Temos elite, mas onde está o escol?

Mais duas figuras intimamente ligadas a Sócrates aparecem a defender Relvas, Maria de Lurdes Rodrigues e Proença de Carvalho. Estarão a fazê-lo pelas melhores razões, dando lições de decência e civismo por contraste homérico com o que sofreram no passado, e continuam a sofrer no presente, por se terem cumprido livres ao lado de quem nunca abandonaram, fosse por vínculo político ou profissional.

Contudo? Com tudo o que dizem não falam do essencial: é impossível defender Relvas sem com isso ofender a inteligência alheia. E isto para começar, pois as ofensas não se ficam pelo domínio da lógica. Tanto no que diz respeito ao caso dos serviços de informação, onde Relvas mentiu abertamente e um adjunto seu teve de se demitir, como no caso com o Público, onde é o próprio Relvas a validar a versão do jornal, há uma leitura moral e política que não está dependente dos processos formais de apuramento dos acontecimentos. Se a ideia for, inclusive para o PS, a de manter Relvas no Governo, pois nem esse propósito imuniza os responsáveis políticos face às consequências éticas do espectáculo das últimas semanas. Portanto, quem bota faladura sobre os casos está concomitantemente a comprometer-se pessoalmente nos episódios, pois é obrigado a julgá-los do ponto de vista do espaço público.

Não foi Balsemão quem obrigou Relvas a telefonar para a Leonete Botelho. Não foram 32 minutos para responder a perguntas que o fizerem perder a cabeça ao telefone. Não foram perguntas que declarou serem irrelevantes acerca de situações que garantiu serem lícitas que lhe despertaram a gana de ameaçar com boicotes de ministros e publicação de informações pessoais de uma jornalista na Internet. Isto não tem defesa, e ele nem sequer se defende, anda é a ser defendido por aqueles de quem menos se esperava tal cumplicidade.

Se a nossa elite não está à altura dos mínimos de respeito que Portugal merece, talvez o melhor seja ficarem calados.

5 thoughts on “Temos elite, mas onde está o escol?”

  1. Eu,acho que o Relvas no governo é melhor para o pais e para a oposição do que cá fora.Ele vais escavacar com aquilo tudo.Outro dia alguem dizia que os ministros se vão

    Deixem-no estar lá dentro.Vai ser ele que vai destruir o governo.Os ministros já devem estar fartos, de ter uma especie de campino de vara na mão a dizer-lhes o que devem fazer.

  2. alguém sabe o que é que o socras pensa do caso relvas? aparentemente não, mas todos acham que menosprezar o facto é traição ao anterior pm.

  3. Ora aí estão dois que nunca me inspiraram muita confiança.
    O Proença sempre foi ambíguo. Com aquela vozinha melada, manteve constantemente um pé em cada lado da vedação, protegendo sábiamente os tomatitos do arame farpado.
    Com respeito à Rodrigues, é uma neo-liberal ferrenha (basta ouvir a apologia que faz do Privado) que, se não fossem as orientações do Governo Sócrates e o trabalho do Valter Lemos…
    Neste caso, para mim, por detrás de uma grande ministra estava um maior secretário de estado.
    Maria Rita: Como é que o Relvas pode dar cabo do Governo se estiver a ser protegido quando faz merda? Assim tenho que dar razão ao animal: Vai sair mais forte, sem dúvida.
    Depois disto, qual vai ser o jornalista que se vai atrever a estrebuchar?

  4. Grande texto!

    Não me interessa para nada o Sócrates, neste momento concreto, quero lá saber da Milu e do que ela fez ou não fez noutro âmbito de actuação e, pior ainda, onde é que agora temos de vir para aqui reverenciar o Proença de Carvalho?!

    Não misturemos alhos com bugalhos, senão um dia ainda seremos piores do que aqueles que criticamos: HÁ UMA DIMENSÃO ÉTICA E MORAL NA POLÍTICA! Se não a respeitarmos e defendermos em qualquer circunstância, por imperativo de consciência, mesmo que isso nos “prejudique” no imediato, hipotecaremos todo e qualquer benefício futuro.

    Se não combatermos a besta de frente agora, um dia poderá ser tarde demais.

  5. Estou siderado com o que se continua a ouvir. Agora são estas duas figuras. Nunca vou esquecer aquele dia em que o PM Sócrates, atacado por tudo quanto era lado e talvez adivinhando a traição de Teixeira dos Santos, disse que sentia “sozinho a puxar pelas energiad do país” (sic).
    Nâo imaginava que estávamos tão mal. Simplesmente e indescritivelmente em miséria moral.

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