Porquê? Porque ele adora

Passos testa em Loures as hipóteses de um Geert Wilders português.

Em 2011, Passos apresentou-se a eleições com um discurso por muitos considerado novo e fresco: ia acabar com a preguiça, com a dependência do Estado, com a intromissão do Estado na Economia, com as gorduras do Estado, com a ditadura do ensino público e da saúde pública e demais “frescuras” que, a par com mentiras descaradas como a não necessidade de cortar salários nem pensões face a um pedido de resgate por ele desejado, apesar da situação financeira nacional bem conhecida, convenceu demasiados incautos a votarem nele. Acresceu a esta estratégia o desgaste do adversário através da campanha ad hominem mais agressiva de que há memória, aqui com a ajuda dos amigos do CDS e da Justiça. Pois bem, ganhou. Manteve depois, no governo, a linguagem acusatória da preguiça (esquecendo e fazendo demasiada gente esquecer que ele próprio é um exemplo de chupismo que o deveria manter tímido, no mínimo, no desafio aos portugueses para que se desenvencilhassem, trabalhando mais, de preferência indo embora). Enfim. Quanto ao Estado na economia, viram-se e veem-se cada vez mais os extraordinários benefícios para os clientes das vendas que fez das maiores empresas e o parco contributo dessas vendas para a resolução dos problemas financeiros do país. As gorduras foram afinal um colossal aumento de impostos. Além disso, por alegadamente não querer saber dos bancos (sendo ele o Estado), nem dos privados nem do público, passou várias pesadas facturas aos portugueses cujo interesse dizia defender.

Foi corrido por intermédio de uma coligação adversa, aliás nunca por cá vista, que só mesmo um grande descalabro governativo como o amargamente constatado conseguiria pôr de pé e manter.

Mas continua por aí, o Passos.

Acusado, e bem, de ser, uns dias, zombie, outros dias uma triste Cassandra agoirenta ou um decadente profeta da desgraça, descobriu na recente tragédia dos incêndios e na vetustez comprovada das instalações militares (que pelos vistos desconhecia) uma poção energética milagrosa e bebeu-a, andando desde então a falar mais do que seria sempre aconselhável, pois não é raro estender-se ao comprido com frases incompreensíveis, grotescas, popularucho-atamancadas ou simplesmente mentirosas e falhadas. E a coisa andava assim. Pseudo-aguerrida a direita, mas triste como sempre.

Mas eis que entra em cena André Ventura, o candidato à Câmara de Loures. André Ventura representa a nova frescura por que Passos desesperava. É a sua fuga para a frente. Onde Cristas viu um potencial criador de ódios e problemas com vantagens políticas duvidosas, retirando-se, Passos viu um provocador corajoso, populista até mais não, mas que, falando melhor do que ele (parece que tem mais estudos), é talvez capaz de lhe abrir um caminho de oportunidade. O raciocínio deve ser o seguinte: Ventura começa pelos ciganos (tema que não interessa assim tanto, pois são poucos e há sempre uma maneira airosa de o artista recuar um pouco), faz-se notado, Passos adora, dá-lhe o seu total apoio (no fundo, é o seu ídolo, o seu balão de oxigénio) e rapidamente ali está um aliado para ressuscitar o discurso dos preguiçosos, o único que conhece, mas que lamentavelmente nunca dirige a si mesmo. Muito em breve lá virão todos os subsídio-dependentes, os funcionários públicos e etc. Ventura é bem capaz de dizer o que nem o Passos ousa. Aliás, já começou: acusou António Costa de se imiscuir na campanha de um candidato autárquico, quando na realidade Costa o que fez foi acusar Passos Coelho de apoiar candidatos racistas. Impante com o sucesso junto das hordas passistas, Ventura aconselhou Costa a ir-se embora. Como é possível Passos não o adorar? Como seria possível retirar-lhe o apoio? Ventura é o seu alter-ego mais refinado e ousado.

O holandês lá acima referido não se deu particularmente bem nas últimas eleições com o seu discurso xenófobo e de incitamento ao ódio, o que é de assinalar tendo em conta o peso da imigração muçulmana nos Países Baixos. Por cá, exceptuando os ciganos, há as pessoas de origem africana, que ninguém ousará, penso eu, ofender. Não vejo, pois, que desenvolvimentos ou alvos poderá vir a ter este tipo de discurso. Mas, a nível nacional, Passos, para cujo peditório já demos, pode aproveitar o Ventura para criar uma extrema-direita toda fresca e acompanhar assim os tempos. É a única saída que lhe resta. Uma fuga em frente para fora do PSD. Ou será que o PSD acha tudo isto muito fresco e também adora?

9 thoughts on “Porquê? Porque ele adora”

  1. o Passos não é casado com uma preta ? é , não é ? tem filhos mulatos ? bem me parecia. :) :) ganda racista , até casa com uma para lhe fazer a vida negra .

  2. esse estudo é para rir , tem como base entrevistas a ciganos ;) ; :) só vendo o inquérito para aferir a qualidade e quantidade de questões de controle das resposta…..
    em tempos foi verificar situações de ( pseudo ) trabalho infantil em que entrevistadores anteriores tinham validado como trabalho respostas de crianças tipo ” trabalho muito ” sem mais e eram tudo criancices ; dessas centenas de “trabalho muito ” nem umas dezenas eram de facto situações de trabalho infantil . Suponho que no caso dos ciganos será parecido.
    os dados que interessam são tipo : em 2008 , 5000 e tal famílias , que correspondem a 21100 indivíduos , recebiam rsi : ; em paralelo a estimativa da população cigana do SOS racismo em 2000 e qualquer coisa ( vem no estudo) era de 20000 e tais indivíduos , todos recebiam rsi :) :) ou seja apresentem um censo da população cigana em 2017 e cruzem com o número de famílias ( e o total de indivíduos que as famílias representam) que recebem rsi em 2017 e mais nada , o resto é conversa de chacha ou xaxa .

  3. está bem . eu explico melhor : estudos baseados em inquéritos a pessoas que pensam que há uma resposta correcta à questão posta , resposta correcta essa que , supõem eles , lhes renderá mais uns tostões de subsídio ou outra ajuda monetária qualquer , não valem de nada. têm de trabalhar dados concretos estatísticos , se querem realmente saber alguma coisa acerca de trabalho e subsídios . se não os há , arranjem-nos : isso é que é o trabalho de campo necessário :)

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