Um poema de Emanuel Félix

Poema de Natal

Quando Tu nasceste
que assombrosas e lindas e impossíveis coisas de acontecer aconteceram…

em Agosto ou Dezembro o certo é que nevou
e uma estrela se fez bordão de magos.

Até os anjos do céu sujaram as sandálias
nos currais de Belém.

Emanuel Félix

22 thoughts on “Um poema de Emanuel Félix”

  1. Belo poema do poeta perfeito. Nunca nada está a mais ou a menos. Divina proporção entre «cantar» e «reflectir» que todos os poetas de todo o mundo sentem como seu maior desafio. E que o terceirense resolveu de modo magistral. Boa ideia esta. Bom Natal para todos.

  2. Não é um problema de gosto; será antes não saber sequer qual a importância da poesia de Emanuel Félix. E saber que todo o poema é uma forma de oração pois liga dois mundos separados pela morte, pela distância ou pelo esquecimento.

  3. Cláudia, convenceu-me. Eu pensara trazer aqui, de vez em quando, alguns poetas açorianos. Comecei pelo Emanuel Félix, que já morreu porque não cuidou da sua diabetes. Um amigo acima de toda a suspeita, uma memória para mim sagrada. Não gostei de o ver assim amesquinhado. Não o trarei cá nunca mais nem qualquer outro, para que o que eu faço com boa intenção não se volte contra eles. Isto dói. Como diria o próprio Emanuel: “Hoje, quero da vida/ Que ela seja tranquila;/ Que seja uma dor e doa,/ Mas uma dor boa:/ Sem o sal que na ferida/ A torna mais dorida.”
    Procurarei não dar motivo a que alguém ponha sal nas feridas dos meus amigos. Sobretudo dos já mortos.

  4. daniel, tolice. se a cada vez que alguem nao gosta desistissemos de por aqui o que quer que fosse, nesta altura o aspirina estaria acabado. ninguem esta’ alem da critica, ainda por cima. seja ela fundamentada, justificada, preconceituosa ou displicente. essa uma das gracas da liberdade.
    mais, ao dizer isso esta’ a dizer que o “desgosto” da claudia e’ mais importante do que o gosto do jcf e meu…
    mais acertado seria dizer: “claudia, se assim e’, entao vou continuar a por aqui coisas do emanuel, ate’ haver uma de que gostes. ora toma.”

  5. Daniel, nas aulas de literatura, estudamos e analisamos o texto / poema em si ou a vida do autor?
    Seguindo a linha do Daniel, eu deveria gostar de Weyergans só porque ganhou o Goncourt e odiar Proust e O’Neill porque eram paneleiros.
    A literatura sentir-se-ia de tal injustiça, sofreria com visão tão redutora.
    E aconselho-o a continuar com os poemas açorianos porque, no meio desses todos, pode ser que haja um de que eu goste.

  6. Susana, o problema da Cláudia é não gostar das palavras. Como se o facto de o mosteiro da Batalha ser dedicado a Santa Maria das Vitórias ou comemorar uma batalha lhe retirasse valor monumental e artístico.
    Pôr o Emanuel Félix sujeito a exames destes? Ele que fez parte de uma antlogia na Irlanda dos Joyces e dos Shaws passando ignoto por Lisboa? Não, minha amiga, tolero tudo o que façam comigo ou digam de mim, mas já me tenho aborrecido muito por defender os amigos. Sem arrependimento.
    Para resumir a situação, nada melhor do que citar José Martins Garcia, iconoclasta inclemente do Pico, mas lúcido até aos limites da inconveniência. “…proferida por Pessoa a palavra «merda» torna-se genial. então «porra».”

  7. Gostei muito de conhecer este poema do Emanuel Félix. É cá dos nossos, do nosso lirismo, sem qualquer dúvida.

    Já quanto à opinião da claudia – e totalmente legítima que ela é, por tudo e mais alguma coisa, e seja qual o ponto de vista – tem razão a susana, como é óbvio. Como é óbvio, Daniel.

  8. Vivemos o esplendor do efémero das «opiniões». Toda a gente se arroga o direito de achar mesmo quando não anda à procura… Para mim é muito simples: uma opinião vale tanto como o peido dum cigano e não há coisa mais passageira do que o peido de alguém que está de passagem. Já o meu vizinho Agostinho da Silva dizia TANTO SE ME DÁ QUE CRITIQUEM OU QUE ELOGIEM, EU CONTINUO O MEU CAMINHO.

  9. Daniel, já que o pantufa hoje até arrulhava, não te preocupes com o Emanuel. Eu não o conhecia, há campos em que sou um ignorante néscio, e nem me importo, mas à conta da tua indignação com o comentário da cláudia, até já li o poema três vezes e fiquei a gostar mais no fim do que no princípio. Da idéia sempre gostei mas da respiração demorei a atinar e ainda dou um tropeção num sítio que não contava.

    Quanto à susana, aproveitemos todos ter aqui uma pitonisa.

    Aliás como ela dizia: se não me comes viv@, como-te mort@. ( o @ deve-se ao artº 13º da CRP)

    Vais ver que o Emanuel gostou da pantufada.

  10. Fiquemo-nos pela pacificação da Susana e do Valupi. Obrigado, meus caros JCF e Z. Não por mim, mas pelo Emanuel.
    (Nota: uma das coisas que me irritaram no comentário da Claúdia, para além do desrespeito que já condenei, foi ver naquela atitude o símbolo deste Portugal que esbanja para comprar uma colecção de arte contemporânea ou uma pintura de Tiepolo, e deixa cair de podres monumentos da nossa História. E nem vou para os muito grandes, sirva de exemplo a casa de Aristides de Sousa Mendes. Ah, e pede esmola para cuidar das crianças hospitalizadas.)

  11. PP – Ou esta coisa exemplar: há uns anos, na Feira do Livro de Frankfurt, a Maria João Pires tocou Beethoven, Schumann e Schönberg. Mais ou menos como se os Cossacos do Don viessem a Portugal dançar o Vira e o Malhão. Que lhes tenham perdoado Carlos Seixas, Viana da Mota, Tomás Borba e muitos outros…

  12. caríssimos,

    Só hoje entrei neste beco da comenta. Tarde para opinar nesta conversa que está mais que acabada, sem lesões nem algo de imperdoável que se aponte a um lado ou outro (se é que existem dois). Apenas mais um exercício de opiniões, passe o gosto de algumas ou de outras. O melhor das conversas.
    Mas o meu sentir açoriano ficou irrequieto. Tal como o meu sentir de homem das palavras, pese modestas. Por isso autorizei-me um recado directo. Daniel: “Somos herdeiros da maresia/que salga os olhos de olhar o mar /e temos rios de lava fria /que se recusam a desaguar”, palavras também do teu amigo finado. Quente, a lava destrói tudo na passagem. Acalma o vulcão, penteia os brancos, faz por serenar no peito a placa tectónica e prepara as próximas do nosso Félix. Não lhe dou mais duas sem que a Cláudia caia aos pés do teu particular gosto pelo poeta. Contrita, convertida e sequiosa de mais.

    Gosto do Natal cá na casa.

  13. Belo recado, RVN. Mas eu já disse que o meu ponto fraco é este, o de não desculpar faltas de respeito para com os meus amigos. De mim podem dizer o que quiserem, que não me verão nunca irritado ou “amuado”.

  14. Olá Daniel! Esta coisa do novo aspirina identificou-me de pronto. Por ter andado arredado perdi o exacto momento em que colocou dois poemas do Emanuel nesta página depois de tanto ter defendido que continuasse na blogosfera para o fazer. Tenho de lhe agradecer por não deixar cair o nome de um grande poeta, Homem e amigo.
    Deixe lá a Cláudia, que espero que o Five O’Clock Tear já tenha apascentado (o que hei-de ir conferir), porque afinal do Emanuel é um dos meus poemas preferidos. A moça já anda a merecer uma réplica assanhada há algum tempo, mas como tinha Unamuno entre os livros preferidos do seu perfil acabou por ser poupada.
    Os comentários da Cláudia, a sua verborreia que simultaneamente associa a Unamuno, prova que a moça “misreads” e eu próprio costumo dizer que sou licenciado em Misreading, pelo que… retórica religiosa por retórica religiosa… mais uma vez não nos fica mal perdoar-lhe!

  15. Para Emanuel Félix

    Quando tu nasceste,
    O mundo fez-se gala,luz e pompa
    E não houve garça alguma ou veado branco
    Que não corresse de brancura na verdura.

    Quando tu cresceste,
    Cresceu maior a luz,o fogo,o lume
    Das palavras que colhias na raiz dos dias
    Para as fazeres vertidas de sementes.

    Quando tu morreste,
    Houve o silêncio todo inteiro em ti
    E a tua voz no leito dos teus dedos,
    Pão da fome dos que temos sede.

    LIA

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