Previsões meteorológicas

Se tudo correr como previsto, no dia 6, um dos candidatos mais inexperientes de sempre iniciará negociações com uma das raposas mais manhosas da politica com vista a formar um governo que tentará lançar o país no PLEC (Processo de liberalização em curso) durante a crise mais grave das ultimas décadas, sob o olhar atento de uma UE cada vez mais impaciente, irascível  e em desagregação, e com a orientação de um presidente e respectiva corte aborrecidos com a vida palaciana e com vontade de meter a mão na massa, como nos velhos tempos. Terá os conselhos de uma multidão de assessores, barões, comentadores e jornalistas que se dedicaram em exclusivo a atacar um homem que entretanto já não estará lá, e que esperam preencher esse vazio vendo o seu esforço reconhecido pelo “Pedro”, que todos conhecem e cuja carreira todos acompanharam, e que não tardarão, a partir de dia 7, a degladiar-se entre si. A extrema-esquerda e os sindicatos, vendo os seus sonhos finalmente realizados com um governo de direita, tentarão lançar o caos através de greves e manifestações sem fim, de modo a sabotar a qualquer tentativa de recuperação e reformas na esperança que o “povo”, atirado para o sofrimento, finalmente “acorde” e lhes dê o poder nas ruas. É agora ou nunca.  Terão a ajuda de um sistema bancário a tentar evitar a implosão através de uma pressão imensa sobre os clientes dos créditos à habitação – de uma classe média a ver o seu estilo de vida a esfumar-se – com o beneplácito do Banco de Portugal, provocando uma onda inédita de falências pessoais e uma chuva de casas no mercado que rebenta finalmente com o mercado imobiliário, mesmo a tempo de serem compradas a baixo preço por empresários dedicados ao arrendamento. Mais nas sombras, mas não demasiado, estarão os interesses empresariais salivando pelas partes mais suculentas das privatizações (HPP, mmmm….) em boas condições, “porque o mercado está como está”, e sem muitas perguntas sobre investidores estrangeiros, sendo que o governo apenas tem de durar o suficiente para concretizar esses negócios. Depois, já cá cantam. Logo a  seguir, os jornais descobrirão que boas notícias não vendem, e que há que recuperar a “credibilidade” que os leitores esperam.

Vai estar sol e calor, com o aguaceiro ocasional, e o Crespo continua sem ir para Washington. O que é que pode correr mal?

7 thoughts on “Previsões meteorológicas”

  1. Depois vêm os do costume dizer: Não!Não! Eu cá não votei neles. Era o que faltava. Não vamos encontrar ninguém a dizer que pôs lá o voto. Pois não! Os votos apareceram por obra e graça do espírito santo. E depois lamentam-se: se eu soubesse que era assim! Então não sabiam? O Barroso não passou de 200000 desempregados (sem haver qualquer crise) para mais de 400000. Este, sim, é o maior aumento, em percentagem, de desemprego e não são maiores os de agora como andam para aí a dizer os papagios. Se eu adivinhasse! Então não era de prever! Não foi o Barroso que fugiu do país!
    Agora é que a direita está como quer:um presidente, um governo. Tudo isto com o benplácito dos esquerdalhos (pcp e be). Bonito serviço. Tenho a impressão que eles são uma espécie de MRPP, isto é, são de extrema direita mas atacam pela esquerda.

  2. Não tenho a certeza de que o PS não vai ganhar. A sondagem mais baixa para o Cavaco dava-lhe 57% e o homem acabou com 52%! Para o Parlamento Europeu, o PS ia claramente à frente nas sondagens e foi o que se viu.

    Mas, se não ganhar, será isso mesmo, Vega9000. Boa descrição/previsão.

    Já aqui o disse, mas repito-o: o país, cuja situação se degradou aceleradamente e irá degradar-se ainda mais por culpa deste bando de inergúmenos (que o diga a senhora Merkel), ficará rapidamente ingovernável com o PS na oposição, e obviamente, forçosamente, compreensivelmente não colaborante, e com o PC na rua (a menos que este descubra uma inesperada identificação com os valores neo-liberais, o que não é de excluir, tamanha a sanha contra o PS!).

    Um importante passo terá sido dado para a perda total de soberania e a destruição da imagem digna que Portugal estava finalmente a conquistar na Europa e neste mundo, graças ao orgulhoso empenho de Sócrates.

  3. Vega, essa de os jornais tentarem recuperar a credibilidade perdida…Eles não a perderam. Aliás nunca vão aceitar que andaram a mentir. O mentiroso e pai da mentira era Sócrates. Os patrões são os mesmos e o jornalismo não tem dinheiro para lhes pagar o resgate da alma hipotecada. O jornalismo cabou neste país e um pouco por todo o mundo. Virou comercio de noticias com mais ou menos valia. É duro reconhecer, mas é a verdade, desde que virou negócio. Liberdade de expressão? Sim senhor: a do patrão. Porque a outra, por enquanto, só na blogosfera…

  4. Excelente post, excelentes comentários. Segunda-feira há mais.
    Quanto a mim, já estou a recuperar os meus autocolantes dos anos 80, aqueles que dizem “Não tenho culpa, não votei AD!”

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