A homenagem do vício à virtude

Rui Machete, reagindo hoje aos jornalistas que lhe recordavam a sua passagem pelo BPN e pelo BPP:

“Isso denota uma certa podridão dos hábitos políticos, porque deviam saber em que condições eu passei, em vez de darem notícias bombásticas”.

9 thoughts on “A homenagem do vício à virtude”

  1. nunca lhe cheirou a podre quando entrou no bpn e recuperou agora o olfato com a pergunta. não sabe de nada, não viu nada e todos deveriam saber como é que ele lá foi parar. hoje vi o tio balsas no empoçamento, daqui a um ano estaremos a ouvir a marilú na comissão de finanças a explicar a operação de indemnização dos depositantes bpp.

  2. ignatz, na tua opinião porque é que foram convidar à última da hora este velho mafioso do PSD/SLN, dando-lhe só 3 horas para “pensar”, quando o nome proposto por Passos ao Cavaco era o do embaixador em Washington, Nuno Brito? Porque é que o nome deste gajo foi chumbado? Foi o único nome da lista que foi chumbado, certamente por uma razão de muito peso.

    Nuno Brito, cuja mulher é o n.º 2 da embaixada portuguesa nos EUA, foi o menino que em tempos organizou aquele encontro dos Açores, onde se preparou a invasão do Iraque, com o Barroso a servir de criado de mesa. Nuno Brito também não deve ter sido estranho, recentemente, à ordem do Portas para proibir Morales de sobrevoar Portugal.

    Mas porque é que o nome do Brito terá sido chumbado, e por quem, para esta merda deste governo? Tens alguma teoria? Acho que é uma questão interessante.

  3. O Dr. Rui Machete ainda não viu nada, ele que fale com os futuros lideres que hoje militam na juventude social democratica para ter uma ideia do que é realmente a podridão – dos hábitos políticos e do resto.

  4. júlio! teoria nope, mas posso juntas umas pontas e especular. brito perto de portas e o chancellere perto do cavacoiso que aproveirou a birra para atafulhar a cota do psd no governo com cavacada e reforçar o controlo na brincadeira, da qual não sabe, não viu e já tinha avisado. segundo consta o brito é finório, desemerda-se bem, manda no ministério a partir de washington e controla a colocação dos colegas, portanto fica tudo na mesma e o machete a fazer de jarrão das necessidades. resumindo: mais um olheiro do possóilo.

  5. confesso, que não entendo as motivaçoes de rui machete para participar neste governo.viajar é bom,mas com estas companhias!

  6. Machete diz hoje num diário que, quando era responsável pela FLAD, manteve uma carteira de acções do BPN de valor avultado e que, alguns meses antes, de ter sido descoberta a “marosca” laranja no Banco, vendeu tudo com apreciável mais-valias. “Saímos a tempo” – diz ele!
    Se juntarmos o puzle, verificamos que foi sensivelmente na mesma altura que o reformado de Belém e a filha também realizaram mais-valias na ordem dos 100%. Ao que parece, houve uma “garganta funda” dentro do BPN que conhecia o inevitável desastre e foi avisando os maiores amigos. Claro que tudo isto se paga. Só que, no caso presente, quem paga são os portugueses e os amigos do PSD e de Cavaco sairam airosamente da situação. Mesmo aqueles que ainda foram apanhados com a boca na botija, agora é só esperar que os processos prescrevam, havendo amigos que estão a trabalhar nesse sentido!

  7. Fico muito sensibilizado com a candura da resposta do Dr. Machete. É de um homem, sensato e honesto, quero dizer honesto à maneira portuguesa. Pois que enquanto esteve à frente da FLAD, e segundo alguns telegramas dos Embaixadores dos USA, para o seu Governo, parece que o senhor algumas vezes não destrinçava bem os interesses da FLAD, dos seus, enquanto administrador. Mas isso são pequenas minudências sem qualquer interesse, para o Senhor. Mas o homem passou pela SLN/BPN? Julgava que não, uma vez que não consta do seu currículo oficial.

  8. Bem, uma coisa é certa: os americanos parece detestam Rui Machete. Aqui deixo alguns excertos, sem comentário. (Retirado de wikileaks (link no fim)):

    Em 1988 Cavaco Silva nomeou Rui Machete para presidente da FLAD. Segundo um anterior embaixador americano em Lisboa, o objectivo era «reforçar o controle do Governo de Portugal sobre a programação e o orçamento» da fundação e «blindar efectivamente a fundação a qualquer supervisão» norte-americana.

    «Em 1992 a nossa embaixada entrou directamente em contacto com Cavaco Silva procurando uma clarificação de relatos de que Rui Machete tinha oferecido contratos com a FLAD a companhias de que ele era parte interessada. Machete não admitiu a irregularidade mas terminou um contrato importante».

    Eis como o antigo embaixador Thomas Stephenson descreve Rui Machete, em texto que o próprio ilustra com o título «The Last Man Standing»:

    «Rui Machete, advogado e político que esteve no gabinete de 1983-85 [ou seja, no governo do Bloco Central] (como Ministro da Justiça e Vice-Primeiro Ministro) tem sido o presidente da FLAD desde 1988, tendo obtido esta nomeação como prémio de consolação por ter perdido o seu cargo ministerial, após a mudança de governo em 1985. Machete tem, desde sempre, sido um crítico dos EUA, tendo resistido à participação da embaixada [norte-americana na gestão da FLAD] em todas as ocasiões. Ele tem ligações aos dois maiores partidos políticos e é suspeito de conceder bolsas da FLAD para alimentar favores políticos e manter a sua sinecura. Machete tem-se desde sempre oposto a todos os esforços de supervisão independente, de implementação de práticas profissionais de contabilidade e de revisão transparente dos programas da FLAD. Desde o início dos anos 1990 quase todos os embaixadores têm, sem sucesso, instado Machete a cumprir os deveres que lhe foram confiados ou afastar-se.

    Em 1992, o embaixador Briggs reportou que “enquanto Machete estive lá, a FLAD terá apenas importância marginal para nós”. O overhead da FLAD era 60% da receita, deixando apenas 40% para os programas propriamente ditos. Hoje, […] a FLAD continua a gastar 46% do seu orçamento em overhead para os seus luxuosos escritórios decorados com obras de arte, quadro de pessoal sobre-dimensionado, frota de BMWs com motoristas e em “custos administrativos e de pessoal” que incluem, por vezes, despesas com roupa, empréstimos a funcionários com juro bonificado, e honorários a funcionários por participação nos seus próprios programas.

    O relatório Boris, resultado de uma avaliação independente feita, em 1993, nos EUA, fez notar que o Conselho Directivo foi excluido da planificação e era-lhe fornecida documentação insuficiente antes da sua reunião semi-anual. (Comentário: esta é uma táctica favorita de Machete, que ainda é usada no presente: documentos indispensáveis às deliberações do Conselho são distribuidos por Machete apenas alguns dias, ou mesmo horas, antes das reuniões para evitar discussões informadas que possam levar a decisões contrárias aos seus objectivos). O relatório Boris também sugeriu que a FLAD elabore objectivos de investimento e reestruture o seu portfólio para garantir a sua viabilidade a longo prazo; isto não foi feito.»

    Fonte:

    http://www.cablegatesearch.net/cable.php?id=08LISBON2780&q=machete%20rui

    (Missiva de embaixador americano em Lisboa, Thomas Stephenson, ao seu governo, em 2008, e que precedeu a susbtituição de Rui Machete por Maria de Lurdes Rodrigues à frente da FLAD).

  9. [Qualquer semelhança entre a graçola seguinte e a realidade é pura coincidência…]

    Consta que José Sócrates, após ter substituído o vitalício presidente da FLAD por Maria de Lurdes Rodrigues, telegrafou para Washington indicando que pretendia ser inoculado contra a maledicência política infecciosa. No entanto, a vacinação não terá corrido como ele desejava; logo no seguimento, Sócrates acaba acusado, no Correio do Laranjal e no Big “Boca Guedes” Show, de corrupção (no ex-caso Freeport), de má conduta académica (na fenecida Universidade Independente) e de asfixiar democraticamente Cavaco Silva (o ex-primeiro-ministro que em certo 3 de Julho, das ainda fumegantes cinzas do bloco central, fez renascer Rui Machete; decerto para se dedicar àquilo que só os mortos vivos da política o sabem fazer com generosa sobriedade: o vampirismo).

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