Apesar ou a pesar?

Apesar do clima de profunda crise económica, os portugueses voltaram a dar prova de grande solidariedade e mobilização.

É o que diz Isabel Jonet, comentando o espectacular aumento de 30% nas recolhas para o Banco Alimentar. O que me interessa agora na sua afirmação é o pressuposto: clima de profunda crise económica. É uma descrição que se tornou mais do que politicamente correcta, é politicamente obrigatória. E, contudo, já nada tem a ver com a realidade onde 90% da população tem mais dinheiro no bolso hoje do que há um ano. Muito mais, em resultado da baixa de juros, da estagnação ou deflação dos preços, dos combustíveis sem altas e do aumento de salários. Por isso, o consumo interno disparou e há planos de investimento em crescendo, tanto para particulares como para empresas. Ao mesmo tempo, o tecido empresarial vive uma fase de completa alteração de competências e perfis, fruto da entrada dos licenciados e da sua contínua educação académica. Nascem novas empresas, oferecendo novos produtos e serviços, pela simples razão de que há novas ideias. Estas pessoas não têm tempo a perder com os tenores do clima de profunda crise económica.

Pergunte-se ao Mundo: quantos gostariam de viver num país onde 9 em 10 trabalhadores estão empregados, vivem em algomerados servidos por água, electricidade, gás, redes viárias, redes de transportes públicos, medicina, escolas, polícia, bombeiros, diversão, cultura, desporto e podem escolher livremente os seus governantes? Depois, é só pesar a resposta para nos descobrirmos num clima de altíssimo sucesso económico.

76 comentários a “Apesar ou a pesar?”

  1. Valupi,vista de cima, a tua posição até é lógica.Somos obrigados a concordar com ela,muito muito pela rama.Mas, ao irmos ao fundo das coisas,ao vermos cara a cara as dificuldades que certas pessoas atravessam,ao contactar-mos com gente em dificuldades,somos obrigados a repensar e voltar atrás e reconhecer que apesar de tudo ainda há gente em situações dificeis, muita gente,comparada com o resto da Europa e não da Àfrica,ou Àsia .VIvo em Torres Vedras e por aqui, não se vê miséria,e quase toda a gente tem um bocadinho de terra, e vai tendo umas coisas para ajudar ao fim do mês e por na mêsa.Por outro lado,quando vou até Lisboa e se olhar com atenção, vejo aspectos diferentes, que traem certas dificuldades das pessoas.Falo com gente que se queixa,de dificuldades, e acredito nessas pessoas pois conheço-as e sei que não me mentem.Reconheço todo o esforço que tem sido feito por este governo,e sei tambem as dificuldades que vamos ter que atravessar com esta oposição e com os inimigos do P.S. e do EngºSócrates e com a “gentalha” que só o quer deitar abaixo ,mesmo à custa de destabilizar a democracia.Mas, tento não ser pessimista, e ainda acredito no bom senso dos portuguêses , que não vão aceitar uma revolução palaciana nem uma mudança de regime.Melhoràmos muito a nossa situação, e assim iremos continuar.

  2. A Isabel Jonet, sempre muito elogiada, faz parte do problema.

    Brinca à caridadezinha enquanto nos jornais exige que os desempregados sejam obrigados a trabalhar pro bono, já que recebem subsídios.

    Eu sugeria que começassem por limpar o cu de quem tem a sorte de estar empregado e depois das dondocas desocupadas que limpam a má consciência fazendo de conta que é com ongs que os problemas se recolvem.

  3. Manso,

    Do ponto donde observaste, de cima, a posicao logica do autor do post deveria ter sido a de sentado. De cocas e um bocado perigoso – e que va vi um gajo com um colhao retracado por um fragmento de sanita pior que uma faca. Ate me arrepio quando me lembro disso.

  4. Infelizmente os dois “países”, que o Val e o Antonio vêem, coexistem num só.
    Se por um lado existe uma sociedade mais urbana e dinâmica mais empreendedora e menos fatalista, por outro ainda existem grandes partes da sociedade que abana quando é afectada por um mesmo que leve decréscimo dos seus rendimentos.O fosso existe.
    Tambem existe uma certa classe dos endividados com estilo que fazem tudo recorrendo ao crédito, carro, casa, ferias, etc…e que não o sabendo (ou sabendo-o bem de mais) estão artificialmente mais prosperos.
    Por outro lado o dinheiro na carteira originado pela baixa de juros não é um aspecto virtuoso, é sim e talvez o unico aspecto “positivo” desta crise.
    Assim sem mais tirares a ilacção de que existe mais dinheiro no bolso de que há um ano atrás, apesar de compreender o contexto e o sentido em que o dizes, é um pouco simplista.
    Daqui a pouco estas a pedir a continuação da crise, não? :))

  5. Pegando na pergunta do K, há estudos que relacionam os períodos de crise económica com ganhos na saúde pública: menos mortes, menos doentes, mais saúde.

    E faz sentido. Este luxo que o século XX espalhou, com a oferta de consumo e níveis de segurança e conforto colectivos, é uma aberração face ao que foi a vida dos seres humanos desde que apareceram há 200.000 anos, ou coisa parecida.

  6. (…)Ele deseja os objectos belos, acessíveis e não acumulaveis e recusa os feios e acumulaveis (mas inacessíeis). Na realidade, não escolheu: apenas aceitou ser um consumidor de bens de consumo, pois que não pode ser proprietario dos meios de produção. Mas está contente. Amanhã trabalhará mais para poder comprar, um dia, plotronas e frigorificos. Trabalhará ao torno que não é seu(…)
    In Viagem na Irrealidade Quotidiana;(pag 191)
    Umberto Eco

  7. Val pelos vistos até nisso esta crise é atipica . Gripe A.
    Olha talvez me engane mas daqui a uns 50.000 anitos ainda vamos ter saudades desses velhos tempos, em que se podia desfrutar de um bom veado assado à lareira a admirar umas boas pinturas rupestres :))

  8. Acho piada… Tudo na maior, aqui neste canto ocidental do planeta, mais ou menos a exemplo dos anglo-saxões e norte-americanos, à custa, pois, das misérias REAIS noutros pontos do mesmo planeta, com milhões de mortos à fome, crianças a morrer, acho que de dez em dez segundos… Tudo contente, porque a tal de Jonet – como outros – como aqui já se comentou, faz destas misérias o seu negócio e o seu passa-tempo. Sistema velhaco este, de gente velhaca, nem uma memória sequer aos “condenados da terra”.

  9. São capazes de explicar em que é que se pode censurar a Isabel Jonet ?
    Ou será que o Correio da Manhã e o Sol têm anunciadas a publicação de algumas escutas onde ela “aparece” a soltar imprecações contra os supermercados do Belmiro ou do J.Martins?
    Fonix, ou eu estou muito desalinhado ou estou a precisar de aumentar minha dose diaria de cinismo.

  10. A única coisa que (porventura) se pode censurar à Isabel Jonet, que não aceita ajudas do Estado, é não ajudar – directamente – pessoas, mas sim, Instituições.

    Depois, as Instituições, ajudam pessoas.
    Muito desse trabalho das Instituições é mal conduzido – não há verificação prévia das reais condições de necesidade – e os donativos são por vezes mal distribuídos.
    Por exemplo, já ouví um depoimento de uma pessoa que é testemunha do seguinte: determinado oportunista, vai buscar arroz agulha ao BACF, para depois dar aos pintos.

    No essencial:

    O texto original, é de uma falta de honestidade intectual, atroz!

    Nem sei se o Goebbels, ele próprio, se atreveria a fazer uma coisa dessas !

    Veja-se este trecho [ inserir aqui um coro angelical ] :

    « Por isso, o consumo interno disparou e há planos de investimento em crescendo, tanto para particulares como para empresas. Ao mesmo tempo, o tecido empresarial vive uma fase de completa alteração de competências e perfis, fruto da entrada dos licenciados e da sua contínua educação académica. Nascem novas empresas, oferecendo novos produtos e serviços, pela simples razão de que há novas ideias. Estas pessoas não têm tempo a perder com os tenores do clima de profunda crise económica ».

    e este mimo :

    « Pergunte-se ao Mundo: quantos gostariam de viver num país onde 9 em 10 trabalhadores estão empregados, vivem em algomerados servidos por água, electricidade, gás, medicina, escolas, polícia, bombeiros, diversão, cultura, desporto e podem escolher livremente os seus governantes? Depois, é só pesar a resposta para nos descobrirmos num clima de altíssimo sucesso económico. »

    Claro que a resposta seria: todos!

    Só que vc. insinua que esse país é Portugal !

    Não só eu não conheço nenhum país do Mundo em que essas condições estejam actualmente preenchidas, como tenho a certeza absoluta de que, Portugal, está muito longe de as preencher.

    V. não está bom da cabeça, pois não?

  11. A melhorar,a piorar,na mesma,de facto tudo está diferente.Já lá vão 35 anos do 25 de Abril de 1974, e quem viveu antes e vive agora ,nota as diferenças,nota que muito melhorou e que algumas coisas pioraram.Agora ainda há um Serviço Nacional de Saúde (by the way,alguem se lembra que o Francisco Pinto Balsemão, quando 1º Ministro,assinou um decreto extinguindo-o, e que só não foi para a frente por ter sido chumbado pelo Tribunal Constitucional-na altura a Drº Manuela Teixeira Leite tambem era membro do governo) ,mas continuando por agora vai havendo umas coisas,melhoria das estatisticas da mortalidade infantil,aumento da idade dos mais velhos(particular interesse para mim ,67 radiosas primaveras) assistencia social a funcionar ,uma reforma que podia ser melhor,mas que,vá lá vai quase que chegando,subsideo de desemprego,os outros suside, vão acontecendo algumas coisas.Mas ainda há muita miséria, e ainda é necessária muita ajuda de toda a gente, ong ou não ong, o que é preciso é muito boa vontade e muito espirito de entreajuda.

  12. antonio manso, a miséria em Portugal (ou seja lá qual for o país) não deve ser escondida, é precisamente ao contrário. E cada caso é trágico por si mesmo, inquestionável. O que escrevi remete antes para uma comparação que nos desperte para a acção, não para o desânimo estéril.

  13. Val
    Concordo com todo o texto e faço referência ao último parágrafo. Na década de cinquenta e sessenta coitados de nós, crianças até aos dez anos. Tínhamos uma vida de fome, andar descalços, com as calças cheias de quadra – remendos – parecia um mapa de Portugal a assinalar os distritos. Casas sem o mínimo de condições – comparadas com as de hoje – o chão das cozinhas era em terra, os quartos eram exíguos as famílias numerosas. Na cama uns dormiam para a cabeceira outros para os pés, rapazes e raparigas todos juntos e às vezes a cama dos pais era no mesmo quarto. Hoje uma família das mais pobres come melhor que as famílias médias desse tempo. Comia uma malga de café com um trigo de quatro cantos quando fazia anos e como sabem só se faz anos uma vez no ano, como desejava o próximo ano.
    Quando entrei para a escola usufruí todos os dias de manhã comer uma malga de leite – chamado o leite em pó – e um bocado de queijo amarelo, ao meio dia outra malga de caldo e assim consolávamos o estômago, tudo isto dádiva da Cantina Escolar. Triste vida de quem fosse pobre. Hoje já andam pelos shopping a comprar as prendas para o Natal, quando era pequeno, o que me calhava em sorte, eram uns bombons um pão com marmelada uns amendoins e pinhões. Quando via as prendas dos meus amigos mais remediados pensava que era pelo facto de me portar mal – a minha mãe quase todos os dias me ofertava umas escovadas com uma escova de escovar roupa no rabo. Era por este motivo que pensava que não merecia melhor.
    Nos dias de hoje há pobreza mas em comparação é melhor combatida, há o subsídio de desemprego, naquele tempo lembro-me dos trabalhadores da construção civil trabalhavam durante meio ano (no Verão) e outro meio ano estavam sem trabalho (Inverno) derivado às chuvas, não se programava trabalho de maneira a contar com as intempéries, o rendimento mínimo garantido e outros. Querem dizer mal de tudo mas uma grande maioria devia passar por esses tempos e depois viam o que era a vida.

  14. Vox, vou dar-te um conselho para começo de conversa: não faças nunca uma invocação nazi em vão.

    Quanto à tua interpretação do que escrevi, dizes que não conheces países no Mundo onde as condições que descrevi estejam preenchidas. Ora, talvez a tua noção de preenchimento remeta para um ideal que ainda está longe, mas o que temos é um paraíso quando comparado com as condições em que vivem milhares de milhões de pessoas actualmente. Isso é inquestionável.

  15. Caro Manuel Pacheco, essas condições que refere (já nem tanto na década de sessenta, embora mesmo nas grandes cidades existissem bolsas de miséria, que aliás, em alguns casos, ainda persistem) eram as mesmas que se verificavam em muitos outros países (não digo da Europa).

    E olhe que se V. fosse criança de de família numerosa, hoje em dia, com as “ofertas” do Sr. Van Zeller, era capaz de passar pelas mesmas vicissitudes.

    E os desmesurados elogios do Sr. Van Zeller ao Sócrates, dizem algo, e o fascínio dos socialistas (only in name) pelos grandes empresários (desde sempre) foi a desgraça do socialismo em Portugal.

    PS: não sei se este pitoresco Van Zeller é parente de uma certa Van Zeller, deputada da União Nacional na então Assembleia Nacional, que se opôs tenazmente à reforma do ensino, delineada pelos liberais de então, que preconizavam o estabelecimento do ensino-técnico profissional em Portugal (o ensino dos pobres, os cursos comerciais e industriais), 9 anos de escolaridade obrigatória.
    Um outro oponente, chegou ao desplante de dizer em pleno hemiciclo: ensinar francês e einglês a essa gente? Depois vão pensar que são doutrores e não sabem o lugar a que pertencem.
    Venceu a linha liberal (afinal o Salazar não era tão retógrado como dizem).
    E, por fenómenos vários (necessidade de pessoas qualificadas, e escassez da mesma – por causa da guerra do Ultramar que absorvia recursos humanos, e por causa da emigração para França) os empregadores viram-se obrigados a pagar bem. Os empregos eram bem mais remunerados, se comparados com os de agora – já foram feitos estudos nesse sentido – e o custo dos bens essenciais era baratíssimo.

    Na verdade, se formos a comparar o fosso entre muito ricos e muito pobres, constataremos que aumentou, e de que maneira.
    Não só não diminuiu, como a classe-média, começada a formar-se em inícios de 60, pura e simplesmente desapareceu.

    Apenas um empregado partidário ou um jotinha em tirocínio, pode fazer afirmações como aquela lá do topo.

    Ou então, um gajo já com um valente tacho, a ocupar um qualquer gabinete do Estado, e com os pés em cima da escrivaninha e os braços atrás da cabeça, desocupado e sem mais nada que fazer !

    O lavrador (o Povo) é rico, e paga !

  16. É inegavel que as coisas melhoraram muito nas ultimas décadas, a questão nem se põe. O que ainda não conseguimos recuperar é do atraso estrutural que resultou de um país que falhou a industrialização que viveu em economia fechada/condicionada durante muito tempo e que tem defices nos niveis de escolaridade. Isso somado a outros erros mais recentes faz com que se mantenha um valor residual de pobreza elevado mas que tem vindo a ser dimuinido paulatinamente.Esta crise veio apanhar-nos numa era de transição para uma economia de maior valor acrescentado e tecnologico onde somos tão bons quanto os melhores mas ainda não somos muitos e não tantos como deveriamos ser.E aqui o pelotão parte-se e a fractura é antes do mais geracional, entre gerações que tiveram acesso e preparação para esta nova economia e os que não têm capacidade para nela se integrarem.
    O governo fez ou tentou fazer o que deve ser feito num mundo globalizado e altamente competitivo, entre outras coisas tentar reformar a educação e o ensino (sonho que já vem desde guterres) e lançar o programa Novas Oportunidades para elevar a capacidade de (re)integração das gerações mais velhas. Só que isso não se constroi em 4 anos por vezes nem em 10.
    Assim basta o vento soprar de frente com mais força e o pelotão ainda se “parte” mais com a agravante de que agora estamos a subir o Tourmalet. O que fazer? ficam todos para trás ou vai cada um no seu passo? É inegavel que muitos vão sofrer e que os primeiros a cortar a meta nem se apercebam disso.

  17. mas o consumo interno disparou? ouvi dizer que estava a sair do buraco onde se tinha metido , mas só se vê ainda a cabecinha ( e se calhar nunca se lhe vai ver o corpo : vamos ver quanto tempo mais a banca vai deixar a prestação da casa baixa). está bem longe dos níveis de 1999 , por exemplo.
    e sim , lá que o tecido empresarial vive épocas de grande transformação com falências em catadupa é certo , também é certo que os jovens licenciados são premiados com uns 500 euros pelo seu saber nos novos produtos e serviços cinco estrelas que vendem e apoiam nos call center.

    E está certo que uses pseudónimo …pseudónimos estão para a ficção como a manteiga para o pão.

  18. K, boa análise. Quanto aos estragos da História, do tempo, serão inevitáveis – há sempre vítimas, há sempre quem sofre. Aliás, cada um de nós repete esse ciclo a nível individual. Mas a lógica mantém-se: temos de conseguir criar riqueza, se é riqueza que queremos distribuir por quem dela mais precisa. E, vendo assim, o caminho é claro: educação, investimento, mais educação, mais investimento.
    __

    mf, se saiu do buraco, disparou. Quanto a 1999, esses anos de crédito abundante, resta saber se será uma meta desejável. Aliás, o consumismo não parece ser a actividade mais inteligente para um ser dotado de tantos e tão complexos neurónios.

  19. Vox,

    Eu só entendo as suas palavras da seguinte forma:

    Ou contaram-lhe uma grande historia sobre o reinado de Salazar, e você não se preocupou em analisar o que lhe estava a ser dito;

    Ou é salazarento por devoção.

    Confesso que preferia a primeira.

  20. Vox , o fosso ( a diferença entre o rendimento) não sei se aumentou ou diminuiu, mas sei que diminuiram e muito os pobres e aumentaram os ricos.

  21. Pese embora o facto da caridade hoje em dia ser algo absolutamente necessário para a sobrevivência muitas pessoas no nosso país (e não só), não deixa de ser curioso que quem a promove, na grande maioria dos casos, está contra o estado social.

    Parece uma contradição, mas infelizmente é uma realidade. Dura, muito dura, mas real

  22. K disse:

    « O que ainda não conseguimos recuperar é do atraso estrutural que resultou de um país que falhou a industrialização que viveu em economia fechada/condicionada durante muito tempo e que tem defices nos niveis de escolaridade. »

    1 – Havia mais fábricas dantes do que actualmente. E muitíssimas delas empregavam milhares de empregados. Hoje em dia, inauguração de 10 a 20 “postos de trablaho” já dá lugar à presença de ministro para a inauguração (LOL).

    2 – Défices nos níveis de escolaridade? Antigamente um estudante saía do 9 ano a saber mais (pelo menos sabia escrever correctamente) do que muita gente com licenciaturas hoje em dia. Existiam exames anuais. Quem chumbasse, não passsva, tinha que repetir o ano. O inventor da fórmula do “sucesso escolar” (o ministro da Educação no tempo de Cavaco Silva, Roberto Carneiro) não só introdziu o facilitismo, como, mais tarde, acabaram os exames, é sempre a andar até à entrada da Universidade. Depois é só fazer um exame a uma qualquer das privadas (Supermercados de Canudos). O exame de acesso é fácil e o lema é “Pagou, Passou”.

    Não me lixem!

    mf:

    De acordo.
    E sociólogos a fazerem de caixas de supermercado a 400 e tal líquidos, se tanto!
    Pela lógica do guru lá de cima, mais qualificação; fica na mesma a ganhar os ditos 400, mas o “formador profissional” também ganha (mama os fundos Comunitários para a “formação”). É o milagre da duplicação dos chulos :)

    E essa chulisse das empresas de trabalho temporário, que ficam com metade do ordenado do trabalhador!?
    Alguma vez se viu disso no tempo de outrora? Nunca seria permitido!
    Quanto à “mexida” do tecido empresarial, posso citar o link seguinte a título de exemplo (tinha lido num jornal mas de momento não consigo localizar, este link é do “Berloque” de Esquerda, mas no essencial a notícia é a mesma)

    http://kaskaedeskaska.blogs.sapo.pt/446738.html

    Fui!

  23. Vox – Já pensou em fazer um curso das novas oportunidades?

    É que você não dá uma para a caixa !

    Então você pensa que as dinâmicas económico/sociais de hoje estão em consonância com o trabalho braçal dos anos 50. Por favor …

  24. pois , o que eu penso mesmo é que crédito é veneno , que a publicidade devia ser proibida e que as pessoas deviam apreciar e cuidar do que têm em lugar de correr atrás do novo só porque a nova capa do pc condiz com a borracha e o vizinho já tem um.
    mas tu adoras a deus e ao diabo , ãh? ” novos produtos e serviços ” “empresas patati patata”…para comprar mais , certo? só achava bem se essas empresas xpto produzissem/transformassem velhos e indispensáveis bens , tipo batatas e trigo.

  25. Ora aí está, meu caro Valupi! De fora vêem o que os medinas carreira e os antónios barretos não querem ver, por estarem reduzidos a irrelevâncias políticas, mas julgam-se grandes senhores. Eu ainda desculpo qualquer coisinha ao medina (letra pequena!) mas o sociólogo Barreto devia perceber que olhar a sociedade portuguesa de hoje não tem comparação com aquela que ainda mantem, na sua cabecinha, estagnada e petrificada na miséria. Uma boa parte do ano vivo na aldeia e posso ver, de perto, como tudo mudou. Para melhor. Nunca me posso esquecer de um amigo de infancia, «pobre de pedir» de porta em porta, como naquele tempo havia tantos, me apareceu a chorar como uma madalena porque a sua «Fatinha», de cinco anos, morrera de uma gripe porque os pais não tinham dinheiro para ir à farmácia comprar uma «pastilha» para a febre. (Na aldeia havia farmácia e ainda há).
    Essa vulgaridade de sociólogo barreto (com letra pequena) parece que nunca conheceu outro Portugal!
    É para isto que que estes gajos tiram cursos atrás de cursos?
    Porca miséria.

  26. Olha, cada cavadela, cada minhoca. O Vox vai usar o passado para dizer que dantes é que era bom, o fadinho do costume. Não deve ter mais de trinta anos e não faz ideia do que era o analfabetismo e a falta de condições de toda a sorte neste país. A maior parte “escrevia correctamente” o nome e era um pau, ó pá.
    E o Valupi vai buscar o passado para dizer que agora vivemos no paraíso, em que toda a gente tem tudo, incluindo água de rosas para lavar o rabinho. Se um sueco lê o post do Val, vai já ao consulado português de estocolmo pedir um visto. Não lhe chega dizer que 90% dos portugueses tem mais dinheiro do que há um ano. Tem que dizer “muito mais”. E não estamos num clima de alto sucesso económico, não senhor. Estamos num “altissimo”. Isto é um pais superlativo. Mas pronto, percebo que o Medina Carreira precise de um antidoto forte, deve ser disso. E nada melhor com um post destes de rir à gargalhada, para não cairmos na depressão, depois de ouvir o Medina a dizer todos os dias que no dia seguinte é o Apocalipse.
    Entretanto, é claro que o que a Isabel Jonet e outros e outras instituições recolhem deve ter como destino a casa dos próprios. Devem ter a dispensa cheia de toneladas de arroz e pacotes de leite.

  27. Ao Pedro
    ..”Entretanto, é claro que o que a Isabel Jonet e outros e outras instituições recolhem deve ter como destino a casa dos próprios. Devem ter a dispensa cheia de toneladas de arroz e pacotes de leite.” Por favor, não diga barbaridades.

  28. Manuel Pacheco, as tuas memórias são preciosas, como sempre.
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    mf, as empresas também podem ser para comprar menos. Por exemplo, empresas que ofereçam tecnologias para diminuir os gastos energéticos, ou explorar sustentavelmente a floresta e o mar, ou que aumentem a qualidade da aprendizagem ou combatam as doenças nas zonas de pobreza, e um sem-número de exemplos. Tens de abrir esse horizonte cognitivo.
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    Jeremias, muito bem visto.
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    Pedro, não sabia que os suecos estavam tão mal; mas, pronto, é deixá-los vir antes que morram à fome e ao frio.

    Entretanto, tens toda a razão: basta desceres uns quilómetros e encontras quem arrisque a vida todos os dias para entrar nos países superlativos de além-mar. Problema que, vou apostar, não tens, nunca tiveste nem vais ter.

  29. depois de tudo o que li, boto em falta mais uma ideia. Há mais riqueza, vivesse melhor, sem duvida, os direitos são melhores, mas nesta sociedade conseguiu-se algo muito importante que é a re-distrubução da riqueza numa sociedade democrática, a igualdade de oportunidades para tudos, grazas a políticas sociais. A diferenza entre hojem e os anos escuros é isso. Mas estase a correr o risco en Europa de voltar a fornecer esa diferenza nas rentas per-capita dos cidadãos.
    Como está Portugal nessa diferenza de renta entre ricos e pobres ?, estatísticas que eu vi não deixavam muito bem a situacão.

  30. Pá, Valupi, com essa é que me lixaste ;) Ainda bem que não deste o exemplo dos intocáveis de Calcutá, que nem têm pernas para andar cem metros, e que apenas podem sonhar em vir viver para debaixo de umas arcadas numa rua de Lisboa. Cairia já aqui fulminado de vergonha.

  31. Aí para cima anda um Vox a perguntar o que se pode censurar a Isabel Jonet, pois repito o que já disse – mas com acrescentos:

    A Isabel Jonet, sempre muito elogiada, faz parte do problema.

    Brinca à caridadezinha enquanto nos jornais exige que os desempregados sejam obrigados a trabalhar pro bono, já que recebem subsídios.

    Eu sugeria que começassem por limpar o cu de quem tem a sorte de estar empregado e depois das dondocas desocupadas que limpam a má consciência fazendo de conta que é com ongs que os problemas se recolvem.

    Os desempregados não são carne para canhão para terem de ir limpar mata e apanhar lixo como gente da laia dela sugere continuamente. A esmagadoríssima maioria está em situação que não procurou nem desejou e quer é estar sossegada tentando achar uma solução para um beco aparentemente sem saída – não precisa que lhe venham impôr trabalhos forçados como a D. Isabelinha continuamente exige sempre que abre a boca mais de um um minuto. Nem todos se podem dar ao luxo de brincar à caridadezinha.

    Alguns têm mesmo de sobreviver.

  32. nm,

    Não posso concordar mais. Aliás, às senhoras da caridade dá muito jeito que os pobres continuem pobres, da mesma maneira que às instituições internacionais dá jeito existirem pobres famintos em África. É negocio, infelizmente.

  33. nm e Carmim, eu também não (posso concordar mais). E porque é que há a caridadezinha? Os ricos e os bem-na-vida dizem para nos conformarmos com o sistema, sempre tem de haver pobres, blábláblá… os que fomentam a caridade nem pensam sequer neste sistema cruel e injusto em que se vive, até porque lhes dá jeito sempre têm mais uma forma de passar o tempo e o resto…mas… está tudo dito, não está? É pena que se não possa mudar para já, mas um dia, quem saberá? Gostei entretanto de ver http://www.zeitgeistmovie.com/add_portug.htm – será uma luz no fundo do túnel? Não sei!

  34. “Ao mesmo tempo, o tecido empresarial vive uma fase de completa alteração de competências e perfis, fruto da entrada dos licenciados e da sua contínua educação académica. Nascem novas empresas, oferecendo novos produtos e serviços, pela simples razão de que há novas ideias. Estas pessoas não têm tempo a perder com os tenores do clima de profunda crise económica.

    Pergunte-se ao Mundo: quantos gostariam de viver num país onde 9 em 10 trabalhadores estão empregados, vivem em algomerados servidos por água, electricidade, gás, redes viárias, redes de transportes públicos, medicina, escolas, polícia, bombeiros, diversão, cultura, desporto e podem escolher livremente os seus governantes? Depois, é só pesar a resposta para nos descobrirmos num clima de altíssimo sucesso económico.

    Val, onde estavas tu entre 2002 e 2005…

  35. Caro Vox,
    Vamos a factos
    “E essa chulisse das empresas de trabalho temporário, que ficam com metade do ordenado do trabalhador!?
    Alguma vez se viu disso no tempo de outrora? Nunca seria permitido”

    Estávamos em Janeiro de 1970, eu andava à procura do 1º emprego desde Julho de 69. E qual foi o meu primeiro emprego?

    Contratada pela Manpower para dactilografar Manifestos de Carga num navio atracado no Porto de Lisboa.

    Essa chulisse já existia. Estude melhor, se faz favor! Obrigado!

  36. A propósito de gente necessitada: alguém sabe de duas assoalhadas em Lisboa ou arredores para alugar a um casal de jovens com um filho e outro na calha e que vivem actualmente num quarto de 8 m2? Eles não têm hipótese de pagar mais de 350 euros/mês, apesar de trabalharem ambos. Casas para o orçamento deles, parece que não há. Há três anos que estão na lista de espera para uma casa camarária, mas têm muita gente à frente.
    Hoje encontrei no Wikileaks a enorme lista das pessoas que vivem em casas da CML, com indicação da respectiva renda. Todas aquelas casas albergam pessoas que realmente precisam delas? Desde 2008, tenho muitas dúvidas. A renda mais elevada que vi lá, excepcionalmente alta, era de 380 euros… A média é para aí 70 ou 80 euros.

  37. Vox
    Põe em causa o que escrevi sobre a década de cinquenta e sessenta, pena tenho do senhor não ter passado metade do que passei. Não sabia que o Val vinha um dia a referir-se sobre este tema. Tenho textos escritos aqui no Aspirina B, que relatam parte da minha infância. Vá a filho de gente pobre e vê o que lá relato, vá a vinte linhas 390 e aí também verifica o que escrevo.
    Não sou pessoa de andar a mentir e não tenho prazer nenhum em declarar a minha pobreza, foi uma pobreza ocasional e não como muitos que é uma pobreza de espírito. Os meus pais não tinham culpa da situação e de sermos governados por um tirano como Salazar. Tinha conhecimento da situação do País e nunca tentou pôr cobro.
    A segurança social enviava para as empresas o dinheiro referente ao abono de família para estas depois o distribuir por quem tinha direito a ele ou seja, pelos seus beneficiários, e estes andavam a negociar com esse dinheiro. Acontece que para receber o que era seu os beneficiários tinham de pedir por favor e de chapéu na mão. E não era um mês ou dois que estavam em atraso.
    Se o senhor tivesse todos os dias de se pôr a pé e andar quase um quilómetro para comer a malga de leite em pó e um pouco de queijo amarelo e estas eram dádivas dos EUA. Dizia-se que o banco de Portugal estava cheio de ouro e o povo em sua casa não tinha electricidade – quando regressei de cumprir o serviço militar, estive dois anos em Angola na guerra ultramarina – é que soube o que era ter luz eléctrica.
    O senhor deve ter nascido num berço de ouro senão não falava assim e experiência da vida de outrora é a que tem ouvido. Gostava para certo tipo de gente que se regressasse ao passado para ver o que era vida. Com isto tudo tenho orgulho nos pais que tive e tenho pena de não serem vivos para lhes continuar a mostrar a minha gratidão por tudo o que fizeram por mim. Não puderam me dar o que outros mais afortunados deram aos seus filhos mas, deram-me uma coisa que nunca hei-de esquecer que foi a honestidade, que hei-de sempre prezar assim como o nome, foi esta a única herança que me deixaram, não troco por nada do Mundo.

  38. Muito bem, Valupi! Nunca dou nada para o Banco Alimentar, detesto a hipocrisia da Jonet e das dondocas e dos meninos queques que a acompanham, que, quase de certeza, votam na direita que é contra o estado social, mas andam contentinhos a pregar a caridadezinha. Ainda por cima, já não é a primeira vez que me informam que muitos daqueles bens doados vão parar a mãos que não necessitam de nada.

  39. Independentemente do que se achar sobre o momento actual (nem me meto nessa discussão porque agora e moda, é politicamente correcto, só botar abaixo) dizer que dantes é que era bom revela falta de sensibilidade e desconhecimento. E, como já alguém advertiu atrás, invocar em vão seja “nazismos” ou tempos do estado novo, além da ignorância ou má fé reveladas, é uma desrespeito por quem sofreu as consequências directas desses regimes e uma afronta a quem se bateu pela liberdade e pela dignidade. Irra! Tiram-me do sério quando, seraficamente, se põem a querer demonstrar que estamos tão mal, tão mal, que até dantes era melhor… [Não terem ido parar com os costados à Guiné, não terem sido presos só por estarem com mais 3 ou 4 pessoas a cantar umas coisas para desabafar do sufoco em que se vivia, não terem que emigrar cheios de fome e a salto, porque nem para ganhar o pão fora de portas as fronteiras eram franqueadas, não terem de pedir ou dar autorização para que a mulher se deslocasse sem o marido, não terem de pagar uma licença para usar o isqueiro fora de telha… não terem…
    Se hoje temos muito para corrigir e melhorar, e temo seguramente, please, venham ideias frescas e construtivas, adequadas aos tempos de hoje. Bolas, o raio da cauda dos 48 anos nunca mais acaba. Parece uma trepadeira daquelas que furam por todo o lado e deitam raízes mesmo nos terenos mais insuspeitos. Já era tempo de se perceber que não é por aí que lá vamos.
    Peço desculpa por me centrar num pormenor da discussão, mas este tipo de invocação bole demasiado comigo.

  40. E agora peço desculpa pelas gralhas do meu comentário anterior. Escrever de carreirinha e a quente é no que dá. A quem teve a pachorra de ler peço benevolência… : ))))

  41. Seu Pacheco,

    Nao chore, homem, deixe la. Um dias destes, Deus me perdoe, voce apanha pra ai uma catrafada de diabetes democraticos om um cancrozinho de contrapeso na sua aba direita antisalazarenta que nem sabe pra que lado e que se ha-de virar. Nao se esqueca que a oposicao ao Salazar so se estendeu por trinta e tantos anos porque os dirigentes da Oposicao eram pessoas bem pagas em salarios e comissoes e nao tinham cozinhas com chao de barro. Imagine! o Valupi a sair quentihno da cama e ir a cozinha aquecer o leitinho num fogao de gas da companhia e meter o pe numa poca e dizer: foda-se, estes fascistas nunca mais poem um sobrado nisto!

    Nao, seu Pacheco, leia mas e um pouco de como e que todos viviamos na Europa no tempo desse Portugal.

  42. “Raiz de Salazar”

    Dei comigo a chorar junto à soleira
    lá da porta da casa onde nasci.
    Mas foi fome só fome que eu senti…
    é ainda a Salazar que a porta cheira!…

    Eu fugi… juro aqui que tive medo
    do resto que ali sobra da malina!
    Lembrou-me logo do leite da cantina,
    que me matava a fome manhã cedo…

    Jovens, fruto de Abril do meu País,
    sustentai com veneno esta raiz!…
    Não deixeis que ela possa progredir,

    quer seja num quintal ou numa igreja,
    porque ela vem punir quem quer que seja…
    só fome é que dali pode provir!…

    Autoria de: Rodela

  43. Vox

    Caro Manuel Pacheco, essas condições que refere (já nem tanto na década de sessenta, embora mesmo nas grandes cidades existissem bolsas de miséria, que aliás, em alguns casos, ainda persistem) eram as mesmas que se verificavam em muitos outros países (não digo da Europa).

    E olhe que se V. fosse criança de de família numerosa, hoje em dia, com as “ofertas” do Sr. Van Zeller, era capaz de passar pelas mesmas vicissitudes.

    Caro Vox eu sou o 5º Filho de uma família de 11 . Nasci em 1954. O que diz o sr Manuel Pacheco, também eu e os meus irmãos passaram e passava quase todos os que estavam nas mesmas circuntâncias e que vivia nas aldeias. E eram muitos!

  44. engraçado Mf, dantes seria impossível abrir esse tema com esse título, esconjurado e defenestrado. Crescimento, competitividade e produtividade era a única coisa que se podia dizer vulgo eucaliptal sufocante.

    O que me irrita foi a quantidade de desinvestimento que esse mote tríplice originou, tanta simbiose e cooperação perdida em atritos competitivos gratuitos. Ao menos se tivessem ido por água abaixo no buraco do BPN, mas cheira-me que não, o Governo não deixa.

    E no entanto a minha esperança é que com a mudança de paradigma, seja o matagal mediterrânico ou a mata atlântica, se reganhe crescimento numa contabilidade multidimensional, mais inclusiva, mais distributiva, mais criativa. Utopia? Pois que seja, afinal inventar um lugar para um não-lugar ainda é o único desafio intelectual interessante.

    Por cá com a tradução do ‘survival of the fittest’ por sobrevivência do mais apto, que seria antes a tradução do ‘survival of the pronest’ ainda anda tudo engatado.

  45. A Isabel Jonet representa o sentido da caridadezinha católica estilo regime salazarento que fica arrepiada só de pensar que se podem acabar determinadas bolsas de pobreza junto das quais pode favorecer a actuação das tais instituições que apoia.

    A Isabel Jonet favorece instituições paroquiais em detrimento de instituiç\oes laicas.

    A Isabel Jonet rejeita voluntários laicos em detrimento de amigos e primos da padralhada de quem é amiga.

    A Isabel Jonet rejeita projectos de auto-sustentação de comunidades pobres porque isso inviabiliza os seus projectos de caridade e de propaganda ideológico-religiosa.

    O Banco Alimentar é instrumentalizado por Isabel Jonet para este tipo de objectivos.

    Estas afirmações são “inside information”.

    A Santa CAsa da Midericórdia é mais laica e muito menos (nada) comprometida ideológicamente do que o Banco Alimentar.

  46. a bem dizer , Edie , a Isabel Jonet não devia de existir. nem as assistentes sociais , nem montes e montes de pessoas e profissões que vivem da pobreza. não são só as tias que “gozam” com a existência de pobres. infelizmente têm uma função latente muito importante na sociedade , tal e como a toxicodependência e o crime. até a prostituição. como viviam as clínicas , o pessoal especializado , os advogados ? tinham que ir amanhar campo. e a taxa de violações subia upa upa.

    e , não estou nem aí , não sou dada a ver fotografias do passado feio, mas gostava de ver comparar outros indicadores de qualidade de vida , tais como taxa de doenças psiquiátricas , taxa de suícidios , violência contra mulheres , crianças e idosos e outras coisinhas assim fora da santa economia , de há 40 anos e hoje. não faço ideia do resultado , mas gostava. e se não há estatisticas de algumas , há muitos testemunhos.

  47. mf, Há muita gente que viva da pobreza porque a pobreza existe. Já Isabel Jonet alimenta-se da pobreza, basta ouvi-la. Isto de querer pôr os desempregados em trabalhos forçados tem nome. deixei de contribuir desde que a sra. começou a abrir a boca.

  48. diz lá , nm , que mal havia em por pessoas que recebem rsi a cuidar de idosos , 3/4 horas por dia , idosos daqueles que não têm dinheiro para contratar serviçais? tens de abrir a cachola. ele há muita gente que precisa dos serviços dos outros. e não são trabalhos forçados , são retribuição. se a sentem como forçada é porque eles não valem nada como seres humanos.

  49. ou que mal havia em mandar pró alqueva e prás terras em volta uns tantos pobres recuperar casas e cultivar o que comem?
    O que é inaceitável é o snobismo actual de considerar tudo aquilo de que depende o nosso corpo como trabalho de 3ª. ao menos o intectualismo fosse fora de série. mas não é. é optimus , zon e meo. cultura do lazer. desculpa , mas a pobreza de espírito , chateia-me até mais não.

    ( e a malta comunica o que? faz-me imensa impressão isso da comunicação. repetem o olá 500 vezes? falta de paciência a minha para comunição vazia. mas pronto , pode ser que esteja a ficar velha . ainda que , meus sobrinhitos , de 5 e 9 anos , nascidos no pc e na era do virtual digam que no tempo da tia , com pessoas , cinema e pipocas , bola , papagaios , diabolos e tal é que era festa a sério)

  50. mf,

    que eu saiba as assistentes sociais não seleccionam as pessoas a apoiar com base em critérios de pertença a esta ou aquela paróquia, esta ou aquela instituição mais vinculada a determinadas linhas ideológicas.

    Também não é do meu conhecimento que as assistentes sociais distribuam kits de copo de leite, sandes de fiambre e palavra de Deus enquanto se publicitam perante os doadores como entidades independentes de qualquer movimento religioso, partidário e ideológico.

    Não me parece que as assistentes sociais apoiem instituições que pagam parte dos salários dos seus empregados com os bens alimentares destinados aos pobres.

    Não me parece que seja comparável com o antigo regime as medidas sociais que visam promover alguma segurança nas populações com a esmola ocasional que enaltece quem a dá, mais do que quem a recebe.

    O meu comentário sobre a Isabel Jonet é sobretudo contar essa visão atrasada e atrasadora do que é a responsabilidade social face à pobreza.

  51. Nanda do Manpower disse:

    « Estávamos em Janeiro de 1970, eu andava à procura do 1º emprego desde Julho de 69. E qual foi o meu primeiro emprego?
    Contratada pela Manpower para dactilografar Manifestos de Carga num navio atracado no Porto de Lisboa.
    Essa chulisse já existia. Estude melhor, se faz favor! Obrigado! »

    Três constatações:

    1º- Em 7 meses conseguiu arranjar emprego.
    Ad latere: o meu irmão, em 1970 conseguiu emprego em 3 meses e eu em 1971 arranjei emprego (seria o segundo emprego para ele, mas como no primeiro já ganhava mais, ficou para mim).
    2º- Não conheço(ia) essa Manpower.
    No entanto, gostaria que clarificasse: era uma empresa de trabalho precário? Fez contrato de curta duração? Ou de longa duração? Ficavam-lhe com metade ou alguma percentagem do vencimento? Fez contrato de trabalho permanente com a Manpower (que, sendo a sua entidade patronal, depois a enviava para fazer serviços noutras empresas)?

    Eu estive a pesquisar essa tal Manpower, que era propriedade da família Pena Costa eis o que se diz aqui :

    “A Manpower em Portugal era detida em regime de ‘franchising’ pela família Pena Costa desde 1962. Em Agosto de 2008, a Manpower Inc comprou a empresa, passando esta a fazer parte do Grupo Manpower”

    Fonte: http://www.human.pt/entrevistas/entrevista2.htm

    Estoutra fonte, diz que operava desde Novembro de 1962 mas o Alvará é de 07 de Junho de 1990.

    Fonte: http://www.manpower.pt/empresa.xhtml

    Facto que, à luz do documento seguinte (Parecer do Conselho Consultivo da Procuradoria Geral da República, datado de 2000) nomeadamente o que se lá diz :

    “A caracterização das entidades intervenientes nas situações de trabalho temporário e das relações que entre elas se estabelecem vem precisada no artigo 2º do Decreto–Lei nº 358/89, de 17 de Outubro, diploma em que esta matéria se encontra fundamentalmente regulada”

    me leva a suspeitar que não havia legislação anterior que regulamentasse essa actividade.

    Seja como fôr, o trabalho temporário/precário, pelo menos nas cidades, era uma excepção, era raríssimo, claro que existia o chamado trabalho sazonal nas classes rurais, as quais se deslocavam periodicamente para certos locais específicos (mormente colheitas, isso está bem retratado na literatura portuguesa) mas o trabalho com estabilidade era a esmagadora maioria, prelo menos nas cidades. Isso é indiscutível.

    Hoje em dia, o chamado trabalho temporário ou a prazo, é a regra quase geral (regra da precariedade) e deu lugar a um nova classe (precariado ou precariato) e a uma nova exploração de tipo semi-escravatura. E a estabilidade, a excepção.

    É óbvio que, de um modo quase esmagadoramente geral, o patrão procura sacar o máximo do empregado, e procura pagar-lhe o menos possível.
    E a legislação dá-lhe protecção (ao patrão).

    Antes do 25/4, era muito difícil despedir um empregado ou trabalhador.
    Apenas com justa causa (geralmente, desfalques).
    Tanto a Lei como os Tribunais, davam sempre razão ao trabalhador (considerado na relação laboral, a parte mais fraca). E como havia lugar a pesadas indemnizações, em caso de cessação da actividade por iniciativa do patrão, ele pensava duas vezes antes de fechar a firma.
    Agora, está tudo ” flexibilizado “.
    E o trabalhador, lixa-se.

  52. Sr. Manuel Pacheco,

    Se o sr. era de família numerosa e para mais, vivia numa aldeia, não é de estranhar que tivesse passado dificuldades (o que sinceramente, lamento).

    Mas veja que esse mesmo problema se coloca ainda hoje em dia (o das famílias numerosas).
    Tenho ouvido falar da necessidade da alterar as regras do IRS (por exemplo, fala-se no quociente familiar).
    Um dos que falava disso, por exemplo, era o Roberto Carneiro (que tinha muitos filhos) e, sendo ministro, até nem ganhava mal.

    No demais, faço minhas as palavras de Dixit, eram as circunstâncias do tempo.
    A chamada oposição bem-educada (inoperantee inofensiva) era formada por um grupo de advogados, um punhado de catedráticos, e outras profissões liberais, os quais viviam muito bem, por exemplo, o Patriarca Soares, conhecia de cor-e-salteado os menús dos melhores restaurantes parisienses, e, falando francês “comme une vache espagnole”, era, pasme-se, professor na Sorbonne!
    Aposto que nunca deu um tostão para um pobre. E a mulher, que é catoliqueira, idem.

    Mas, sobretudo, tínhamos um País (que vendemos, a troco de fundos comunitários).
    Tínhamos um País, e perdemos tudo.
    Inclusivé, o respeito uns pelos outros.

  53. Pq é que não Há-de trabalhar, perguntas tu mf?

    Adapto livremente, Porque não passa de uma simulação de emprego, de uma completa ficção. Esses postos de trabalho não existem realmente ou então deviam ter como titular um trabalhador que estivesse nele motivado com direitos sociais, férias, segurança social e essas coisas todas e não um forçado obrigado a um castigo. Ou alguém duvida que as matas deviam estar tratadas?

    Um trabalho obrigatório imposto pelo Estado sob a capa de um trabalho cívico apenas ajuda a reduzir custos de mão-de-obra e promove sectores que vivem dos salários miseráveis. Os desempregados apenas serviriam para que comparativamente os trabalhos dos outros pareçam decentes e razoáveis. Nessa altura, depois de mais de oito horas de trabalho a limpar matas, até o licenciado que não teve tempo de procurar um emprego chega feliz ao fim do dia, não é?

    A Sra. D. Isabel julga ter legitimidade moral para tratar os desempregados e os titulares do rendimento social de inserção de forma dura, apenas porque teve a sorte de nascer onde nasceu. Dá enquanto com uma mão bate no peito, consciência sossegada, e com a outra mantém férrea a lógica social em que vivemos e que lhe mantém os pobrezinhos.

    A lógica de chamar preguiçosos aos outros passa no limite por se poupar sequer doentes crónicos, mães solteiras ou gente com crianças a cargo e sem dinheiro para pagar creches perpetuando ciclos de miséria. As Sras. Donas Isabíes hão-de ter criadas que lhes vão buscar os filhos ao colégio. A mãe do Rendimento Mínimo antes de ir para o trabalho forçado em transportes públicos da periferia ainda teria de ir pôr os miúdos à creche social, longe comó caraças.

  54. Vox
    “No demais, faço minhas as palavras de Dixit, eram as circunstâncias do tempo.
    A chamada oposição bem-educada (inoperante e inofensiva) era formada por um grupo de advogados, um punhado de catedráticos, e outras profissões liberais, os quais viviam muito bem, por exemplo, o Patriarca Soares, conhecia de cor-e-salteado os menús dos melhores restaurantes parisienses, e, falando francês “comme une vache espagnole”, era, pasme-se, professor na Sorbonne!”
    “Aposto que nunca deu um tostão para um pobre. E a mulher, que é catoliqueira, idem.”
    O senhor deve estar a brincar comigo. Nunca andei às esmolas assim como a minha família. Queria era ter um tratamento, ou seja, oportunidades iguais aos poucos estudantes que nessa altura iam estudar. E olhe que regra geral não eram os mais inteligentes das turmas mas sim os de melhores posses. Sabe que me foi questionado ir estudar para padre, não tinha vocação e o pouco que fui ganhar no meu primeiro emprego ajudava a combater o défice da família. Felizmente e aqui não fico agradecido a ninguém a não ser à minha família e ao que na vida lutei, para hoje ter uma aposentação talvez melhor do que o senhor ganha no seu dia-a-dia.
    Agora dizer que Mário Soares nunca deu uma esmola a ninguém, essa é de risos. Primeiro não sabe da vida dele e depois é a favor que para se colmatar a pobreza é com esmolas. Conhece o provérbio chinês? “Quando alguém te pedir um peixe não o dês, ensina-o antes a pescar”. Pelo que me apercebo você é um ressabiado do 25 de Abril. Mas olhe que além de ter estado na guerra ultramarina, tenho orgulho por essa fase e o dom de me adaptar ao tempo.
    Termino com uns versos do meu amigo Rodela:
    Acorda povo que é festa
    Não vás tu adormecer
    Tens de andar de perna lesta,
    Não vão os cravos morrer.

    As garras do inimigo
    Perdem força lentamente,
    Mas se acatam, são perigo
    Ainda é frágil a semente.

    O fruto já está crescido
    Cada vez mais entroncado,
    Enquanto não for colhido
    Tem que ser sulfatado.

    Quem na vida não produz
    E apregoa a caridade,
    Faz reluzir mais a luz
    Da justiça e da verdade.

  55. é bem conhecido que Mário Soares dava dinheiro. Uma vez saía da PIDE e o Luís Pacheco achou-o e nem lhe perguntou nada só que cravou-lhe 20 escudos, e ele deu-lho embora fosse o dinheiro que trazia

  56. Sr. nm

    dava dava …
    Lá porque deu 20 escudos a esse estarola e dipsomaníaco do Luís Pereira, é motivo suficiente para dizer que dava dinheiro a torto e a direito aos pobres …
    E no caso deu porque esse Pacheco era um patusco “intelectual” (o bochechas sempre teve a mania que é intelectual) e mais tarde, após a morte do LP, aproveitou-se disso para se gabar dizendo “ia a sair do Aljube, e dei vinte escudos ao LP).

    E também dava (mas não do bolso dele) pensões a “antifascistas” e até a D.ª Amália fadista, que tanto quanto se sabe, não consta que alguma vez tivesse sido funcionária do Estado, ao falecer, tinha uma reforma de 400 mil escudos, atribuída por … adivinhem.

    E por alma de quem?
    É a chamada mão jupiteriana do Soares (para os leigos na matéria, ele é do signo do Sagitário e os sagitarianos são generosos, por vezes até, mãos-largas mesmo, esbanjadores, especialmente quando, como no caso, se está ao alcance de dinheiros dos outros, i.e. do Estado, que é o mesmo que dizer dos contribuintes, ou seja de todos nós) :-))=

  57. Vox,

    Alguém lá para cima já lhe recomendou que fosse para as “novas oportunidades”. Julgo que deve agarrar a sugestão.

    De todas as enormidades que deixou ditas, agora mesmo, destaco os 400 mil escudos pagos à Amalia Rodrigues.

    José Gil, escreveu um livro interessante sob a atitude comportamental dos portugueses, com um enfoques especial na inveja (claramente o seu caso). Recomendo-lhe essa leitura.

  58. Várias. A começar pela utilização das declarações da Isabel Jonet do Banco Alimentar como mote para um texto deste calibre. A última frase “Depois, é só pesar a resposta para nos descobrirmos num clima de altíssimo sucesso económico.” obrigou-me a ir buscar o pacote das pastilhas Rennie. Até costumo concordar em muitas coisas consigo, mas este texto é um delírio puro. Cumprimentos.

  59. Afonso, não é novidade alguma isto do dom para a interpretação, a ironia e o subtexto não ter sido espalhado por igual. Neste último comentário, apenas te limitas a fazer alusões de carácter subjectivo, que não permitem réplica. Não sei, pois, do que falas.

    Seja como for, estou certo de que, se te deres ao trabalho de ler os comentários, muito poderás poupar em pastilhas Rennie.

  60. Val, qual foi a parte do meu comentário que não percebeu? Tivemos todos o prazer de ler tanto o texto como os comentários. Onde é que é necessário barrar com mais “interpretação, ironia e subtexto”?

  61. Não percebi de que te queixas. Qual é a ideia, ou a frase, ou a palavra, que te suscita o protesto? Falares dos teus estados de alma pode ser útil, mas não chega para se entender qual é o problema.

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