Vale a pena continuar a anotar o que acontece ao Pacheco

Pacheco Pereira está em alta. Conseguiu revitalizar a sua imagem de polemista através de um triplo estratagema: primeiro, estigmatizou a comunicação social no seu conjunto; segundo, criou uma classificação lúdica e provocadora; terceiro, explora vilmente o ritmo e perversão da campanha contra Sócrates. A lógica é a da política-espectáculo, o ganho mede-se em notoriedade para o artista. Pacheco investe em si, na sua marca, sabendo muito bem que esse é o único lugar onde quer estar. No campeonato particular com Marcelo Rebelo de Sousa e Vasco Pulido Valente, leva destacada vantagem.

Quais ideias reformadoras quais quê, ninguém lhas conhece. Qual projecto político e qual futuro do País, deixa-te disso ó pá. Quer ele lá saber da Manela para alguma coisa, era só o que mais faltava. Os chefes vêm e vão, esta lapa fica e fica. Aliás, gorada a possibilidade de fazer da senhora alguma coisa com pés e cabeça à frente do partido, Pacheco já só trabalha para garantir um poiso em Bruxelas, no bem-bom. A reforma quer-se dourada, platinada, e a vida de eurodeputado tem encantos irresistíveis para quem não suporta a choldra nacional.

O Índice do Situacionismo funciona através de um sofisma primário: sendo inevitável o acompanhamento da actualidade e a reciclagem dos conteúdos noticiosos, Pacheco infecta essa mudança com o vírus da conivência. Se algum órgão de comunicação social não corresponder ao farisaico critério que só se encontra definido na sua carola, passa a ser denunciado com factos: capas, títulos, textos, fotos, alinhamentos, minutos, segundos. Ninguém pode escapar. Ou melhor, só o Avante, no saudoso ódio contra Sá Carneiro, estaria conforme ao zelo com que chicoteia a deontologia e honestidade intelectual alheias. A inevitável ambiguidade do real, mediado segundo as idiossincrasias individuais e de grupo, é a matéria do labéu. Não contas a história à minha maneira? Então, não prestas, és filho da puta e estás feito com eles, com a situação.

Esta manha de vendedor de atoalhados funciona, porque é tóxica, terrorista. Mas o antídoto tem de ser encontrado no veneno. O que alimenta o demónio do Pacheco não é o amor à cidade, a qual está cheia de gentalha com quem ele não quer perder uma caloria. O que diz dos blogues é o exacto espelho do que pensa da comunidade, onde 99% dos seus concidadãos são do piorio. Naaa. O que faz correr o Pacheco é o pavor da responsabilidade. Por isso há muito que ele desistiu de vir a chefiar o PSD, quanto mais a governar o rectângulo. Quão melhor não é ficar na plateia, ou no camarote, mandando bocas, pateando, aplaudindo por capricho e vingança. E depois adormecer alucinando-se com a missão cumprida.

Enquanto Sócrates vai para a frente do exército, dando o coiro ao manifesto, Pacheco barafusta e agita as perninhas de longe, ao largo. Ninguém o pode atingir. Afinal, ele não assume qualquer responsabilidade pela situação.

46 thoughts on “Vale a pena continuar a anotar o que acontece ao Pacheco”

  1. O mais situacionista de todos os jornais é o JL, que não deu uma única palavra em relação ao caso fripór. Nem o Jornal de Notícias foi tão longe.

  2. «.Não se lhe conhece uma ideia política, filosófica ou artística, nem isso parece fazer falta para o cumprimento das suas funções» Valupi sobre PSP

    «Quais ideias reformadoras quais quê, ninguém lhas conhece. Qual projecto político e qual futuro do País, deixa-te disso ó pá» Valupi sobre JPP

    Tão diferentes, tão iguais…

  3. O Pacheco Pereira posta no blog quase de hora a hora… o resto do tempo deve ser para pesquisar, ler jornais e preparar os posts… mas este intelectualóide não fará mais nada na vida? Como que é que se sustenta, alguém lhe conhece outra actividade profissional?
    É que maldizer o trabalho dos outros sem apresentar propostas nem ter coragem de encabeçar projectos é um grande sinal de cobardia, mas também de grande inteligência em se saber tornar um grande parasita social!

  4. “Como que é que se sustenta, alguém lhe conhece outra actividade profissional?”

    A Ana acaba de fazer uma das poucas insinuações que são descabidas em relação a JPP.
    Então você não sabe que o homem escreve para os jornais e para as revistas, participa num programa de TV e num outro de rádio, que faz palestras a torto e a direito, que escreve livros que vendem como pãezinhos quentes? Tomara sabermos de muita outra gente como se sustenta, da mesma maneira que sabemos de JPP.
    É que o problema é mesmo o sustento dele ser este de dizer coisas.

  5. Concordo com tudo o que dizes, primo, tirando os dois últimos parágrafos. O PP está muito longe de estar apenas na plateia. Ou se está, esta é uma peça interactiva.

  6. olha o regresso do Sampaio, ainda bem que o homem está bem. É um homem inteligente no meio desta embrulhada toda.

    PS: pf, veja lá se deixa de apoiar as touradas que me dá uma coisa,

  7. Ao Pacheco Pereira aplica-se, penso eu, como uma luva a fórmula “sou do contra logo existo”. Ele sim, é um grande especialista em marketing ou então está muito bem assessorado. Já agora sabem quando é que ele começou a assinar os escritos na qualidade de historiador? Quem lha deu? A biografia do Cunhal? Penso que não foi por aí.

  8. Bom texto Valupi,

    Isto não é so sobre o JPP mas sobre uma praga nacional antiga : o intelectual de café. E atenção que ha um intelectual de café escondido dentro de cada português…

  9. Primo, em nome do sindicato dos comentadores, peço-te que expliques melhor o que queres dizer. É que o binómio palco-plateia corresponde à relação política-comentário. Por aí, há muito que o Pacheco deixou de contar para soluções partidárias e governativas. E o seu desejo de voltar ao Parlamento Europeu é a prova disso mesmo, se alguma fizesse falta.

    Quanto à sua actividade de investigador, todo o mérito, obviamente.

  10. Quase todos os grandes intelectuais portugueses do século XX foram “intelectuais de café”, caro João Viegas, incluindo Fernando Pessoa, Sá Carneiro, Almada Negreiros. Essa observação sua é muito surpreendente, mais ainda no modo como a formula, em linguagem policial, se não pior.

    O café, a “mesa de café”, o “intelectual de café”, os “políticos de café” são tradicionalmente vilipendiados pelas ditaduras, pela Igreja, pelos comunistas, pelos fascistas e por outros fanáticos. O café é (já foi mais!) um espaço de liberdade, de convivialidade, de crítica, de debate, de conspiração, por isso as entidades acima referidas o descreveram sempre como um centro de ociosidade, má língua, irresponsabilidade e perdição. Boa parte da literatura portuguesa do séc XX nasceu em cafés. Quando a censura bloqueava a informação e proibia o debate político, era nos cafés que se sabiam as notícias e se criticava a política do governo. Salazar, Caetano e o jornal Avante sempre fizeram referências pejorativas aos “cafés”, descritos como antros do reviralho ou da pequena burguesia. Porque os cafés eram espaços de liberdade.

    O Pacheco já foi um intelectual de café, mas há trinta ou quarenta anos deixou de o ser. Pior para ele. O Abrupto não é um café, como o Aspirina, é um púlpito de onde tenta enfiar “opinião” na cabeça dos seus débeis fiéis. O Abrupto é uma oficina onde se fabrica uma mercadoria avariada. Pacheco é um pregador, um vendedor de lona, um spin doctor, o que se quiser. Intelectual de café, não!

  11. Primo: é essa divisão entre política e comentário político que não me entra na cabeça (se calhar o problema é meu). Comentar política é fazer política e não me parece que se possa subalternizar a primeira actividade em relação à segunda e ainda menos pretender que a segunda legitima a primeira. É a sua razão de ser, «só» isso.

    Nik: concordo totalmente contigo.

  12. Sim, comentar política é fazer política. Mas, nessa lógica, não comentar política será também fazer política. Por aí, política é toda e qualquer actividade que se relacione com a “polis”, mesmo que negativamente ou de forma “neutra”. Porém, fazer política, no sentido da sua execução nas instituições, será sempre de uma ordem diferente, superior e primeira, por contraposição com a opinião.

    E não sei como consegues equivaler as duas dimensões, primo. Então não é precisamente por causa da responsabilidade das funções governativas que o comentário adquire a sua relevância? O que não pode acontecer é atribuir valor igual ao juízo do opinador e ao do governante, pela brutal razão de tal levar à dissolução de qualquer regime político.

    O poder quer-se sempre vertical, mesmo nas democracias. E para nosso bem.

  13. Nik,

    Peço desculpa, mas não vejo onde ha linguagem policial no meu comentario (a menos que queiras dizer que o apelo à responsabilidade e ao rigor é uma linguagem policial).

    Não tenho nada contra os cafés, e também não tenho nada contra os intelectuais, mas tenho uma opinião muito negativa acerca da propensão que muitos “intelectuais” portugueses (*) têm para vaticinarem de forma gratuita sem se preocuparem minimamente com exigências de rigor (e nomeadamente com o rigor exigido pela acção, politica ou outra). E isto que entendo quando falo em “intelectuais de café” mas, se achares uma expressão mais propria e menos ofensiva para os cafés, também serve. Em todo o caso, trata-se da postura muito bem descrita pelo Valupi na figura de JPP (outros exemplos poderiam citar-se, a começar pelos mencionados no texto, e também os ha à esquerda, infelizmente) : mandar bocas sem qualquer responsabilidade, emitir juizos politicos arrogantes a torto e a direito mas fugir logo que se trata de exercer a minima responsabilidade.

    Acho que estas a confundir a critica aos “intelectuais de café” (pseudo-intelectuais se preferires) e o anti-intelectualismo, que é uma coisa muito diferente. A critica ao “intelectual de café” critica-o precisamente por ele não ter o rigor (moral e intelectual) de levar as suas ideias até ao fim, de pesar as suas consequências, de as confrontar com a realidade. Nesse sentido, o intelectual “de café” acaba por ser o pior inimigo do intelectual propriamente dito, ou seja daquele que acredita sinceramente que a analise racional das coisas permite de facto avançar para melhor.

    E isto não quer dizer que a discussão em amena cavaqueira – seja no café ou noutro lugar como num blogue – não tenha méritos. Apenas significa que, em meu entender, esse tipo de especulações so tem utilidade na medida em que passa, numa segunda fase, para uma forma de realização.

    Não sei se a maior parte dos intelectuais portugueses do século XX foram intelectuais “de café”. Sei apenas que os intelectuais que respeito e admiro (e são muitos) mereceram a minha consideração porque não permaneceram “no café”.

    Ah, e não quero enforcar ninguém, nem o JPP, nem as pessoas que discutem nos cafés…

    (*) : E não estão em causa nem o Almada Negreiro, nem o Sa Carneiro nem o Fernando Pessoa que, tanto quanto sei, pretendiam essencialmente fazer arte e poesia e que, de resto, não ficaram na Historia em razão da pertinência das suas posições politicas…

  14. Não me fiz entender, primo (mea culpa). O que ponho em causa é invocares o facto do PP não ter um cargo político como sinal de irresponsabilidade nas opiniões que emite. Mais: dizes que é apenas por causa disso que ele se atreve a escrever o que escreve (pura psicologia). Ora, acho que isto não retira, per se, qualquer legitimidade às suas opiniões que deverão ser julgadas por elas no seu conjunto através de critérios como a coerência, pertinência, gravitas, etc (e aí, de facto, a avaliação é para mim profusamente negativa).

    É óbvio que o juízo do governante é mais responsável do que o opinador. Mas isso não equivale a dizer que o primeiro é irresponsável.

  15. Compreendo-te, primo, e concordo: um juízo vale por si mesmo, o rei ao ir nu arrisca-se a ouvir a boca. Mas tu fizeste uma indução e estacionaste na abstracção. Caso me concedas o benefício da dúvida, aceitarás que o contexto é relativo à sua campanha do situacionismo (ou similares). Os outros parágrafos que antecedem os da discórdia circunscrevem o âmbito da questão.

    No fundo, estou na tal conversa de café, aqui glosada, à procura de uma explicação para este desconcertante facto: o Pacheco é uma das figuras com maior poder mediático, logo de alcance e influência, e usa esse poder de forma disfuncional para os interesses comunitários (tal como eu os entendo, devia ir sem ser preciso explicar). O modo como se relacionou com o fenómeno de Sócrates (o qual tem sido culturalmente disruptor, também daí a agitação provocada) é confrangedor, patético, nefando. Nada se aproveita da sua bílis diariamente derramada na praça pública.

    Também considero, na linha do que disse o joão viegas, que há uma desejável (ou necessária…) correspondência entre a crítica do governante e a disponibilidade para governar, sob pena de se perder a caução política de base: a de que alguém deve exercer o poder, definindo-se a tipologia dos regimes pelas formas como se delega, ou institui, esse exercício.

  16. Não ataquem o homem, tadinho! O PP, quando o programa impõe e as baterias não estão fracas, também toma posições politicas muito giras e louváveis, mas pouco lembradas quando a única coisa que interessa na praça dos mexericos democráticos é demonstrar que o fulano é um “irresponsável e lingua venenosa”. Como, por exemplo, quando lá no seu blogue de artes e outras macaquices menos plásticas andou a lamber o grande cu dos sionistas quando estes perpetravam crimes infames contra o povo da palestina há umas semanas atrás. E não foram socialistas que se juntaram a PSDistas numa taberna da cidade para desvincularem Gaza de Lisboa, conforme convinha ao judeu?

    Saldo do dia, à hora de fecho, portanto: muito trombone político bem puxado à volta dum filhoputschista em construção – outra das acusações que também já foram feitas a esse lesma. “Lesma”, evidentemente, não é acusação, resulta tão-somente duma comparação científica da sua cara com umas gravuras de gastrópodes hirsutos que fui encontrar num livro muito velho que ainda não chegou às mãos do jcf.

  17. Caro João Viegas, “intelectual de café” é uma expressão depreciativa bastante vulgarizada, mas como aqui somos todos mais ou menos pessoas com capacidade crítica, talvez devêssemos reflectir sobre ela antes de a usarmos. As conotações que essa e outras expressões têm não me agradam nada. Serei especialmente sensível a isso? Talvez. Sempre fui um amante de cafés, do seu ambiente, das suas mesas de mármore, do barulho circundante que, a mim, me isola do resto e me permite ler e escrever em perfeita concentração. Adoro conversas de café, intrigas de café, política de café, tagarelice de café. E encontro sempre gente que de outro modo dificilmente encontraria, com o risco de tropeçar em alguns chatos profissionais, é certo.

    Na frase que mais chocou, dizes inquisitorialmente que há um “intelectual de café escondido dentro de cada português”. Isso é horrível, para não me alongar. Pensa lá melhor isso.

    Como sabes, a polícia desde Pina Manique sempre se interessou muito por cafés, esses antros de intelectuais e artistas “ociosos” e “irresponsáveis”. Tal acontecia não só em Portugal como por toda essa Europa tagarelamente cafezeira. O inimigo de estimação dos predadores pidescos era o “intelectual de café” que, à mesa da Brasileira do Chiado ou do Rossio (ou nos correspondentes belos cafés do Porto, Braga, Coimbra, etc), lançava “boatos” desestabilizadores do regime, analisava “irresponsavelmente” as sábias medidas dos governantes, fazia e desfazia governos e passava informações “clandestinas”. Num horroroso filme de propaganda política do Estado Novo intitulado “A Revolução de Maio”, de António Lopes Ribeiro, com argumento dele e de António Ferro, lá está um bófia da PVDE num café, a fingir que dorme numa mesa, enquanto ouve conversas de “conspiradores” na mesa ao lado. Que eu saiba, é a única representação de um agente da bufa política em 40 anos de cinema sob o Estado Novo. Cenário: um café! Na última Conversa em Família na televisão, Marcelo Caetano alertava para o perigo de se dar ouvidos às “intrigas de mesa de café”, pois o regime estava de pedra cal – como aliás se viu.

    O intelectual de café era (é) um ser sociável, que se mistura(va) despretensiosamente com outros seres acessíveis, todos expostos à observação de quem passa. Um fulano como o Pacheco, se hoje fosse visto num café, corria o risco de ser incomodado por um fan vulgar ou um crítico desinibido sentado na mesa do lado. Que grande seca! Depois, que faria Pacheco num café? Perguntar-se-ia: não tem casa? Não tem mulher? Precisa (que humilhação!) de ir ao café? Tendo que debater com alguém um negócio escuro ou uma campanha de “sensibilização” da opinião, é claro que o opinion maker Pacheco já não vai a cafés, marca um almoço num restaurante anafado e discreto, onde há menos risco de ser observado por gente suspeita.

  18. Francisco da Costa (mais um primo), bem apanhado. E como eles, cínicos marretas, há muito por onde escolher.
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    Nik, excelente comentário.
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    Primo, mas foi ele que se quis afastar, por razões que devem mais ao nojo do que à falta de oportunidades. Ele é um elitista retinto, também nisso se desenhando conforme a um certo folclore de “gajo do Porto” muito cheio de si, narcísico, resistindo galhardo no meio dos lisboetas, ou contra eles, ou apesar deles – linhagem que tem no Pinto da Costa (outro primo) um espectacular exemplar.

  19. Caro Nik,

    OK, OK, esqueçamos o café, que não tem nada a ver com o que eu pretendia criticar, como espero que tenha ficado claro no meu comentario. Digamos então que queria apenas estigmatizar a preguiça intelectual de quem gosta de encher a boca com palavras, mas recusa qualquer compromisso com a realidade.

    E quando disse que temos todos tendência (em Portugal) para cair nessa facilidade, apenas queria alertar para o facto de ser necessario aguçarmos o nosso sentido critico no sentido de o confrontar com a realidade. Fico mais optimista quando leio textos como o do Valupi…

    E gosto muito de café (e de cafés)…

  20. É uma questão toponímica. Vou ilustrar de onde vem o “da Costa”.
    Havia os Manéis da Planície e os Manéis da Costa. Para haver distinção, ficaram com as magníficas alcunhas, como eu diria o Zé da Mercearia, a Maria da Retrete ou o João do Poço.

  21. Só eu tenho o rodrigues para além do “da Costa”. Agora o “da” está lá e não há nenhuma vergonha nisso. Para quê mastigá-lo?
    E sou muito mais plebeu que o Pacheco Pereira ou o faustoso Manuel Alegre. Pelo menos não vou à caça nem leio poesia francesa. Só traduzida.

  22. Cláudia, a explicação para os “da” está certa e tem lógica, mas não resisto a uma graça.
    O meu avô materno, serrano dos quatro costados, e para mim serra há só uma, a da Estrela, era “da Costa”, apesar de ter também um Sena, que eu herdei, que pode indicar origens mais longínquas.
    A minha avó materna era “da Rocha” e foi nada e criada nas areias de Quiaios.

    (e parece-me que acabámos por cair em conversa de café… vai uma bica?)

  23. Também gosto muito de café, e de cafés, e só confio em intelectuais cafezados os outros cheiram-me a plástico.

    Teresa: não te preocupes que está certo, a areia é uma rocha embora não pareça, não é uma rocha consolidada, mas é uma rocha mesmo assim porque define-se tal como uma mistura típica de minerais,

  24. Valupi, és testemunha que relinchei e espinoteei o mais que pude aqui no Aspirina, mesmo não sendo economista, e já agora também previ, por escrito, a dita, em 2003, mas isso não interessa muito porque falhei ou seja: eu só antecipei para que se pudesse contrariar, opondo o esquema da atenuação ao da amplificação, mas não me ligaram, antes quiseram assim.

  25. Z eu sei que a areia são rochas mas não estou a ver chamar a um tipo da praia o Manel da Rocha…

    Queres uma história daquelas que tu gostas? O meu pai era o mais velho de 6 irmãos e tinha 15 anos de diferença do mais novo. Todos eles foram para ciências, mas já o meu pai tinha acabado o curso quando o mais novo foi para o liceu. Apesar disso tiveram todos o mesmo professor de física, o Silva Pereira, que ensinava que a diferença entre sólidos e liquidos era que o líquidos tomavam a forma do vasilhame e os sólidos não. Todos os meus tios, que já lhe conheciam o fraco pelo meu pai, lhe fizeram a mesma pergunta – e a areia? Todas as vezes ele saltou.
    A graça é que a Francisca, a minha filha, mais de 50 anos depois e sem nunca ter ouvido esta história, fez exactamente a mesma pergunta depois de ter ouvido a mesma definição.

    Bem, e já que estou a “caseirar” as sérias caixas de comentários do Aspirina, hoje fica aqui.
    Arroz de frango com carqueja.

  26. Teresa, podes ter a certeza de que as caixas de comentários ficam muito mais confortáveis, e apetitosas, quando apareces para caseirar… Essas histórias de família são de ouvir pela noite fora.

  27. eu não queria estragar o remate da kpk mas é para dizer que subscrevo, vem-me um cheiro a serra e fico logo a lamber-me por um queijo,

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