35 thoughts on “Tu és daqueles que desejam feliz Natal ou bom Natal?”

  1. Valupi,

    Perguntar não fica mal. Ora bem, eu perguntava-te se, em «aos que me desejam feliz ou bom Natal», o acento está naquele «me». Esconde-se aí algum especial drama?

  2. Valupi, olha que isto de Natal, se não for mesmo escrito e com a maiúscula que lhe é devida, pode ter outra conotação na minha freguesia. É que aqui – agora já menos, porque também os há menos – chama-se “natal” à matança do porco.
    Cláudia, estás melhor? Espero bem que sim. E vou pôr aqui outro poema do Emanuel que palavra de honra que te agradará. Mas, se não gostares, di-lo à vontade. Com palavras mais brandas do que as outras, está bem?

  3. Fernando, a tua pergunta vai acabar por ser melhor do que a minha resposta. Sendo esta um desarmado “Sim, esconde-se.”; pois, como fugir ao pronome?… É o drama de se preferir o bom ao melhor.
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    Daniel, bem lembrado. Para esse natal, haja sempre apetite.
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    cat, é isso mesmo. E eu acrescentava: no Natal, está em causa aprender a receber – não fingir, ou ter a ilusão, que se dá.

  4. olha Valupi, reconheço que o que dizes dá que pensar… Mesmo correndo o risco de não abarcar todas as implicações do meu voto, desejo-vos um feliz Natal

  5. Aproveito para esclarecer que estou como o z e a zazie, tranquilamente despachando um “Feliz Natal” se for o caso, tranquilamente agradecendo os votos – felizes – que recebo.

    Assim, sem-se-ver, ficamos na espontaneidade, na suprema lei enunciada por Santo Agostinho: Ama e faz o que quiseres. (tradução coeva: faz o que te der na gana – é isso o amor, acredita, mesmo que te pareça improvável e suscite opiniões contrárias de terceiros)

    Mas confesso o meu desgosto pela desvalorização do Natal, passado de “feliz” a “bom”. Mais, e razão de ser do post: que raio se está a desejar, afinal?…

    Talvez me possas ajudar na questão.

  6. Retira da citação (incompleta) de Santo Agostinho a ‘espontaneidade’? Curioso, eu infiro dela a necessidade. O ‘faz o que quiseres’ não tem em Agostinho significado espontaneista ou repentista, muito menos leve ou mesmo leviano. Este ‘faz o que quiseres’ é determinado pelo Amor. E o Amor dita-nos que façamos, não o que nós queremos fazer, mas o que o Amor em nós impele que façamos. Se formos Amor (e não o somos necessariamente – «Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos» – ‘se’, reparou?) agiremos por amor: «Se calares, calarás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor.» Logo, é necessário, a quem ama, fazer o que se quiser por amor. O que não tem rigorosamente nada a ver com esse tal ‘faz o que te der na gana’. Bem pelo contrário. Anulam-se entre si. O último é movido pelos ditames umbiguistas, o primeiro pela capacidade de olhar, aceitar e prezar o exterior a nós.

    Se for assim (se aceitarmos que é assim), tanto faz desejar Feliz como Bom Natal. Desde que esse desejo seja movido por Amor. Não vejo portanto que desvalorização é essa que encontra na segunda formulação.

    Donde, mais do que nos perguntarmos sobre ‘que raio se está a desejar’, perguntemo-nos sim por quem deseja e a autenticidade dos seus votos.

    Não lhe parece?

    Um Bom Natal para si (será que o facto de ser um voto atrasado lhe retira autenticidade?).

  7. Claro que não me parece. Muito menos me aparece. Esse “Amor”, caixaltado, não existe. (mas há; outra conversa, e a do Santo em questão)

    A minha intenção não era a de fazer uma análise teórica da citação agostiniana, apenas de a usar em meu proveito. E o proveito que faço remete, e precisamente, para a espontaneidade. Se o contexto do original é teológico, a sua releitura agnóstica – e descaradamente subjectivista – transforma-o em literatura. Como vês, não posso estar mais longe de um argumento de autoridade.

    O amor, a ser alguma coisa, é uma retrospectiva. Nela, constata-se serem os seus acontecimentos fundantes (o acontecer do amor) algo de que não somos autores. Não criámos o objecto amado, nem fomos responsáveis pelas circunstâncias que levaram ao seu encontro. Com a maturidade, também se aceita que nada temos a ver com a nossa recepção pelo outro. Aceitamos que nada temos a ver com o seu desejo por nós. Tudo nos escapa, por isso é tão grande, tão bom, apaixonante. É tudo Graça. E tudo absurdo, obviamente.

    No amor banal, o único possível aos seres banais que somos, falta-nos umbigo. Há cabeça a mais. Genitais a mais. Ilusões a mais. Falta-nos umbigo, a lembrança de que, outrora, estivemos na dependência de um cordão. E não é por ter sido cortado que o sentido de se viver na dependência do cordão desapareceu. Creio que a espontaneidade é alimentada por uma abertura ao exterior do ego – a prova mesma de que se está intimamente ligado a alguém que vive fora de nós. Creio que a espontaneidade é, paradoxalmente, o próprio cordão por onde ela passa. E desconfio de qualquer discurso onde se finja o amor pelos outros, onde se invoque o outro em vão.

    Desejo que te alegres, sem prazo de validade.

  8. parabéns aos dois,

    o Outro altera-me e é nessa alteridade que me reencontro e me perco

    isto na versão sapiens, porque na versão vulpes basta-me cheirar

    um belo 2008 para usteds

  9. valupi,
    atiro flores, chapéu, mantilha e olés:

    «A minha intenção não era a de fazer uma análise teórica da citação agostiniana, apenas de a usar em meu proveito. E o proveito que faço remete, e precisamente, para a espontaneidade. Se o contexto do original é teológico, a sua releitura agnóstica – e descaradamente subjectivista – transforma-o em literatura. Como vês, não posso estar mais longe de um argumento de autoridade.»

    a isto chama-se uma chicuelina, enrolada à cintura pela esquerda e com saída num brilhante passe de capote.

    sem atrevimento: bela lide!

  10. Deixemos então por momentos o amor ‘caixaltado’ de lado – mas o Santo não.

    Pela seguinte razão: qual interpretação teológica da citação em causa? Ninguém a fez por aqui.

    E por esta outra: sabe tão bem quanto eu que, se assim o desejarmos defender, qualquer interpretação é literatura. Incluindo a teológica. Podemos passar adiante e ir ao que interessa?

    Tanto que lhe foi argumento de autoridade que usou a autoridade de Agostinho para tentar defender o indefensável – seja no ponto de vista da interpretação ‘literária’ (conviria dizer, a bem da verdade, para sua conveniência) que lhe fez, seja no estritamente subjectivista de considerar que amar é fazer o que nos dá na gana e, por isso, amamos não distribuindo votos de feliz ou bom natal e só os retribuindo. (pausa para brevíssima reflexão – seguindo tão original princípio, ninguém distribuiria votos de feliz ou bom natal e nada haveria a retribuir; ficaríamos todos na santa paz dos deuses imperturbáveis, soberanos, distantes e indiferentes, que nós próprios seríamos – amando-nos a nós mesmos e só, para sintetizar.)

    Agora: se tudo lhe escapa, Valupi, no amor que o outro sente por si (tão curioso achei, reconheço, que ter falado de amor, para si, tenha equivalido a falar do amor que o outro sente por si, e não do que vc sente pelo outro – no 2º parágrafo), e se (3º parágrafo), falta umbigo onde sobram cabeça e genitais (isto é, umbigo, desculpe que lhe diga, pelo que creio que umbigo não – lhe – falta, efectivamente), afigura-se-me que a sua espontaneidade – cordão por onde passa a dependência pelo Outro, não é assim? – se assemelha perigosamente a invocar o Outro (e a sua dependência dele) em vão. Porque verdadeiramente continua é a invocar-se a si mesmo.

    Presumo que não lhe pareça nem lhe apareça. Mas foi um gosto. E tenha um Santo Natal, claro está.

  11. rvn, esclareço: não me verás a cortar orelhas, nem rabos. Só pegas de caras.
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    É a que prefiro, “Santo Natal”. Porque, enfim, está em causa o Natal. A expressão “Feliz Natal” é já uma versão pagã, ou dessacralizada – o puro (santo) trocado pelo cheio (feliz). Mas as duas remetem para um absoluto, comungam da mesma extensão e intensidade. “Bom Natal”?… Entramos no relativismo. Se é bom podia ser melhor: e se não é o melhor, talvez não passe do medíocre. Talvez até acabe por ser mau, esse bom Natal, visto que podia ter sido uma outra coisa de maior valor. Estamos no reino da neurose, onde se abdica da santidade e da felicidade, mas, à mesma, se insiste em repetir a mentira. Qual mentira? A de que se gosta do Natal. Desejar “bom Natal” é uma forma de ser triste.

    Concordamos em que ninguém fez uma interpretação teológica da citação. E aposto que concordas em como eu não disse que alguém a tinha feito. O que está escrito acima é, sim, uma evidência: Santo Agostinho é um autor teológico. Ir buscar um trecho maior para analisar um trecho menor (como tu fizeste, reclamando que a citação estava incompleta) também não configura um caso de produção teológica. Mas é inegável que quiseste analisar teoricamente a frase, coisa que ultrapassou a minha intenção original. “Ama e faz o que quiseres” é uma sentença basto conhecida, tendo um estatuto proverbial. Contava com a cumplicidade que a sua popularidade outorgava para lhe perverter o sentido. Se o jogo se chamasse “Bute lá ver quem sabe mais de Santo Agostinho”, então – e só então – é que faria sentido estar a querer explicitar a passagem. De resto, limitaste-te a referir o óbvio, isso de esse Amor invocado não ser o da concupiscência ou o do afecto, antes o espiritual e religioso. Foi tempo perdido, pois o esforço implicou acreditares que eu não conseguia lá chegar sozinho, implicou conceberes que eu nem sequer sei ler. Tss, tss…

    Ora, é completamente errado afirmar que qualquer interpretação é literatura. A ser assim, teríamos de avisar as universidades de ciências humanas da sua inutilidade. Pelo contrário, a filosofia (tomo-a aqui como matriz científica dos saberes posteriores dela ramificados ou por ela abraçados) nasce contra a religião tomada como literatura. Saberás, certamente, que o ensinamento secreto do platonismo, as lições orais, eram aulas de matemática – não devaneios poéticos… A minha alusão à literatura nasceu da tentativa de explicar a liberdade interpretativa que virava ao contrário a citação. É por isso que fico espantado com a tua denúncia do uso de Agostinho como autoridade! Autoridade, para mim, Santo Agostinho?… Mas em quê?!… Pois se nem sequer entendo o que ando a citar, como demonstraste… Tss, tss…

    Onde acertas, em glória, é na intuição de que continuo a invocar-me a mim mesmo. Porque é disso, lá está, que falo: que é preferível sabermos quem somos a fingir que sabemos quem é o outro. Só não entendo donde caiu o vocábulo “dependência”; será uma prenda natalícia que me queres dar? Se for, recuso. Espontaneamente.

  12. Uma conversa de alto lá com ela entre dois nicks. A lógica e a literatura, a lógica ou a literatura, velha disputa, mais a confissão pessoal, disfarçada de alto paleio.

    Eu sabia que os pseudónimos tinham inteligência. Vejo agora que também têm sentimentos.

    [esta é uma mensagem gerada automaticamente, não precisa de responder]

  13. Por ordem, mesmo que a minha:

    1. A minha glória não foi a de acertar por intuição, mas por dedução – a partir do que o Valupi disse, e de como o disse.

    2. O «vocábulo dependência» caiu de si mesmo: «E não é por ter sido cortado que o sentido de se viver na dependência do cordão desapareceu», ao que se segue o resto sobre a ‘espontaneidade’, que me escuso de citar para poupar tempo e espaço.

    3. Argumento de autoridade usado por quem não entende a autoridade que cita? Claro, qual a contradição? Aliás, é o que mais se encontra por aí (e por aqui, pelos vistos). Mas, atenção, nunca lhe disse que vc não entendesse o que estava a citar – mas sim que citou truncadamente para defender um ponto de vista indefensável, seja pelo contexto das palavras do autor, seja pela posição de princípio que, indevidamente, sustentou a partir dessa leitura abusiva de uma citação incompleta – a que amar é fazer o que nos dá na gana. Quando não é (e este, espero bem que vc o perceba, é o único ponto em discussão entre nós). Dito de outra maneira, não o acusei de não entender o que Agostinho proclamou – mas sim de deturpar, por conveniência própria, o que ele proclamou.

    4, e em jeito de parêntesis – a filosofia é matriz, mas não científica. Isso parece-me pacífico. E muito estranho a utilização de tal adjectivo, tão descabido, tão incorrecto e tão falso. E muito menos a filosofia se prende com devaneios poéticos. Que estranha concepção de filosofia vc tem, Valupi.

    5. Quem afirmou ou defendeu que qualquer interpretação é literatura? Não eu («se assim o desejarmos defender», disse eu), mas sim vc – « Se o contexto do original é teológico, a sua releitura agnóstica – e descaradamente subjectivista – [a sua, note-se] transforma-o em literatura.» Não disse que qualquer interpretação o é, mas defendeu-se com essa «liberdade interpretativa» para «virar uma citação ao contrário» e, dessa maneira, tentar ripostar à minha recolocação do sentido original da citação – e do que dela decorre sobre o tema em apreço; donde, fez mal: invocou a literatura para agora se tentar livrar dela como peçonha que implicaria a inutilidade das ‘universidades de ciências humanas’. Está mal: uma coisa nunca implicaria a outra, aliás.

    6. outro em jeito de parêntesis – vc é sempre assim susceptível? De onde, diga-me, se pode inferir que eu considere que vc ‘nem sequer sabe ler’, não consegue ‘chegar lá sozinho’, só por ter objectado à sua leitura de uma certa citação? Vou tomá-lo em conta de uma insegurança infantil que, faço-lhe essa justiça, não lhe será com certeza congénita.

    7. Menos infantil e mais importante é, pelo contrário, explicitar – porque pelos vistos vc não o entendeu – que eu não falei de o ‘Amor invocado não ser o da concupiscência ou o do afecto, antes o espiritual e religioso’. Era com certeza desse que Agostinho falava; contudo, nada nas minhas palavras indicia que não fosse o ‘da concupiscência ou o do afecto’ o a que me referia. Preocupa-me que vc não saiba ler as palavras que lhe são dirigidas na justa medida do que elas exprimem. Dificulta grandemente a comunicação, não acha? Ainda mais, e para piorar, porque, então, contradiz-se com o início da sua resposta: «Concordamos em que ninguém fez uma interpretação teológica da citação. E aposto que concordas em como eu não disse que alguém a tinha feito.» – caracterizando a minha interpretação como teológica (por supostamente eu ter estado a falar do amor ‘espiritual e religioso’, segundo Agostinho), afinal tinha mesmo dito que alguém (eu) a tinha feito.

    8. Contará sempre com a minha cumplicidade enquanto o que vc escrever tiver a minha concordância. E só. Não se tratava de qualquer jogo ‘bute lá ver quem sabe mais de Santo Agostinho’ (eu sei muito pouco, e vc?), mas sim o de ‘bute lá respeitar o que Santo Agostinho escreveu, não o torcendo segundo as nossas conveniências’ (uma questão, no fundo, de atitude; intelectual e moral – estou certa que a reconhece, e o reconhece).

    9. Chegada aos finalmentes: tem um problema com o ‘bom natal’. E, tal como (finalmente) o explicou, concordo consigo; nunca tinha pensado nesses termos, aliás.
    Pensando nos meus (termos), desejo ‘bom natal’ porque em ‘bom’, para mim, está incluído necessariamente o ‘feliz’; e porque este (a expressão ‘feliz natal’) se vulgarizou ao ponto de ser slogan publicitário – prefiro manter-me na margem de postais, reclames, merchandising vário, que – já reparou? – nunca deseja um bom natal. E, voltando ao início – «mais do que nos perguntarmos sobre ‘que raio se está a desejar’, perguntemo-nos sim por quem deseja e a autenticidade dos seus votos» – e dessa, e por essa, respondo eu.

    Também por isso lhe desejo um Bom Ano Novo.

  14. amigos,

    Cheguei a uma conclusão.

    Em 9 pontos e um desejo, sem-se-ver só tem sexo três vezes, a saber: «…’estou certA que a reconhece’…», uma, «…’ChegadA aos finalmentes:’…», duas, e em todo o raciocínio, três.

    Ajudem-me: isso é bom ou mau?

  15. Fernando, estás mais avançado do que o resto da malta, com esses automatismos.
    __

    Muito bem, sem-se-ver. Creio que estamos perto da resolução deste “quid pro quo”. Por razões que me escapam (e nada de mal vem ao mundo por isso), tu não admites que eu saia fora da leitura canónica do passo citado. Quer dizer que ignoraste a subtileza obscena do que escrevi. Repara:

    “tradução coeva: faz o que te der na gana – é isso o amor, acredita, mesmo que te pareça improvável e suscite opiniões contrárias de terceiros”

    Pensa: qual a função desse introdutório “tradução coeva”? Acaso a frase carecia de tradução?… E que raio está lá a fazer o aceno, retórico, ao tempo?… Optaste por não alinhar no subtexto, com isso mandaste fora a sensibilidade irónica pedida para acolheres o resto. E, sem acesso outro, não espanta que te refugies numa atitude defensiva onde o texto se torna mais importante do que o contexto.

    Tal como ignoraste olimpicamente a simplicidade da construção explicativa, a sua ingénua ingenuidade, isso de eu antecipar – e ter pedido para acreditares! – que te iria parecer improvável que o amor pudesse ser alguma coisa que nos dá na gana; logo a nós que temos tantos ditames para o amor e estados congéneres. Por fim, cometeste o sacrilégio de não dar importância nenhuma à importância que eu estava a dar aos “terceiros” e suas reacções primárias… Moral da história: os moralistas não têm graça nenhuma.

    Também fizeste o favor de me apontar a infantilidade, a susceptibilidade, a ignorância e a insegurança. Tudo frechadas no alvo, no olhinho da mosca. E se não posso negar que me reconheço nesse descritivo, menos ainda fujo a uma mágoa. É que não me consegui explicar. Ter usado o cordão umbilical como metáfora não faz dele um análogo. Por isso, e ao contrário do que escreveste, não vejo nenhuma “dependência do outro” no amor. E a prova está na espontaneidade, já não um movimento de entrada (como no referente biológico umbilical), mas de saída, de criatividade. E agora temo que vás para 2008 a confundir espontaneidade com dependência, quando estamos perante opostos.

    Admito que pareça estranho, e muito estranho, pois somos educados para a dependência, e todos os dias nos bombardeiam com essas mensagens e chantagens, mas a (minha) verdade é a de que só amamos quando já não dependemos.

    Bom Ano? Ora… vai ser o melhor de sempre. Para todos nós.
    __

    rvn, tem de ser bom. Embora não consiga elaborar mais, parece-me que só pode ser bom.

  16. ainda meio ensonada, mas vai já:

    olá rvn, fico cheia de curiosidade pelas respostas dos amigos à sua pergunta. :- )

    __

    valupi, as subtilezas nunca são obscenas, mas sim eróticas. :- )

    o risco das ironias é serem-no – vc terá apelado a uma sensibilidade irónica que eu – segundo vc – não tenho, e vc – segundo eu – não tem (daí não ter percebido porque lhe dirigi um ‘Santo’ natal, por exemplo).

    os moralistas não têm graça nenhuma, concordamos. mas, porque o são, nunca cometem sacrilégios. frechada ao lado.

    a maneira como relacionou nesta sua última resposta ‘dependência’ e ‘espontaneidade’ é diferente da que tinha utilizado antes. nada que me tenha surpreendido, vc tem uns golpes de rins… não diria excelentes nem verdadeiramente eficazes, mas… pragmáticos. nesse sentido, revelam inteligência prática.

    (então, enquanto dependeu, não amou? o que sentiu então? paixão? pergunto sem qualquer provocação)

    lol: quem me dera tal confiança. :- ) mas façamos por isso, sim – que seja o melhor de sempre.

  17. valupi, dizes, se bem te entendo, que os votos de natal habituais sao fingidos. dizes, tambem, que se “ha’ um nascimento ha’ alegria”. concordo. antes de passar ao significado dos votos que envio, digo o que eu celebro no natal: o nascimento de cristo, a parabola da salvac,ao; todos os nascimentos; a familia. o natal e’, comigo, uma representac,ao simbolica do mais importante: a relac,ao familiar. sentido lato – e afectivo. com fundo religioso.
    o que desejo aos outros e’, entao, o mesmo que desejo para mim, no natal. que se reunam com aqueles que amam, e vivam esse encontro com alegria. e’ uma celebrac,ao que culmina um trabalho que dura todo o ano, pois os lac,os, sejam estes com familias biologicas, ou familias encontradas, substitutas, construidas, te>m que ser cultivados ao longo do tempo.
    ha’, por outro lado, um apelo estetico no natal. nas decorac,oes, mesmo quando o gosto e’ discutivel. nas indumentarias. e, sobretudo, na culinaria. participarmos em banquetes (e nao e’ preciso opulencia, basta o cuidado habitual na apresentac,ao, se mais nada). e’ um belo modo de nos celebrarmos a todos, comemorarmos os ausentes e festejarmos o que ha’-de vir.
    nao costumo desejar feliz nem bom natal, mas isso porque a minha vaidade me leva a procurar formulas mais originais e personalizadas de desejar o mesmo. se optasse por um deles seria o “feliz”. geralmente respondo aos votos que me enviam com uma variante de “um natal bonito”, investindo neste lado estetico, sempre possivel e que sempre faz bem. nas trocas de circunstancia, como nas portagens, ou nas lojas, retribuo os votos, pois esse e’ o minimo que a malta quer, e no’s queremos para os outros o melhor que eles quiserem para si mesmos.

    tambem concordo contigo em que so’ amamos quando nao dependemos. e’ tao obvio quanto formos capazes de ver que a maioria dos casais constroi relac,oes de dependencia e ao fim de algum tempo a paixao esgotada e’ substituida por algo que supre as carencias e a que chamam amor. queixam-se da monotonia, da falta de brilho, mas continuam juntos porque dependentes. nem que sejam dependentes, apenas, de que alguem dependa deles.
    no entanto nao resisto a parodiar a questao. imagina o risco dos padroes de vida comum, os jantares, as ajudas – pior ainda, a coabitac,ao! nao, nao, tudo isso deve ser evitado, tudo fonte de dependencias. sera’ preferivel que dois amantes nao se encontrem, podem criar dependencias sexuais. mais vale, alias, que nem se falem, nao va’ algum deles ficar dependente dessas conversas.

    quanto ao sporting-porto, ambas as equipas te>m mostrado uma boa estrategia defensiva, algumas oportunidades de golo e o resultado no marcador continua empatado. mas tem sido uma bela exibic,ao. algumas faltas, que eu, na minha invulgar vocac,ao para arbitro, poderia assinalar, mas helas!, estou de ferias e nao trouxe o meu apito.

  18. sem-se-ver, os golpes de rins têm sido teus. Tu é que tens passado por diferentes estádios de entendimento nesta, e desta, nossa gratificante conversa. Já eu, tenho-me repetido sem parar. Se voltares ao início, constatarás que a convocação da espontaneidade foi para responder ao teu repto: “no que ficamos?”. Para mim, era e é óbvio: ficamos no que nos der na gana, seja para desejar feliz ou bom Natal, seja para nada desejar, seja para criar fórmulas originais (como conta a susana, por exemplo). E ocorreu-me a frase de Santo Agostinho para compor a resposta, pois, embora ela esteja marcada por pressupostos teológicos, a sua expressão literária é… feliz! Presumindo que a conhecias, apelei para o que ela nos poderia dar a pensar, hoje e aqui, já fora das limitações de uma qualquer exegese. Aparentemente, quiseste mostrar que a conhecias bem demais, o que levou a conversa para um beco sem saída no que à hermenêutica agostiniana diz respeito.

    Na dependência pode-se sentir paixão. E paixões, no sentido em que se pode sofrer, e ter prazer, de variadas formas, por variadas causas, em variadas circunstâncias. Essa é a minha experiência, indelevelmente banal. O único critério para se descobrir se é amor o que nos habita parece-me ser a liberdade do outro. Sempre que deixo de respeitar a sua liberdade, descubro que não amo. E como se dá o acesso à liberdade do outro? Através da consciência que tivermos do que seja a nossa liberdade. Como se vê, é um terreno onde nunca se chega ao fim, sempre a renovar-se, a crescer – por isso, para mim que nada sei, sei que o amor é um horizonte. E há um tesouro escondido, algures nessa linha entre a terra e o céu.
    __

    susana, compreendo bem o que explicas. Tudo isso me parece saudável, pois estás a falar da importância dos rituais para a comunidade, e do lado ritualístico de se ser família. Quanto à tua paródia, vejo-a como metodológica. Sim, talvez haja alturas em que os amantes precisem mesmo de se afastar. Ou de imporem distâncias entre si; como o fazem os que dançam, para conseguirem dançar.

  19. ai valupi que cansaço…

    não, os golpes de rins foram seus. a minha lógica, como habitualmente, foi implacável. a sua, não. não me obrigue a ir ponto por ponto de novo, para o demonstrar…

    a conversa não levou a nenhum beco sem saída: ficou claro que esteve desde o início a invocar-se a si mesmo. o que não estava, de si, claro no dito início – tornou-se, com a dita exegese.

    eu diria que na paixão pode-se sentir dependência, e não o inverso. tal como no amor. porque, de outra maneira, não resta senão a paródia – que nada tem de paródico – que a susana invocou. e os dançarinos nunca se impõem distâncias para dançar. elas – ritualizadas, breves e esporádicas – são motor para acelerar o desejo de junto se estar. por isso, não há alturas em que os amantes precisem mesmo de se afastar. se se afastam, é porque já não são amantes, seja por o temerem, seja por o terem cansado. seja porque já não são dependentes, afinal.

    (eis uma palavra/realidade da qual não tenho, espontaneamente, qualquer receio)

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    susana: ah, o valupi é do sporting? está tudo explicado.

  20. Sim, se possuis uma lógica implacável, servida por uma implacável capacidade demonstrativa, não admira que fiques cansada, pois isso cansa. Ai cansa, cansa.

    Muito bem, sem-se-ver. Só me resta agradecer o saboroso alto paleio, como carimbou o Fernando. E viva o Porto!, que leão de raça estima sempre o adversário.

  21. :- ) e viva o sporting, porque dos fracos não reza a história!

    (brinco. viva o Sporting, sim (viva o Benfica é que nem torturada com requintes de malvadez alguma vez me arrancarão)

    agradecida eu, também. fique bem.

  22. Desde pequeno escuto feliz natal, não sei quem inventou de colocar esse bom na história, deve ter sido algum politico ou artista, qualquer besteira que falam o povo fica repetindo feito papagaio, acho estranho, parece quando agente faz alguma coisa pra alguém e a pessoa fala ” ta bom” sentimento de que a pessoa não gostou, modinha é triste, daqui a pouco vão estar falando: Bom aniversário, “bom” que eu sei é intermediário entre ruim e excelente, felicidade é a melhor coisa que você pode desejar a uma pessoa!

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