Se está partido, chamem os partidos

O Ministério Público está partido. Por causa de uma entrevista e de uma carta aberta? Não, pá… É a Judiciária, estúpido! Como explica o inefável Rui Cardoso, em Março passado, há muito que o Sindicato dos Magistrados sabe que a Judiciária se deixa governamentalizar – portanto, que está corrompida e é corruptora. Solução: ir parar às mãos do Ministério Público. Membros ilustres dessa instituição já mostraram todo o potencial da sinergia: passa-se a poder fazer, com regularidade, escutas ilegais a um primeiro-ministro, as quais podem decorrer sem informação, nem pedido de autorização, ao Presidente do Supremo durante meses. Se isto se faz ao chefe de Governo, imagine-se o que não se fará ao porteiro do Ministério. Que tal? Dá ou não dá jeito? Como são os próprios magistrados a alimentar os jornalistas que fazem as campanhas de difamação e calúnia, ao ponto de já se falar num negócio chorudo de venda de informações em segredo de justiça, o entusiasmo do SMMP ganha sugestivos e abismais contextos.

De facto, Aveiro provou que se pode dar um golpe que decapite um Governo, ou um partido, com toda a facilidade e, pasme-se, legitimidade. A partir do momento em que se dispõe de elementos relativos à privacidade de um político, até uma conversa com a sua avó querida pode ser usada para manobras de assassinato de carácter. Não terá essa conversa sido feita em código e diga respeito a casas oferecidas pela máfia? Tem de se investigar, mas sem pressa, devagarinho, de modo a não assarapantar a ladroagem. Para obter os lúbricos segredos de um governante basta ter um pretexto, uma razão inquestionável; por exemplo, escutar um seu amigo de plena confiança, comunhão política e frequente contacto. Não irão os cabrões dizer alguma coisa que se pareça com um atentado ao Estado de direito? Olá se não vão, passam o dia a pensar nisso! E mesmo que legalmente a operação seja um fiasco, que apareça alguém a defender a Constituição e a democracia, o alvo nunca mais consegue limpar as nódoas. A porcaria continuará a ser lançada pelos porcalhões.

O PSD aproveitou ao máximo a espionagem política que lhe foi oferecida, como reagiria se fosse a vítima? Com histerismo e violência, claro. Dada a quantidade de advogados, magistrados e professores de Direito que são de direita, calhando apanharem uma conspiração contra políticos socias-democratas feita à maneira dos casos Freeport ou Face Oculta, o banzé seria tal que poria em risco a estabilidade dos anéis de Saturno. Assim, como não é com eles, estão calados a gozar o prato ou berram no coro. São raras as vozes à direita que se respeitam, que não abdicam da defesa da honra alheia, o que também explica muito dos últimos 25 anos em Portugal. Agora, o PSD volta a ter uma oportunidade de se regenerar: conseguir sanear o Ministério Público. Para isso, terá de se unir ao PS no essencial. É no Parlamento que está a sede primeira da Justiça, e cada cidadão deve exigir dos partidos que estejam à altura da gravidade do momento.

20 thoughts on “Se está partido, chamem os partidos”

  1. Valupi,

    Desculpe a franqueza, sendo certo que não o quero ofender, mas agora falo a sério: não diga o que não sabe, nãoescreva sobre o que não sabe. Não fale da PJ, não fale dos magistrados do MP, não fale dos magistrados judiciais, não fale de processos judiciais. Neste último caso, estes nem precisam de porta – voz: um processo judicial escrito fala por si. Pergunto-lhe: conhece tudo aquilo que o leva a escrever o seu artigo?

    Quer discutir JUSTIÇA, INVESTIGAÇÃO, DECISÕES JUDICIAIS a sério?

  2. Irra ! … mais um deplorável amontoado de asnice, fruto da sua diarreia mental.

    Quer um conselho: tome aspirina B em pó.

    Prefere por via oral, ou em supositório ?

  3. O momento social que se vive em Portugal é malsão – estamos a lidar com gente pulha e sonsa. Quando o terreno está assim, infestado de crocodilos temos TODOS de ter cuidado. Não é ter medo, porque morrer morremos todos, até os pulhas, a questão mesmo é ter cuidado onde pomos o pé e com quem falamos.

  4. Estás a partir do princípio que o PSD não esteve envolvido na conspiração desde o início, limitando-se a aproveitar “a oferta”. Por mim, foi precisamente o oposto. A magistratura é que aproveitou a “oferta” da “carta anónima” para prosseguir a sua vingança. Sabendo que têm as costas quentes pela impossibilidade de haver algum tipo de reforma apenas promovida pelo PS. Podem ser muita coisa, mas não são estúpidos.
    Quanto ao PSD sanear o ministério público. Está lá, na lista de prioridades. Logo a seguir aos subsídios para a mostra de teatro experimental dos sem-abrigo seropositivos do Uzbequistão.

    O que nos vale são as pessoas integras a que ninguém cala. Pelo que desde já saúdo o candidato Manuel Alegre pelas corajosas e lúcidas declarações que tem feito acerca deste grave assunto. É desta cepa que são feitos os grandes estadistas.

  5. Já só confio em que o tempo faça o seu trabalho. Se pensarmos que, em cem portugueses, oitenta são gente bem intencionada e laboriosa, o País avançará, apesar daqueles vinte pulhas ruidosos e ruinosos, sejam magistrados ou politicos, empregadores ou empregados. Nestas horas que parecem de fim de ciclo, como as que se vivem hoje, em que a justiça e a politica se confundem, fica-me esta esperança e a certeza de que aqueles oitenta portugueses fazem a história que somos.
    Não tenhamos dúvidas! Aqueles vinte por cento de pulhas ruidosos cozinharam o caldo exacto de uma vulgar ditadura, em que a justiça e a politica fervilham dentro do mesmo caldeirão. De facto, é como se deixasse de fazer-se política ou justiça, ficando o País entregue a um bando de «justiceiros».
    Com dor no coração o afirmo: A Jorge Sampaio tremeu-lhe a voz, quando se deu o primeiro assalto à democracia, quando os «justiceiros» montaram o circulo da Casa Pia, escutando e enlameando todos os dirigentes do PS, a pretexo da perseguição aos pedófilos. Até o PR teve direito à sua carta anónima a que a «figura do ano», o Juiz Rui Teixeira, deu o seguimento que bem entendeu, com o aplauso de Juizes Conselheiros do Supremo. Com tal feito, o juiz obteve a classificação de «muito bom»!!!
    O presidente Jorge Sampaio viu Ferro Rodrigues ser destruido e ficou sob escuta dos justiceiros, bastando para tal o pretexo de se escutar o perigoso pedofilo e amigo camarada Paulo Pedroso. E abanou todo, mas não conta agora o que sentiu porque lhe pesará a consciência de se ter encolhido perante o avanço da alcateia ameaçadora.
    Ao mesmo tempo, exactamente como agora, o PGR era enredado numa teia de contradições pelos justiceiros e. ao ver o PR a tremer, tremeu ainda mais. Cobardemente, colaborou em toda a linha na montagem do circulo e mais tarde, pelas mãos de Cavaco, recebeu a merecida condecoração!
    Só quem anda distraido é que não vê o paralelismo entre as duas arremetidas dos justiceiros: Casa Pia e Freeport-Face Oculta.
    Por isso os juizes a quem compete a decisão final destes «processos de intenção» malditos, não sabem o que fazer, porque sempre souberam que nestes casos nunca esteve em causa julgar pedofilos ou corruptos. E também sabem que a história registará os seus nomes, enquanto que os nomes dos «lobos» permanecerão camuflados numa grande nublosa.
    Hoje como ontem, aqueles oitenta por cento de portugueses bem intencionados venceram os vinte por cento de pulhas, quando parecia que estes tinham todas as hipóteses de levar a melhor. Sócrates venceu duas vezes e com ele venceu Portugal.
    Creio que tanto a gente que vota PC como aquela que vota BE já percebeu o jogo dos pulhas justiceiros-politicos e os seus representantes na AR não vão colocar o governo do País nas mãos dos justiceiros. Se o fizerem, atrevo-me a vaticinar o seu fim, num acto eleitoral futuro.

  6. Eu realmente gostava de discutir JUSTIÇA, INVESTIGAÇÃO, DECISÕES JUDICIAIS a sério…só que não consigo parar de rir…para não chorar.

  7. PSD nunca fará nada nesse sentido. Está perfeitamente confortável com o actual sindicato de MMP. Adora-o. São a sua guarda avançada. Os seus darlings.
    Entretanto, também estamos a adorar ver o PSD a enterrar-se – Eurosondagem (eventualmente feita antes da denúncia deste escândalo judicial) já dá 36%PSD e 35% PS.

  8. “Podem ser muita coisa, mas não são estúpidos.”

    Vega, gostava de concordar contigo. Seria melhor para todos que o maior partido da oposição mostrasse nem que fosse uns vestígios de inteligência, acontece que não está fácil. A última campanha eleitoral, que decorreu no meio da maior crise internacional das últimas décadas, revelou um PSD sem um programa digno desse nome, sem qualquer ideia, um PSD apostado na Verdade. Ou seja, mais não fizeram do que esperar que o desgaste do Governo e de Sócrates, devido à crise e, sobretudo, aos processos manhosos, que aproveitaram até à última gota, lhes entregasse o Poder numa bandeja. Tal não aconteceu, parece que os portugueses apesar de tudo não são assim tão estúpidos. Mas parece que os ilustres dirigentes do PSD ainda não se convenceram. Perderam as eleições, mudaram de líder e a estratégia parece ser a mesma: passar-nos atestados de estupidez. Só isso explica que para o debate público, e como prioridade, tenham trazido unicamente a revisão constitucional. Já não bastava o economês, que escapa ao entendimento da maioria dos mortais, querem, ou queriam, juntar o constitucionalês. A estupidez da estratégia, desta vez, é revelada pelo trambolhão nas sondagens.

  9. tou-te a ber

    Mas façamos então essa discussão, que me parece da maior utilidade. Para quem não vive nesse meio, a dificuldade em depurar a informação é total (eu pelo menos sinto isso), sobretudo, não entendo como é que uma estrutura hierarquizada possibilita a existência da manipulação no seu interior, com reflexos condicionados e incondicionados para o exterior (e não me interessa sequer o sentido dessa manipulação. Chega-me saber que ela existe e condiciona decisões).

  10. guida, falava dos magistrados. Quanto ao PSD, a estupidez pode, e deve, ser discutida e, como o Val aqui tem demonstrado magistralmente, anda por lá muita, para meu desgosto. Mas também há por lá muita inteligência, que não se tem mostrado muito para não ficarem associados à lama que por lá flui. É uma pena. É que por muito que considere o PS o melhor partido, e aquele que, sob a tutela de Sócrates, mais tem feito pelo país, gostava de poder ter uma alternativa credível, porque eventualmente o PS vai, e deve, perder as eleições, e Sócrates vai, e deve, sair. Não acredito em homens providenciais, a não ser em alturas de grandes crises.

  11. “O que nos vale são as pessoas integras a que ninguém cala. Pelo que desde já saúdo o candidato Manuel Alegre pelas corajosas e lúcidas declarações que tem feito acerca deste grave assunto. É desta cepa que são feitos os grandes estadistas”.

    De que Alegre é que estás a falar, VEGA? Do grande admirador du President Chirac, ou do gajo que considerava o Cunhal seu pai?

    Larga a cepa.

  12. Tens razão, Vega. Baralhei-me.

    Seja como for, agora dizes que ‘há por lá muita inteligência que não se mostra’, escondida, portanto. São pessoas mais preocupadas com elas próprias do que com o partido e com o País. Mantêm-se ligadas ao partido e só se mostram para daí retirarem vantagens pessoais. Dão nesse caso mau uso à hipotética inteligência, não?

    Não percebi, mesmo sem alternativa credível, o PS ‘deve’ perder as próximas eleições? E podem ao menos terminar o mandato ou achas, como os sociais-democratas, que as eleições devem ser antecipadas?

  13. Tendo percebido que o Vega fizera ironia fina com o Manuel Alegre (há semanas que se lhe não ouve um pio!, nem alegre nem triste), não descortino qualquer ironia em o PS ir e dever perder as eleições. Porquê? Espero que não! Farei por que não!

  14. guida e Ana Brel, rapidamente porque estou de saída para férias: nenhum partido, por melhor que seja, se deve eternizar no poder, por muito boas que sejam as pessoas. Porque o poder corrompe, e os partidos precisam de se regenerar e deixar entrar novas ideias, o que é melhor ser feito em oposição. Daí a minha esperança em que haja alternativas credíveis do outro lado. Porque se não houver, acabamos por votar no PS por falta de escolha melhor, e eu não quero votar em nenhum partido por essa razão.
    Para além disso, as boas ideias do outro lado levam muitas vezes a que quem está no poder se esforce para melhorar as suas sob pena de o perder, o que beneficia a todos.

  15. Pessoalmente, acho que as ideias de Sócrates para o país são as mais convenientes, reformadoras e modernizadoras e o próprio está cheio delas (e mais que nem conhecemos). Se assim não pensasse, não o apoiava. Acontece que perdeu a maioria absoluta e isso torna a aplicação das ideias que se têm quase impossível. A solução não é, pois, para mim, dar lugar a outros, que são, TODOS eles, maus ou más rezes, mas tentar reconquistar a maioria.

  16. Cara Carmen,

    Só se deve discutir um processo judicial, o que se passa num processo judicial, depois de conhecer factos – os factos relacionados, investigados, articulados no processo.

    A Comunicação Social desinforma, pois não conhece ou conhece o que lhe é deixado «manipuladoramente» à porta; a CS não está preparada para falar de processos judiciais; a CS comunica o que lhe mandam comunicar; o simpatizantes do Homem e do sistema que esta defende escrevem especulando, opinando.

    Depois vem a lavagem da imagem, nem que isso custe lançar a sujidade para cima da justiça.

    Naturalmente que não defendo um PGR e uma responsável do DCIAP que proferem as barbaridades que se conhecem; não posso defendere um PGR que aparece ao lado de Sócrates. Que impacto causa essa imagem junto da população?

    A mim, sugere-me desconfiança, medo, revolta e pena, muita pena, que não haja um ADVOGADO que peque naquela MERDA e desvende o que se passe a sério!

    Neste país houve um político que quis apoucar a comunidade portuguesa, que quis fazer-se valer da sua influência. Acabou por conseguir o que queria ao fim de muitos anos. A CS só dizia a merda que lhe mandavam dizer, mas havia, verdadeseja dita, jornalistas que punham cá fora a realidade, limitados, porém, no espaço, e no conhecimento.

    Sem qualquer pretensão, lhe digo: freeport é uma terra reservada e porque o é, facilmente se lavra ou cultiva conforme a vontade dos que têm acesso à mesma.

  17. tou-te a ber

    Sei que sugeri uma discussão sobre o tema em causa, mas não vou conseguir. A razão é simples. Concordo com tudo o que disseste, logo só conseguiria criar redundância.

    Há no entanto uma questão que muita gente não ousa colocar, mas que é importante.

    A quem serve a destruição da justiça ?

  18. Carmen,

    A destruição da Justiça serve a quem dela beneficia. Se eu seguir o que leio nos jornais, diria: a Sócrates, a Vara, e a tantos outros! Porquê? Porque por mais que um juíz – judicial- e um magistrado façam, haverá sempre um outro órgão – aquele que diz que controla a normatividade das regras, da lei – a desmanchar o trabalho dos tribunais. Quanto a isso NADA SE PODE FAZER. Aí a INFLUÊNCIA manda. Porém, se você conseguiu manter o seu processo no ar durante anos, se conseguiu ganhar nas instâncais judiciais, incluindo as recursivas, mesmo que «Outro» venha a desmanchar o trabalho feito, a Justiça já está feita. O estigma, a lembrança, a consciência, mas sobretudo os factos – verdadeiros -, conhecidos do país, porque os portugueses não se esquecem, compõem a Justiça. Aquele que conseguiu «fugir» à malhas do julgamento, apesar de acusado e pronunciado, não fugirá á verdadeira Justiça. A NOSSA.

    Defendo sempre que para se falar de causas, sobretudo aquelas que desequilibram o País, temos que conhecer o processo. Não podemso, não devemos, especular sobre o que não se sabe. Fale-se com ressalvas, e uma destas é o facto do PGR, titular da acção penal aprecer em público com um indivíduo que se encontra metido, ou pelo menos disso, não escapa, em escandaleiras diárias.

    Não há esclarecimento, apenas informação de que há escutas destruídas e outros factos tais. O dever de informação aos administrados falha, a dúvida persiste e cresce. Eu não acredito em Sócrates.

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