18 thoughts on “Argumentos eleitorais”

  1. para renegociar é preciso ter que dar qualquer coisa à retroca e esses gajos estão mais virados para o sol, bjekas e subsídios de desemprego. é só conversa e quando chegarmos aí, já estão na próxima, por muito que corras nunca os apanhas, o limite é o céu e não acreditam em deus.

  2. Já sei (ou melhor, já todos sabemos) que o socretinismo se caracteriza pelo vazio ideológico e que se limita a ser um tecnocracismo apoiado no mediatismo e na publicidade, e que, por isso, se antes a diferenciação ideológica era determinante na adesão das pessoas a um projecto político, agora no mundo socretino tudo se reduz à capacidade e ao poder dos especialistas da imagem (e das fotomontagens) em venderem determinado produto, como se tornou regra num mundo totalmente mercantilizado.
    Já sei (ou melhor, já todos sabemos) que as referências ideológicas e filosóficas dos marxistas estão em Marx, mas também em Marcuse, Althusser, Bloch, etc, assim como as referências dos liberais estão em Adam Smith, Locke, Hayek e companhia. Mas quais são as referências dos socretinos que se costumam designar como «socialistas» democráticos, umas vezes, ou da «esquerda» moderna, mais recentemente? Estas designações têm algum significado e correspondem a alguma substância ideológica, ou limitam-se a ser expressões vazias e apenas parte das tais campanhas publicitárias para enganar os consumidores de propaganda? É que a ideia com que se fica é que aquelas referências ou não existem, ou são ocultadas.
    Convém lembrar a socretinada que o socialismo (que não se reduz ao marxismo) tem uma história, e que nasceu como um movimento de oposição ao capitalismo, defendendo a transformação da sociedade e das suas relações económico-sociais. Se hoje não se vê nada disso nas propostas da socretinada, mas pelo contrário se assiste à adopção de políticas defendidas por qualquer neoliberal moderno, só se pode concluir que as suas referências filosóficas são outras que não aquelas que estiveram na sua origem. E que, na prática, os «socialistas» modernos não passam daquilo que estamos fartos de saber: que são uns aldrabões.
    Mas pode ser que eu esteja enganado, e que o Vega nos diga quem são os teóricos em quem o Pinto de Sousa e seus seguidores se fundamentam quando defendem o «socialismo» democrático e o Estado Social (cada vez mais debilitado por acção do mesmo Pinto de Sousa). Só para sabermos se não estão mortos, ou se não cheiram mal…

  3. ds, desculpa lá ser apenas o Marx. Constrangimentos de espaço.
    Os meus sentimentos pela tua perda. Agora tens mesmo de enterrar isso, e utilizar os teus consideráveis recursos intelectuais para pensares em ideologias novas, já que não vives sem elas, partindo de um princípio verdadeiramente revolucionário para um marxista: o reconhecimento de que o vosso modelo de sociedade foi, é e será um falhanço. Dado esse primeiro e difícil passo, garanto-te horas de estimulantes pensamentos e descobertas.
    Ou então podes continuar a insultar tudo e todos. A escolha é tua, e por mim estás perfeitamente à vontade.
    ___
    sinhã, não é botox, é calo dos vigorosos beijos das mulheres do povo.

  4. Mas Vega, pá, ajuda-me nessa «descoberta»: diz-me lá quem são os autores ou filósofos em que a «doutrina» social e económica socretina se baseia. Ou será que não sabes quem são? Diz-me lá em que é que consiste o dito «socialismo» democrático e quais as suas origens históricas? Ou também neste caso não sabes de que é que eu estou a falar? Ao não fundamentares as tuas posições, o que fica à mostra é seres mais um dos tais que é facilmente manipulado pela propaganda socretina. Que é que queres que te diga…?
    E se estás com constrangimentos de espaço porque é que perdeste tempo (e ocupaste espaço) com uma «resposta» vazia de qualquer esclarecimento ou conteúdo?

  5. ehehe. Ou seja, ds, o que me pedes é isto: “apresenta-me o teu Deus”. Se há uma coisa que acho piada é a essa dimensão religiosa do Comunismo, não conseguem imaginar a existência sem uma ideologia qualquer, devidamente fundamentada, explicada e hermética. Tendo em vista que eu sou ideologicamente ateu, baseando as minhas posições no livre pensamento, não tenho resposta para ti, vê lá a heresia. O que não quer dizer que não haja fundamentação para o que acredito, vê lá. Mas garanto-te que é uma construção puramente pessoal baseada em conhecimentos e leituras aqui e ali, de um autor ou outro dos quais fixo alguns conceitos que me parecem interessantes e relevantes, mas não os nomes (tenho péssima memória). Imagina só a manta de retalhos, comparada com a tua toalha do mais fino bordado. Adivinha qual é que resiste melhor ao uso? ;)

  6. Andas um «pouco» confundido, Vega…. A diferença entre a razão e a fé está no facto de a segunda não precisar de fundamentar nada para se afirmar. Basta crer. A religiosidade está do lado daqueles que acreditam porque… acreditam, apenas. Portanto, ao reconheceres que não sabes situar as tuas posições políticas no contexto da filosofia política ou da história das ideologias, mostras que aquilo que chamas de «livre pensamento» é mais «pensamento facilmente manipulado», imediatista e pouco reflexivo, um pensamento pouco dado à coerência, e um pensamento que desconhece as razões de ser o que é, e de defender o que defende.
    Não surpreende, portanto, que ser-se da «esquerda» moderna, seja um acto de fé irracional: se fosse um acto racional nunca se definiria como de «esquerda». Mais: o que a tua resposta revela é que apesar de tu te afirmares como um «ateu ideológico» (um niilista ideológico, diria eu), não se pode dizer que sejas descrente em idolos, nem que não pratiques o culto de uma qualquer divindade. É que apesar de não podemos dizer que sejas um socialista, comunista, liberal ou nacionalista, já podemos dizer que és um pinto de sousista, cavaquista, valentim lourista ou salazarista. E como se sabe, o culto da personalidade é o caminho mais fácil para se ser manipulado…

  7. Ando muito confundido, ds, é uma das qualidades de que me orgulho mais. Agora quanto à diferença entre fé e razão, concordo, e por isso é que te digo que os comunistas estão transformados em pessoas religiosas. A razão já demonstrou sobejamente que os sistemas comunistas falham, e falham redondamente. As pessoas de esquerda observaram, aprenderam, e retiraram dos escombros desse falhanço alguns bons conceitos, para os aplicar no sistema em vigor e assim fazê-lo mais justo. Os fanáticos, os que se recusam a aceitar que tenha falhado, ficam e inventam a sua própria realidade, criando uma visão mágica do mundo que só resiste no isolamento, de onde realmente todas as outras pessoas e conceitos lhes parecem hostis. Não é o meu mundo, lamento, e se isso significar que não me consegues colar um “ista” qualquer, tanto melhor. Antes ser facilmente manipulado do que ser imutável na estupidez.

  8. Não, Vega, tu não és imune aos «ismos»: como eu disse, podes não ser nem socialista, nem liberal, mas não consegues escapar ao niilismo nem ao Pinto de Sousismo. OK… Não é bem assim: a partir de segunda-feira passas a ser só niilista, e ficas à espera que apareça um novo caudilho semelhante ao Pinto…

  9. Ora bem, mas vai aparecer. Essa é a beleza da democracia, não é? Acaba-se um, forma-se outro, se calhar com outro tipo de propostas, ideias novas, outro estilo, tudo construído em cima do falhanço dos seus antecessores. É isso que eu acho que os que buscam a sociedade perfeita não entendem: não há perfeição, as tensões e injustiças não são algo que se consiga nem se deva eliminar porque fazem parte do sistema. Sistema esse que funciona em torno da busca constante da perfeição que resulta inevitavelmente em falhanço. By design. Mas ao longo do tempo, de falhanço em falhanço, a sociedade evolui, por isso é que as democracias modernas são construídas para integrar o falhanço, as mudanças de direcção, os imprevistos, as novas ideias, enquanto que as construídas em torno de uma grande teoria se extinguem porque não conseguem lidar com este tipo de tensões, não integram o mais importante factor das sociedades humanas: a imperfeição. É isso que os comunistas não entendem, por isso recusam aceitar o facto que salta à vista de todos: o vosso modelo falhou espectacularmente, e mesmo assim continuam agarrados a ele em vez de construir a partir daí. Tanta inteligência, tanta cultura, e não saem do mesmo sítio.Go figure.

  10. Vê-se bem que desconheces o que é o marxismo. A teoria de Marx é designada por materialismo histórico, e só esta expressão já diz muito àcerca daquilo em que consiste. Não consiste num idealismo, como tu dás a entender, até porque Marx criticou o chamado socialismo utópico por este consistir em ideais desligados das condições materiais (isto é, sócio-económicas). E não consiste em algo estático, pois remete para a evolução histórica da sociedade, que é, segundo Marx, um resultado da luta de classes (da luta entre interesses antagónicos – e até os liberais «reconhecem», inconscientemente, isso ou não fosse a lei da oferta e da procura uma «luta» entre interesses antagónicos, entre quem oferece e procura trabalho).
    Há uma frase famosa de Marx que diz o seguinte: «Não é a consciência que determina a existência, é a existência social que determina a consciência». O que isto quer dizer, entre outras coisas, é que são as relações sociais que determinam o que se pensa, a visão do que é o mundo, do que é o homem, etc, e não o contrário. Por isso é que as ideologias vão mudando: porque o mundo muda. As primeiras são um reflexo do segundo.
    Só que quando tu afirmas que a beleza da democracia está no aparecimento de ideias novas, padeces daquilo a que Marx chamou de alienação ideológica. E porquê? Porque, como eu já disse em vários posts, a existência económica e social actuais não produzem nada de novo, a não ser formas de propaganda diferentes. No que diz respeito a ideias, o que os socretinos designam como esquerda «moderna», não passa da assimilação de ideias velhas, ideias liberais com 300 anos, e que a propaganda faz passar como sendo caracteristicas da esquerda, da «nova» «esquerda». As ideias apresentadas como «novas» são as mesmas ideias de sempre produzidas pelo mundo material que existe desde que há capitalismo. É por isso, que o que os neoliberais Hayeks, Mises ou Friedmans dizem, em pouco ou nada se distingue daquilo que velhos liberais como o Locke e o Adam Smith já tinham dito. A propaganda é que leva à crença que estamos perante algo novo, ou modernaço, como diz o vendedor da banha da cobra…

  11. Não é a consciência que determina a existência, é a existência social que determina a consciência

    Ele disse isso? É um disparate tão grande como essa da “luta de classes” e “interesses antagónicos”. Diz-me lá, para simplificar: a lebre e o lobo têm interesses antagónicos, ou fazem parte de um sistema maior onde necessitam um do outro? O que é que acontece à lebre se o lobo desaparece?

    Chiça, não admira que falhem.

  12. oh ds ! não podes zipar o lençol ? dás-me cabo do scroll. umas férias no barreiro ou na marinha grande faziam-te bem.

  13. Vega, já te disse isso há uns tempos atrás: o homem, aquilo que entendemos que é o homem, não existe fora do mundo social ou da existência social. Dizer o contrário é adoptar uma visão platónica ou idealista, que define e caracteriza as coisas como independentes da existência e das condições concretas desta. Fora da sociedade somos meros animais, primatas, e não homens. Nem sequer somos animais racionais, pois a racionalidade não aparece do nada: os platónicos é que consideram que há dois mundos, o mundo das ideias e das coisas. Não digas tu disparates!
    E claro que a lebre e o lobo têm «interesses» antagónicos, mas também necessitam um do outro: os dois «querem» sobreviver (um mesmo «interesse»), mas essa luta pela sobrevivência leva a que um seja o predador do outro («interesses» diferentes e que se opôem, portanto). Tal como num mundo caracterizado pela luta de classes: o capitalista precisa do trabalhador para acumular lucros, e o trabalhador precisa do capitalista para ganhar para comer e viver. Só que esta necessidade mútua não tem nada de natural, como pareces querer dizer. È uma necessidade própria do sistema capitalista, de um sistema com um história criado pelos homens nas suas relações socio-económicas.
    A tua visão das coisas sofre de um dualismo platónico-biologicista: por um lado o pensamento seria independente do mundo, e por outro reduzes os homens à mera animalidade.

  14. Já agora, Vega, sabes que o Damásio escreveu um livro com o título «O erro de Descartes», não sabes? Sabes qual é a tese dele? Disse ele que o erro de Descartes, expressa no princípio «penso, logo existo», reside no facto de Descartes dividir o homem em dois, sendo constituido por duas substâncias: o pensamento e a extensão. Tal como em Platão haveria dois mundos (neste caso 2 substâncias): um material e um outro constituido pelo pensamento. Assim, o erro de Descartes (e de todos os idealistas) estaria no facto deste ver o pensamento e as emoções como desligados e independentes um do outro. È verdade que Damásio fez uma interpretação de Descartes muito psicologista e escapou-lhe o essencial, nomeadamente as consequências ao nivel da filosofia do conhecimento. Mas o que é preciso notar é que Damásio diz que não há razão sem emoções. Ou seja, o que o Damásio defende é exactamente a tese marxista, aplicada ao campo da psicologia e neurologia: a consciência, a razão, não surge do nada, mas é determinada pela existência feita também e primeiramente de emoções. Disparates, disseste tu?!

  15. Mas quem é que disse que os vejo separados? Sim, o disparate está na separação entre consciência e existência, como se apenas uma influenciasse a outra, e não o seu oposto. Ou seja, como se não houvesse consciência para além da existência social, e se essa existência social não dependesse também da consciência, do instinto. Disparates, digo eu.
    E não reduzo os homens à mera animalidade. Integro-a como parte da razão, porque são inseparáveis. Por isso é que te digo, e repito, que qualquer teoria que não tenha em linha de conta esse lado e se fie apenas na razão está destinada ao falhanço. A perfeição é o domínio das religiões, precisamente por ser inalcançável.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.