Uma luz ao princípio do túnel

Ainda bem que Domingos foi libertado agora em Fevereiro de forma a poder preparar a próxima época no Porto com todo o tempo necessário e a paz de espírito que merece. Por lá ficará muitos e bons anos, não traindo a casa pelo vil metal e vanglória megalomaníaca como fez Villas-Boas.

Quanto ao Sporting, e enquanto não chegar um treinador inglês, qualquer um e de preferência um bêbado, o maior desafio é o túnel. O túnel da polémica, o túnel da infâmia e o túnel da decadência do sportinguismo. Recordemos:

– Alguma besta decidiu entregar a decoração do túnel por onde a equipa visitante entra no relvado a uns taralhoucos que cobriram as paredes com imagens de membros da claque em poses e cenas agressivas.

– Várias bestas acharam bem e aprovaram aquilo, as bestas.

– O Público deu a bestial notícia no princípio de Janeiro.

– Algumas bestas proibiram a entrada de jornalistas do Público no estádio para a cobertura do Sporting-Porto e do Sporting-Nacional como retaliação.

– Alguma besta, semanas depois, decidiu substituir a decoração por outra com flores e borboletas, um exacto simétrico semiótico da acusação de apelo à violência e, portanto, cobarde e involuntária assunção de culpa.

Este episódio revela que a Direcção do clube é constituída por alimárias que ignoram por completo o que seja a mística de um clube, quanto mais a mística do Sporting. Em vez de celebrarem as lendas e feitos de uma história centenária, de José Alvalade a Amado de Freitas, de Joaquim Agostinho a Carlos Lopes, de Futre ao Ronaldo, dos Cinco Violinos a Moniz Pereira, enaltecendo o ecletismo e os valores desportivos por excelência que fazem a grandiosidade do clube enquanto objecto de afecto e sentimento, colocaram-se como cúmplices activos de um fenómeno adolescente e potencialmente psicopatólogico. Grotesco.

A mística, como melhor do que ninguém sabe Pinto da Costa, existe e tem consequências. É uma das formas, a par da oferta de férias no Brasil a árbitros mais andarilhos, de conseguir influenciar a sorte. Isto porque não somos apenas racionais, e a sorte é esse sincretismo de factores em que as dimensões irracionais se alinham com as racionais. É o que pode decidir um jogo no último minuto, aquele tal golpe de sorte, aquela ida maluca do guarda-redes à baliza contrária, aquele pontapé do meio da rua.

Sem sorte não há campeões, não há heróis. Algo que se sabe desde os mais antigos gregos, os quais também passavam por túneis para se iniciarem na mística. Para terem a sorte de ganharem a melhor das vidas.

19 thoughts on “Uma luz ao princípio do túnel”

  1. Bem, uma coisa é certa: o Paciência ultrapassou todos os Objectivos … Imagino ser este o pensamento do Sr. do Norte!!

    Mas parece-me que esta direcção tb me parece uma coisa …assim …de encomenda … Uma espécie de Profissionais de outro clube qq etc …

  2. Está tudo muito bem, mas sugiro que ao elenco referido de lendas e velhas glórias se acrescente então (por causa da mística): 1. Um treinador inglês, de preferência bêbado; 2. Um árbitro como o outro que foi equipado com o fatinho oficial na viagem turística do Sporting à China.

  3. desliguem a luz e a ventilação, metam lá dentro os médicos, os fadistas e os carpinteiros e mandem acimentar as saídas do túnel.

  4. Isto é dar mais tiros no pé. Compraram os passes de 19 jogadores com dinheiro emprestado e venderam ilusões mas para jogar para o 5º lugar basta ter a prata da casa. Mas a prata da casa não dá comissões a agentes de argentinos, uruguaios, chilenos e holandeses. Esse é que é essa.

  5. É o país e o Sporting, espelho um do outro.

    Esta é a prova que o país não é nada sem o Sporting e vice-versa.

  6. Boa tarde Val,
    Espero que o Sá Pinto leia o teu blogue e que mostre que os tem no sítio mudando já a decoração do túnel.
    Se o fizer temos homem, até quando?
    Não sei.
    Mas duvido que dure até finais de 2013…mas já não aposto ( ganho sempre :)
    Abraço

  7. “É verdade que tenho muita sorte de cada vez que treino muito” dizia Severiano Ballesteros. Ele sabia que toda a criação,e também a desportiva, reclama uma atitude poética que prescinda da mitológica crença na inspiração, como único “túnel” para favorecer o aparecimento de acasos. Mas, para entender as coisas como as colocas , Valupi, é preciso isso, entender além da espuma. [ou da relva onde rola o esférico, dado o contexto].

  8. Estes sportinguistas são mesmo doidos. Escolheram um arruaceiro para treinador principal! Desancou o seleccionador nacional e mais outro elemento da selecção que fora em socorro de Artur Jorge. Andou à batatada com o Liedson. Não me admiraria se mandasse restaurar os murais provocadores do túnel.
    Ele há cada “elenco directivo”!

  9. De sofredor nacional a enfermo desportivo, só tu.

    Uma escolha racional o Sá Pinto, barato e bastante polémico para que não se fale do que é importante, a falta do dinheiro, que não há.

    Vão jogar a fiado e só comem sandes de marmelada se ganharem. Grande sistema.

    Os grandes gestores mal amanhados pensaram que estavam a fazer prédios com os dinheiros dos bancos, como nos bons velhos tempos do dinheiro à pazada.

    Um verdadeiro asilo entregue ao mais capaz.

    Boas festas, e parabéns pelo inimigo que inventaram, o Porto claro, estava na cara.

  10. Se a ideia era arranjar um treinador a prazo podia e devia ser o Manuel Fernandes porque é da casa. Assim é uma questão de xutos e pontapés, não contem comigo…

  11. São mesmo “kalimeros”…
    A dor de cotovelo é tão grande, tão grande… que só as invencionices dessas falhadas e purulentas “fontes” podem vomitar alarvidades em que interessa a muitos acreditar… mais vale continuar a viverem assim.

  12. Qual mística e quais férias de árbitros, pá! queres dizer muito suor, dedicação, disciplina e ambiente afectivo no balneário, pá! olhem-me só pra este leãozinho do Lumiar a arrotar postas de pescada sobre o glorioso. piadinha…

  13. agora, sem paciência, o novo treinador vai por ordem no balneário e na direcção, ao murro, como é apanágio do reizinho quando contrariado.

  14. o novo treinador vai desviar as atenções das falências desportiva e económica, dá umas barracas à la futre enquanto os adeptos esquecem as derrotas e os credores ficam a contar navios.

  15. ó sporting,já passaste o Natal e nada, já tás no Carnaval e nada, agora só mesmo com a pedagogia da porrada… e dos girassois!

  16. “Algo que se sabe desde os mais antigos gregos, os quais também passavam por túneis para se iniciarem na mística.”

    hoje, vêm-se gregos para saírem dela, a mística!

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