inundação a chegar-lhe à vedação do quintal, exemplo mais acabado é assistir ao que se vai passando no do vizinho aqui ao lado, no da famosa Merkel, no da desvairada UK que atingiu 10,2% e 76,1% do PIB e nem está no Euro, etc., etc..
    Por isso, quem estiver com a consciência tranquila que atire a primeira pedra.

  2. Vega,

    Muito bom, vou fazer link e obrigada pela referência ao meu post.:)
    O Wolfgang Munchau acaba o artigo dele a instar Schauble (ministros das finanças alemão) a dizer alto e bom som o que pensa, ou seja que quer mais intergração política e, subentende-se, que lidere o processo, de acordo com as suas prioridades.

  3. Parece que só essa sumidade de economista Louçã não percebeu nada e junta-se a Cavaco, Passos e Portas para dizer que com Sócrates não quer nada.
    Obrigada por esta longa mas ilucidativa explicação e ainda por cima de borla.

  4. Podes fazer link pro Catroga? Pode ser q ele assim aprenda alguma coisa e acredite que se passou qualquer coisa lá fora. E já agora dá conhecumento ao Cavaco! o Coelho…come cenoura!

  5. Texto muito bom, Vega9000. No final, porém, voltas ao tema do abandono do euro.

    E eu pergunto: quem tomaria a iniciativa? A nível central? Ou seja, o directório de ministros das finanças reunidos, sob presidência alemã, decidiriam acabar com o euro, dado o sarilho criado? Esta hipótese é altamente improvável por ser, além de desprestigiante, suicida. Há dívidas para receber em euros, uma moeda valiosa. Como poderiam ser pagas em moedas fracas? Que garantias teriam os credores de receber os montantes emprestados?

    Uma segunda hipótese seria cada país agrilhoado decidir unilateralmente abandonar o euro, o que conduziria a uma situação semelhante de incapacidade de cumprimento de compromissos, maiores punições e, eventualmente, a guerra.

    Outra questão é a de saber a quem interessaria a saída do euro se, com ele ou sem ele, as dívidas terão de ser pagas aos credores e os credores exigirão controlar-te, inclusivamente ao teu governo, de qualquer maneira? O ponto é que os credores europeus o fazem melhor sob o manto da União Europeia. Logo, do ponto de vista dos países credores, a saída voluntária ou a expulsão de países do euro não tem vantagens.

    À primeira e à segunda vista, estamos num beco sem saída, até porque o fim do euro daria uma forte machadada no “projecto europeu”, eventualmente fatal. Nota, além disso, que o euro é já uma moeda de comércio internacional. O caminho, pois, só pode ser em frente. Entretanto, não existindo um governo económico de direito, a verdade é que ele começa gradualmente a existir de facto, por via do chamado mercado.
    Mas penso como tu que, nesta matéria, não devemos sentir-nos obrigados a aceitar tudo o que nos queiram impor, porque a responsabilidade não é só nossa: alguém ganhou muito dinheiro a emprestar-nos nos últimos anos, mesmo a juros baixos. Não podemos considerar-nos “culpados” nem infractores. Nesse contexto situo o combate de Sócrates. Por que lutou e luta Sócrates e muito bem? Luta contra a ideia simplista de que nos endividámos porque somos inconscientes, irresponsáveis e pouco produtivos. Quando sabemos bem que, depois da abertura dos antigos países de Leste, toda a Europa do meio, com a Alemanha à cabeça, desatou a investir no Leste e em força. Maior proximidade, salários ainda mais baixos que em Portugal, maior nível de instrução e especialização. Um maná. A entrada no comércio mundial da China e da Índia também destruiu muitas das nossas indústrias.
    Luta contra a ideia de que seria possível fazer de Portugal, com mais de cem anos de atraso em relação ao centro da Europa, uma Alemanha em apenas 30 anos e, para cúmulo, sem o mínimo endividamento!

  6. Fizeste um excelente diagnóstico, mas continuo a discordar do que dizes nos dois últimos parágrafos. Se não conseguirmos resolver os problemas agora, quem garante aos europeus que se conseguirão resolver os que inevitavelmente surgirão no futuro numa nova tentativa de união?
    Por melhor que nos venhamos a conhecer haverá sempre diferenças e se não conseguirmos viver com elas no presente não creio que tal venha a acontecer no futuro, ainda por cima num cenário pós euro com todas as consequências que o fim da moeda única traria, que julgo não seriam poucas. Num cenário desses os culpados do fracasso seriam sempre os países do sul, logo não creio que mais alguma vez tivessem lugar num projecto europeu. Digo eu, é que nós temos a fama de só dar prejuízo aos países ricos mas o que é facto é que eles não têm empobrecido por nossa causa, alguma coisa têm ganho com o negócio…

  7. Ainda bem que nunca ninguém se esquece que quem está à frente da UE é o nosso colossal Barroso. É só mais uma prova da capacidade, digamos, inata, do PSD para governar.

    O Passas de Coelho deve continuar a sonhar-se de aventalinho a servir café aos novos bush&blair da globalização. São as ideias de grandeza da nossa direita

    Mas parece que o bin laden morreu e que muitas sociedades do norte de África tentam decidir o seu futuro.

  8. Penélope, acho que muito em breve os responsáveis alemães vão ser confrontados com uma escolha: ou enterram mais dinheiro na Grécia e esperam que funcione, ou criam condições bastante mais favoráveis nos existentes, ou ambos, ou este país entra em incumprimento. A hipótese 1 parece-me improvável, mas não estou muito por dentro da politica alemã, talvez me engane. A hipótese 2 também, porque a questão das condições favoráveis ou punitivas não advém também apenas de um desejo de punir os países. A ideia é criar condições duras de modo a que Espanha, porque é isso que estamos a falar, não tenha a tentação de solicitar uma ajuda em condições semelhantes apenas porque é mais favorável do que os programas de controlo de défice existentes. Afinal, o que é válido para uns é para todos, e os nossos vizinhos são um animal completamente diferente. A economia é 6 vezes maior, por isso, se para nós foram 78 mil milhões, imagina o BCE a reunir quase meio trilião de euros em ajuda em condições favoráveis. Os contribuintes alemães, já para não falar dos finlandeses, admitiam isso?
    Por isso, se calhar têm de encarar a possibilidade do incumprimento, que poderia rapidamente criar um efeito de contágio também a Espanha, restando por isso a escolha entre uma implosão controlada e ordeira ou resultado do caos de uma onda de pânico. Como se faz, não sei. Talvez expulsem apenas os PIIGS, ou apenas a Grécia, ou o sistema inteiro, já que a expulsão de um ou vários rapidamente contagiaria os outros: Itália, Bélgica, a própria França.
    Por isso se diz no primeiro artigo do post que a Alemanha e França estão a ganhar tempo para que o sistema financeiro ganhe robustez para aguentar a pancada, que já saberiam inevitável. E os países que entram em colapso muitas vezes não pagam as dívidas todas. A Argentina, por exemplo, acabou por pagar apenas 1/3, e não houve guerras, e hoje em dia toda a gente gosta dela outra vez. Há riscos no sistema financeiro, é parte do sistema. Alguém perde.
    Mas enfim, pode ser que me engane. Mas a julgar pelos sinais, é preocupante.
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    guida, mesmo em cenários como o que descrevo, acho que o sonho europeu pode manter-se, simplesmente construído de outra maneira. Repara que após um inevitável período de recriminações mutuas e afastamento, rapidamente poderíamos voltar às saudades dos “velhos tempos” e um novo ímpeto de união, mas feito de outra maneira, de preferência mais participativa. Até porque a globalização não perdoa.
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    Sofia C, eu é que agradeço as preciosas informações no teu blog.
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    AP Santos, de borla não que isto é blogue governamental, é com os teus impostos. ;)
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    Farense, já enviei ao Catroga. Por correio. Normal.
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    Teófilo M, shark, mdso, manuelal: o prazer é meu, e obrigado pela simpatia

  9. Ola,

    Li de raspão mas vejo que, afinal, nos estamos a aproximar da correcta identificação do problema, que é um passo determinante na identificação de soluções.

    O Euro não é um fim, mas um meio e é um meio para atingir a Europa politica, aquela que é suposto ser uma entidade democratica onde os cidadãos têm o poder de decidir.

    Não interessa neste momento saber como é que caimos na armaldilha da Europa de direita, para quem esta tudo bem com um mercado europeu, mas ultima coisa que se pretende é dar a palavra aos cidadãos. Muitos leitores deste blogue farão o mesmo diagnostico do que eu : falta de clarividência da esquerda que não soube ver que o mercado ja ai esta e que qualquer avanço no sentido de mais democracia europeia deve ser aceite sem estarmos com fitas e sem cairmos na demagogia facil dos que prometiam que “a rua” é que vai provocar a boa reforma. Outros dirão, também com razão, que aceitar a chantagem do “toma la mais umas migalhas de direitos politicos” em troca do abandono das garantias sociais a nivel nacional é perigoso. Também compreendo o argumento.

    O que interessa é saber como vamos fazer para obter o que queremos.

    Excluir à partida sair do Euro não é caminho e o texto do Vega é a mais obvia prova disso.

    Temos que nos organizar para que a esquerda exista a nivel europeu.

    Até pode ser com Socrates.

    Mas nunca com um Socrates aliado tecnicamente ao PSD e àqueles que defendem que esta tudo bem assim e que o milagre do desenvolvimente economico vai sarar as feridas não tarda nada. Não vai. Pelo menos aqui não vai.

    E isso não devia fazer espécie à Europa (que NAO é comandada por Durão Barroso, caro tra.quinas, não confundamos o escanção com o dono do restaurante), como de resto não nos faz espécie a nivel interno que Tras-os-Montes e a Beira interior continuem a fazer parte do pais…

    Se a posição do PS continuar a ser esta, não vejo mesmo porque é que havia de votar neles.

  10. João Viegas,

    De acordo com quase tudo, excepto no seguinte: o PS não cola ao PSD. O PS lidera um governo no seio dum Conselho em que a maioria é de direita ( democraticamente eleita, diga-se). No Parlamento europeu a mesma coisa. Chipre tem o PC cipriota no governo e no entanto…Para o ano há eleições na Alemanha e França, há elementos importantes que poderão mudar, enfim, há que esperar. Seja como for, a alternância democrática levará sempre esquerda e direita a dominar a UE alternadamente. Se os partidos souberem abandonar a perspectiva meramente nacional e começarem a raciocinar na lógica comunitária, mesmo os governos minoritários poderão ter outro peso e defender melhor os interesses dos seus cidadãos. Creio que é o que está a começar a acontecer, os recentes desenvolvimentos com os governos grego, irlandês, português , espero que seja o caso.

  11. há balanços que deveriam ter sido feitos logo na primeira presidência portuguesa em 92 da, na altura, CE. e talvez, agora, estivessemos bem mais preparados para apanhar com a superioridade – real e também dada como adquirida – do norte.

    (au, au) :-)

  12. Vega obrigado pelo post. Rigoroso, fundamentado e esclarecedor .
    No meu comentario do post último sob o tema, fiquei a dizer que havia que falar outro día do papel de Alemanha na Europa de hoje e nos rescates financeiros.No teu post ja fica esclarecido.

    Os bancos da Alemanha são os principais investidores nos paises à rescatar. Alemanha faz uma política restrictiva no que respeita o resto de europa que afoga a expansião económica de países em crise. Isso è craro, embora Alemanha coa política de rigor financeiro o que trata è de que os seus investidores recuperem o dinheiro e não tenham perdas. Ou seja que o seu sistema financeiro não sufra. O rescate é o prestamo de dinheiro a um xuro mais alto do que o pede o Banco Europeio. Afogam o país em dificuldades ganhando dinheiro, igoal que se fossem um banco. Eu dou-te dinheiro para que pagues a divida, fago vixianzia da tua vida para que me pagues tanto a divida como os xuros da mesma. E eu ganho.
    Eis a questão da UE, em quanto à união política. Concordo que deverá ir-se a uma política de actuação nas políticas financeiras dos parceiros antes de chegar a situação dos rescates.

    Sob o norte e o sud, ja temos no olvido o gasto de Alemanha na Europa do Leste. Que Alemanha não cumpria as condições do deficit fixadas en Maastricht, e que olhou-se para outro lado.

    Agardemos um cambio político em Alemanha duma política mais expansiva e não tão aproveitavel para si mesmo. Pois há que estar a duras e maduras, pois se Alemanha cresceu nos últimos tempos foi porque Europa a que lidera é o seu lugar de exportações da sua produção.

  13. joão viegas, o papel que ele desempenha só é de menor importância quando é desempenhado por um incompetente.

    Eles bem querem que nos esqueçamos que ele trocou a responsabilidade de governar o país (que deixou entregue aos ratos) por um lugar de taberneiro na UE.

    Podem continuar a extravasar a sua histeria gritando que as culpas são todas do Sócrates e dos últimos anos da sua governação, porque a nossa memória ainda é longa o suficiente para essas, ridículas e insignificantes como alguns querem fazer crer, questões de pormenor.

    E não te iludas, joão viegas. Dizes: “O que interessa é saber como vamos fazer para obter o que queremos”. Mas não é isso que acontece tanto na UE como nestas situações de ajuda externa? As negociações não servem para isso mesmo? Ou será que tu querias dizer que o que interessa é saber como vamos fazer para obter o que queremos e impondo as nossas regras.

    Quer dizer… o estado chegou a ter que se financiar pagando juros de 10% e agora há quem se atire ao tecto porque a ajuda prevê juros entre 4 e 6%. Acho uma piadola. Vamos todos para a rua ganir, pois claro.

    Por vezes chego a pensar que deve existir quem pense que o dinheiro nasce aí algures nas árvores e que depois existem uns macacos próprios para o irem lá apanhar e entregar ao amo.

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