Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.



À direita e à esquerda, há pessoas que expressam abertamente a sua convicção de que Sócrates é culpado – mas culpado de quê? Culpado de ser suspeito. Essas pessoas são capazes, por exemplo, de repetir bovinamente que ele se licenciou ao domingo, mas não são capazes sequer de explicar o que a expressão quer dizer ou qual a importância do facto a que alude. São capazes de falar das casas da Guarda, e rir muito, mas não são capazes de referir os resultados do inquérito feito pela Câmara da Guarda a esses mesmos processos. São capazes – oh, falta de vergonha! – de falar do Freeport, mas não são capazes de inscrever a origem desse caso, a qual vai parar a Santana Lopes; mesmo que ele não tenha sido directo mentor. Estas pessoas, que se entusiasmam ao elencar os ataques dirigidos contra o cidadão José Sócrates, são agentes da campanha negra. Pretendem voltar a opinião pública contra a vítima. Ninguém inocente pode ser alvo de tantas suspeitas! – gritam venenosos e febris, repetindo tribunais e fogueiras de antanho.

Lá está: a cobardia é impaciente, não suporta a espera nem a esperança.


  1. 1 Sinhã

    enfia os dedinhos, assim, no fogo, enfia

    (depois tens de levar com o bombeiro que persegue o zézinho).:-D

  2. 2 K

    Esse “Ninguem inocente pode ser alvo de tantas suspeitas” é o mesmo que “Alguem deve ter difamado Joseph K., pois que numa linda manhã foi preso sem ter cometido qualquer crime” Kafka “O Processo”.
    É o corolario de qualquer regime totalitario e a inversão de qualquer humanidade.

  3. 3 António P.

    Excelente Val.
    A frase : ” Ninguém inocente pode ser alvo de tantas suspeitas ! ” resume bem o que os cobardes gritam.
    É que em conversas com amigos muitos dizem quase isso e apetece-me mandá-los à merda. Agora vou aconselhá-los aa lê-lo.
    Cumprimentos

  4. 4 lingrinhas

    Eu cá para mim se houvesse algo que pudesse incriminar o pm já estava escarrapachado na nossa comunicação social ranhosa.

  5. 5 guida

    “Ninguém inocente pode ser alvo de tantas suspeitas!”

    Tratando-se de Sócrates repetem esta frase até à exaustão, mas o Paulo Portas que tem o seu nome envolvido numa série de casos, aparentemente, ninguém duvida da sua inocência. Pelo contrário, muitos dos comentadores que repetem a tal frase em relação a Sócrates, elogiam-no e têm em grande consideração a oposição que faz ao Governo. Mistérios.

  6. 6 antonio manso

    A coragem dos grupos nunca foi uma caracteristica dos portugueses.É muito mais fácil acusar ou atacar alguem quando em grupo,é a chamada psicologia das multidões.Individualmente ,preferimos estar caladinhos e não “agitar as águas”.É cobardia, pois é,mas é muito mais cómodo.Não é em vão que um dos mais usados aforismos na nossa terra é”quem tem cú,tem mêdo”.Outra das nossas caracteristicas, é repetir, estilo eco o que os gurus dos média, os fazedores de opinião,e os jornalistas e “cabeças falantes” dizem , principalmente acerca de pessoas com algum vulto, como 1ºs. Ministros, deputados dos partidos que não o nosso,ou apenas de pessoas que se tenham individualizado por alguma razão.É uma maldita doença lusa ,muito relacionada com a chamada “má lingua” mas muito mais letal, porque queima reputações, mesmo em casos de provas de inocencia indiscutiveis (vide casos de Ferro Rodrigues e de Paulo Pedroso).A frase “não há fumo sem fogo”, é um dos exemplos do joguinho da má lingua, só que ,por vezes , o fumo foi criado por falsos investigadores, e por noticias falsas, exactamente para justificar a existencia de fogo-Triste sina a desta terra onde não há uma justiça célere e dura para certos crimes.

  7. 7 zzz

    pois é, o blame the victim dá frutos, se deixarmos, e temos pudor sequer em levantar assuntos sombrios: olha os negócios de Estado da ferrugenta. Triste país.

  8. 8 mct

    E eu tenho um amigo de infância, PCP ferrenho, o qual naquela época que já lá vai, até me “arregimentou” ideologicamente para a esquerda (se isso ainda existe, não sei, mas eu sinto que sim), e que hoje praticamente só nos comunicamos por email, que se compraz, quando critica a direita, a referir apenas sarcasticamente os “pecados” de Sócrates. Isto é seguir cegamente a estratégia dos estalinistas que só aqui neste torrãozinho, ainda não fizeram o acto de contrição – preferem omitir os reais crimes financeiros da direita, porque o alvo principal é o Sócrates e por isso preferem um governo desses salafrários PSDistas. Lamentável.

  9. 9 antonio manso

    Mais que lamentável ,criminoso! Tambem tenho amigos e primos (primas) do P.C.,mas esses vão conseguindo resistir a alguns ataques de Socrato-fobia, vou-lhes dando algumas Aspirinas(preferencia B)

  10. 10 Manuel Pacheco

    O banco da má-língua.
    Julgo que em todas as terras portuguesas havia um. Na minha havia e que banco e que má-língua. Todas as pessoas de bem, principalmente do sexo feminino, evitavam de passar na sua proximidade. Em dias de missa, novenas e mês de Maria, era ver a que passava por mais longe, só as de fraca reputação se abeiravam, não se importavam de ser faladas. Assim não pagavam publicidade como uma grande parte paga ao jornal de notícias e outros, para publicitarem a sua casa de massagens. Os personagens do banco da má-língua eram sempre os mesmos, qual deles a língua mais pequena, ali era enterrado e desenterrado o morto, as moçoilas desvirginadas, o caloteiro passava a sério e o sério a caloteiro. Fulano era corneado, sicrano era filho de uma nota de vinte escudos, era um ver se te avias. Só eles é que eram a fina flor da sociedade, mas parece-me que diziam isso a lembrar o ditado popular, chama-lhe antes que te chamem a ti…
    Hoje com o fim dos bancos da má-língua, passou-se a saber de tudo em primeira mão nos jornais, via tribunais. Os personagens fazem lembrar os de outrora com um senão, os de outrora davam a cara e não eram aliciados com nada, ao contrário dos de hoje. Se o seu nome ainda vale alguma coisa antes de entrar no tribunal, à sua saída esse nome está de tal modo enxovalhado que até a própria Gripe A foge dele. Antes ser falado nos bancos da má-língua do que nos tribunais, antes a má fama só corria na sua terra hoje é em todo sítio. Passados cinco minutos de se ser interrogado as suas declarações já estão escarrapachadas nos jornais diários mas, só o que lhes interessa e faz vender papel. Hoje a má-língua é um negócio e que negócio.

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